FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA POR MEIO DE TEMAS
Flavia Pereira Da Rocha, Altem Nascimento Pontes, Andrey Gomes Martins, Larissa Maciel Do Nascimento, Taynná Nayara Barreiros Arrais
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA POR MEIO DE TEMAS FORMATION OF PHYSICS TEACHERS BY MEANS OF THEMES
Flavia Pereira Rocha , Altem Nascimento Pontes , Andrey Gomes Martins , 1 2 3 Larissa Maciel do Nascimento , Taynná Nayara Barreiros Arrais 4 5
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## Introdução
A carência de docentes na área de Ciências Naturais é uma realidade nacional, sendo que no estado do Pará a problemática é bem mais acentuada, por diversos agravantes, seja de natureza político-administrativa, econômica ou geográfica.
Para atender a essa demanda e cumprir o que estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) de 1996, que no parágrafo 4° do Art. 87 afirma 'que até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço', a Universidade do Estado do Pará (UEPA) implantou o curso de Ciências Naturais que, a princípio, atenderia somente as necessidades do interior do Estado do Pará. Ao término do curso, os sujeitos recebem um Certificado de Conclusão que lhes permite ministrar aulas de Ciências no Ensino Fundamental (5ª a 9ª séries) e no Ensino Médio, sendo que nesse último caso são disponibilizadas três áreas de concentração, quais sejam: Biologia, Física e Química.
O curso de Ciências Naturais foi ofertado pela primeira vez em 1999. Na época, ele não permitia que o vestibulando optasse pela habilitação (Biologia, Física ou Química) no seu ingresso, fato que se sucedeu até o processo seletivo de 2003. Nas primeiras turmas do curso de Ciências Naturais os alunos estudavam durante três anos as disciplinas de formação geral e, apenas no último ano da Graduação, eles cursavam as disciplinas que dariam a formação específica - o já conhecido três mais um. Essa organização curricular tinha como objetivo atender as necessidades das cidades do interior do Estado, carentes no que concerne à formação de professores de Ciências. Entretanto, a partir de 2004, a opção pela habilitação passou a ocorrer no próprio processo seletivo. Além disso, ainda em 2004, o curso foi também implantado no campus da UEPA em Belém, capital do Estado do Pará.
Atualmente, o desenho curricular está organizado em núcleos: núcleo comum, cursado nos dois primeiros anos e núcleo específico, cursado nos dois últimos anos do curso. No núcleo comum, alunos de Física, Química e Biologia
cursam as mesmas disciplinas, pois se entende que neste período ocorre a formação para o exercício da docência no nível fundamental.
Portanto, o presente trabalho se propõe a apresentar os desafios na formação de professores de Física por meio de temas, a partir de um diagnóstico sobre o estágio atual do curso de Licenciatura Plena em Ciências Naturais Habilitação em Física, da Universidade do Estado do Pará, conforme a percepção dos discentes.
## Metodologia
A amostra desta pesquisa foi constituída por 61 alunos de Licenciatura Plena em Ciências Naturais - Habilitação em Física -, da Universidade do Estado do Pará, Campus Belém, do segundo, terceiro e quarto ano da Graduação. Ressalta-se que este quantitativo, correspondia à totalidade de alunos que ainda frequentavam o curso das turmas de 2004, 2005, 2006, 2008 e 2010.
A coleta de dados ocorreu no Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará - que é o local onde são desenvolvidas as atividades de ensino do curso em tela -, durante o 2º semestre letivo dos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, mais precisamente entre os meses de setembro a novembro, nos turnos da manhã e tarde. Para o levantamento dos dados, foi elaborado, como instrumento, um questionário planejado e estruturado previamente, com 16 questões fechadas, o qual foi entregue aos discentes.
Os dados observados da amostra foram tabulados e empregaram-se estatísticas descritivas para o cálculo de médias, além da determinação de frequências.
## Resultados e Discussão
Com base no levantamento dos dados obtidos da pesquisa de campo, passamos então a apresentar os principais resultados da pesquisa e, a partir deles, traçar um perfil do estágio atual do curso associado à proposta metodológica baseada em temas.
Questão 1. Seus professores de Física do curso de Ciências Naturais costumam levar os alunos para aulas em espaços para educação não-formal, como museus, jardim botânico, planetário, indústria e outros? Justifique.
Mais de 50% dos alunos pesquisados informaram que seus professores nunca os levaram para este tipo de espaço. O fato de a maioria dos alunos afirmarem que seus professores nunca os levam para espaços de educação nãoformal evidencia que a contextualização, característica importante da abordagem temática, ocorre de forma parcial, reduzindo assim a promoção do processo ensinoaprendizagem.
Questão 2. Os professores de Física do curso de Ciências Naturais trabalham de forma integrada, isto é, desenvolvem suas atividades em comum acordo com os demais professores das outras disciplinas do semestre? Justifique.
Da amostra, 55% dos alunos informaram que não percebem a integração como prática pedagógica no referido curso. De fato, há um pequeno percentual que afirma existir um trabalho integrado, mas isso só reafirma o antagonismo entre o
curso nos dois primeiros anos e nos dois últimos, pois, esta prática é contemplada, geralmente, nas disciplinas do núcleo comum, no momento em que os alunos cursam as disciplinas do núcleo específico o curso apresenta-se de forma disciplinar.
Questão 3. Marque a forma de avaliação mais utilizada pelos professores de Física do curso de Ciências Naturais.
A prova escrita foi indicada por 45% dos estudantes. A prova escrita, recurso de avaliação preponderante no ensino de Física tradicional, ainda é o recurso mais utilizado pelos docentes, segundo os alunos. Assim, os demais recursos de avaliação, na maioria das vezes, só ocorrem no momento da formação para a docência no ensino fundamental. Sendo menos frequente a utilização de algumas formas de avaliação citadas no questionário, como: produção de texto sobre os temas estudados, participação nas atividades desenvolvidas em sala de aula, seminários.
## Considerações Finais
O curso de Ciências Naturais com habilitação em Física da Universidade do Estado do Pará precisa passar por algumas adequações, pois ele apresenta características que atenderiam as necessidades mais imediatas do interior do estado do Pará, como por exemplo, a formação de professores que poderia, ao mesmo tempo, suprir as demandas para o ensino fundamental e médio. No entanto, nesta pequena amostra de perguntas, verificaram-se algumas inconformidades que precisam ser sanadas para que esta abordagem seja bem sucedida.
- O ensino de Física possui uma cultura acadêmica positivista (SAMANIEGO, 1994) que gera certa resistência na abordagem temática, mas é evidente que a falta de uma capacitação básica também contribui para o insucesso do curso de Ciências Naturais nesses moldes.
Para Magalhães-Júnior e Pietrocola (2007) ainda hoje o ensino de Ciências apresenta resultados insuficientes, levando-nos a considerar que um dos problemas está ligado ao modelo de formação dos professores, que oscila entre a especificidade disciplinar e a generalidade.
- O trabalho aqui apresentado poderá ser aprofundado levando em consideração a percepção dos docentes em relação a este processo. De tal forma que essa análise mais profunda pode contribuir para a melhoria da formação desses futuros professores.
## Referências
BRASIL, Ministério da Educação, Secretária de Educação Básica. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Ministério da Educação, 1996.
MAGALHÃES-JÚNIOR, Carlos e PIETROCOLA, Maurício. A Formação dos Professores de Ciências para o Ensino Fundamental. In: XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2007, São Luís-MA. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2007.
SAMANIEGO, Luis Elias Q. O Positivismo e as Ciências Físico-Matemáticas no Brasil. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v.11, n.1, p. 105114, ago. 1994.
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