MOSTRAS CIENTÍFICAS ITINERANTES E ENSINO DE ASTRONOMIA: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DAS ESCOLAS
Sônia Elisa Marchi Gonzatti, Andréia Spessatto De Maman, Elise Cândida Dente, Cristine Inês Brauwers, Marli Teresinha Quartieri
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 23/01/2025
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MOSTRAS CIENTÍFICAS ITINERANTES E ENSINO DE ASTRONOMIA: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DAS ESCOLAS
Sônia Elisa Marchi Gonzatti 1 , Andréia Spessatto De Maman 2 , Elise Cândida Dente 3 , Cristine Inês Brauwers 4, Marli Teresinha Quartieri 5
- 1 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Exatas, soniag@univates.br
- 2 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Planetário Univates, andreiah2o@univates.br
3 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Bolsista ATP/CNPq, elisedente@universo.univates.br
- 4 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Bolsista ATP/CNPq, cbrauwers@universo.univates.br
- 5 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Exatas, mtquartieri@univates.br
## Resumo
Este trabalho investiga as motivações e expectativas de escolas e instituições educativas que se inscreveram para receber uma Mostra Científica Itinerante (MCI) em parceria com o projeto de extensão do planetário móvel da Univates. As Mostras fazem parte do plano de ação de projeto aprovado na Chamada CNPq/MCTi/FNDTC 39/2022, que viabilizou a aquisição de um planetário digital. Em sua concepção, as MCI desenvolvem atividades de natureza investigativa e exploratória envolvendo diferentes conhecimentos científicos da área de Ciências Exatas. Incluem também sessões de planetário, com opções de programas para diferentes níveis e anos de escolarização que exploram variados tópicos de astronomia. Em termos metodológicos, foi analisado um questionário online respondido por 28 instituições educacionais. Foram analisadas duas questões, uma sobre as motivações e outra sobre as expectativas destas instituições para sediar uma MCI. O material empírico foi analisado por meio de aproximações com a análise de conteúdo. Resultaram quatro categorias emergentes: impactos na aprendizagem e conhecimento; complementação e enriquecimento curricular; aspectos motivacionais e incentivo à pesquisa e à iniciação científica. De forma geral, estes resultados dialogam com pesquisas preexistentes sobre a relevância dos planetários e outros espaços não formais no que diz respeito a fomentar o interesse pelas ciências e contribuir para a educação científica dos estudantes.
Palavras-chave : Ensino de Astronomia. Divulgação Científica. Planetário móvel.
## Introdução
O Planetário Móvel da Universidade do Vale do Taquari - Univates, iniciou uma nova etapa em sua missão de popularizar a astronomia com a aprovação de um projeto pelo CNPq, através da Chamada 39/2022. A iniciativa, intitulada 'Mostras Científicas Itinerantes: Desvendando as Ciências Exatas', possibilitou a
aquisição de um planetário digital móvel, cuja operação começou em julho de 2024 (Figura 1).
Figura 1 Novo planetário da Univates
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O plano de trabalho do projeto tem como ação central a realização de Mostras Científicas Itinerantes, por meio das quais oficinas e sessões de planetário são realizadas em escolas e outras instituições educativas. Visando capilarizar a inserção das atividades de divulgação e educação científica por meio das MCI, foi aberto um edital para seleção de escolas interessadas em sediar uma Mostra Científica em parceria com a universidade. Vinte e oito (28) instituições de ensino públicas e privadas se inscreveram, e treze (13) foram selecionadas. As Mostras ocorrem no período de agosto de 2024 a outubro de 2025.
As Mostras Científicas Itinerantes são ambientes de ensino não formal que enriquecem a formação científica e tecnológica de estudantes, complementando e enriquecendo atividades realizadas no ensino escolar. No contexto universitário, elas têm relevância ao promover a divulgação científica de maneira dialógica e interdisciplinar (Gonzatti; De Maman, 2023; Gonzatti et al., 2018).
Tecidas estas considerações iniciais, este trabalho tem como objetivo analisar as motivações e expectativas de escolas e instituições educacionais que solicitaram a realização das MCI, promovidas pelo Planetário Móvel da Univates, no âmbito do projeto financiado pelo CNPq/MCTI/FNDTC 39/2022.
A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online, respondido por 28 instituições educacionais candidatas. Em termos metodológicos, este trabalho analisa duas questões descritivas que integram o questionário. A primeira investiga as motivações das escolas e instituições para desenvolverem uma MCI em parceria com a universidade e a segunda questão intenta mapear
as expectativas dessas comunidades, com o intuito de aumentar a sinergia entre as escolas e as atividades de extensão promovidas.
## Os planetários e a divulgação científica
Os planetários, sejam fixos ou móveis, desempenham um papel crucial no estímulo ao interesse em astronomia e outras ciências, oferecendo uma experiência prática e imersiva que potencializa os conhecimentos (Romanzini; Batista, 2009). Cabe destacar que, na universidade em questão, o planetário móvel foi um divisor de águas no que diz respeito a popularizar e a democratizar o acesso a atividades de Astronomia e outras ciências correlatas. Em atuação desde 2014, mais de 20 mil atendimentos em atividades itinerantes ou nos espaços da universidade corroboram essa percepção (Gonzatti et al., 2023).
Enquanto espaços de divulgação científica, os planetários podem colaborar tanto em âmbito da educação escolar quanto na comunicação pública da ciência e popularização da Astronomia junto ao público em geral (Carneiro; Longhini, 2015; Marranguello et al., 2018; Kimura; Marranghello; Irala, 2023). Na visão de Carneiro e Longhini (2015, p.8), a divulgação científica contribui para a democratização de saberes, com '[...] papel inconteste na intermediação entre ciência e sociedade é um campo fértil de investigação na educação, considerando que a construção do conhecimento flui em diferentes espaços'. Os planetários, sem dúvida, são espaços diferenciados para realizar a divulgação científica e potencializar o Ensino de Astronomia.
Portanto, pode-se afirmar que as ações de popularização da Astronomia, realizadas por meio da divulgação científica e da extensão universitária, podem responder positivamente aos desafios de melhoria da qualidade com equidade da Educação Básica e do acesso ao conhecimento como um direito básico de todos os cidadãos. Em efeito, professores e escolas assinalam que as atividades no planetário estão integradas com as práticas escolares, reverberando a premissa de que estes espaços enriquecem e complementam as atividades de ensino desenvolvidas em nível escolar (De Maman et al., 2024; Gonzatti; De Maman, 2023).
## Percurso metodológico: sobre o tratamento e a análise de dados
apresentamos as ações do projeto das MCI ligadas à inscrição e seleção de escolas, com foco na etapa de diagnóstico realizada entre abril e maio de 2024. As inscrições para as MCI foram divulgadas nas redes sociais e outras mídias, visando à ampla divulgação do edital e à transparência do processo seletivo. A inscrição foi formalizada por meio de um questionário online, com quatro questões, além de informações de contato. Após esta etapa, seguiu-se a análise dos questionários respondidos pelas instituições inscritas. A divulgação dos resultados ocorreu no mês de julho de 2024, com 14 instituições selecionadas. Em agosto, houve reunião de organização pedagógica e logística das mostras com os contemplados. A primeira MCI ocorreu em 29 de agosto de 2024.
Neste trabalho, interessa-nos analisar duas questões específicas do questionário de diagnóstico: 1 - Quais as principais motivações para receber a MCI na escola/instituição? e 2 - 2 - Quais as expectativas da escola/instituição em relação à MCI?
Cabe mencionar que as respostas foram analisadas por meio de aproximações com a técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2010). Na fase de pré-análise, a
leitura flutuante das respostas permitiu estabelecer as primeiras aproximações entre unidades de contexto em função de seu significado. Na segunda fase, a exploração do material, passamos à organização de unidades de registro e à elaboração de categorias preliminares. Por fim, procedemos ao refinamento das categorias, chegando a quatro categorias distintas na terceira fase da análise.
## Análise de resultados
No quadro 1, apresentamos as categorias emergentes da análise e excertos das respostas. As instituições foram identificadas como E1, E2, ..., En, considerando a ordem em que responderam aos questionários.
Quadro 1 Categorias emergentes da análise de conteúdo
Fonte: Dos autores (2024)
Em alusão à primeira categoria, impactos na aprendizagem, os achados empíricos corroboram que a integração da escola com espaços não formais oportuniza a ampliação dos conhecimentos científicos dos estudantes (Jacobucci; 2008; Romanzini; Batista, 2009; Gonzatti et al., 2018; Gonzatti; De Maman, 2023).
Sobre a complementação e enriquecimento curricular, este é um fator bastante apontado pelas escolas que buscam o planetário da Univates, como já evidenciado em estudos anteriores no âmbito local (Gonzatti et al., 2018; De Maman et al., 2024; Gonzatti; De Maman, 2023). Este resultado coaduna com outros estudos sobre o papel dos espaços não formais de ensino (Romanzini; Batista; 2009; Kimura; Marranghello; Irala, 2023; Gonzatti; De Maman, 2023). Em efeito, os achados empíricos apontam que as escolas reconhecem a potência das MCI para enriquecer as atividades do âmbito escolar.
O potencial motivador da astronomia e das MCI citado pelas escolas é outro resultado que encontra eco em argumentos e justificativas sobre Ensino de Astronomia em espaços formais ou não formais. Romanzini e Batista (2009), uma vez mais, destacam o fator motivacional de forma conectada ao encantamento proporcionado pelas sessões de cúpula, cujos programas que projetam o céu são como um espetáculo imersivo que engaja e encanta o público.
Ainda, elegemos uma categoria denominada Pesquisa e iniciação científica, pois várias escolas mencionaram a MCI como forma de incentivo e preparação para projetos de pesquisa em desenvolvimento nestas escolas. Foram mencionados projetos para Mostras Científicas Escolares, para feiras de ciências, além de olimpíadas de matemática e astronomia. Nas entrelinhas, há o entendimento de que atividades diferenciadas, com recursos que geralmente não estão disponíveis em muitas escolas, têm potencial para fomentar o interesse pela ciência como atividade de produção de conhecimento.
## Considerações Finais
Os resultados desse trabalho corroboram as potencialidades dos planetários e das Mostras Científicas Itinerantes para a divulgação científica e para o ensino de Ciências e de Astronomia. Há um potencial motivador intrínseco nas diferentes atividades que envolvem astronomia que percebemos no dia a dia trabalhando com planetários e observatórios, evidenciado nas expectativas e motivações das escolas que pleiteiam uma Mostra Científica. As MCI capilarizam o alcance das atividades de divulgação científica, já que tornam viável a realização de ações nos espaços escolares, ampliando o número de pessoas atendidas e de atividades oferecidas.
Os resultados evidenciados encontram lastro em diversos estudos anteriores que investigaram as contribuições de espaços não formais em geral, e de planetários, em específico, os quais também apresentam, entre seus achados, fatores ligados à motivação e à ludicidade, à complementação e enriquecimento das práticas escolares, além de impactos na aprendizagem de conhecimentos científicos.
As categorias emergentes da análise dos questionários não podem ser consideradas definitivas, pois representam um olhar possível dos autores sobre os dados analisados. Ainda assim, entendemos que são representativas dos principais aspectos que vêm sendo estudados no que concerne aos papéis dos planetários no estímulo ao desenvolvimento da educação científica e tecnológica nas escolas e ao interesse pelas ciências.
Como perspectiva de continuidade deste estudo, e em consonância com as metas da proposta aprovada junto ao CNPq, intentamos realizar novos estudos com as escolas que receberão a MCI, avaliando seus resultados, impactos e desafios.
## Agradecimentos
Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao FNDTc pelo apoio e financiamento a este trabalho.
## Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2010, 281p.
CARNEIRO, Dalila Lúcia Cunha Maradei; LONGHINI, Marcos Daniel. Divulgação Científica: as representações sociais de pesquisadores brasileiros que atuam no campo da Astronomia. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA, n. 20, p.7-35, 2015. Disponível em: https://www.relea.ufscar.br/index.php/relea/article/view/204. Acesso em: 8 jul. 2024.
DE MAMAN, Andréia Spessatto et al. Relações dialógicas entre os espaços formais e não formais de ensino por meio da astronomia. In: Anais do XXVI Encontro da ABP. Salvador: 2024, p.17-21. Disponível em: XXVI Encontro da ABP (planetarios.org.br). Acesso em 30 jul. 2024.
GONZATTI, Sônia Elisa Marchi et al. Mostras Científicas Itinerantes como meio de difusão do Ensino de Astronomia. Anais do V Simpósio Nacional de Educação em Astronomia. PR: Londrina, 2018, p. 1-9. Disponível em: https://sab-astro.org.br/wp-content/uploads/2019/12/SNEA2018\_TCO24.pdf. Acesso em jul 2023.
GONZATTI, Sônia Elisa Marchi; DE MAMAN, Andréia Spessatto. Experiências de divulgação científica e ensino de astronomia: confluências entre ensino e extensão. In: IACHEL, G.; BARTELMEBS, R. C. (Org.). Educação em Astronomia: reflexões e práticas formativas [online ]. Chapecó: Editora UFFS, 2023. p. 175-196. Coleção Ensino de Ciências, n.º 3. Disponível em: <https://doi.org/10.7476/9786550190538.0012>. Acesso em: 23 abril 2024.
JACOBUCCI, Daniela Furquim Carvalho. Contribuições dos espaços não formais de educação para a formação da cultura científica. Revista Em Extensão, Uberlândia, v. 7, n. 1, 2008. DOI: 10.14393/REE-v7n12008-20390. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/20390. Acesso em: 8 set. 2024.
KIMURA, Rafael Kobata; MARRANGHELLO, Guilherme Frederico; IRALA, Cecília Petinga. O papel de um planetário na relação de complementaridade dos ensinos formal e não formal. In: BARTELMEBS, Roberta Chiesa; IACHEL, Gustavo (org). Educação em Astronomia: reflexões e práticas formativas. Local: UFFS Editora, 2023, p. 160-174. Disponível em: Disponível em: https://www-mgm.uffs.edu.br/institucional/reitoria/editorauffs/educacao\_em\_astronomia-\_reflexoes\_e\_praticas\_formativas. Acesso em jul 2023.
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ROMANZINI, Juliana; BATISTA, Irinéia de Lurdes. Os planetários como ambientes não-formais para o ensino de ciências. In: Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis, p. 1-11, 2009. Disponível em: fep.if.usp.br/~profis/arquivos/viienpec/VII ENPEC 2009/www.foco.fae.ufmg.br/cd/pdfs/1197.pdf. Acesso em 15 jul. 2024.
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