ANÁLISE DE ENTREVISTAS COM PROFESSORES PARTICIPANTES DA ESCOLA SIRIUS PARA PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
Vitor Acioly, Marcello Madeira, Gabriel Santos Fonseca, Danillo Scoralich, Jasmim Andrade Ezequiel, Francisco Levi Pereira Braga, Rubens Antônio Da Silva, Antônio Carlos Fontes Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 23/01/2025
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025
Texto completo
## ANÁLISE DE ENTREVISTAS COM PROFESSORES PARTICIPANTES DA ESCOLA SIRIUS PARA PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
## ANALYSIS OF INTERVIEWS WITH TEACHERS PARTICIPATING IN THE SIRIUS SCHOOL FOR HIGH SCHOOL TEACHERS
Vitor Acioly 1 , Marcello Madeira², Gabriel Fonseca 3 , Danillo Scoralich 4 , Jasmim Andrade 5 , Francisco Levi Pereira Braga 6 , Rubens Antônio da Silva 7 , Antonio Santos 8
- 1 Universidade Federal Fluminense, vitoracioly@id.uff.br
- 2 Universidade Federal Fluminense, lmarcello@id.uff.br
- 3 Instituto Federal do Rio de Janeiro, gabrielsfprofissional@gmail.com
- 4 Universidade Federal Fluminense, danillo\_scoralich@id.uff.br
- 5 Universidade Federal Fluminense , jasmimandrade@hotmail.com
6 Universidade Federal do Ceará , levibraga84@alu.ufc.br
7
Universidade Federal Fluminense/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Natureza
, rubens.2006@hotmail.com
8 Universidade Federal do Rio de Janeiro, toni@if.ufrj.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta uma avaliação das entrevistas realizadas com professores que participaram da Escola Sirius para Professores do Ensino Médio (ESPEM). A ESPEM é um curso de formação continuada oferecido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, em colaboração com a Sociedade Brasileira de Física (SBF). Desde 2019, a ESPEM seleciona professores de todo o Brasil, e no momento da escrita deste trabalho está na estruturação de sua sétima edição, que ocorrerá entre 13 e 17 de janeiro de 2025. O objetivo desta pesquisa é compreender o impacto da ESPEM no desenvolvimento profissional dos professores e na adoção de novas práticas pedagógicas. A metodologia utilizada foi a Análise Textual Discursiva (ATD), muito explorada por Moraes e Galiazzi (2016), que consiste em uma ferramenta para analisar entrevistas e textos elaborados por sujeitos de pesquisa. A metodologia baseia-se na identificação de unidades de análise, que são posteriormente categorizadas para, então, obter conclusões que não estão presentes nas entrevistas e textos originais. Utilizamos em três momentos: antes, durante e após a realização do curso de formação continuada. Entre os principais resultados das análises, observou-se que os participantes destacaram a troca de experiências entre professores de diferentes regiões e a oportunidade de capacitação em temas avançados da ciência e tecnologia, proporcionando maior interesse e engajamento no ensino de Física. O trabalho conclui que a ESPEM promove impacto significativo na formação continuada, motivando os professores a desenvolver novas práticas pedagógicas e buscar avanços em suas carreiras. A partir da discussão e construção desses resultados, a comissão organizadora tem aperfeiçoado o curso ao longo dos anos.
Palavras-chave : Formação Continuada, ESPEM, Escola Sirius.
## Introdução
Neste trabalho, será apresentada uma análise dos discursos dos professores participantes da Escola Sirius para professores do Ensino Médio (ESPEM) entre 2019 e 2024. A ESPEM teve a sua primeira edição em 2019, com a seleção de 20 professores, todos com financiamento integral de passagens aéreas, hospedagem e alimentação, com maior parte dos recursos do CNPEM, que é uma Organização Social sem fins lucrativos, supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e com a colaboração da Sociedade Brasileira de Física (SBF).
A formação continuada de professores se revela cada vez mais essencial para acompanhar as constantes inovações científicas e tecnológicas que influenciam o ensino de ciências. No entanto, há um desafio em integrar esses avanços aos conteúdos ensinados na educação básica, sobretudo em contextos onde a infraestrutura e os recursos são limitados. Nesse sentido, a ESPEM surge como uma oportunidade de atualização para os professores, promovendo um contato direto com temas de ciência moderna e tecnologias de ponta.
Nos anos de 2020 a 2022, aconteceram três edições, com financiamento exclusivo do CNPEM, sendo em 2020 com 35 professores selecionados, e nos anos de 2021 e 2022, devido à pandemia da COVID-19, ocorreram cursos na modalidade on-line, com respectivamente 254 e 264 professores selecionados. A partir de 2023, a ESPEM voltou a ser presencial, e tiveram 40 professores selecionados. E entre 15 e 19 de janeiro de 2024, foram 60 professores selecionados, com abertura de vagas para a América Latina e o Caribe, sendo esta última versão com apoio financeiro dos órgãos responsáveis CNPEM e SBF, e de instituições internacionais como o Projeto LAAMP (Lightsources for Africa, the Americasm Asia, Middle East and Pacific) e da UFPLP (União dos Físicos de Países de Língua Portuguesa). Entre 13 e 17 de janeiro de 2015, ocorrerá a sétima edição da ESPEM, onde serão selecionados mais 60 professores.
Segundo Gatti (2008), a formação continuada de professores é uma demanda que está como prioridade nas instâncias responsáveis pelo planejamento e organização da educação no Brasil. Com isso, políticas públicas de formação de professores em exercício são elaboradas, colocadas em práticas e avaliadas em um movimento contínuo.
Com base nisso, este trabalho tem como objetivo principal apresentar a análise das entrevistas com professores das seis edições entre 2019 e 2024, para entender o quanto a comissão de organização da ESPEM está se atualizando e propondo mudanças para os anos que se seguem.
Além disso, este trabalho de pesquisa tem como objetivo secundário o interesse em entender como os professores participantes da ESPEM estão se conectando com os objetivos da escola, que é preparar os conteúdos presentes no CNPEM de forma que haja diálogo com a gestão escolar de cada escola do professor participante, que tenha um diálogo com a sociedade, com os currículos escolares, como também o professor possa ter a segurança e capacidade de trabalhar os temas vistos na ESPEM, em suas realidades escolares. Como outra parte de um objetivo secundário, este trabalho tem o interesse em compreender como a participação na ESPEM pode motivar o professor a buscar novos interesses profissionais.
## Referenciais teóricos
Neste trabalho, temos como aportes teóricos dois principais autores: o trabalho do desenvolvimento profissional do Barolli et al.(2017), o autor se baseia nos trabalhos de Perrenoud (2000), Day (2001) e Vilega-Reimers (2003) e o trabalho das crenças de autoeficácia de Badura (1993).
- O referencial Barolli et al. apresenta uma avaliação dos professores ao participarem de cursos de capacitação profissional, para terem uma maior relevância. Ou seja, para que o curso seja completo, ele deverá contemplar oito caminhos diferentes. Os dois primeiros caminhos conversam tanto com a relação das atualidades e conhecimentos científicos quanto pedagógicos. O terceiro caminho envolve o diálogo com a instituição de ensino onde o professor trabalha. Os quarto, quinto e sexto caminhos são relacionados à escola que o professor leciona e às possibilidades de aplicar os conteúdos aprendidos nos cursos de aperfeiçoamento profissional. O sétimo caminho trata do diálogo entre a escola, a formação nos cursos de formação continuada e a sociedade. Por fim, o último caminho aborda a relação entre o professor e sua responsabilidade social.
- O segundo referencial busca avaliar como os professores, selecionados para participarem do curso de formação continuada em uma instituição de renome internacional, podem gerar um aumento na autoestima e na crença do seu potencial para ensinar conteúdos da ciência moderna e que estão fora dos tradicionais conteúdos escolares.
## Metodologia de pesquisa
Para a análise das entrevistas foi utilizada a Análise Textual Discursiva (ATD), conforme proposta por Moraes e Galiazzi (2016). A ATD é uma metodologia qualitativa que permite a investigação de textos e entrevistas através de um processo dividido em três etapas: antes, durante e após o curso.
As entrevistas foram conduzidas de maneira semi-estruturada, alinhadas às diretrizes de Manzini (1991), que define a entrevista como um encontro destinado a obter informações sobre determinado tema por meio de conversação profissional. Segundo Marconi e Lakatos (2011), esse procedimento é uma ferramenta essencial na pesquisa social, especialmente quando se deseja compreender a perspectiva dos participantes e explorar nuances qualitativas em seus relatos. Nas palavras dos autores:
A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de um determinado assunto, mediante conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social (MARCONI & LAKATOS, 2011, p. 80).
Como parte dos autores integram a comissão de organização, representando o CNPEM e a SBF, temos acesso a todas as cartas de intenção para participação da ESPEM. No processo de inscrição, o candidato autoriza a utilização dos dados e da carta de intenção para a realização de pesquisas estatísticas e de pesquisas acadêmicas, esta primeira etapa será realizada com base na leitura da carta de intenção dos selecionados. Conforme a metodologia ATD, visamos
identificar os pontos comuns neste conjunto de documentos. Neste primeiro momento, estão sendo lidas todas as 155 cartas de intenção dos selecionados nas edições presenciais.
O processo de identificação das unidades de análise, que são as informações que escolhem o caminho da pesquisa (MORAES; GALIAZZI, 2016), foi realizado pela leitura das cartas de intenção e identificação dos elementos que possuem afinidades. O professor selecionado escreveu a carta antes de ser escolhido, e percebemos que há muitos pontos em comum para professores da educação básica que têm o interesse em participar de uma semana imersos na maior infraestrutura científica da América Latina.
Em cada nova edição, observa-se um aumento do investimento das organizações responsáveis (CNPEM e SBF), juntamente com a inclusão de novos apoiadores (LAAMP e UFPLP). Isso resulta no aumento do número de vagas, porém as características dos editais, em relação ao perfil do professor, permanecem inalteradas.
Podemos ver na figura 1, o equilíbrio regional.
Figura 1: Número de professores por região
<!-- image -->
Percebe-se que os números relativos aos anos de 2021 e 2022 estão alterados devido ao evento ser online e por todos os inscritos na seleção serem selecionados.
Na distribuição por gênero, na figura 2, há também a manutenção da característica do edital nas seis edições.
Figura 2: Distribuição de vagas por gênero
<!-- image -->
Na análise da distribuição de gênero observada na Figura 2, notam-se mudanças significativas ao longo das edições da ESPEM. Em 2019, na primeira edição do evento, houve uma predominância de participantes femininas, com 12 mulheres em comparação a 8 homens. Essa diferença refletiu a proporção do número de inscritos para o evento, que era majoritariamente feminina. Já em 2020, registrou-se um aumento na participação feminina, com 21 homens e 19 mulheres, demonstrando um esforço da organização em aproximar a seleção da proporção de igualdade entre os gêneros.
Nos anos de 2021 e 2022, devido ao contexto da pandemia de COVID-19, o evento foi realizado remotamente, e todos os inscritos puderam participar, o que permitiu uma distribuição espontânea de gênero sem limitações de vagas. A partir de 2023, no retorno ao formato presencial, a organização firmou uma política explícita de igualdade de gênero, garantindo uma seleção balanceada entre homens e mulheres. Esse compromisso foi mantido em 2024 e tornou-se uma diretriz institucional para assegurar a diversidade e a inclusão nas edições futuras da ESPEM.
## Resultados obtidos
As unidades de análise foram divididas em UA1 que abordavam relatos sobre a oportunidade de trocar experiência com professores de todo o país e UA2, sobre a oportunidade de capacitação de temas mais avançados (ciência e tecnologia de ponta brasileira e física moderna e contemporânea) para melhorar o ensino de Física, tornando-o mais interessante para seu público-alvo.
Abaixo, na tabela 1, podemos perceber partes dos relatos e a identificação com as unidades de análise de professores participantes das edições de 2019 e 2020.
Tabela 1: trechos dos relatos das cartas de intenção e suas categorizações
Após a separação das unidades de análise, foi realizada uma pesquisa durante as edições. Relatos e entrevistas durante as atividades foram registrados, de forma a serem categorizados e comparados com as unidades de análise.
No fim, a terceira etapa de análise é a realização de entrevistas após a participação na ESPEM. Esta terceira etapa relativa ao ano de 2024, ainda será realizada, pois a ESPEM 2024 finalizou em 19 de janeiro de 2024, porém diversas entrevistas semi-estruturadas já foram feitas nas edições anteriores. As informações retiradas desse tipo de entrevista podem ser mais livres do que uma padronização de alternativas (MANZINI,1991).
Na tabela 2, apresentamos relatos registrados durante as edições de 2019 e 2020, e relato das entrevistas depois das edições.
Tabela 2: Comparação entre relatos dos professores participantes durante e depois do curso em entrevistas.
Além disso, analisamos como a participação na ESPEM pode motivar os professores para futuras etapas profissionais, como podemos ver na tabela 3:
Tabela 3: atividades realizadas pelos participantes das edições 2019 e 2020 após a participação na ESPEM
A tabela anterior foi construída para apresentar as atividades realizadas pelos professores e organizar os dados em categorias específicas, destacando as
atividades profissionais e acadêmicas motivadas pela participação da ESPEM. Na análise, observa-se que os professores do Nordeste, por exemplo, registraram um número elevado de participações em curso de formação continuada e de colaborações para a criação de novos cursos, em comparação com outras regiões. Essa diferença regional sugere que o impacto da ESPEM pode estar associado às condições de formação prévia e às oportunidades locais de desenvolvimento profissional. Os dados indicam, ainda, que a experiência na ESPEM pode ter incentivado o aprofundamento acadêmico, pois alguns participantes iniciaram cursos de mestrado e doutorado após o curso.
## Considerações finais
Neste trabalho foi apresentada parte da análise dos dados da ESPEM, realizados pela metodologia de pesquisa qualitativa Análise Textual Discursiva. Os dados apresentados referem-se às edições presenciais de 2019 e 2020. As informações relativas às edições online, 2021 e 2022, não serão realizadas no momento. Atualmente no envio deste trabalho, estamos na etapa de entrevistas após as edições presenciais de 2023 e 2024.
Ao longo de toda a análise, buscou-se entender a visão dos professores participantes em relação a toda estrutura da ESPEM, pelo qual passou pela programação curricular na aproximação com a educação básica pelos currículos escolares, no diálogo com os outros participantes e no diálogo entre os apresentadores e os participantes.
Por último, em relação ao apoio e suporte que o CNPEM e a SBF forneceram, todos ficaram satisfeitos e compreenderam a necessidade de colaborações institucionais que fomentem a formação continuada de professores. Quanto à manutenção do edital nas questões de equilíbrio de gênero e regional, percebemos uma satisfação positiva por parte de todos os participantes.
## Referências
BANDURA, A. Perceived Self-Efficacy in Cognitive Development and Functioning. Educational Psychologist, v. 28, n. 2, 1993, p. 117-148.
BAROLLI, E. et al. Desenvolvimento Profissional de Professores de Ciências: um esquema de análise. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 11., 2017, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: ABRAPEC, 2017.
DAY, C. Desenvolvimento Profissional de Professores: Os desafios da aprendizagem permanente. Porto: Porto Editora, 2001.
GATTI, B. Análise das políticas públicas para formação continuada no Brasil, na última década. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 37, p. 57-70, 2008.
MANZINI, E. J. A entrevista na pesquisa social. São Paulo: Didática, 1991.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas. 2011.
MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva. 3. ed. Ijuí: Unijuí, 2016.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
VILLEGAS-REIMERS, E. Teacher professional development: an international review of the literature. Paris. International Institute for Educational Planning, 2003.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.