UMA ANÁLISE DA EDIÇÃO 2023 DO TORNEIO DE FÍSICA PARA MENINAS DE ACORDO COM OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PRECONIZADOS NA TAXIONOMIA DE BLOOM
João Victor Tavares, Jefferson Rafael De Oliveira Souza, Debora Coimbra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 23/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA ANÁLISE DA EDIÇÃO 2023 DO TORNEIO DE FÍSICA PARA MENINAS DE ACORDO COM OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PRECONIZADOS NA TAXIONOMIA DE BLOOM
João Victor Tavares 1 , Jefferson Rafael de Oliveira Souza 2 , Débora Coimbra 3
- 1 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Ciências Exatas do Pontal, joao.tavares1@ufu.br
- 2 Universidade Federal de Uberlândia/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, jjrafael08@ufu.br
- 3 Universidade Federal de Uberlândia/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, debora.coimbra@ufu.br
## Resumo
Nesse trabalho, analisamos as questões da primeira fase da Edição de 2023 do Torneio de Física para Meninas à luz da classificação taxionômica de Bloom, aqui encarada não como uma ferramenta do tecnicismo com inspiração comportamentalista, mas como um instrumento orientador no processo de elaboração dos objetivos de aprendizagem. As categorias são: lembrar, compreender, aplicar, analisar, avaliar e criar. A complexidade é hierarquicamente crescente nos diferentes níveis e cada um deles engloba o anterior. A análise das questões da primeira fase da edição de 2023 desse torneio ressalta a importância do mesmo para engajar participantes em uma competição enriquecedora e repleta de aprendizagens, envolvendo temas de física básica e de física moderna e contemporânea e, também, de matemática, abrangendo habilidades cognitivas. A distribuição das premiações entre as participantes revela o descompasso entre as aprendizagens na rede pública e privada, nas diferentes regiões do país.
Palavras-chave : Avaliação, Taxionomia de Bloom, Olímpiadas de Física
## Introdução
- O Torneio de Física para Meninas (TFM) é uma competição educativa que possui o intuito de incentivar e reconhecer a participação de pessoas que se identificam com o gênero feminino em competições na área das ciências exatas, especialmente a física. Este evento tende a promover a visibilidade do talento feminino em um meio que é tido tradicionalmente como para indivíduos do sexo masculino. Essa empreita procura proporcionar que jovens meninas demonstrem suas habilidades, criatividade, entendimento e clareza da física e emerge do Movimento Meninas Olímpicas 1 , com o objetivo de aumentar a presença das mulheres em espaços estratégicos da sociedade, através do incentivo participação igualitária das meninas em olimpíadas de conhecimento. Nas palavras de Miguez et al (2014, p.15),
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
'A proposta é que esta competição seja mais um elemento de incentivo para que as meninas possam descobrir sua vocação, despertar seu interesse, mostrar suas habilidades e iniciar as suas carreiras nas ciências exatas'.
Na primeira edição da competição, de 2023, percebemos uma variedade de tópicos trabalhados, desde conceitos fundamentais da física, até questões complexas de física moderna e contemporânea, mobilizando o raciocínio lógico e crítico para a resolução.
A edição de 2023 do Torneio homenageou a pesquisadora austríaca Lise Meitner, que teve sua participação na explicação da fissão nuclear invisibilizada pelo antissemitismo da Segunda Guerra Mundial.
## Referencial Teórico
A Taxonomia de Bloom, desenvolvida na década de 1950, é utilizada essencialmente como instrumento de categorização e avaliação da aprendizagem, sendo em sua estrutura profundamente enraizada no comportamentalismo, um dos principais paradigmas da psicologia educacional.
Essa teoria psicológica, dominante em meados do século XX, foca na observação de comportamentos externos e mensuráveis em vez de preocupar-se com os processos mentais internos. Os principais teóricos que propuseram aos estudos do comportamentalismo foram Watson e Skinner, que acreditavam que o comportamento humano pudesse ser modelado por meio de reforços e condicionamento.
Bloom, influenciado pelas ideias comportamentalistas, desenvolveu seu trabalho conhecido como Taxonomia de Bloom, tendo como objetivo a criação de um sistema estruturado que pudesse classificar os objetivos educacionais, avaliando assim, o aprendizado dos alunos. '(...) o professor deverá proporcionar ao estudante o vínculo mais rápido possível entre a resposta que ele quer que o aluno aprenda e o estímulo a ela relacionado'. (Ostermann; Cavalcanti, 2011, p.19).
Ligada às práticas comportamentalistas, a Taxonomia de Bloom organiza os objetivos educacionais em uma sequência lógica a partir de uma complexidade cognitiva, que permite planejar e organizar os objetivos da aprendizagem, avaliar a progressão dos estudantes e novas habilidades, assim como na elaboração de atividades. O objetivo de desenvolver uma taxionomia foi o de classificar o
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comportamento esperado, ou seja, 'modos em que os alunos devem agir, pensar ou sentir como resultado de sua participação em alguma unidade de ensino' (Bloom et al., apud Balzan e Reali, 2023). Os autores reforçam que estão incluídos na taxionomia somente comportamentos relacionados aos atos mentais ou ao pensamento, comportamentos pretendidos ou desejados incluídos nos objetivos educacionais, não envolvem comportamentos desaprovados socialmente. Bloom e sua equipe chamam a atenção que, para considerarmos a taxionomia um instrumento eficaz e adequado, ela precisa
ser uma fonte de estímulos para a reflexão sobre os problemas educacionais. Deverá auxiliar os pesquisadores educacionais em sua tarefa de formular hipóteses a respeito dos processos de aprendizagem e de mudanças nos alunos; aos especialistas em avaliação e aos professores deverá proporcionar uma base de orientações quanto a métodos de desenvolvimento curricular, técnicas de ensino e técnicas de avaliação. Como um plano altamente organizado e provavelmente inteligível para classificar comportamentos de aprendizagem, deverá fornecer os fundamentos para determinar a eficácia de instrumentos, técnicas e métodos relevantes de avaliação, permitindo ainda aos especialistas em educação fazerem uma adequação da taxionomia a seus próprios trabalhos (Bloom et al.,apud Balzan e Reali, 2023, p.10).
Bloom et al. (apud Balzan e Reali, 2023), tiveram o entendimento de que esta organização apresenta uma certa ordem hierárquica de classes, que contribui na categorização dos objetivos educacionais, ordenando-se segundo a complexidade do comportamento, ou seja, do mais simples aos mais complexo, e do mais concreto e perceptível ao mais abstrato e intangível. Para os autores, no domínio cognitivo os comportamentos caracterizam-se por um grau mais elevado de consciência por parte do sujeito que apresenta o comportamento, já no domínio afetivo, os comportamentos envolvem um nível mais baixo de consciência individual.
Os autores deixam claro, quanto à natureza dos objetivos cognitivos que devem ser incluídos em um currículo, sendo necessário levantar quatro tipos de decisões embasadas nos seguintes questionamentos:
'Qual a porção de conhecimentos que se deve exigir do aluno?'; 'Em que medida necessita o aluno aprender precisamente esse conhecimento?'; 'Qual a melhor forma de organizar o conhecimento com vistas a sua aprendizagem?' e 'Como 14 podem os conhecimentos exigidos serem significativos para o aluno?' (Bloom et al., apud Balzan e Reali, 2023, p.14).
A expectativa era de que a Taxionomia do domínio afetivo se tornasse uma ferramenta útil para definir mais claramente os objetivos neste domínio e os
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professores se tornassem mais conscientes de sua prática, buscando estimular o desenvolvimento de melhores métodos de avaliação, pois, se
os objetivos educacionais devem dar direção ao processo de aprendizagem e determinar a natureza dos dados que devem ser usados na avaliação dos efeitos das experiências de aprendizagem, a terminologia deve se tornar clara e significativa (Bloom et al, apud Balzan e Reali, 2023, p. 15).
E ainda, os objetivos do domínio afetivo enfatizam uma tonalidade de sentimento, uma emoção ou um grau de aceitação ou rejeição. Os objetivos afetivos variam desde a atenção simples até fenômenos selecionados, até qualidade de caráter e de consciência complexas, mais internamente consistentes. Um objetivo pode ser entendido como 'a descrição de um desempenho que você deseja que seus alunos sejam capazes de exibir [...] O objetivo aponta o que o aluno deve ser, como resultado de alguma experiência de aprendizagem' (Balzan e Reali, 2023, p. 24).
A TB é dividida em seis níveis, descritos no Quadro 1, contendo em cada nível as habilidades específicas a serem trabalhadas.
Quadro 1: Níveis da Taxonomia de Bloom
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Fonte: Os autores
Na próxima seção, apresentamos a análise das questões da primeira fase da edição de 2023 da TFM à luz dos objetivos de aprendizagem da TB apresentados no Quadro 1.
## Resultado e Discussões
O Quadro 2 organiza as quinze questões da primeira fase do TFM. A análise taxionômica permite refletir o grau de complexibilidade das questões, através da observação e mensuração, percebemos a conexão fundamental da utilização da Taxonomia como potencial analítico capaz de promover uma melhor compreensão do aprendizado e do desenvolvimento cognitivo das estudantes.
Quadro 2: Questões da primeira fase da TFM 2023 categorizadas segundo a TB.
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Observamos pelo Quadro 2 que, as questões de níveis de menor complexibilidade, como aquelas cujo conhecimento envolvem a compreensão, abordaram conceitos fundamentais de física e matemática, permitindo que a participante pudesse demonstrar de forma coesa as informações e mobilizar habilidades como leitura de gráfico e raciocínio proporcional. Porém, nos níveis em que temos um grau de complexibilidade maior, como o de aplicação ou o de análise, percebemos que houve um desafio às participantes com o intuito de que elas aplicassem diretamente diferentes conceitos da física de forma articulada.
## Considerações Finais
Observamos que as questões abordadas na primeira fase da edição de 2023 do TFM apresentam exercícios muito bem estruturados, com o conteúdo dividido em diferentes níveis de dificuldade. Estes exercícios abrangem temas variados, incluindo conhecimentos de física e matemática. A estudante participante do torneio tem a
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oportunidade de mobilizar seus conhecimentos em questões bem pensadas e abrangentes.
O livro de divulgação dos resultados dessa edição mostra que mais de 60% das medalhistas são do ensino privado, com exceção da Região Sul brasileira. Foram apresentados, também, a distribuição por tipo de medalha e o número de medalhistas por estado. Infelizmente, não tivemos acesso aos microdados, seria interessante fazer uma análise do grau de dificuldade da questão comparativo se a estudante vem de escola pública ou privada.
Em suma, a análise das questões do TFM à luz da TB ressalta a importância do torneio para engajar participantes em uma competição enriquecedora e repleta de aprendizagens, abrangendo habilidades cognitivas. Para que o torneio cumpra plenamente seu potencial, pensando nas demais capacidades cognitivas de todas as estudantes que queiram ter a oportunidade de participar do torneio, faz-se necessário um trabalho mais efetivo de divulgação junto às jovens e de preparo na escola pública.
## Referências
Balzan, C. Taxionomia de Bloom: uma proposta em constante movimento. (Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal da Fronteira Sul, Licenciatura em Pedagogia, Chapecó, SC, 2023). Disponível em: Artigo\_TCC.docx (uffs.edu.br) Acesso em 08 de setembro de 2024.
Miguez, M. L. et. al. Torneio de física para meninas 2023 [livro eletrônico] : problemas e soluções / Maria Luiza Miguez ... [et al.]. - Fortaleza: INESP, 2024. Disponível em Movimento Meninas Olímpicas - Fisica (ufsm.br) Acesso em 08 de setembro de 2024
Torneio de Física para Meninas Disponível em: Movimento Meninas Olímpicas Fisica (ufsm.br) Acesso em 08 de setembro de 2024.
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