A PRÁTICA DOCENTE NO ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA
Isabelly Maria Araújo Rodrigues, Dener Da Silva Albuquerque
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 23/01/2025
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A PRÁTICA DOCENTE NO ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA
Isabelly Maria Araújo Rodrigues 1 , Dener da Silva Albuquerque 2
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Isa.mariaar02@gmail.com
2 Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Dener.albuquerque2@ifrn.edu.br
## Resumo
O presente artigo busca mostrar o resultado da participação no Programa de Residência Pedagógica, com discentes de licenciatura em Física atuando nos cursos de nível médio técnico integrado de Informática e Administração, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus João Câmara. O objetivo do trabalho é refletir sobre os problemas enfrentados no ensino de Física e na prática pedagógica. O trabalho enfatiza os problemas para motivar os alunos e as consequências da implementação de aulas práticas e interativas. Além de experimentar abordagens interdisciplinares e dinâmicas em sala de aula, como aulas de campo e revisões em formato de jogo, os licenciandos tiveram a oportunidade de aplicar as metodologias discutidas durante a formação. O artigo mostra a importância de programas como o Residência Pedagógica na formação acadêmica, como também demonstra que o uso de metodologias ativas e experimentais pode ser uma ferramenta eficaz para lidar com os obstáculos no ensino de Física, aumentando o envolvimento dos alunos e o nível de aprendizado.
Palavras-chave : Residência Pedagógica, Licenciatura em Física, Práticas Pedagógicas
## Introdução
O Residência Pedagógica, um programa apoiado pelo Ministério da Educação e oferecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), acaba funcionando como um estágio remunerado para os discentes da licenciatura, ofertando um total de quatro bolsas, sendo elas para Residente, que será o bolsista discente na licenciatura; Coordenador Institucional, responsável pela gestão do programa na instituição; Docente Orientador, que auxilia o residente com orientações metodológicas; e Preceptor, que é o docente responsável por acompanhar o estudante durante a participação no programa e quem irá avaliá-lo em sala de aula. O programa traz como foco:
Art. 2º São objetivos do Programa de Residência Pedagógica:
- I. Aperfeiçoar a formação dos discentes dos cursos de licenciatura, por meio do desenvolvimento de projetos que fortaleçam o campo da prática e que conduzam o licenciando a exercitar de forma ativa a relação entre teoria e prática profissional docente, utilizando coleta de dados e diagnóstico sobre o ensino e a aprendizagem escolar, entre outras didáticas e metodologias;
- II. Induzir a reformulação do estágio supervisionado nos cursos de licenciatura, tendo por base a experiência da residência pedagógica;
- III. Fortalecer, ampliar e consolidar a relação entre a IES e a escola, promovendo sinergia entre a entidade que forma e aquelas que receberão os egressos das licenciaturas, além de estimular o protagonismo das redes de ensino na formação de professores; e
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
- IV. Promover a adequação dos currículos e das propostas pedagógicas dos cursos de formação inicial de professores da educação básica às orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). (PORTARIA GAB Nº 38, 2018.)
- O objetivo principal dessa iniciativa é ajudar os licenciandos a desenvolver suas habilidades pedagógicas por meio de experiências práticas em sala de aula. Dessa forma o programa busca auxiliar os educadores em formação por meio da facilitação do uso de metodologias que integrem o conhecimento acadêmico com a prática profissional em sala de aula. No entanto, um dos maiores obstáculos enfrentados no ensino de Física é a falta de interesse dos alunos, que frequentemente consideram a disciplina difícil e distante da vida cotidiana. Esse desinteresse tem um efeito negativo no desempenho escolar.
- A necessidade de considerar metodologias ativas e interdisciplinares no ensino de Física com foco na prática experimental é a razão por trás da realização deste relato de experiência. Segundo Oliveira (2009) a teoria sócio interacionista, de Vygotsky afirma que a aprendizagem ocorre por meio da interação social e do envolvimento ativo dos alunos no processo educativo. Ele enfatiza a importância das atividades que incentivam essa participação. Assim, a prática docente deve ser analisada e aprimorada continuamente para tornar o ensino mais eficaz e atraente para os alunos. Além disso, autores como Martins (2016), destacam a importância do estágio supervisionado e da prática pedagógica no desenvolvimento das competências docentes.
Esse relato de experiência traz como principais objetivos: discutir as metodologias usadas no ensino de Física, com foco na prática experimental e interdisciplinar; examinar as dificuldades encontradas na execução das atividades propostas, bem como as estratégias usadas para superá-las; e discutir como essas abordagens afetam o processo de ensino-aprendizagem, levando em consideração o desempenho e a motivação dos alunos.
## Metodologia
Os residentes do curso de Licenciatura em Física do Campus João Câmara que haviam sido aprovados para o programa foram divididos em três grupos, com um preceptor por grupo. Dois grupos ficaram no IFRN, e outro grupo foi na Escola Estadual Antônio Gomes, ambos localizados na cidade de João Câmara. Três etapas foram estabelecidas para o desenvolvimento da residência: caracterização e reconhecimento do ambiente escolar, observação das aulas e regência. Apesar dos residentes já serem discentes da instituição (campus do IFRN - João Câmara), foi necessário analisar sua estrutura física e acadêmica. Observou-se que a instituição pública oferece cursos de nível médio e técnico, bem como cursos de graduação e especialização. A área construída de 8.155,86 m², que atende às necessidades acadêmicas dos cursos ofertados, foi utilizada para caracterizar o ambiente, incluindo visitas aos laboratórios, bibliotecas, salas de aula e áreas de convivência.
- A segunda etapa, para observação das aulas realizadas pelo preceptor aconteceram no período final da 1ª série do curso técnico integrado de Informática, com cerca de 40 alunos; A terceira etapa, sendo ela a final, foi dedicada à supervisão, onde os residentes ministravam as aulas com o acompanhamento do preceptor. Além de aulas no laboratório de Física, atividades práticas e interdisciplinares, o professor
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realizou uma aula de campo com o objetivo de melhorar o aprendizado por meio de experiências.
## Caracterização do Ambiente Escolar
- O desenvolvimento do Programa de Residência Pedagógica dependeu da fase de caracterização e reconhecimento do ambiente escolar. Isso permitiu que os residentes tivessem uma compreensão completa da infraestrutura e das condições de ensino da instituição onde realizaram suas práticas. A análise física e acadêmica do Campus João Câmara do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) foram componentes essenciais desta fase.
A instituição tem uma área de 26.558,15 metros quadrados. A infraestrutura consiste em bibliotecas, salas de aula, laboratórios, auditórios, refeitórios, banheiros e áreas de convivência. A estrutura foi desenvolvida para atender às necessidades acadêmicas e práticas dos cursos que a instituição oferece, que vão desde níveis médio e técnico até cursos de graduação e especialização. área de 8.155,86 metros quadrados de construção é destinada a atender às necessidades acadêmicas dos cursos oferecidos. O campus tem 29 laboratórios que fornecem recursos práticos essenciais para as disciplinas científicas e técnicas, além de 55 salas administrativas e 23 salas de aula. Além disso, a instituição tem uma biblioteca bem equipada e várias áreas de convivência, incluindo o auditório e o refeitório. Essas áreas são usadas para eventos institucionais e atividades acadêmicas.
Para atender à demanda educacional da região, o IFRN - Campus João Câmara oferece uma variedade de cursos. Existem cursos de nível médio e técnico integrado, como informática, administração e eletrotécnica, bem como especializações e cursos de graduação. O campus de forma geral, oferece 19 cursos e tem uma alta demanda de matrículas e inscrições, mostrando a contribuição da instituição para a formação técnica e acadêmica da comunidade local.
- A caracterização do ambiente incluiu visitas aos laboratórios, bibliotecas, salas de aula e áreas de convivência da instituição. Essas visitas foram cruciais para entender como a infraestrutura ajuda às atividades acadêmicas e para identificar os recursos disponíveis para ensino e aprendizagem. A análise cuidadosa da estrutura física permitiu que os residentes se familiarizassem com o local onde planejavam implementar suas atividades pedagógicas.
## Observação
A segunda etapa também teve uma importância significativa durante o processo e na formação dos residentes como futuros docentes. As primeiras observações já apresentavam alguns problemas iniciais, como a falta de interesse dos alunos nas aulas de Física, provavelmente devido ao fato da disciplina ser considerada complexa, mostrando o quão importante é usar estratégias pedagógicas que possam engajar os alunos e melhorar a dinâmica das aulas. As observações mostraram que a motivação dos alunos era crucial a ser abordada, mesmo com uma infraestrutura adequada e esforços do docente para engajar os alunos nas atividades.
A segunda etapa iniciou ao final do período da 1ª série do ensino médio. O docente utilizava significativamente materiais tradicionais, predominantemente slides, quadro e listas de exercícios. Entretanto, tentava incluir mais questões interativas
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durante as aulas, mas, ainda assim, a participação dos alunos era baixa. Como a turma estava no final do ano letivo, essa etapa foi interrompida devido ao recesso no calendário escolar. No entanto, no início do ano letivo seguinte, a etapa foi retomada, e os estudantes da 2ª série demonstraram um pouco mais de participação e interesse, principalmente na aula de campo ministrada pelo professor, que foi realizada em conjunto com a docente de Literatura.
As observações das aulas deram aos residentes uma compreensão importante dos problemas com o ensino de Física. A experiência mostrou o quão importante é usar métodos pedagógicos que estimulem a participação e o interesse dos alunos. Os residentes tiveram a oportunidade de pensar sobre a eficácia dos métodos tradicionais e considerar a adição de abordagens mais interativas e experimentais, para complementar em suas próprias práticas de ensino.
## Regência
A etapa de regência foi também um passo extremamente importante, permitindo a aplicação das metodologias de ensino na prática e consolidar as experiências adquiridas nas etapas anteriores. A aplicação de métodos pedagógicos criados pelos residentes nesta fase foi necessária para ministrar aulas e realizar atividades práticas em turmas acompanhadas pelo preceptor.
Ao longo da regência, cinquenta horas de trabalho foram exigidas, distribuídas entre várias atividades e turmas. O grupo de residente foi dividido em dois subgrupos, cada um com a responsabilidade de dar aulas a uma turma diferente, no caso as turmas acompanhadas pelos subgrupos no processo de observação. Essa seção aumentou a flexibilidade e deu a oportunidade de testar várias abordagens pedagógicas.
As aulas eram ministradas tanto de forma individual, como também com duplas de residentes. A primeira aula ministrada, foi realizada em dupla no laboratório, com o objetivo de revisar conceitos de eletrização, blindagem eletrostática e uso do Gerador de Van de Graaff. Três experimentos principais foram apresentados e discutidos durante a aula.
Figura 01: Desvio de Filete de água Fonte: Própria
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Figura 02: Blindagem Eletrostática Fonte: Própria
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Figura 03: Gerador de Van de Graaff Fonte: Própria
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Outros experimentos integraram essa aula, porém se tratavam de variações dessas 3 principais. Outra aula ministrada no laboratório, que é interessante destacar e foi realizada também em dupla, abordou a Associação de Resistores. A prática consistiu na montagem de diferentes tipos de associação com LEDs de baixa resistência. Para a realização da atividade, a turma foi dividida em seis grupos, e cada grupo recebeu uma lista com orientações para a formação dessas associações e questões sobre as observações.
Como utilizamos LEDs com cerca de 3 volts, que possuem baixa resistividade, dificultando algumas observações, foi de mútuo acordo que seria ideal expor inicialmente o conteúdo, alterando a proposta inicial, que seria orientar os grupos diretamente na atividade e, a partir das observações feitas, discutir e introduzir o
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assunto. Dessa forma, após separar os grupos, foram apresentados os conceitos dos três tipos possíveis de associações e as equações matemáticas envolvidas, Essa demonstração foi realizada por meio de circuitos presentes no laboratório com lâmpadas bivolt.
Uma aula dinâmica realizada em outra turma, no técnico integrado em Administração, foi a revisão para uma prova do bimestre em questão. Nesta aula, a turma foi dividida em grupos e foram preparadas algumas questões, cada uma com pontuações específicas. O grupo que respondesse primeiro e acertasse a resposta ganharia a pontuação correspondente. Os pontos eram acumulativos e, ao final da dinâmica, o grupo com a maior pontuação seria o vencedor, embora todos os grupos recebessem algum tipo de "brinde". Em todas essas práticas pedagógicas os participantes se mostraram participativos, questionadores e engajados, assumindo um papel ativo no processo de ensino-aprendizagem. Com relação a todas as outras aulas que completaram a carga horária de participação do programa na parte de regência, seguiram uma abordagem mais tradicional, com aulas expositivas, mas tendo acrescentado também momentos mais descontraídos. Um exemplo foi uma paródia trabalhada em um determinado encontro. Houve também momentos destinados à aplicação de provas ou reposições, incluindo tanto provas bimestrais quanto finais.
## Conclusão
O relato de experiência proporcionado pelo Programa de Residência Pedagógica (PRP) foi fundamental para o desenvolvimento das habilidades e competências docentes, permitindo uma vivência prática das metodologias de ensino aprendidas ao longo da formação. Ao longo das etapas de caracterização e reconhecimento do ambiente escolar, observação e regência, foram adquiridas valiosas lições sobre a prática pedagógica e os desafios enfrentados no contexto escolar.
De acordo com Cunha (2012) a sala de aula é o epicentro do comportamento docente, é de lá que convergem questões científicas, conflitos psicológicos, contradições de origem social e conceitos de avaliação de professores e alunos. Essa visão destaca a complexidade do ambiente educacional e a importância de que os professores usem uma abordagem reflexiva e adaptativa.
Participar do PRP foi uma experiência transformadora que auxiliou no processo de formação de futuros docentes, mostrando os obstáculos e oportunidades encontrados no ambiente educacional. A interação direta com os alunos e o uso de metodologias de ensino forneceram uma visão mais clara da prática docente e da importância de mudar constantemente para garantir uma educação de alta qualidade. O programa não apenas fortaleceu as relações entre teoria e prática, mas também ofereceu uma plataforma para o desenvolvimento de habilidades pedagógicas essenciais para a carreira de professor.
## Referências
BRASIL. Portaria GAB nº 38, de 28 de fevereiro de 2018. Institui o Programa de Residência Pedagógica. Brasília, 2018. Disponível em: https://cad.capes.gov.br/atoadministrativo-detalhar?idAtoAdmElastic=130. Acesso em: 05/09/2024.
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OLIVEIRA, Carlos Bezerra de . Uma análise das evidências da aplicação do proceder sóciointeracionista de Vygotsky nos cursos de graduação de Ciências Contábeis, nos Estados da Paraíba e Pernambuco. 2009. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco.
MARTINS, R. E. M. W.; TONINI, Ivaine Maria. A importância do estágio supervisionado em Geografia na construção do saber/fazer docente. Geografia Ensino & Pesquisa , v. 20, n. 3, p. 98-106, 2016.
CUNHA, Maria Isabel da. O bom professor e sua prática . - 2ª ed. - Campinas, SP: Papirus, 2012.
BRASIL. Ministério da Educação. Nilo Peçanha: Dados Estruturais do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - 2021. Disponível em: [URL da plataforma]. Acesso em: dia mês ano.
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