Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

HISTÓRIA DA CIÊNCIA E NARRATIVAS FEMINISTAS CONTANDO A HISTÓRIA DE CIENTISTAS.

Amanda Agatha Borges Vidal, Isabelle Priscila Carneiro De Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## HISTÓRIA DA CIÊNCIA E NARRATIVAS FEMINISTAS: CONTANDO A HISTÓRIA DE SHIRLEY ANN JACKSON E VERA RUBIN

## Amanda Agatha Borges Vidal¹, Isabelle Priscila Carneiro de Lima²

1 IFBA/Licenciatura em Física, amanda.vidal89@hotmail.com

2 IFBA/Departamento de Física, isapris@gmail.com

Palavras-chave : História da Física, biografias e narrativas feministas, estudos de gênero.

## Resumo

A narrativa biográfica tem por objetivo trazer fatos pessoais e profissionais da vida de alguém, no nosso caso de mulheres cientistas. A proposta de biografia quando aliada à discussão relacionada aos estudos de gênero oportuniza ampliar discussões relacionadas ao papel e ao lugar reservado a essas mulheres no desenvolvimento da ciência. Desse modo, este trabalho apresentará os percursos alcançados por algumas mulheres que viveram suas carreiras nos séculos XX e XXI, e que atuam nas áreas da Física. Este é um recorte de um projeto de PIBIC. Na tentativa de valorizar e apresentar a participação dessas mulheres, retirando-as do lugar esquecido e invisibilizado, realizamos estudos teóricos sobre as trajetórias acadêmicas das cientistas Shirley Jackson e Vera Rubin. Esses estudos foram orientados pelas teorias de história da ciência, da construção de narrativas de biografias científicas, dos estudos de gênero e história das mulheres. A partir das referidas referências teóricas, pretendeu-se contribuir tanto para que mais biografias sobre este grupo fosse apresentado e disponibilizado para leitura e estudo, quanto contribuir para que a imagem de cientistas dentro da comunidade acadêmica vá além de homens brancos, heterossexuais e de países do norte global, apresentando assim uma imagem diversa e seja representativa para tantas estudantes que almejam, um dia, seguirem carreiras científicas.

## Introdução

Como está registrado na história das instituições, da ciência também, é sabido por nós que, séculos atrás, a participação das mulheres na vida acadêmica não era permitida. Aos poucos, as universidades europeias e norte-americanas começaram a aceitar que essas mulheres tivessem o direito de avançar nos estudos e se candidatassem às vagas no ensino nas Universidades. Na área das ciências físicas, a situação era ainda mais grave. Hoje, o número de mulheres nos cursos de física, química e matemática cresceu, no entanto, ainda é possível verificarmos que há muito mais homens do que mulheres com carreiras consolidadas nessas áreas. Além disso, a velocidade do avanço dentro dessas carreiras, além do alcance aos cargos mais altos dentro de espaços de ensino e pesquisa, ainda se mostra bem discrepante (Areas et al, 2019, p. 4). Ainda no início do século XX, apesar de todo o empenho para a invisibilização das suas contribuições, muitas dessas mulheres colaboraram em estudos da ciência. Marie Curie, Lise Meitner, Emmy Nöther, são alguns exemplos. Outras, talvez não puderam estar a frente de pesquisas, e logo são enquadradas em um lugar de ajudantes dos homens colegas de trabalho, e a elas é relegado o rótulo de pessoas que 'ajudaram indiretamente' os homens, os

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

quais eram do seu convívio, muitas vezes eram seus companheiros, seus pais, irmãos, etc. Schiebinger (2001)

A luta pelos direitos iguais de acesso a espaços acadêmicos teve grande participação do movimento feminista, desde o final do século XIX. Esse movimento, hoje, é dividido em três ondas, conforme nos apresenta Gomes (2016, p. 88). Nessas ondas, além do direito ao voto, ao direito sobre seus corpos, haviam as reivindicações dos direitos para o ingresso das mulheres no meio acadêmico Oliveira (2009, apud Gomes, 2016, p.89). No Brasil, as lutas do movimento feminista acarretou, em 1879, na Lei Leôncio de Carvalho que garantia o direito ao ingresso no ensino superior das mulheres. Barbosa (2013, apud Gomes, 2016, p.89).

As narrativas produzidas nesse projeto compreendem a análise dos fatos presentes nas trajetórias das cientistas, numa perspectiva dos estudos feministas, fazendo uma historiografia feminista. Os ideais feministas atrelados à historiografia da ciência fazem nascer não somente uma nova narrativa sobre o episódio escolhido, mas o questionamento sobre o porquê dessa história ser narrada até a atualidade, desconsiderando aspectos cruciais para que se compreenda o papel da mulher naqueles espaços ou para o desenvolvimento da ciência. Dessa forma, os meios de apresentar as contribuições de mulheres nas ciências é uma das melhores maneiras de incentivar uma quantitativa participação de meninas e mulheres em cursos e estudos de ciência e sobre a ciência. Com isso, os materiais utilizados para o estudo, sobre a História da Ciência, onde enfatizou o histórico de algumas mulheres cientistas, por volta do século XX e XXI, foi de suma importância, por haver o relato das participações de algumas mulheres cientistas em algumas descobertas, principalmente, no meio da Física e, quanto a iniciação das mesmas ao ensino superior, que deu início por volta da primeira metade do século XX.

## Metodologia

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Diante do estudo teórico sobre o problema abordado, foi possível se aprofundar nas questões das mulheres em fazer ciência e sua participação, através dessas leituras e discussões dos textos. Mas, para que houvesse uma abrangência melhor, foi necessário iniciar as leituras por meio de textos sobre os métodos de História da Ciência. Desse modo, foi possível constatar que para realizar uma pesquisa em história -seja de matemática, física, etc -, é necessário que se conheça sobre a área que deseja abordar, e, então, é necessário que saiba também sobre a História da Ciência. Em seguida, foram realizadas leituras e estudos direcionados às questões de gênero e feminismo. A ideia foi explicitar que a participação das mulheres, quando se tratava em fazer ciência, quase sempre foi diminuída ou invisibilizada, mesmo elas fazendo parte do corpo de trabalho em laboratórios, grupos de pesquisa. Por esse motivo, as mesmas só eram consideradas parte da equipe se associadas a alguma figura masculina, muitas vezes, quando eram seus cônjuges. O discurso de que as mulheres ainda não eram aceitas nas universidades nessas épocas não nos convence, uma vez que, à época das cientistas que escolhemos para biografar já não havia mais impedimento legal para isso. Como diz Maffia (2002), além desses impedimentos legais, devemos sempre ter em mente os impedimentos que não são os registrados nas leis, mas que se fazem presente na sociedade, na divisão sexual do trabalho, quando as posições melhores são ocupadas por homens cisheteronormativos.

Depois de fazermos essas discussões, foi possível dar início a busca das biografias e os episódios históricos para a escrita das narrativas. As trajetórias selecionadas foram as da física teórica Shirley Ann Jackson e a astrônoma Vera Rubin. Para essa escrita de narrativas, o texto de Hidalgo (2020) nos orientou como é possível fazer uma narrativa histórica obedecendo os critérios da pesquisa em História da ciência e, pensando nas biografias como fruto desse trabalho, como elas devem estar presentes nos livros didáticos, a fim de que apresentem da forma mais razoável como se desenvolve a ciência, quais as características dos seus processos de construção do conhecimento científico.

## Trechos biográficos das cientistas - Shirley Ann Jackson (1946-)

Shirley Ann Jackson, nasceu em Washington (Distrito de Columbia), no dia 05 de agosto de 1946 e cresceu por aquelas redondezas, em uma região conhecida como Petworth e Takoma Park, localizada no noroeste de Washington. Seus pais a incentivaram e estimularam na leitura e em projetos científicos - coleção de abelhas para observação de seus experimentos - desde nova. No entanto, seu pai não obteve a mesma oportunidade de estudos, por ter que trabalhar desde novo e logo após, alistou-se e foi servir ao exército. Enquanto que sua mãe teve a oportunidade de estudar no colégio interno, logo em seguida ingressou-se na faculdade chamada St. Paul 's. (Jackson, 2020)

No ensino médio ingressou na escola Roosevelt, onde Jackson deu iniciativa a programas de aulas avançadas em cálculo, física, gramática, composição, economia e latim (por seis anos). Obtendo assim, um excelente histórico; formando-se em 1964, como oradora da turma (a melhor da turma). ( Williams, 2008; Britannica Kids, 2021)

Nesse mesmo ano (1964), Jackson matriculou-se e deu início a suas aulas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde começou a estudar física teórica ( Williams, 2008; Britannica Kids, 2021). Havia apenas ela e uma outra

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

discente na graduação, as duas sendo mulheres e afro-americanas. Ao decorrer de sua estadia no MIT, Jackson sofreu bastante por um tempo, devido a sua cor de pele. orava sozinha em um dos apartamentos no dormitório para as mulheres, rejeitada quando se sentava ao refeitório pelos seus colegas e até mesmo quando oferecia-lhes ajuda com alguma das atividades didáticas, a motivo de chacota para um dos professores e a outra colega que era afro-americana como um personagem fictício. ( Jackson,2020)

As rejeições não foram um empecilho para que ela desistisse, ela buscou por justiça, procurando algum discente para que fosse seu aliado, mas encontrou apenas fora do MIT, onde participou da irmandade afro-americana, Delta Sigma Theta. No seu último período de graduação, ela se tornou uma das primeiras co-presidente da União de Estudantes Negros, sindicato formado por um grupo de esdutantes afro-americanos, onde criaram propostas com a intenção de aumentar a quantidade de estudantes e docentes negros no Instituto. Diante disso, no ano seguinte após seu esforço, resultou no aumento do número de inscritos negros para ingressar-se no MIT. ( Jackson, 2020; Britannica Kids, 2021)

Em 1968, ela se formou como bacharel, sendo a sua tese sobre a densidade de tunelamento de estados em ligas supercondutoras de nióbio-titânio. Dando assim sequência ao seu estudo para o Doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) -embora tenha sido aceita por outras universidades- ela tinha a intenção de continuar a incentivar os discentes afro-americanos a ingressar-se na MIT. Ao decorrer do seu Ph.D, no seu pós-doutorado por volta de 1970, Jackson estudou e tomou parte de pesquisas nos laboratórios de física de partículas pelo Estados Unidos e Europa; dando início a sua carreira no Fermi National Accelerator Laboratory em Batavia, Illinois (Fermilab), onde continuou o trabalho de sua tese. ( Williams, 2008; Jackson, 2020)

Jackson, concluiu seu Ph.D em 1973, onde trabalhou e defendeu sua tese sobre a teoria das partículas elementares, sendo a primeira mulher afro-americana a obter um Doutorado do MIT (Williams , 2008; Jackson, 2020). E por volta de 1974, iniciou seu trabalho no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na Suíça -onde era aceita apenas como uma física talentosa e sem sua identidade ser algo tão problemático-, trabalhando sobre as regiões e teorias de campo não lineares; aprendendo mais sobre a topologia, e com isso se interessando pelas propriedades topológicas de soluções para teorias de campo não lineares. (Jackson, 2020)

Quando Jackson participou da escola de veraneio, foi lá onde conheceu John Clark, um físico teórico que trabalhava na Bell Laboratories. Após algumas conversas com ele, o mesmo indicou outras pessoas da física teórica para que conversassem com Jackson. Diante disso, Maurice Rice, chefe do Departamento de Pesquisa em Física Teórica da AT & T Bell Laboratories; após externalizar suas idéias, Maurice convidou-a para iniciar o trabalho que já havia feito na física de partículas, dando assim, continuidade no trabalho. Onde conduzia as pesquisas em física teórica, física quântica e de estado sólido e física óptica, em 1976.

Durante esses 15 anos no laboratório, ela fez parte de alguns grupos de pesquisa, um deles foi do Departamento de Pesquisa em Física de Espalhamento e Baixa Energia, em 1978. Onde permaneceu por volta de 10 anos, mudando-se em seguida para o Departamento de Pesquisa em Física Quântica e Estado Sólido, em 1988. No entanto, o que mais chamava-lhe a atenção para o foco era as teorias de

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

ondas de densidade de carga e as reações de neutrinos, um tipo de partícula subatômica; fazendo pesquisa sobre as propriedades ópticas e eletrônicas de materiais em camadas de super redes semicondutoras de camada deformada e aspectos polarônicos dos elétrons na superfície de filmes de hélio líquido (Williams,, 2008; Rensselaer, 2021).

Shirley Ann Jackson chegou a um determinado ponto, o qual ela considerava que queria uma diferente estrutura de vida (após se casar e já ter um filho), com o intuito de iniciar essa nova estrutura, quando ela havia comunicado que não pretendia mais apenas continuar fazendo o que estava fazendo -onde fazia uma boa ciência, trabalho, colaboração, publicava, dava palestras na American Physical Society e publicava nas principais revistas de física-, a Rutgers (Universidade localizada em Piscataway) entrou em contato e ofereceu-lhe um cargo como professora titular efetiva; e então, em 1991, ela aceitou lecionar como Física na Rutgers University em Piscataway e deu continuidade na Bells Laboratories por meio período, até iniciar sua carreira como Reguladora Nuclear. (Jackson, 2020; Rensselaer, 2021)

- O Presidente Bill Clinton, por volta de 1995, nomeou a Dra. Jackson como chefe da Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC), que tem como objetivo regular e salvaguardar o uso de material de subproduto do reator nuclear e é responsável pela proteção da saúde e segurança públicas, do meio ambiente e da defesa e segurança comum. Jackson tinha a função principal de executiva do NRC, com a autoridade final para todas as funções do NRC em relação a uma emergência; e seguiu até o ano de 1999. Em 1991, se tornou a primeira Dra.mulher negra presidente do Rensselaer Polytechnic Institute. (Williams, 2008; Jackson, 2020)

E em 2001 a 2003, ela fez parte do Comitê Consultivo da Administração Nacional de Segurança Nuclear do Departamento de Energia dos EUA (NSA); e por volta de 2002 a 2005, no Conselho Consultivo para Imagens Biomédicas e Bioengenharia dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Em seguida, entre 2009 a 2014, a Dra. Jackson deu início no Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia do Presidente (PCAST), dando auxílio a Casa Branca com o intuito de fortalecer a economia e levantar uma oportunidade crescente. Ela também foi co-presidente do Comitê Consultivo de Inovação e Tecnologia do Presidente (PITAC). Até o ano de 2020, Dra. Jackson continuou com o cargo de presidente do Rensselaer Polytechnic Institute; além de continuar lecionando física aplicada, astronomia e ciências da engenharia na Rensselaer. (Rensselaer, 2021)

## Trechos biográficos das cientistas - Vera Rubin (1928-2016)

Vera Rubin nasceu em 1928, em família de imigrantes na Filadélfia, Pensilvânia. Na infância de Vera Rubin, por volta dos seus 10 anos, a mesma relata que começou a observar os movimentos das estrelas durante a noite. Com isso, dois anos depois, Rubin com o intuito de aprender sobre as estrelas, ela se aprofundou no assunto, se direcionando até uma biblioteca e lendo mais sobre esse fenômeno. Rubin, de tanto observar, achou algo notável, através de alguma noção do movimento da Terra conseguiu obter uma noção das horas pelas estrelas. Os seus pais, deram-lhe muito apoio, apenas não concordavam que Rubin ficasse acordada a noite inteira observando as estrelas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Ao decorrer do tempo, por volta do início de 1940, quando já estava morando na cidade em Washington - onde era melhor de se observar as estrelas - , ela foi até o centro comprar alguns matérias (tubo de linóleo) e encomendou uma lente da Edmund ́s para construir um pequeno telescópio e pôde contar com a ajuda do pai, engenheiro elétrico, nessa construção, porém não deu muito certo, pois, quando a mesma tentou tirar fotos pelo instrumento (telescópio) não funcionou porque o telescópio não havia rastreado.

Como Rubin sempre obteve curiosidade pelo o céu e estrelas, no ensino médio, ela teve certeza que queria se tornar uma astrônoma, por mais que não conhecesse nenhum astrônomo, apenas por livros. Então, em 1945, Vera Rubin iniciou seus estudos no Vassar College, no estado de Nova York, onde Maria Mitchell - a primeira professora de astronomia - havia lecionado em 1865-1888. A razão pela qual Rubin decidiu ingressar em Vassar, foi por conta de não haver tantas universidades que aceitavam mulheres para estudar astronomia e por conta da história de Maria Mitchell, onde Vera Rubin pretendia tornar a história da cena científica americana de Maria tão reconhecida quanto a de Benjamin Franklin.

Em relação aos incentivos na faculdade, era mais direcionado à ciência em geral, havendo muita física e matemática, deixando de encorajar a astronomia. No entanto, ela concluiu sua graduação sendo a única astrônoma de sua classe, e deu início a sua pós-graduação na Cornell University, em Ithaca, Nova York, por volta de 1948, mesmo sendo aceita por Harvard e mesmo a Cornell sendo um lugar quase que exclusivo para homens, havendo apenas uma docente mulher no departamento; Rubin, ainda assim, preferiu adentrar em Cornell, por conta do seu marido, Robert Rubin - ela havia se casada quando se formou em Vassar - que já estava se formando na pós-graduação, então ela tinha a intenção de se juntar a ele.

Assim que iniciou os estudos em Cornell, um homem (um ex-navegador da Marinha durante a guerra) chegou de maneira a qual tinha pretensão de a desestimular, falando para ela procurar outra coisa para estudar, pois não conseguiria emprego no meio da astronomia. No entanto, ela não se desestimulou em relação ao comentário desse homem, dando continuidade nos seus estudos.

Diante de sua trajetória em Cornell, Vera Rubin apresentou seu trabalho de dissertação de mestrado sobre o movimento em larga escala de galáxias, na AAS (Sociedade Astronômica Americana), mesmo não fazendo parte dessa sociedade. Mas, ela mesmo ainda amamentando seu primeiro filho, realizou a palestra em dezembro de 1950 e logo em seguida foi embora. Ela tinha pedido para que seus pais a levassem, no local da palestra, pois ela e seu marido não tinham carro. Por tanto, não foi tão bem aceito o seu trabalho, por conta da insuficiência dos dados apresentados.

No entanto, Vera Rubin, se mudou com seu marido para Washington D.C, e deu início ao seu trabalho de doutorado em Georgetown, onde ela estudou radioastronomia com Hagen, realizou trabalhos iniciais de radioastronomia, estudou espectroscopia com Kiess do Bureau e Meggars e trabalhou os espectros com Charlotte Moore. Após seu marido iniciar o trabalho no Laboratório de Física Aplicada de Washington; George Gamow - professor da George Washington University naquela época - entrou em contato com Rubin depois que ouviu falar do seu trabalho de mestrado, logo em seguida, ligou e conversou com ela; dessa forma,

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

acarretando na escolha da mesma, em relacionar o seu trabalho do mestrado ao trabalho do Doutorado.

Por meio desse contato, ele (Gamow) pretendia obter mais alguns detalhes do trabalho do mestrado de Rubin, porque ele ia realizar uma palestra no Laboratório, diante disso, ela se ofereceu para ir como ouvinte a essa palestra. E Gamow explicou que a mesma não poderia estar presente na palestra, porque as esposas não eram permitidas no Laboratório de Física Aplicada.

Ao decorrer do tempo, Rubin passou um dia em Georgetown resolvendo um problema da tese que Carl Kiess havia dado para ela. A partir desse problema, da pergunta - se havia um comprimento de escala na distribuição das galáxias - que Gamow havia feito a ela, de não ter como chegar a um observatório e ficar coletar dados (por conta dos seus dois filhos) e por se encontrar algumas vezes na sua carreira em posições controversas. Rubin decidiu que não era mais esse problema de tese que queria trabalhar; considerando um novo tema do doutorado, a distribuição espacial das galáxias.

Após a decisão da troca de tese, Rubin obteve um grande apoio de seu marido, um habilidoso físico matemático, e recebeu orientações de François Frenkiel, um hidrodinamicista que trabalhou no Laboratório de Física Aplicada. Com isso, ela se atentou a maneira de como resolver esse novo problema, que era por meio do cálculo das contagens de galáxias ao longo do céu e aplicando o procedimento de correlação de dois pontos. (AIP) Por volta de 1954, ela havia concluído a tese, onde conseguiu demonstrar que as galáxias são agrupadas e não distribuídas uniformemente no espaço; por mais importante que essa descoberta havia sido, seu reconhecimento deu-se apenas anos depois.

Em 1960, ela queria ir ao Observatório Palomar para usar o telescópio Hale, localizado na Califórnia, mas não permitiram a sua presença, por conta do seu gênero. Nesse mesmo ano (1960), ela e Ford iam ao Observatório Lowell ou ao pico Kitt, para obter alguns espectros - conhecido como espectros miseráveis. No entanto, ela optou observar e estudar a rotação de M31, por ser um problema no qual as pessoas se interessavam, mas não iam tanto afundo, dessa forma, não tendo quem a incomodasse antes mesmo de finalizar o estudo. Em 1962, foi publicado um dos seus primeiros artigos, onde usou dados de catálogos de estrelas, declarando que a velocidade da rotação permanecia constante e longe do centro.

Diante de sua carreira, Vera lecionou em Georgetown, e após lecionar, por volta de 1965, começou a trabalhar em um cargo como pesquisadora, no Departamento de Magnetismo Terrestre do Carnegie Institution, em Washington D.C. Onde conduziu sua pesquisa inovadora, juntamente com Ford, e orientou alguns jovens astrônomos na investigação da dinâmica da galáxia e da matéria escura.

Kent Ford, por volta de 1970 construiu um espectrógrafo, uma tecnologia eletrônica de melhor desempenho, com isso, eles fizeram observações confirmatórias, onde essas medições trouxeram evidências da existência da matéria escura e como se acomoda na forma de halos ao redor das galáxias para os cosmologistas, e mostrou o que os mantém estáveis é a atração da gravitação.

Por meio das observações que fizeram juntos, passaram a observar os quasares e pesquisar sobre o fenômeno das irregularidades na expansão cósmica.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Ainda na década de 1970, eles publicaram suas descobertas da primeira curva de rotação para a galáxia de Andrômeda (apud VC Rubin e K. Ford Astrophys. J. 159 , 379; 1970). No entanto, ainda na mesma década (1970), Rubin com sua nova descoberta - da velocidade que as estrelas orbitam em torno dos centros das galáxias espirais permanece alta mesmo na área periférica - , acarretou na contradição da teoria newtoniana da gravitação, a qual relata que a velocidade das estrelas distantes tende a cair de maneira que a força da gravidade diminui.

Vera e Kent decidiram usar as assinaturas espectrais em comprimentos de onda ópticos, onde resultou na diminuição de dificuldades de interpretar a dinâmica dos gases. Sendo assim, em meados de 1978, foi possível confirmar a existência da matéria escura - não emite nem absorve luz e constitui 85% da densidade de massa do Universo - , por meio das curvas de rotação planas em uma grande amostra de dez galáxias espirais. (apud VC Rubin et al. Astrophys. J. Lett. 225 , L107 - L111; 1978)

Portanto, apesar das dificuldades que Vera Rubin obteve, ela se dedicou ao máximo nas suas observações, pesquisas e investigações, as quais contribuíram para o mundo científico. Além disso, ela se dedicou também em se manifestar contra os obstáculos que eram impostos para as mulheres naquela época, onde buscou a representação e a inclusão (direitos iguais) das mulheres no meio científico e palestrante. Conseguinte, segundo a matéria do site nature, ela é a primeira mulher que terá seu nome em um grande laboratório, em construção no Chile, o qual está programado para dar início às operações científicas em 2023.

## Resultados obtidos

Ao final do desenvolvimento do trabalho, foi possível conhecer um pouco da literatura sobre História das Ciências, sobre as discussões em torno da história de mulheres e a importância de seus trabalhos para o desenvolvimento da física. Além disso, conseguimos escrever as biografias de duas das cientistas indicadas no plano de trabalho, a saber, Shirley Jackson e Vera Rubin. Como diferencial, este projeto oferece não apenas biografias que podem se utilizadas para o ensino de física e suas intersecções com as questões de gênero e raça, isso porque os registros biográficos elaborados oportunizam a pessoa que ler, seja ela professora ou estudante, algumas discussões relacionadas ao papel das mulheres na história da ciÊncia, assim como a influência de questões etnico-raciais nas trajetórias acadêmicas e profissionais de uma das cientistas escolhidas.

## Conclusão

Como conclusões, podemos elencar, inicialmente, a importância dessa discussão ser oportunizada em um projeto de PIBIC, para uma estudante mulher e negra, dentro de um espaço em que, de um modo geral, não se apresentam histórias de personagens que sejam representativas para ela. A proposta se constituiu não só em apresentar essa possibilidade para a estudante, mas também para que ela mesma pudesse produzir, juntamente com a sua orientadora, um material que narra a história de mulheres pouco ou quase não conhecidas dentro da história da física. Além disso, um material que inspire outras estudantes em qualquer nível de ensino e que sirva de referência para tantas outras que, muitas vezes, não

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

se sentem representadas dentro de espaços de ciência. Concluímos também, que a experiência do estudo e da escrita dentro desta temática oportunizou a uma estudante de física a possibilidade de conhecer uma física diferente do que sempre lhe é apresentado, e mais, convencê-la de que espaços de ciência é um espaço possível para sua carreira acadêmica e profissional.

## Referências Bibliográficas

ABBOTT, Alison. Vera Rubin, astrônoma extraordinária - uma nova biografia. Nature , 2021. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/d41586-021-00734-4 >. Acesso em: julho de 2021.

AREAS, Roberta; BARBOSA, Marcia C.; SANTANA, Ademir E. Teorema de Emmy Nöther, 100 anos: alegoria da misoginia em ciência. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 41, 2019.

BAHCALL, Neta A. Vera Rubin (1928-2016). Nature , 2017. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/542032a>. Acesso em: Julho de 2021.

FORATO, T. C. M. A Natureza da Ciência como Saber Escolar: um estudo de caso a partir da história da luz. 2009. Tese (Doutorado) - FEUSP, São Paulo.

HIDALGO, Juliana Mesquita; DE MEDEIROS QUEIROZ, Daniel. Biografias científicas com vistas à inserção didática: aportes da História e da História da Ciência. História da Ciência e Ensino: construindo interfaces , v. 21, p. 65-86, 2020.

MAFFIA, D. Crítica feminista à ciência. In.Feminismo, Ciência e Tecnologia. Organizado por Ana Alice Alcântara Costa e Cecília Maria Bacellar Sardenberg. Salvador:REDOR/NEIM-FFCH/UFBA, (Coleção Bahianas 8) ISBN85-88688-03-4.2002. 320p.

MATTHEWS, M. R. History, philosophy and science education: the present reapproachment.Science & Education, v. 1, n. 1, 1992. p. 11-47.

RAGO, M.Descobrindo historicamente o gênero.Cadernos pagu (11)1998. p.89-98.SCHIEBINGER, L. O feminismo mudou a ciência? Tradução de Raul Fiker. Bauru, SP: EDUSC, 2001.

SILVA, C. C. (Org.). Estudos de História e Filosofia das Ciências: Subsídios para Aplicação no Ensino. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2006.

Entrevista com Vera Rubin por Alan Lightman em 3 de abril de 1989, Niels Bohr Library & Archives, American Institute of Physics, College Park, MD USA, www.aip.org/history-programs/niels-bohr-library/oral-histories/33963.

VERA RUBIN. Mulheres na Ciência, 2021. Disponível em: <http://mulheresnaciencia-mc.blogspot.com/2013/02/vera-rubin.html>. Acesso em: Julho de 2021.

Entrevista de Shirley Ann Jackson por David Zierler em 17 e 22 de julho de 2020, Niels Bohr Library & Archives, American Institute of Physics, College Park, MD EUA, www.aip.org/history-programs/niels-bohr-library/oral -histórias / XXXX

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Shirley Ann Jackson, PhD biografia. Rensselaer Polytechnic Institute, 2021. Disponível em: <https://president.rpi.edu/president-biography>. Acesso em: 09 de jun. de 2021.

Shirley Ann Jackson. Britannica Kids, 2021. Disponível em: <https://kids.britannica.com/kids/article/Shirley-Ann-Jackson/633095>. Acesso: 09 de jun. de 2021.

WILLIAMS, Scott. Shirley A. Jackson. Physicists of the African Diaspora, 2008. Disponível em: <http://www.math.buffalo.edu/mad/physics/jackson\_shirleya.html>. Acesso em: 10 de jun. de 2021.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.