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UTILIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE MUSCULAÇÃO COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL NO ENSINO DE MÁQUINAS SIMPLES NA EDUCAÇÃO BÁSICA.

Jean Carlos Matos De Sousa, Emílio De Lucena Silva, Nelson Barrelo Jr, Bruna Brilhante Sol Sol Da Lagua, Maria Do Socorro Do Nascimento Amorim

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
23/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UTILIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE ACADEMIA COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL NO ENSINO DE MÁQUINAS SIMPLES NA EDUCAÇÃO BÁSICA.

Jean Carlos Matos de Sousa 1 , Emílio de Lucena Silva 2 , Nelson Barrelo Junior 3 , Bruna Brilhante Sol Sol da Lagua 4 , Maria do Socorro do Nascimento Amorim 5

1 I Instituto Federal do Para - IFPA, jean.sousa@ifpa.edu.br

2 Instituto Federal da Paraíba - IFPB, emilio.silva@ifpb.edu.br

3 SSE/Faculdade de Educação- UFF, nbarrelo@id.uff.br

4 Universidade Federal de Rondônia- UNIR/mestranda, brunaabrilhaante@gmail.com

5 Colégio Universitário da Universidade Federal do Maranhão, msn.amorim@ufma.br

## Resumo

O trabalho buscou realizar um estudo sobre a percepção aplicacional para o ensino de Física de máquinas simples nos exercícios e aparelhos de academia, como estratégia de ensino para uma turma de primeiro ano do ensino médio. Para este estudo, adotou-se uma metodologia ativa durante a aplicação, envolvendo a utilização de tecnologia como ferramenta operacional na educação. Como resultado, constatou-se a efetividade da utilização do processo por meio de uma avaliação metodológica, através da análise qualitativa dos vídeos, nos quais foi possível observar claramente o maior interesse relacionado ao conteúdo abordado, além de uma melhor absorção. Apesar de alguns limitadores operacionais, como a deficiência de acesso às tecnologias, o planejamento citado desmistificou a física relacionada ao conteúdo, sendo uma ação plausível para o processo de democratização do conhecimento.

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Palavras-chave : Ensino de Física, Máquinas simples, Exercícios de musculação.

## Introdução

O Ensino de Física no nível médio sempre sofreu resistência por parte do alunado por ser considerado de difícil compreensão e não atrativo. Sendo assim, na tentativa de melhorar o processo de compreensão e resultados, diversos professores têm desenvolvido diferentes metodologias com o intuito de envolver os discentes e de desenvolver os conteúdos ministrados, por meio de animações, vídeos, experimentos, aplicativos de celular, dentre outros.

Nesse sentido, o Ensino de Física vem passando, ao longo dos últimos anos, por um processo de revitalização, pois, no Brasil, vem surgindo várias especializações na área de Ensino de Ciências e Física. Para VIANA e ARAÚJO (2009), não há área de ensino que não tenha sofrido mudanças significativas nos últimos anos, em parte, por conta de seu desenvolvimento epistemológico e por outro lado por conta das recentes mudanças nas políticas educacionais.

Não se trata de apresentar ao jovem a Física para que ele simplesmente seja informado de sua existência, mas para que esse conhecimento se transforme em uma ferramenta a mais em suas formas de pensar e agir. (PCN+, 2002).

A iniciativa para a realização deste trabalho partiu, então, dessas reflexões sobre o ensino de física e das constatações feitas em sala de aula de Ensino Médio acerca das dificuldades encontradas pelos alunos quando o uso de conceitos e fórmulas de temas da Física.

A relevância do projeto está no fato de o interesse dos adolescentes pela musculação, ter aumentado consideravelmente, sobretudo nos pós pandemia. Sabese que os movimentos executados na academia se constituem de ampla aplicação das forças peso, normal, tração, atrito, elástica e consequentemente, a aplicação de máquinas simples, também. Assim, considera-se uma ótima forma de explorar esse conteúdo no Ensino Médio.

A aplicação da proposta, pretende envolver mais o aluno e atraí-lo para que ele desenvolva uma aprendizagem significativa dos contéudos apresentados no decorrer das atividades propostas.

A teoria da Aprendizagem Significativa foi criada em 1963 pelo psicólogo David Ausubel. Nela as novas informações recebidas expressas simbolicamente, interagem de maneira não-literal e não-arbitrária com os conhecimentos que o aluno já possui. Não-literal quer dizer que não é ao pé-da-letra, e não-arbitrária significa que a interação não é com qualquer conhecimento prévio, mas sim com alguma ideia notadamente essencial já existente na cabeça, estrutura cognitiva, do indivíduo que aprende.

A essa ideia notadamente essencial à nova aprendizagem, Ausubel chamou de subsunçor ou ideia-âncora , que por sua vez pode ser resumido como uma consideração, ideia ou conjectura, que já exista na estrutura cognitiva de qualquer indivíduo e que sirva como base para uma nova informação (MOREIRA, 2012). O subsunçor passa a existir do desenvolvimento de conhecimentos que serão modificados com contato de conceitos novos. Ainda segundo Moreira, subsunçor é o

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nome que se dá a um conhecimento específico, de conhecimentos do indivíduo, que permite dar significado a um novo conhecimento que lhe é apresentado ou por ele descoberto.

- · Descoberta: o aluno deve aprender 'sozinho', deve aprender algum princípio, relação ou lei.
- · Recepção: o aluno recebe a informação pronta e o trabalho do discente consiste em atuar ativamente sobre esse material, a fim de relacioná-lo a ideias relevantes disponíveis em sua estrutura cognitiva.

Tanto por recepção como por descobrimento, a atribuição de significados a novos conhecimentos depende da existência de conhecimentos prévios especificamente relevantes e da interação com eles.

- É importante reiterar que a aprendizagem significativa se caracteriza pela interação entre conhecimentos prévios e conhecimentos novos, e que essa interação é não-literal e não-arbitrária. Nesse processo, os novos conhecimentos adquirem significado para o sujeito e os conhecimentos prévios adquirem novos significados ou maior estabilidade cognitiva. (Moreira,2012, pg. 2).
- O conhecimento prévio pode possuir muita firmeza e clareza em algumas situações e em outras podem não apresentar tanta estabilidade cognitiva, de forma semelhante também pode ser mais ou menos desenvolvida em termos de significados. No entanto, como o processo é interativo, quando serve de ancoradouro para novos conhecimentos, muda-se, adquirindo novos significados, validando os significados existentes.

## Metodologia

Segundo Zanella, 2013; é de suma importância a adoção de um método para o desenvolvimento de uma pesquisa, onde se tem por objetivo o estudo de determinado fato, objeto ou fenômeno, sendo utilizado uma sequência de procedimentos intelectuais e técnicos para isto. Nesse sentido, deve-se demonstrar e explanar as etapas metodológicas da pesquisa.

Na situação e meios utilizados neste trabalho, a natureza da pesquisa se insere na abordagem qualitativa, haja vista que se preza pela verificação da aprendizagem significativa nos discentes observando as impressões sinalizadas por eles durante a realização da prática pedagógica.

Nessa perspectiva, procurou-se adotar a função de pesquisador no processo em questão no ambiente de sala aula, tendo como foco observar, compreender e interpretar o dinamismo de atuação das atividades, assim como o desempenho dos aprendizes quanto a captação de significados.

No que diz respeito ao presente trabalho, o professor tem como objetivo investigar a utilização dos exercícios de academia como viabilidade de se tornar um recurso facilitador da aprendizagem significativa e a compreensão dos alunos quando inseridos nessa metodologia.

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A pesquisa foi desenvolvida em uma turma com 35 alunos do curso técnico em agrimensura integrado ao Ensino Médio, do IFPA/ Campus Tucuruí, no primeiro semestre de 2024.

Os dados foram coletados por intermédio de observações, registro dos acontecimentos e aplicação do questionário para coleta de opiniões. A cada passo examinamos a relação do aprendiz com o colega de classe, com o discente e com o método trabalhado, sempre atentando para indícios relevantes de aprendizagem significativa.

Na verificação dos conhecimentos prévios, propôs-se uma visita a uma academia de musculação, mediada pelo professor, onde o objetivo é debater sobre situações físicas envolvidas nos exercícios e aparelhos da academia, pertinentes as forças da mecânica e a aplicação de máquinas simples (plano inclinado, polias e alavancas). A visão de cada discente foi registrada no registro de acontecimentos para ser comparada posteriormente.

Figura 4: conceitos sobre alavancas

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Figura 1 : execução do leg 45º

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Figura 2: execução do leg 90º

No encontro seguinte, discutiu-se os conceitos físicos, na sala de aula e fezse uma discussão comparando com os subsunçores coletados nas observações na academia.

Figura 3 : conceitos sobre plano inclinado

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Propôs-se, também, elaboração de vídeos curtos sobre a análise das máquinas simples nos exercícios e aparelhos de academia, para serem publicados nas redes sociais.

Por fim, executou-se uma avaliação da metodologia, com um questionário de satisfação, para verificar o quão ela foi eficaz no aumento do interesse do aluno e no desenvolvimento da aprendizagem significativa.

## Resultados

Analisando a participação dos alunos em todas as etapas da proposta e o envolvimento com os conteúdos, percebeu-se que eles foram mais participativos que em aulas tradicionais, e foi nítido maior pré-disposição a aprender, algo que é super importante para o desenvolvimento da aprendizagem significativa.

Os subsunçores coletados na aula na academia, foram discutidos na aula teórica e se mostraram muito enriquecedores para o desenvolvimento de novas habilidades sobre as máquinas simples.

Outrossim, os vídeos elaborados em grupos, sobre a aplicação da física nos exercícios de polias, plano inclinado e alavancas, aprestaram os conceitos e cálculos muito bem colocados, além de demonstrarem muita criatividade nas edições.

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Figura 5: Vídeo sobre polia fixa. Figura 6: Vídeo sobre polia móvel

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Figura 8: vídeo leg 45º

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Figura 7: vídeo rosca concentrada

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## Conclusão

Em relação ao desenvolvimento da aprendizagem, a proposta se mostrou eficiente, pois ao resolver problemas relacionados a musculação, a maioria dos alunos demonstraram compreensão do conteúdo e posteriormente conseguiram aplicar esse conhecimento na resolução de exercícios mais clássicos. Assim, podese dizer que houve uma aprendizagem mais significativa sobre as forças da mecânica e as máquinas simples.

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## Referências

AUSUBEL, David P. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva. 1.ª Edição PT-467, Editora Plátano, janeiro de 2003.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Base Nacional Comum Curricular - Educação Básica. Brasil, 2018.

MOREIRA, M.A. (1999). Aprendizagem significativa. Brasília: Editora da UnB. Revisado em 2012.

MOREIRA, M.A. (2006). A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala de aula. Brasília: Editora da UnB. 185p.

MOREIRA, M.A.; Masini, E.A.F.S. (1982). Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo, Editora Moraes.

MOREIRA, Marco Antônio. PESQUISA EM ENSINO: ASPECTOS METODOLÓGICOS. 2003. Disponível em: http://moreira.if.ufrgs.br/pesquisaemensino.pdf. Acesso em: 20 mar. 2020.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.