ENSINO DA REFRAÇÃO DA LUZ, POR MEIO DO USO DA ABORDAGEM CTS COMO ALTERNATIVA EM UM AMBIENTE EM QUE SE PREDOMINA ABORDAGEM TRADICIONAL.
Luiza Bretz Cavalcante Correa, Luis Gustavo D’ Carlos Barbosa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 23/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ENSINO DA REFRAÇÃO DA LUZ, POR MEIO DO USO DA ABORDAGEM CTS COMO ALTERNATIVA EM UM AMBIENTE EM QUE SE PREDOMINA ABORDAGEM TRADICIONAL.
## Luiza Bretz Cavalcante 1 , Luis Gustavo D'Carlos Barbosa 2
- 1 Universidade Federal de Minas Gerais/Departamento de Física /ICEX, luizabretz2@gmail.com
## Resumo
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio enfatiza a importância de utilizar diferentes linguagens e tecnologias para acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas de forma ética (Brasil, 2017). Nesse contexto, a abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) surge como um campo interdisciplinar que explora as interações entre ciência, tecnologia e os contextos sociais e culturais. No entanto, os professores enfrentam dificuldades para conciliar a preparação dos alunos para exames padronizados com a promoção de uma educação investigativa e reflexiva, conforme exigido pela BNCC e pela abordagem CTS. Esse texto tem como objetivo discutir o uso da abordagem CTS como alternativa do ensino tradicional em escolas que possuem como foco a preparação para exames e provas para ingresso em universidades. Será apresentada uma metodologia, assim como um balanço da sequência vivenciada, que utiliza a leitura mediada para explorar a visão humana embaixo d'água de uma tribo nômade, iniciando discussões e demonstrando a aplicação prática da abordagem CTS no ensino de física .
Palavras-chave :
Ensino, CTS, Refração.
## Introdução
Um dos principais propósitos das escolas na atualidade é fornecer a possibilidade de o educando estar preparado para ingressar no ensino superior. Sabe-se, também, que a educação básica pretende desenvolver o aluno para o exercício da cidadania (Brasil, 1996), o que permite a esse indivíduo o acesso à informação e valores que o preparem para compreender situações e tomar decisões no contexto em que ele está inserido. Esses propósitos estão explícitos na Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, em especial, quando estabelece a necessidade do aluno 'utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas das Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e ética' (Brasil, 2017, p.324).
A abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) no Ensino de Ciências exige interdisciplinaridade, uma vez que examina as interações entre ciência, tecnologia e os contextos sociais, culturais, históricos e políticos nos quais elas se desenvolvem. Santos e Mortimer (2001), identificaram, ao discutir sobre a tomada de decisão para ação social responsável no ensino de ciência, que as propostas curriculares para o ensino da ciência na perspectiva CTS possuem a meta de preparar os alunos para o exercício da cidadania. Viabilizam assim, a forja da criticidade no pensar e no agir ao fortalecerem a elucidação das relações entre as três dimensões de forma dinâmica e ativa por parte do educando.
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
Entretanto, preparar os alunos da educação básica para as provas do ENEM e de outros exames, quando simultaneamente se propõe a aderir aos princípios de abordagens como a CTS, constitui motivo de tensão e significativo desafio para os professores. A pressão por resultados nas provas fora da escola limita o tempo e os recursos disponíveis para atividades aprofundadas e discussões em que se possa trabalhar procedimentos, atitudes e outros conhecimentos não restritos ao rol de conceitos canônicos da Física escolar.
Visando uma tentativa de conciliação em tal campo de batalha curricular e do que compreende a própria finalidade da educação, objetivou-se neste trabalho avaliar a recepção e eficácia de uma sequência didática CTS para classes aculturadas à Física escolar restrita à dimensão conceitual e ao treinamento para o ENEM. Para tal, optou-se por levar a intrigante visão subaquática do povo Moken entrelaçada a rede de conceitos que compreende o ensino da refração da luz.
A partir de tal experimento educacional, perguntou-se: Em que sentidos seria viável e enriquecedor introduzir a abordagem CTS em ambientes competitivos de treinamento para exames de admissão? De que modos os estudantes - pouco aculturados a uma problematização e contextualização mais robusta - recebem tal proposta? Quais as tensões se estabelecem? Quais os principais desafios e dificuldades enfrentados pela professora neste cenário? Antes de se detalhar a sequência de ensino, necessita-se minimamente dar a conhecer alguns sentidos circulantes que definem o CTS e experiências educativas atribuídas a tal abordagem.
## A abordagem CTS como alternativa curricular
Implementar métodos de ensino que provoquem o questionamento crítico e a autonomia dos estudantes demanda não apenas uma revisão nos materiais didáticos, mas também uma mudança cultural na forma como a aprendizagem é concebida e avaliada. Como alternativa, tem-se a educação baseada na discussão das relações CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). Surgida na década de 1980, tal abordagem espera negociar os objetivos da educação científica, buscando a potencialização do processo natural de compreensão da realidade e do tempo nos quais se vive, visando o empoderamento dos cidadãos para se engajarem em questões problemáticas que envolvem a ciência e a tecnologia (Aikenhead, 2006).
Conforme afirma Santos (2001), o ensino de ciências implica considerar aspectos relacionados aos valores e às questões éticas. Para o autor, uma pessoa torna-se responsável quando ela aceita o problema social e o aceita como uma preocupação pessoal. Como implicações, Santos propõe o uso da abordagem CTS, que torna o aluno capaz de usar o conhecimento científico e tecnológico nas soluções de problemas do dia a dia e de tomar decisões com responsabilidade social. Sabe-se que para o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisões é fundamental para que os estudantes discutam problemas da vida real.
Ao tentar proporcionar uma compreensão abrangente e contextualizada do mundo natural, é essencial que o professor ofereça aulas diversificadas com situações variadas, permitindo que eles sejam introduzidos a diferentes formas de pensar e dialogar sobre o mundo. Mortimer (2018) afirma que o(a) aluno(a) ao tentar dar sentido ao que está aprendendo acaba criando suas próprias interpretações e formas de integrar o novo conhecimento com o que já possui. Para isso, ele(a) recorre ao seu repertório pessoal de significados previamente atribuídos às palavras e aos objetos do mundo. Como conclusão, o autor frisa a importância do diálogo
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para se lograr uma aprendizagem efetiva. Como recomendações propôs que o(a) professor(a) deve fomentar o diálogo entre docente e aluno por meio de perguntas, que podem ser feitas, a título de exemplo, para discutir a física envolvida em situações corriqueiras do dia a dia.
Silva e Neves (2020) foram bem-sucedidos ao trabalhar uma sequência de ensino com uma abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) que teve como tema a 'Física dos Transportes'. O trabalho tinha como objetivo principal contribuir para as discussões sobre a potencialidade da educação científica na promoção de uma formação cidadã vinculada às questões ambientais. Conseguiram realizar isso inicialmente por meio da leitura de um texto motivador 'As raízes sociais e econômicas dos Principia de Newton' de Boris Hessen (1984), em que a partir dele foi possível discutir acerca das máquinas simples como meios para potencializar a capacidade produtiva humana. Os resultados indicam que os alunos avaliaram diversos aspectos da situação analisada, sugerindo a criação de entendimentos que consideraram múltiplas dimensões da complexa relação entre os seres humanos e o meio ambiente.
Mais recentemente, Santos (2023) objetivou analisar o ensino de Física no conteúdo de óptica geométrica e saúde humana, através da temática 'defeitos da visão'. Realizou isso através da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade, realizada em turmas do segundo ano do ensino médio profissionalizante em uma escola agrícola da rede pública federal. Alcançou respostas que pautavam a facilidade dos alunos em se identificarem com situações cotidianas, e os possibilitou relacionar os problemas enfrentados por deficientes visuais, com a base do conhecimento científico, refletindo a respeito de situações reais dos defeitos da visão e das dificuldades encontradas por esses deficientes no cotidiano, despertando-os para a cidadania.
Ensinar ciência em conformidade com a abordagem CTS, sem deixar de preparar os alunos para provas de vestibulares, é uma possibilidade enriquecedora para que os educadores contextualizem conceitos teóricos dentro de cenários históricos, sociais e tecnológicos reais, demonstrando como a física é aplicada e impacta o mundo ao nosso redor. Aposta-se que isso pode ser feito em concomitância às habilidades e conteúdos exigidos nos vestibulares, promovendo uma compreensão mais contextualizada do conteúdo.
## O experimento educacional e seu contexto
A elaboração da sequência didática é resultado de estudos aprofundados sobre abordagens não tradicionais do ensino de Física em disciplinas de Didática e Estágio da disciplina na graduação. No terceiro e último estágio curricular obrigatório foi proposta a estruturação de um projeto pedagógico utilizando uma dessas abordagens. O campo de estágio escolhido foi a escola particular onde a autora já atuava como condutora de um clube de ciências eletivo, o que lhe conferia um conhecimento contextual prévio.
A instituição acolhe estudantes provenientes de famílias economicamente abastadas, preocupadas com o treinamento competitivo voltado ao ENEM. Esse contexto, marcado pela predominância de aulas tradicionais e pela orientação ao alto desempenho em avaliações, tornou ainda mais desafiador o estágio nas aulas de Física nas quatro turmas do 2º ano do ensino médio, no que diz respeito a viabilizar a implementação de uma abordagem CTS. De modo geral, os discentes, com idade entre 16 a 17 anos, demonstram apatia e apresentam dificuldades em
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manter a atenção de maneira proativa, ou seja, carecem de iniciativa própria para se engajarem ativamente nas aulas, o que já se demonstrou um dos primeiros desafios que foram enfrentados durante o desenrolar da sequência didática.
Propôs-se uma sequência didática pautada na abordagem CTS acerca do estudo da refração da luz. Para isso, inicialmente, os alunos realizaram uma leitura mediada pela professora do texto ' Moken , a tribo do mar que enxerga perfeitamente embaixo da água' Minilua (2014). O texto aborda sobre um povo nômade do sudeste asiático que tem a capacidade excepcional de enxergar claramente debaixo d'água. O benefício da leitura com o apoio de um mediador no ensino de ciência fica evidente na visão de Espinoza (2010, p. 127), em que ela pondera que o espaço que o(a) professor(a) destina a situações de leitura, durante a qual os alunos têm a oportunidade de expressar e discutir suas interpretações, permite tornar visível as dificuldades que podem surgir e a compreensão perante a algum assunto.
Nesse contexto, a proposta de iniciar a sequência didática com a leitura de um texto visava incitar nos alunos questionamentos sobre a visão humana subaquática, considerando que, apesar de ser uma situação abstrata, eles já teriam experimentado ver debaixo d'água e constatado a ausência de nitidez. Assim, para compreender como aquela tribo consegue a visualização perfeita dentro da água, os alunos foram primeiramente ser estimulados a compreender como funciona a visão dos seres humanos enxergando na terra, onde somos adaptados a viver. A partir disso foi possível apropriar-se da compreensão de conceitos como refração, câmara escura, adaptação biológica, continuidade óptica, entre outros, conforme a descrição das aulas a seguir. Paralelamente, fomentou-se também a compreensão de relações CTS como a necessidade desses indivíduos terem de se adaptar biologicamente, as condições de vulnerabilidade dessa tribo e as ações que devem e podem ser feitas para remediar a problemática. Encerrada a sequência, os alunos responderam a um questionário sobre suas percepções em relação à nova abordagem, permitindo uma comparação com a abordagem tradicional que já conhecem.
## Quadro 01: Descrição das aulas.
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Aula 03
Anotação no quadro dos índices de refração obtidos por cada grupo, seguida de comparação dos mesmos aos índices de refração da água, córnea e cristalino (explícitos em uma tabela). Demonstração da continuidade óptica entre glicerina e vidro como base da explicação de por que se enxerga sem nitidez dentro d'água. Contraposição à visão subaquática do povo Moken: diminuição das pupilas e focalização análoga à uma câmera escura. Encerramento com retorno ao texto da primeira aula, aprofundando a discussão sobre as condições de vulnerabilidade do povo Moken , necessidade de sua adaptação biológica e dimensões éticas e sociais dessa tribo.
## Um balanço da sequência vivenciada
A partir da etapa obervacional, uma das primeiras impressões evidentes era que cada turma apresentava características distintas, o que representou uma problemática adicional na compreensão de que cada grupo poderia reagir de maneira diferente a abordagens pedagógicas que se desviasse daquelas a que estavam habituados. A postura adotada pelo professor regente diferencia-se da abordagem que a professora adotaria na escolha das metodologias de ensino. Enquanto o professor regente tende a seguir métodos mais tradicionais e expositivos, a professora buscou integrar abordagens pedagógicas mais interativas e centradas no aluno, visando maior engajamento e participação ativa. Além disso, outro desafio identificado foram as interrupções das aulas, ocasionadas por simulados que se estendiam por todo o horário escolar ou por excursões extracurriculares.
- O início das aulas da sequência de ensino de refração trouxe novas impressões à professora. Ela notou, de forma geral, que alguns alunos que anteriormente não prestavam atenção ou permaneciam no celular durante toda a aula, tiveram sua atenção capturada. A estratégia de iniciar a aula com uma leitura e mediação mostrou-se pertinente, uma vez que os alunos esperavam a tradicional escrita de um tema no quadro e ficaram surpresos ao constatar que uma aula de Física começaria com a leitura de um texto.
Tal abordagem despertou o interesse dos alunos, especialmente daqueles que se consideravam desinteressados pela disciplina, pois conseguiram se identificar com outras partes do texto e, assim, mostraram-se mais abertos e atentos. Em algumas turmas, também surgiram interesses sobre aspectos não físicos, como questionamentos acerca da vulnerabilidade da tribo Moken, que geraram discussões relevantes acerca das questões sociais que cercam a vida daquele povo. Além disso, observou-se a eficácia da problematização, uma vez que os alunos ficaram ansiosos pela conclusão do questionamento proposto pelo texto - sobre como ocorre a visão subaquática desses indivíduos -, que seria respondido apenas ao final da sequência didática, na terceira aula.
A primeira aula foi concluída com uma discussão sobre a dependência da visão humana em relação à refração, bem como sobre as funções das diversas partes do olho humano. Em algumas turmas, houve um debate significativo acerca da formação da imagem invertida no fundo dos olhos, o que suscitou grande interesse entre os alunos.
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A segunda aula, por sua vez, apresentou entraves consideráveis ao retirar os alunos de sua zona de conforto. A condução para o laboratório, de modo geral, foi complicada, demandando tempo para acalmar os alunos. No laboratório, foram abordados a Lei de Snell e o conceito de índice de refração. Uma dificuldade notada foi a percepção dos alunos de que, por estarem em um ambiente laboratorial, não era necessário anotar ou acompanhar o conteúdo que fazia parte da disciplina. Além disso, na parte prática, embora se acreditasse que o domínio matemático dos alunos estivesse mais desenvolvido, observou-se que muitos enfrentam dificuldades, especialmente em relação à trigonometria. Apesar desses obstáculos, a maioria dos grupos conseguiu concluir a atividade e entregar uma resposta. No entanto, não houve tempo suficiente para discutir a prática, as dificuldades dos alunos e outras questões pertinentes, o que seria feito no início da próxima aula.
Finalmente, a terceira aula ocorreu dando início às discussões da prática realizada no laboratório e retornando ao texto lido na primeira aula e qual era o objetivo central. Os alunos foram indagados sobre as dificuldades encontradas, assim como os resultados obtidos. A maioria relatou ter percebido que pequenas variações na hora de coletar os dados faziam diferença significativa no resultado e, a partir disso, levantaram hipóteses do que poderia ter afetado no resultado. A aula seguiu com a professora comparando os resultados obtidos dos índices de refração da água calculados com os da córnea e do cristalino. Os estudantes concluíram que o fenômeno da refração no processo da visão na água não ocorre da maneira que deveria e utilizando a glicerina e um vidro para demonstrar o fenômeno da continuidade óptica os alunos expressaram o maravilhamento em relação a demonstração. A continuação da aula se deu pela conclusão de como aquela tribo enxergava, similar ao que ocorre com a câmara escura. Muitos acabaram tendo dúvidas sobre esse processo de formação da imagem, o que deixou pouco tempo para discutir acerca da vulnerabilidade que o povo Moken vive e a necessidade da adaptação biológica.
A professora deixou um formulário online para que fosse respondido sobre as percepções dos alunos, assim como as opiniões sobre as aulas e a abordagem alternativa CTS.
Estando os discentes não habituados a problematizações e contextualizações mais robustas, não foi surpresa constatar a recepção da proposta de diferentes maneiras. Alguns, de início, aceitam-na de bom grado, apreciando a leitura e a abordagem diferente no início da primeira aula. Do formulário que foi disponibilizado virtualmente aos estudantes, de um total de cento e vinte e sete estudantes que vivenciaram a sequência, sessenta e três dos alunos responderam, o que representa 49,6% dos sujeitos participantes, desses, aproximadamente 83% dos estudantes acharam interessante e atrativo a utilização da leitura para iniciar a discussão de um conteúdo de física. O surgimento de algumas tensões, como uma ansiedade diante da necessidade de resolver as problema apresentados de maneira imediata e sem a construção do conhecimento já era esperado mediante ao cenário que esses alunos estão habituados. Apesar disso, cerca de 78% dos discentes concordaram que acharam desafiador mas gostaram da experiência, já que foi uma maneira diferente de construir o conhecimento. Outro ponto relevante foi o entusiasmo relatado pelos alunos em trabalhar no ambiente laboratorial. Um dos feedbacks recebidos destacou a satisfação de uma aluna ao perceber que estava descobrindo, de maneira autônoma, os fenômenos físicos em questão. A estudante relatou a alegria por poder acompanhar e compreender o processo de manifestação
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dos fenômenos por si mesma, o que contribuiu para um maior envolvimento com o conteúdo abordado.
## Considerações finais
- O propósito deste trabalho foi avaliar a viabilidade de abordagens alternativas com componentes procedimentais e atitudinais - por exemplo a CTS em ambientes onde predominam a abordagem tradicional e o treinamento para exames. Para tal, utilizou-se do contexto de adaptação biológica da visão subaquática do povo Moken como contexto para explorar e ensinar o fenômeno da refração da luz. A integração de atividades que, permitam aos alunos relacionarem os conhecimentos científicos com situações reais, como exemplificado nos estudos de Santos (2023) e Silva e Neves (2020), demonstra que é viável e enriquecedor conciliar a preparação para exames com uma educação que promova o desenvolvimento crítico dos estudantes. Tal abordagem demanda aprofundamento em contextos interdisciplinares, o que acaba por favorecer alguns enfoques emergentes nos exames de admissão.
As discussões abordadas e os resultados obtidos em sala de aula, indicam que a aplicação da abordagem CTS se apresentou como uma alternativa para as abordagens tradicionais em contextos educacionais onde a formação acadêmica é predominantemente voltada para a preparação de provas e exames de ingresso ao ensino superior. O enfoque CTS ajuda a conectar os conceitos científicos com questões sociais e tecnológicas, tornando o aprendizado mais relevante para os alunos. Em um ambiente de preparação para provas e exames de admissão, essa relevância é enriquecedora, já que pode aumentar o interesse e a motivação dos alunos, levando a um entendimento mais profundo e duradouro dos conceitos. Apesar disso, alguns dos estudantes ao entrarem em contato com uma nova abordagem reagiram com desconforto com a resolução não imediata da problemática levantada. Uma das dificuldades mais significativas enfrentadas nesse cenário foi a gestão do tempo, dado o número de elementos novos não vivenciados no cotidiano da disciplina de Física, como por exemplo, aspectos sociais e culturais de um povo, prática laboratorial, entre outros. Outro aspecto passível de aprimoramento foi o método de coleta de dados, uma vez que o formulário estava disponível em uma plataforma online, alguns estudantes não participaram.
No horizonte de implicações e planos futuros, a inserção gradual de práticas que conectem o conhecimento científico com situações do cotidiano desponta como uma estratégia promissora para ampliar a compreensão dos alunos sobre a relevância do que aprendem. Além disso, a expansão dessas abordagens para outras séries além do 2º ano do ensino médio permitirá uma avaliação mais abrangente de seu impacto. A coleta de dados sobre as percepções dos alunos ao serem expostos a uma metodologia diferente da habituada por eles será essencial para ajustar e fortalecer essa prática, proporcionando insights valiosos para a contínua adaptação do ensino às necessidades contemporâneas, sem perder de vista os objetivos acadêmicos e os resultados esperados em exames e vestibulares.
O presente relato deixa como exemplo a utilização da abordagem CTS para o uso do ensino de um conceito físico que recorrentemente aparece em exames e provas, que é a refração. Espera-se incentivar professores que, com poucos recursos, como uma reportagem com uma temática social, conseguem tornar a aula mais participativa e mais factível ao contexto do aluno propiciando maior engajamento e interesse por parte dos estudantes.
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## Referências
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BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC\_EI\_EF\_110518\_versaofinal\_sit e.pdf. Acesso em: 29 out. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Brasília, 1996. Disponível em:
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MORTIMER, Eduardo F. Aprender Ciências: Tensões e diálogos entre a linguagem comum e a linguagem científica . In: Elaborando sequências didáticas para o ensino médio de química, 2018. p. 10-27.
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