ANÁLISE DO PERFIL DOS ALUNOS NAS LICENCIATURAS EM FÍSICA DO RIO GRANDE DO NORTE
Maria Carmelita De Medeiros Neta
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
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## ANÁLISE DO PERFIL DOS ALUNOS NAS LICENCIATURAS EM FÍSICA DO RIO GRANDE DO NORTE
## Maria Carmelita de Medeiros Neta 1 , Alcindo Mariano de Souza 2 ,
1 Instituto Federal do Rio Grande do Norte, carmelitamedeirosneta@gmail.com
2 Instituto Federal do Rio Grande do Norte, alcindo.souza@ifrn.edu.br
## Resumo
Este estudo investiga o perfil dos alunos dos cursos de licenciatura em física no Rio Grande do Norte, entre 2013 e 2022, com foco nas variáveis de gênero e raça. Utilizando dados do Censo da Educação Superior, a análise revelou disparidades significativas. A Lei de Cotas de 2012 teve impacto positivo na inclusão racial, com aumento na presença de alunos negros e pardos, embora indígenas continuem sub-representados. A representatividade feminina também permanece baixa, especialmente em comparação com os homens, o que reflete as desigualdades de gênero nos cursos de ciências naturais. Apesar de avanços, as taxas de sucesso acadêmico entre os diferentes grupos analisados revelam desafios persistentes: mulheres e estudantes negros e pardos têm menores taxas de conclusão em relação a homens brancos. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas mais eficazes e inclusivas para promover a equidade nos cursos de licenciatura em Física. A pesquisa contribui para o debate acadêmico sobre inclusão e permanência no ensino superior, apontando tanto avanços quanto lacunas que ainda precisam ser superadas para garantir maior diversidade e igualdade de oportunidades.
Palavras-chave : Gênero, Raça, Ensino Superior.
## Introdução:
A Educação Superior no Brasil passou por transformações significativas, impulsionadas tanto por pressões sociais, como os movimentos feministas, quanto por políticas públicas, como a Lei de Cotas nº 12.711/2012 e seu Decreto de Regulamentação nº 7.824/2012, que buscaram ampliar o acesso de grupos marginalizados. Avaliar o alcance dessas ações é de grande importância para verificar se as expectativas em torno dessas mudanças foram efetivamente atendidas. Nesse contexto, a análise do perfil dos alunos de cursos superiores, com base nos dados do Censo da Educação Superior, permite identificar os avanços alcançados e as limitações ainda existentes, oferecendo subsídios para reflexões sobre as políticas de inclusão.
Além da questão racial, o gênero permanece uma barreira nos cursos superiores, especialmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como as ciências naturais. Estudos mostram que as mulheres ocupam menos posições de prestígio e poder institucional, refletindo padrões persistentes de desigualdade no acesso e na permanência. Conforme Moschkovich et al. (2009),
[...] estudos realizados no Brasil revelam padrões de desigualdade em duas principais dimensões. Primeiramente, as mulheres docentes estão concentradas em determinadas áreas do conhecimento (Moschkovich e Almeida, 2015; Tabak, 2002; Vasconcellos e Brisolla, 2009; Canêdo, 2004; Leta, 2003; Soares, 2001; Velho e Léon, 1998). Em segundo lugar, elas ocupam menos posições nas instâncias mais elevadas da carreira, associadas a melhores salários, maior prestígio
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
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acadêmico e mais poder institucional (Moschkovich e Almeida, 2015; Tabak, 2002; Vasconcellos e Brisolla, 2009; Soares, 2001; Leta, 2003).
Assim na área da educação, observa-se uma maior presença feminina na Educação Infantil, caracterizada por salários mais baixos, enquanto sua participação diminui progressivamente em níveis mais elevados de ensino e em cursos superiores que oferecem melhores remunerações.
- O recorte deste estudo concentra-se nos cursos de Licenciatura em Física, na modalidade presencial, no estado do Rio Grande do Norte, com o objetivo de analisar o perfil dos estudantes que ingressam e concluem esses cursos, entre os anos de 2013 e 2022, com destaque para a representatividade de negros e mulheres.
Foram evidenciadas disparidades significativas, mostrando que ainda há muito o que avançar na eficácia. Assim, os resultados indicam a necessidade da ampliação do debate acerca de estratégias voltadas para a promoção da equidade nas instituições do Rio Grande do Norte.
## Metodologia
Este estudo adota uma abordagem quantitativa para explorar as variáveis de interesse e comparar cursos e instituições. Foram analisados os dados de três instituições: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), com base nos microdados do Censo da Educação Superior entre os anos 2013 e 2022.
A análise quantitativa foi concentrada no número total de ingressantes e concluintes, com relação ao gênero e raça nos anos analisados. Contudo para o IFRN foram elaboradas médias aritméticas, visto que essa instituição possui quatro cursos de licenciatura em Física, um situado na capital, Natal e outros três no interior do estado: Caicó, João Câmara e Santa Cruz. Já a UFRN tem um curso em Natal e a UERN possui um curso no município de Mossoró.
Os dados de interesse foram utilizados na construção de novas tabelas e de gráficos em barra, com a finalidade de facilitar a visualização e análise comparativa. Considerados, apenas os gêneros masculino e feminino, e as classificações raciais englobaram: pretos, pardos, brancos, indígenas e amarelos. Conforme são registrados no Censo de Educação Superior.
## Análise dos Resultados
## I.Ingressantes e concluintes por gênero
## Ingressantes
Na Figura 1 são apresentados três gráficos em barra, contendo os dados por gênero dos ingressantes nos cursos de licenciatura em Física no estado do Rio Grande do Norte, no período de 2013 a 2022. O primeiro gráfico superior e à esquerda contém os dados do IFRN, com as médias aritméticas dos quatro cursos dessa instituição. No gráfico superior e à direita são mostrados os dados da UFRN e o gráfico inferior central estão integrados os valores para mulheres e homens na UERN.
Claramente, em todas as instituições o número de mulheres ingressantes é significativamente menor. Demonstrando a maior dificuldade de acesso e o interesse
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das mulheres ao curso. Os fatores que levam a isso podem estar associados a questão da tradição cultural que destina as mulheres para a área de humanas para cursos como letras ou como professoras de crianças, cursando pedagogia, atuando na Educação Infantil.
De acordo com Brito et al. (2015), as mulheres continuam concentradas em áreas específicas, com uma presença predominante nas ciências humanas, enquanto sua participação nas ciências exatas é significativamente menor, representando cerca de metade da quantidade de homens nessas áreas. Esses dados indicam que, apesar do avanço das mulheres no ensino superior, o processo continua marcado por uma segregação, com restrições ou desestímulos ao acesso feminino a certos campos de conhecimento e profissões historicamente dominados por homens.
Quando se verifica o percentual de mulheres ingressantes em relação ao total, tem-se uma média de 26,54% somadas as três instituições, dentro do período analisado.
Figura 1: Número de ingressantes (separados por sexo) no curso de licenciatura em Física no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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O curso com maior diferença no número de homens e mulheres está sediado na UFRN, em que, em média, 19,5% dos ingressantes são mulheres. A menor diferença está no IFRN, com uma média de 35,2% de mulheres ingressando no curso com relação ao total de alunos iniciantes.
Em todas as instituições fica clara certa oscilação no número de ingressantes, tanto homens como mulheres. Contudo, fica caracterizado tanto no IFRN, como na UERN uma redução no número de ingressantes masculinos. Iniciando em 2017, no IFRN e a partir de 2020, na UERN, entretanto na UFRN a oscilação se mantém.
Na UERN percebe-se uma redução no ingresso de mulheres iniciando em 2020, quando comparamos com os anos anteriores. No IFRN e UFRN, a oscilação para o público feminino permanece com pouca variação em seus valores. Isso indica
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que a oscilação de ingresso para o público masculino é maior quando comparada ao feminino.
Segundo o Censo de Educação Superior de 2022, as mulheres representam cerca de 51,6% da população do Rio Grande do Norte, o que equivale a aproximadamente 1.704.208 mulheres. No entanto, ao comparar esse dado com o número de 344 mulheres que ingressam nas três instituições de ensino superior analisadas, observa-se uma grande disparidade. Embora as mulheres constituam mais da metade da população do estado, as 344 ingressantes correspondem a apenas 0,02% da população feminina total, o que indica um acesso significativamente abaixo da proporção de mulheres na sociedade.
## Concluintes
Os dados de concluintes por gênero, nos cursos de licenciatura em Física no estado do Rio Grande do Norte no período de 2013 a 2022, estão apresentados nos três gráficos de barras da Figura 2. De forma similar aos gráficos da Figura 1, constam o IFRN, esquerda superior, UFRN à direita e acima e a UERN no gráfico inferior.
Observa-se que os homens ainda constituem a maioria dos concluintes, resultando na possibilidade em um maior número de professores de Física do gênero masculino ingressando na Educação Básica.
Nos gráficos da Figura 2 pode ser observada uma queda significativa na representatividade masculina na UFRN no ano de 2018, seguida de uma forte retomada em 2019. Embora uma pesquisa prévia tenha sido realizada, não foi possível identificar uma causa específica para essa alteração.
Figura 2: Número de concluintes (separados por sexo) no curso de licenciatura em Física no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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Observa-se também que o IFRN apresenta a maior proporção de mulheres concluintes em comparação com as demais instituições, especialmente nos anos de 2014 e 2017, quando o número de concluintes entre homens e mulheres foi equivalente. Algo esperado, em função de ser a instituição com menor diferença entre
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o número de ingressantes homens e mulheres. Em 2019, essa diferença dos concluintes aumentou, reduz em 2020 e 2021, voltando a crescer em 2022.
Ao longo dos nove anos analisados, a UFRN continua sendo a instituição com a maior disparidade entre concluintes homens e mulheres, sendo também a única onde não houve concluintes do gênero feminino em 2021.
Quando se compara o percentual de concluintes mulheres e homens em relação aos ingressantes, percebe-se que, nas três instituições, o percentual entre os homens é maior. Portanto, as mulheres têm mais dificuldade em concluir o curso, o que indica a necessidade de ações voltadas especificamente para o público feminino, no sentido de permanência e êxito dessas estudantes.
Conforme Agrello e Garg (2009), 'a porcentagem de mulheres no campo da Física é pequena desde a admissão na universidade. E esse nível baixo de participação se mantém durante todo o ciclo de estudos, assim como durante o exercício profissional.' Isso indica que a sub-representação feminina na Física é um fenômeno persistente, que começa no ingresso na universidade e se mantém ao longo de toda a trajetória acadêmica e profissional. As dificuldades enfrentadas pelas mulheres, como a falta de apoio acadêmico adequado e as responsabilidades domésticas, são fatores-chave que contribuem para essa disparidade. Dessa forma, é urgente a implementação de políticas públicas e ações que promovam a inclusão, o apoio contínuo e a equidade de gênero, a fim de garantir a permanência e o sucesso das mulheres na Física.
## II.Ingressantes e Concluintes por Raça
## Ingressantes
Na Figura 3 é apresentado o gráfico em barras, contendo os dados referentes aos alunos ingressantes na licenciatura em Física no IFRN, somando os números dos quatro cursos oferecidos entre os anos de 2013 e 2022, com a descrição dos dados por raça: pretos, pardos, brancos, indígenas, amarelos e aqueles que não definiram cor em autodeclaração.
Figura 3: Número de ingressantes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física do IFRN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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Observa-se uma mudança notável no número de alunos pardos e pretos ingressantes, que aumenta a partir de 2013 e se estabiliza em 2017. Na instituição, o número de alunos que se identificam como pretos também cresce, passando de zero para uma média de três alunos a partir de 2018.
Conforme Guerrini (2012), "Com a aprovação da Lei nº 12.711, em 2012, tornou-se obrigatória a reserva de vagas para alunos de escolas públicas, de baixa renda, e autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI) nas instituições federais de ensino superior e técnico." Isso indica que, após a implementação da lei, houve um aumento significativo na presença de estudantes pretos e pardos, além de alunos de escolas públicas e de baixa renda nas universidades.
Um aspecto interessante no gráfico é o número de alunos que se declaram com cor não definida. Esses dados podem indicar que alguns estudantes não se identificam com as opções oferecidas pelo censo ou que optaram por não assinalar essa categoria no questionário. Fica evidente a redução no número de ingressantes que se autodeclaram com cor não definida em prol da elevação do número de pardos e pretos. Isso indica, que as políticas públicas surtiram efeito quanto ao autorreconhecimento de origem e raça.
Os números de alunos ingressantes por raça, na UFRN, estão representados no gráfico em barras da Figura 4, entre os anos de 2013 e 2022, considerando: pretos, pardos, brancos, indígenas, amarelos e aqueles com cor não definida.
Figura 4: Número de ingressantes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física da UFRN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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O comportamento do gráfico na Figura 4 é semelhante ao da Figura 3 em relação ao aumento no número de alunos pardos e pretos e à certa estabilidade no número de alunos brancos. Também fica evidente a redução no número de ingressantes que não declaram cor, chegando a zero em 2019 e assim permanecendo até 2022. Nota-se alguma oscilação no número de alunos brancos e uma consolidação na proporção de alunos pardos.
Na Figura 5 é apresentado o gráfico de barras com os dados de 2013 a 2022, com relação ao número de ingressantes: brancos, pretos, pardos, amarelos, indígenas e de cor não declarada na UERN.
Observa-se que esta é a única instituição que não registra alunos pretos em alguns anos e que apresenta uma redução expressiva no número de pardos, principalmente a partir de 2014. Em contrapartida, o número de alunos com cor não declarada tem uma forte elevação, contrastando com os números de pardos e brancos. Em 2021, nota-se uma grande redução no número de alunos que não declararam cor e um pequeno aumento nos alunos pretos e brancos, com estabilidade no número de pardos. Em 2022, o número de alunos de cor não declarada volta a crescer, diminuindo o número de brancos e pretos. Nos anos de 2015, 2017 e 2018 não registraram o ingresso de alunos pretos na UERN.
Esses padrões reforçam a necessidade de um estudo mais aprofundado. Fica clara a dificuldade dos ingressantes na autoidentificação, isso pode ter relação com aspectos do preconceito de raça. Portanto, "Os resultados mostram que pessoas negras na universidade sofrem com barreiras históricas na área, e mulheres negras têm desafios particulares que interseccionam raça e gênero" (Silva et al., 2015). Contudo, é difícil estabelecer claramente essa relação, visto que o número de brancos também reduziu.
Figura 5: Número de ingressantes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física da UERN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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Ao comparar os dados de alunos brancos, pretos e pardos nas diferentes instituições ao longo dos nove anos analisados, observa-se claramente a influência da política de cotas. No entanto, é importante destacar a ausência de representatividade indígena nos cursos analisados, um fato que merece atenção.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, a população preta e parda no Rio Grande do Norte corresponde a 50,9% (aproximadamente 1.684.697 pessoas) de pardos e 9,2% (aproximadamente 303.052 pessoas) de pretos. No entanto, ao comparar esses dados com o número de ingressantes nas instituições de ensino
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superior, observa-se que 559,75 pardos (cerca de 0,033% da população parda) e 98,5 pretos (aproximadamente 0,032% da população preta) ingressam anualmente. Esses números refletem uma disparidade significativa no acesso ao ensino superior para a população preta e parda do estado.
## Concluintes
Tem-se na Figura 6 a representação dos concluintes por raça no IFRN, entre os anos de 2013 e 2022.
Figura 6: Número de concluintes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física do IFRN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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Analisando os dados do IFRN, percebe-se que o número de concluintes com cor não declarada diminui à medida que aumenta o número de concluintes pardos. O número de concluintes pretos mantém-se relativamente estável ao longo do período.
A Figura 7 apresenta a classificação dos concluintes por raça na UFRN entre os anos de 2013 e 2022.
Figura 7: Número de concluintes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física da UFRN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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O número de concluintes atinge seu maior valor em 2020, com um aumento tanto no número de concluintes pardos quanto brancos. No entanto, a observação mais destacada nesse gráfico é a grande redução no número de concluintes com cor não declarada ao longo do período analisado.
Os dados da licenciatura em Física ofertada pela UERN estão apresentados no gráfico da Figura 8. Destaca-se que o número de concluintes com cor não declarada é proporcionalmente maior em comparação com as outras instituições. Em 2020, inclusive, o número de concluintes com cor não declarada supera o total de concluintes brancos, pretos e pardos somados.
Figura 8: Número de concluintes (separados por raça) no curso de licenciatura em Física da UERN no Rio Grande do Norte de 2013 a 2022.
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Nas figuras que comparam os dados de representatividade por raça (brancos, pretos, pardos, amarelos e indígenas) em diferentes instituições ao longo dos nove anos analisados, observa-se uma mudança significativa no número de alunos pardos. Destaca-se novamente a ausência de representatividade indígena nas licenciaturas em Física dessas instituições, possivelmente devido à dificuldade de autorreconhecimento de descendência indígena ou ao pouco acesso a políticas identitárias.
Entre os concluintes, os números registrados foram 195 brancos, 43 pretos, 243 pardos, nenhum indígena, 3 amarelos e 128 com cor não definida. Ao calcular as taxas de sucesso, verifica-se que brancos apresentaram uma taxa de 24,1%, pretos 23%, pardos 21,4%, indígenas 0%, amarelos 60% e aqueles com cor não definida 17,4%. Embora a taxa de sucesso entre pessoas amarelas seja maior que a das demais raças, todas as taxas são relativamente baixas.
Vale destacar que não as diferenças entre os percentuais de concluintes em relação aos ingressantes pretos, pardos ou brancos. Isso indica que as possibilidades de conclusão do curso são muito próximas, independentemente da forma de ingresso, seja por cotas ou por listas regulares.
## Considerações finais
Este estudo evidenciou a influência positiva da Lei de Cotas na promoção da inclusão racial nas licenciaturas em Física no estado do Rio Grande do Norte, ao demonstrar o aumento da presença de estudantes pretos e pardos. No entanto, as disparidades de gênero são mais persistentes e ainda impactam de forma significativa
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a conclusão desses cursos, com destaque para as baixas taxas de graduação, especialmente entre as mulheres.
Esses dados sugerem que, apesar dos avanços, as políticas públicas atuais ainda são insuficientes para garantir a equidade no acesso e na permanência de todos os grupos no ensino superior.
Para superar essas barreiras, é crucial a implementação de programas de apoio acadêmico e psicossocial, com foco na melhoria da permanência e no sucesso de estudantes pretos, pardos e mulheres. A quase ausência de representatividade indígena nos dados analisados também evidencia a necessidade urgente de iniciativas que incentivem o autorreconhecimento racial e promovam a valorização da diversidade étnico-racial, especialmente no que se refere à inclusão indígena no ambiente acadêmico.
Os dados também apontam para a necessidade da criação e expansão de programas institucionais específicos, especialmente, que estimulem o ingresso e a permanência das mulheres nos cursos da área das Ciências da Natureza. Sendo essencial que as instituições de ensino superior reflitam sobre a necessidade de práticas inclusivas e sustentáveis, que garantam cursos de formação de professores com maior acesso a mulheres, negros e indígenas. E assim contribuam para que esses grupos tenham uma maior participação e êxito nesses cursos para que possam ter a representatividade que lhes é devida socialmente.
Que outras pesquisas possam buscar perspectivas mais específicas, como como o aprofundamento sobre as questões de interseccionalidade, investigando as experiências de mulheres pretas e pardas nas licenciaturas em Física, considerando como o gênero e a raça se combinam para gerar desafios específicos de acesso, permanência e sucesso acadêmico.
## Referências
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SILVA, Isadora Santos da; ALVES-BRITO, Alan; MASSONI, Neusa Teresinha. História e conhecimento experiencial de pessoas negras na física e nas ciências: uma revisão da literatura. Investigações em ensino de ciências. Porto Alegre. Vol. 29, n. 1 (abr. 2024), p. 272-290 , 2024.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.