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RPG no Ensino de Física – Método de aplicação no ensino de Hidrostática e Hidrodinâmica

Filipe Felix Moura Patriarca Mascarenhas, Osvaldo Luiz Vianna Rocha

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
23/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## RPG NO ENSINO DE FÍSICA - MODELO DE USO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA

Filipe Felix Moura Patriarca Mascarenhas

Orientador: Prof. Dr. Osvaldo Luiz Vianna Rocha

## Resumo

O presente trabalho foi desenvolvido durante o período da residência pedagógica no curso de licenciatura em Física, tendo com objetivo a reflexão refletir das potencialidades do jogo Role Playing Game- RPG ( Jogo de Interpretação de Papéis ) como ferramenta pedagógica no ensino de física. O RPG é um gênero de jogo onde os jogadores assumem o papel de personagens fictícios e criam narrativas colaborativas com base nas ações e decisões desses personagens, características essas que podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências dos conceitos científicos em especial da hidrostática palco da nossa investigação. Observa-se com isso o desenvolvimento das construções lógicas, análise de situações-problema envolvendo a física, pensamento crítico e a capacidade de relacionar a teoria com a realidade.

## PALAVRAS-CHAVES: ENSINO DE FÍSICA; RPG; JOGOS; FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS

## Introdução

Um dos desafios de todo professor de física é o engajamento dos alunos no conteúdo a ser trabalhado em sala de aula e a compreensão do conteúdo. Manter a turma envolvida é em muitas vezes um trabalho árduo, por mais interessante que seja o assunto, e isso em muitas situações se torna um desafio maior quando envolve alunos jovens ou crianças. Diante dessa situação, os professores em busca de um maior envolvimento e interesse por parte dos alunos buscam novos métodos e ferramentas de ensino a fim de transformar uma aula convencional e muitas vezes expositiva em uma aula lúdica com maior participação dos estudantes e melhor qualidade no rendimento dos alunos, que muitas vezes será refletido em sua nota periódica dentro do ano letivo.

Aqui no Brasil, o uso do RPG como ferramenta pedagógica de ensino vem sendo estudado por muitos profissionais da área, assim como acadêmicos e aspirantes a docentes. Desde a década de 90, período onde surge o primeiro RPG direcionado ao ensino no Brasil, intitulado RPG - Desafio dos Bandeirantes que tem uma narrativa voltada para a história brasileira e seu folclore, incluindo muitos elementos de fantasia, e que através do evento I Simpósio de RPG e Ensino que aconteceu em Maio de 2002, impulsionou o estudo desta ferramenta apresentando os benefícios pedagógicos e com aplicação em diferentes disciplinas.

A história do RPG de mesa começou no final do de 1969, quando Dave Wesely e seus companheiros foram jogar um certo jogo de tabuleiro chamado Wargame muito popular na época. Dave fez cada pessoa interpretar o seu próprio personagem, fazendo o jogo se passar em um cenário napoleônico. Da década de 70 para os dias de hoje, o sucesso do

jogo vem aumentando exponencialmente e cada vez mais jovens e adultos vem aderindo ao jogo como atividade lúdica e muitas vezes divertida.

Dentre as características mais marcantes do jogo que se relacionam bem ao ambiente em sala de aula, destaca-se sua natureza cooperativa, na qual os participantes não assumem seus papéis-padrão de professor e aluno. Segundo Klimick [2],

'O RPG pode trazer para a escola a interatividade e a participação no ensino, o aluno pode aprender ao mesmo tempo que vai utilizando o que está sendo aprendido'.

Em muitas situações, muitos professores e alunos não estarão familiarizados com os sistemas, abordagens narrativas e dinâmicas do RPG e se faz necessário primariamente um estudo para a escolha de um sistema que melhor se adeque ao assunto que será ministrado na aula ou para até que o professor possa desenvolver um sistema próprio caso não encontre.

A elaboração do presente trabalho foi pensada durante o período de residência do curso de licenciatura em física no acompanhamento do Prof. Dr. Osvaldo Rocha ao ministrar a disciplina Hidrostática e Hidrodinâmica para a turma do subsequente do curso técnico de eletrotécnica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA. O período de acompanhamento da turma inicialmente deveria ser de seis meses, contudo, foi necessário realizar as trocas de grupos de residentes que já se encontravam em atraso. Durante as aulas foi possível analisar e estudar o papel do professor na sala de aula, as metodologias aplicadas com o uso do diálogo com os alunos a fim de que pudessem se sentir mais confortáveis em discutir e criticar ideias relacionadas a hidrostática e relacionar certos conceitos com o dia a dia. A partir disso iniciou-se esse trabalho em busca de potencializar essas vantagens trazidas pelo professor em sala de aula, como também apresentar uma metodologia que pudesse desenvolver esses mesmos efeitos em sala por outros professores.

## A Prática de RPG na aplicação Lúdica

Uma partida de RPG se desenvolve como uma peça de teatro. Os jogadores serão aqueles que a partir de situações e cenas descritas tomarão decisões e irão desenvolver métodos para lidar com situações-problema. Os jogadores irão previamente criar um personagem jogável ou escolher um predefinido pelo sistema ou até criado pelo Mestre ou Narrador tendo em vista o desenvolvimento da história. O Mestre ou Narrador será aquele que a partir de uma história predefinida (por ele ou algum livro) ou utilizando uma história desenvolvida no improviso, narrará as situações, cenas, resultados e confrontos durante a jornada dos jogadores.

O primeiro passo é definir qual será o sistema jogado, No Brasil há diversos sistemas de RPG, sendo os mais comuns o Dungeons e Dragons, Defensores de Tóquio, GURPS (Generic and Universal Role Playing System), Storyteller, etc. Se faz necessário o mestre/narrador e os jogadores conhecerem o sistema a ser jogado ou dedicar um período de tempo para estudo, período esse em que os jogadores criam suas fichas de personagem. O jogo tem início com o narrador contando a história em que os personagens estarão inseridos, muitas vezes apresentando alguma problemática ou situação para que possa haver o engajamento dos jogadores na busca pela solução do problema, que envolve muitas vezes a derrota de um inimigo poderoso, o resgate de uma criatura sagrada ou até salvar o mundo de uma calamidade.

Em muitas situações do jogo, será necessário por parte do narrador determinar o resultado de uma situação crítica em resposta a ação de um jogador, este momento cada sistema

aborda de diferentes formas, o mais comum e conhecido é a rolagens de dados de variadas faces com a qual resultarão em consequências que dependerão do resultado da rolagem do(s) dado(s).

O jogo termina quando ocorre um dos dois tipos de situação, uma das situações acontece quando os jogadores conquistam o objetivo final resultando em um final feliz para os personagens jogadores, já na segunda situação o objetivo não é alcançado por diferentes e variadas razões predeterminadas pelo narrador, sejam elas as mortes dos personagens ou a falha em aquisição de um item necessário para o fim da jornada, ou até mesmo quando o inimigo dos jogadores alcança o objetivo dele primeiro.

## RPG no ensino de Física

O uso do RPG no ensino de diversas disciplinas vem se propagando exponencialmente tanto no ensino fundamental quanto no médio, com diversos sistemas desenvolvidos por professores ou por empresas com a finalidade de inserir ou trabalhar diversos conteúdo na sala de aula. Neste trabalho foi desenvolvido o sistema, história, ficha de personagem e a metodologia baseados no conteúdo a ser desenvolvido.

Em primeiro momento é necessário apresentar aos alunos as regras do sistema, levando em consideração que quanto mais simples e menor a quantidade de regras, mas fácil a assimilação e melhor será a abordagem dessas regras durante a partida. Como o conteúdo foi escolhido previamente para trabalhar os conceitos da hidrostática para alunos do 2° ano do ensino médio a ferramenta será utilizada como reforço do assunto abordado em sala de aula como forma de apresentar um modelo de aplicação da proposta deste trabalho.

## Fundamentação teórica

Nos cursos de física do ensino médio, devemos tentar despertar a curiosidade dos alunos, utilizar os fenômenos do cotidiano como fonte de aprendizagem, combinar o conteúdo ministrado em sala de aula e utilizar a experiência e o conhecimento existente dos alunos para compreender os temas propostos e aplicá-los, o que é propício ao ambiente de aprendizagem que segundo Carvalho (1998) deixa claro essa necessidade em se criar nas aulas um ambiente de aprendizagem:

Em cada uma de nossas aulas, se quisermos realmente que nossos alunos aprendam o que ensinamos, temos de criar um ambiente intelectualmente ativo que os envolva, organizando grupos cooperativos e facilitando o intercâmbio entre eles. A função do professor será a de sistematizar os conhecimentos gerados, não no sentido de 'dar a resposta final', mas de assumir o papel de crítico da comunidade científica, assim, quando os alunos apresentam soluções incorretas, o professor deve argumentar com novas ideias e contra - exemplos. (CARVALHO el al, 1998, p.16-17).

Já Vygotsky afirma que a linguagem dispõe de duas funções básicas: troca social e generalização de ideias. A função da troca social é evidente nos bebês devido à sua capacidade de expressar seus sentimentos, desejos e necessidades por meio de gestos, expressões e sons. A generalização de ideias surge, segundo Vygotsky, quando ouvimos uma palavra, por podermos incorporar a função de resumir pensamentos. Seja por termos visto de perto, ouvido, sentido com o tato ou qualquer outro dos nossos sentidos, a nossa mente coloca a palavra na categoria adequada ao que relacionamos o conjunto e nos remete a sua imagem.

Uma sessão de RPG através de uma linguagem de interlocução já envolve indireta e diretamente que os personagens jogadores discutam e critiquem certas ações entre si, afim de se desenvolver cada vez mais métodos diferentes e adotando os mais benéficos entre as cenas, realizando a troca social durante o processo do jogo, isso se potencializa quando o narrador expressa através da história conhecimentos do nosso cotidiano. Portanto se faz necessário um estudo e analise prévio da linguagem utilizada em sala de aula, sejam elas com componentes como gírias, movimentos físicos do corpo, língua culta, etc. para que aja a compreensão por parte do aluno exatamente aquilo que o professor (que será o narrador da história) está descrevendo como a cena.

## Quadro 1 - Conteúdo do sistema

Há duas metodologias para o professor explicar como irá funcionar o jogo:

- 1°) O professor deverá separar uma aula, apresentando um material com as informações do quadro 1, explicando passo a passo cada mecânica existente dos personagens jogadores. Como funcionará as regras, o sistema de criação de personagem que deverá ser em grupo, as proficiências, pericias e testes durante a aventura e onde se passará a história. Deverão os alunos criar os personagens durante a aula. Duração de 50 minutos.
- 2°) O professor apresentar o material com as informações do quadro 1 para que os alunos estudem, realizem pesquisa sobre o funcionamento e tragam a ficha de personagem preenchida na próxima aula.

## Quadro 2 - Organograma da aplicação

Grupo de jogadores

É necessário para fluidez do jogo e controle das cenas e situações pelo mestre que estejam nas cenas 5 personagens jogáveis. Como a maioria das salas de aula são presentes mais de 20 alunos, se faz necessário dividir os alunos em grupo onde cada grupo controlará um personagem.

História

Introdução a cena: Um avião sofre um ataque repentino e colide no mar há três dias. O avião continha uma caixa com a formula para a cura de uma doença que está afetando grande parte da população. O governo envia um grupo de especialistas para resgatar a caixa em um submarino.

Cenas

Cena 1: Evento de chegada ao local do acidente, briefing da missão.

Cena 2: Os personagens adentram o submarino e submergem no local onde houve o último sinal do avião e buscam possíveis pistas de seu paradeiro, onde é apresentado a primeira problemática: aumento da pressão Cena 3: Continuação da procura por mais destroços do avião para obter a caixa-preta, com encontro a potencial perigo. Cena 4: Problema para recuperar a caixa Cena 5: Problema para resgate dos jogadores.

Duração

Cena 1: 5 min

Cena 2: 10 min

Cena 3: 10 min

Cena 4: 15 min

Cena 5: 10 min

Extras

Avaliação do conteúdo abordado

## Considerações finais:

A elaboração do presente trabalho foi pensada durante o período de residência do curso de licenciatura em física no acompanhamento do Prof. Dr. Osvaldo Rocha ao ministrar a disciplina Hidrostática e Hidrodinâmica para a turma do subsequente do curso técnico em eletrotécnica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA. Durante as aulas analisado os obstáculos que os alunos tem ao aprenderem sobre conceitos físicos do quais não estão presenciando na prática, mesmo que já tenham representado antes, esses alunos demonstraram curiosidade em relação a situaçõesproblema das quais não haviam presenciado. O presente trabalho traz um modelo de uso que ajuda o professor a potencializar as representações praticas do assunto, bem como abordar de maneira significativa situações problema que fogem do padrão ao abordar a teoria e correlaciona-la a determinadas situações já presenciada pelo cotidiano dos alunos.

Através dos conceitos da metodologia ativa de Carvalho onde os alunos tem seus conhecimentos pessoais correlacionados em sala com os conceitos físicos apresentados pelo professor e a teoria sociointeracionista de Vygotsky em que utilizamos a linguagem para desenvolver o conhecimento através da troca social e reorganizando as informações e correlacionando através da generalização de ideias.

Espera-se que este trabalho venha a exercer compreensão e engajamento dos alunos ao passo em que diminua a visão de uma física complicada e distante do nosso cotidiano fazendo assim com que os alunos passem a enxergar a física no seu cotidiano e consigam lidar com situações problemas, moldando a realidade a seu favor.

## Referências

RESENDE, Muriel L. M. Vygotsky: um olhar sociointeracionista do desenvolvimento da língua escrita. Disponível em:

http:www.psicopedagogia.com.br/artigo/artigo.asp?entrID=1195. Publicado em: 25/11/2009.

VIGOTSKY, Lev Semenovich. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1998.

CREVELARO, Helena. Os desafios da escola publica paranaense na perspectiva do professor PDE Volume II. Versão online ISBN 978-85-8015-094-0

CARVALHO, A. M. P. de et al. Ciências no Ensino Fundamental: o conhecimento físico. São Paulo: Scipione, 1998.

FERREIRA-COSTA et al. O Role playing game (RPG) como ferramenta de aprendizagem no ensino fundamental e médio.

COELHO, M. A. Ingrid. O USO DO ROLE PLAYING GAME (RPG) COMO FERRAMENTA DIDÁTICA NO ENSINO DE CIÊNCIAS. Belo Horizonte: 2017.

ANDRADE, F; KLIMICK, C. RICÓN, L. E. O Desafio dos Bandeirantes - Aventuras na Terra de Santa Cruz. São Paulo: GSA-Entretendimento Editorial, 1992.

VALÉRIO, S. S. Alexandre. Ensino e Imaginação: O uso do RPG como ferramenta didática no ensino de história. I Jornada de Didática: O ensino como foco. Paraná. 2013

SÁ, D. Clayton; PAULUCCI, Laura. Desenvolvimento de um sistema de RPG para o ensino de Física. Revisa Brasileira de Ensino de Física, Vol. 43, e20210005. 2021.

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