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As possíveis causas da má formação dos docentes

Vanessa Cristina Da Silva, Amanda Gomes Pereira, Luciana Alves Bezerra, Paulo Cavalcante Da Silva Filho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## As possíveis causas da má formação dos docentes Possible causes of the poor training teacher

## Vanessa Cristina da Silva , Amanda Gomes Pereira , Luciana Alves Bezerra , 1 2 3 Paulo Cavalcante da Silva Filho 4

1 IFRN/ Diretoria Acadêmica de Ciências (DIAC) / van\_crisifrn@hotmail.com

- 2 IFRN/ Diretoria Acadêmica de Ciências (DIAC) / amandinha.gpereira@hotmail.com

3

IFRN/ Diretoria Acadêmica de Ciências (DIAC) / lukacefet@yahoo.com.br

IFRN/ Diretoria Acadêmica de Ciências (DIAC) / paulo.cavalcante@ifrn.edu.br

4

## Introdução

- O Brasil é um país onde a educação tem sido, ao longo dos anos, motivo de preocupação para todos aqueles que reconhecem a importância desta para o desenvolvimento individual e coletivo da humanidade. Dentre os graves problemas que a educação apresenta, encontra-se a questão da formação dos docentes de Ensino Médio nas universidades publicas. Esse problema é decorrente da falta de inovação tanto dos métodos de ensino quanto dos componentes curriculares encontrados nos seus cursos de formação.
- É nesse sentido que, nesse trabalho, realizamos um estudo diagnóstico com diferentes docentes da disciplina de física do estado do Rio Grande do Norte, para que os próprios analisem a sua formação, pois o atual cenário da educação brasileira sugerir a urgência por mudanças e rupturas que promovam maior qualidade e eficiência no processo educacional mesmo com todo o esforço da nova lei de Diretrizes de Base - LDB e dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, e, desta forma, só irá acontecer quando enxergamos e analisarmos o problema real, a fim de buscar soluções.

## Causas e conseqüências da má formação dos professores

- O docente é o principal responsável pelo desenvolvimento humano, tendo um papel de extrema importância perante a sociedade, como afirma Gadotti (2002):

'Ser professor é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas'.

Mas infelizmente muitas vezes esses profissionais não possuem uma formação adequada para o exercício da profissão. Um dos problemas encontra-se no processo formativo dos licenciados, isso se torna evidente a partir da analise dos componentes curriculares do curso que muitas vezes é insatisfatório para o exercício da profissão. Avaliando as grades curriculares que estão em vigor nas intuições de ensino do RN percebe-se uma diferença exorbitante entre elas, mostrando assim a fragilidade do profissional que será formado em cada instituição de ensino.

As aulas no ensino superior em sua grande maioria são reduzidas à simples transmissão de um conhecimento, sem preocupação nenhuma da parte docente em gerar no aluno o questionamento, muito menos um olhar crítico acerca da sua

## realidade, segundo Freire (2009) em Pedagogia da Autonomia:

'O educador aparece como indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é encher os educandos de conteúdos de sua narração. Conteúdos que são da realidade desconectada da totalidade em que se engendram e em cuja visão ganhariam significação.'

Como o processo não se inova, os conteúdos são meramente decorados e a aprendizagem não acontece. Faltam estratégias adequadas à turma, decorrente da má formação dos professores o que os torna mal preparados para o exercício da profissão. Forma-se, assim, um círculo vicioso. Segundo Gatti (2000):

'(...) a criação de um circulo vicioso - professores com formação inadequadaalunos com formação inadequada- novos professores com formação inadequada, etc.'

Esse profissional mal preparado vai dar aula, seu método será o mesmo utilizado pelo professor que ele teve durante a graduação, passando o problema para os futuros docentes. Esse é o painel atual do ensino superior no Brasil. As aulas acabam sendo basicamente teóricas, com conteúdos maçantes e muitas vezes sem significado ou descontextualizado, como desabafa o professor Schreiner:

' Desde 1964, quando entrei como estudante no Instituto de Física da UFRGS, até hoje, 2009, analisando o que encontro no ensino da Física em Universidades brasileiras, não vejo mudanças significativas. Na graduação vejo os mesmos livros texto, hoje em sétima ou oitava edição, vejo aulas tão tradicionais com as que tive, vejo os mesmos professores medianos e desmotivados, com honrosas exceções, dando as mesmas aulas abomináveis com giz e lousa'.

E a tendência é continuar essa crise sem precedentes no ensino superior.

## Análise do questionário

Para analisar a temática discutida foi aplicado um questionário com a 30 professores graduados nas instituições de ensino que oferecem o curso de física no RN. O questionário teve por objetivo fazer com que o graduado em física analisasse sua formação, apontando os principais problemas encontrados na licenciatura. No questionamento foi observado que 100% dos professores questionados afirmam que estão aptos a dar aula no ensino médio após a conclusão do curso, mas logo depois 66,7% citam que as metodologias dos seu professores não foram suficientes para que houvesse a transmissão do conhecimento. Um dos entrevistados afirma:

'o problema da má formação dos professores estar na falta de uma metodologia adequada, com isso dificulta a passagem do conteúdo para os alunos'.

No decorrer da análise 83,3% dos docentes reclamam a respeito da falta de inovação na licenciatura,

'percebi claramente ao longo da minha graduação a dificuldade de inovação por parte dos professores, a falta da utilização de recursos que poderiam facilitar muito a transmissão do conhecimento'.

Essa falta de inovação na licenciatura torna o curso incompleto, pois o profissional encontrará dificuldade para se adaptar ao mercado de trabalho, o qual

exige um profissional cada vez mais inovador. Ao longo do questionário 60% dos entrevistados apontaram que o maior problema na formação do professor está na falta de uma metodologia adequada de seus mestres, como pode ser percebido no desabafo de um dos entrevistados:

'os professores infelizmente tendem a reproduzir os conteúdos, da mesma maneira visto por eles em sua graduação, não se preocupam em procurar uma nova metodologia de ensino'

dificultando a aprendizagem e conseqüentemente sua atuação profissional. Mas são poucos os que reconhecem que a dificuldade de lecionar está na sua própria formação, dificultando assim a resolução do problema.

## Conclusão

A má formação do docente é um problema no atual cenário da educação brasileira, mas quando não identificado dificilmente este será resolvido, é o que acontece atualmente, infelizmente alguns docentes não se sentem sujeitos deste problema. Esta situação ficou mais clara quando foram analisadas as opiniões dos próprios docentes formados, mas felizmente sabemos que essa realidade não atinge todos os profissionais, pois ainda existem docentes que acreditam no valor do Ensino e na importância da Inovação, que busca dia a dia passar para os seus discentes a importância de uma boa formação.

## Referências

GADOTTI, Moacir . Boniteza de um sonho : ensinar-e-aprender com sentido. ed.Instituto Paulo Freire. 2002.120p.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários a pratica educativa.37.ed.SP:Paz e Terra,2009,152p.

GATTI, Bernardeti. Formação de Professores e Carreira: problemas e movimentos de renovação. 2. ed.Campinas,SP:Autores Associados; São Paulo:Nupes,2000.133p.

SCHREINER, Wido H. Eu sou você amanha. Sociedade Brasileira de física.Disponivem em:<http:www.sbfisica.org.br>.

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