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INVESTIGANDO A ASTRONOMIA POR MEIO DO PLANETÁRIO ITINERANTE CÉU DO AGRESTE: UMA VISÃO DOS MONITORES

Claudio Mateus Da Silva, José França De Andrade, Thaiane Almeida De Melo, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
23/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INVESTIGANDO A ASTRONOMIA POR MEIO DO PLANETÁRIO ITINERANTE CÉU DO AGRESTE: UMA VISÃO DOS MONITORES

Claudio Mateus da Silva 1 , José França de Andrade 2 ,Thaiane Almeida de Melo 3 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 4

- 1 Universidade Federal de Pernambuco, PPGECM, claudio.mateus@ufpe.br
- 2 Universidade Federal de Pernambuco, PPGECM, franca.andrade@ufpe.br

## Resumo

A falta de acesso à educação em Astronomia afeta tanto a população em geral quanto os profissionais da educação, que muitas vezes não recebem, em sua formação acadêmica, o preparo necessário para ensinar essa área de conhecimento. Mesmo em cursos como Física, a Astronomia é frequentemente ofertada apenas como disciplina eletiva, agravando o problema. Muitos professores de Física não possuem formação adequada para ensinar Astronomia, resultando em fragilidades no ensino e repertório limitado, o que, por sua vez, dificulta o acesso dos estudantes brasileiros a esse conhecimento. Promover o ensino de Astronomia no país exige um esforço conjunto para melhorar a formação inicial e continuada dos docentes, além de expandir a divulgação científica tanto em espaços escolares quanto em ambientes não formais. Neste estudo, foram entrevistados monitores que atuam em um planetário itinerante no estado de Pernambuco, nomeado de Céu do Agreste, com o objetivo de investigar suas percepções sobre o impacto dos espaços não formais em sua formação acadêmica. A pesquisa busca entender como a participação dos monitores em planetários pode ter impactos positivos, não apenas contribuindo para seu desenvolvimento acadêmico, mas também favorecendo seu crescimento profissional e social. Os resultados sugerem que espaços, como os planetários, desempenham um papel fundamental na formação dos futuros professores, ao proporcionar experiências práticas que enriquecem seu conhecimento e melhoram suas ferramentas pedagógicas e metodológicas. Assim, esses espaços são de grande importância para a popularização da Astronomia e para a formação de docentes mais preparados, tanto para ensinar quanto para despertar o interesse pela ciência nos estudantes.

Palavras-chave : Planetário; educação não formal; formação de professores.

## Introdução: divulgação científica e contexto

A divulgação da Astronomia no Brasil tem progredido vagarosamente (Langhi e Nardi, 2009), e esse ritmo lento pode ser atribuído a uma série de fatores, uma vez que projetos educacionais e de pesquisa relacionados ao tema costumam receber pouca visibilidade de investidores, como também a baixa adesão da comunidade acadêmica em desenvolver pesquisas sobre a temática, mesmo quando há incentivos das produções em eventos científicos (Moraes e Silveira, 2020).

Além disso, a falta de acesso atinge não apenas a população em geral, mas também os profissionais que deveriam ser os principais disseminadores desse conhecimento. Outrossim, esses profissionais não recebem em sua formação

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

acadêmica repertório e preparação para atuar no ensino de Astronomia. Em concordância com isso, Langhi e Nardi afirmam que:

Mesmo os cursos de graduação, nos quais normalmente se deveriam contemplar conteúdos de astronomia (física, por exemplo), estes não a apresentam como uma disciplina obrigatória, mas apenas como optativa quando a oferecem. (Langhi e Nardi, 2009, p. 4402-2).

Muitos docentes da área de Física, não receberam uma formação adequada para o ensino de Astronomia (Carvalho, 2016). Isso resulta em várias fragilidades de repertórios sobre o conteúdo abordado em sala de aula, o que contribui para a falta de acesso para os discentes brasileiros. O contexto sociocultural também desempenha um papel relevante, pois, muitas vezes, a Astronomia é vista como algo distante da realidade cotidiana da maioria da população. Promover a Astronomia no Brasil requer, portanto, um esforço conjunto para melhorar a formação, tanto a básica como a continuada, dos educadores, aumentar os investimentos e ampliar a divulgação científica, tanto em ambientes escolares quanto em espaços informais.

Além do papel essencial da educação formal, é importante reconhecer que a Astronomia tem um enorme potencial de despertar o interesse, curiosidade e motivar as pessoas com o olhar para a ciência no geral, podendo ser chamada como porta de entrada para o mundo da ciência. O encanto e a curiosidade sobre o universo, pelos planetas, a nossa lua, e pelas estrelas faz com que temas astronômicos sejam motivadores, independentemente da faixa etária ou formação acadêmica. A aproximação com esses conteúdos, no entanto, não precisa ocorrer exclusivamente por meio da educação formal, nas escolas e universidades, ela pode ser amplamente facilitada por ambientes informais e não-formais, onde o aprendizado pode ser visto como mais descontraído e participativo.

É inegável que esses espaços e atividades representam oportunidades valiosas para a formação profissional para a docência e outras áreas de atuação. Participar como monitor em um planetário não se limita apenas à ampliação do conhecimento sobre os astros, mas também envolve o desenvolvimento de habilidades essenciais para a prática docente. Isso ocorre porque muitos dos integrantes desses grupos aprendem por meio da experiência direta, adotando uma abordagem de "aprender-fazendo". Essa prática permite que os futuros professores desenvolvam competências pedagógicas essenciais, como a habilidade de transpor conceitos complexos de forma didática e clara, como também, adaptar o conteúdo para o público específico. Ao atuar em atividades de divulgação científica e mediação de conhecimento, os monitores vivenciam desafios semelhantes aos que enfrentarão em sala de aula, como engajar o público, promover debates e aulas que utilizem de ferramentas metodológicas que fujam do tradicional. Com isso, Medeiros Junior e Carvalho fortalecem nosso argumento quando afirmam que:

Este processo de construção das atividades que os monitores realizavam, fez com que o conhecimento adquirido durante seus estudos se transforme em bagagem para atividades que poderão ser utilizadas após sua formação. Com isso, podemos enxergar um possível desenvolvimento pessoal e profissional dos membros participantes do grupo. (Medeiros Junior e Carvalho, 2021, p.92)

A participação em projetos de educação não formal enriquece o repertório do monitor na sua atuação profissional. Nos momentos de atuação com o público, há

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sempre tomadas de decisões para solucionar problemas, e isso, se compara com habilidades necessárias para a prática docente, baseado nisso, Silva declara que:

O processo para aquisição de tais saberes pelo monitor passa pela prática reflexiva de modo que, diante das situações que surgem durante as atividades de interação com o público, o monitor possa criar soluções para sanar os problemas. Essa atitude do monitor em buscar a resolução de um problema, que pode ser chamada de tomada de decisão, o faz acumular experiências (Silva, 2009, p. 24).

O Céu do Agreste é um planetário itinerante que, por sua vez, trata-se de um espaço não formal de educação, com foco na divulgação e no ensino de Astronomia. Através de um ambiente imersivo constituído por uma cúpula semiesférica onde são projetados os vídeos sobre variados temas, entre eles, as viagens pelo sistema solar, à lua, ao Universo, entre outros, como também são realizadas demonstrações através do software Stellarium , que permite viajar no tempo e observar como os corpos celestes estão, estavam ou estarão. Dessa maneira, destacamos a importância de personalizar as sessões, ajustando o conteúdo para diferentes públicos, desde crianças até adultos. Isso torna o planetário não apenas um local de entretenimento, mas também um programa educativo.

Neste trabalho, refletimos sobre a vivência de alguns monitores do Planetário Céu do Agreste, através das suas percepções sobre a atuação em escolas e grupos da região do agreste pernambucano. O Planetário é um projeto científico financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e que atua no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco, localizado em Caruaru-PE. Inaugurado em 03 de maio de 2024, já recebeu mais 1500 participantes em sessões no planetário, contemplando alunos da educação básica, professores, equipe escolar, alunos da universidade, entre outros. Essas sessões são conduzidas pela professora coordenadora e o grupo de monitores, que conta com cerca de 25 participantes, contemplando alunos da graduação e da pós-graduação. Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa é investigar a percepção dos monitores sobre como sua participação no Planetário Céu do Agreste contribui para sua formação acadêmica.

## Aspectos metodológicos

Privilegiou-se nesta pesquisa uma abordagem qualitativa, que baseado em Flick (2009), é fundamental para entender as complexidades e nuances dos contextos sociais, possibilitando uma análise detalhada das percepções e experiências dos indivíduos. Destas, para essa fase de estudo exploratório, foi selecionada uma amostra de três monitores condizente com o objetivo da pesquisa, que tinham uma boa adesão na quantidade de ações conduzidas do planetário. Visando investigar os fenômenos e contextos sobre a visão dos monitores sobre o impacto que a sua atuação no planetário pode contribuir na sua formação, obtivemos dados a partir de uma entrevista semi estruturada, gravada através do Google Meet , com duração média de 40 minutos e consentida pelos indivíduos participantes. Partindo disso, sobre entrevista semiestruturada, Mazini nos afirma que:

A entrevista semiestruturada tem como característica um roteiro com perguntas abertas e é indicada para estudar um fenômeno com uma população específica: grupo de professores; grupo de alunos; grupo de enfermeiras, etc. Deve existir flexibilidade na sequência da apresentação

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das perguntas ao entrevistado e o entrevistador pode realizar perguntas complementares para entender melhor o fenômeno em pauta. (Mazini, 2012, p. 156)

As questões que englobam a entrevista partilhavam da cautela na qual os monitores podiam se analisar e apresentar suas visões, como também, relacionar sua experiência com sua formação acadêmica. Foram previstas dez questões a serem desenvolvidas para fortalecer o diálogo. Essas questões basearam-se tanto na vivência dos pesquisadores, junto aos monitores do planetário, quanto nos trabalhos referenciados aqui. Para esmerar a leitura, as questões serão apresentadas com a sigla Q + número , e ficarão disponíveis no quadro abaixo:

Quadro 01 : Questões utilizadas na entrevista

Fonte: os autores

Como recorte desta pesquisa, iremos utilizar apenas as questões que contemplam o entendimento sobre o impacto que a participação no planetário traz na formação acadêmica dos monitores que participam ativamente dessas sessões, deixando outras questões para serem analisadas em outro momento. Entretanto, nos permitindo fazer breves comentários quando assuntos substanciais apareçam nas respostas dos entrevistados, para isso, usaremos como dimensões de análises a 'formação acadêmica e as vivências no trabalho do planetário', 'o conhecimento em Astronomia do público', 'a contribuição do trabalho no planetário para a

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formação em Astronomia', 'a importância do planetário para a comunidade', 'continuidade do trabalho' e 'aspectos para a melhoria das sessões' .

## Resultado e discussões

A análise de dados foi feita através das falas dos monitores, a fim de entender suas percepções sobre como o planetário tem influenciado sua formação. Para isso, foram selecionados três monitores, estando eles em momentos diferentes da graduação de licenciatura em Física, contemplando o começo, o meio e o fim do curso. Além disso, os monitores foram selecionados contemplando o critério de terem participações ativas nas formações iniciais, fornecidas pela coordenação, bem como, passaram por atuações com públicos de diversas faixas etárias. Consideramos que esses critérios fomentam discussões instigantes e de pontos de vista diferentes, a fim de sondar como são vistos seus entendimentos sobre a participação de ambientes não formais de ensino. Por fim, para mantermos o sigilo entre os entrevistados, chamaremos de sujeito 1 o discente que se encontra no terceiro período, o sujeito 2 no último período e o sujeito 3 se encontra no quinto período. No recorte deste trabalho, iremos analisar e discutir as questões Q1, Q4, Q5, Q6, Q7 e Q9. Deixando as demais para serem abordadas em outro momento.

No que se destaca a relação da formação acadêmica e as vivências no trabalho do planetário , as respostas referentes da Q1, os sujeitos 1 e 2 reforçam vários pilares que sustentam este trabalho, sobre como a sessão no planetário pode remeter a uma sala de aula, porém de uma forma diferente, pois de fato é diferente. O planetário se trata de um espaço não formal, com o viés de divulgação científica, que pode transmitir informações, satisfazer a curiosidade e até mesmo estimular futuras buscas sobre ciências, mas sem ter a pretensão de ensinar, o que corrobora com os estudos da Carvalho (2016).

R.(sujeito 1): (...) acho que a parte que a gente se comunica com o público, e o jeito com que a gente conduz a atenção, lembra bastante a dinâmica de uma aula , mas não exatamente né? Já que o objetivo não é o mesmo, mas eu acho que dá para pegar algumas coisas tanto para melhorar de erros que a gente percebe se fazendo lá dentro quanto para aplicar algumas coisas que aprendemos na licenciatura dentro do ensino mesmo.

R.(sujeito 3): Acredito que grande parte das pessoas que se interessa em cursar Física, a porta de entrada foi a Astronomia, que é um dos maiores meios de divulgação e isso não foi diferente comigo. Então fazer parte de um projeto que envolva esse ensino é bastante importante pra mim.

A Pedagogia nos ensina que há inúmeras formas de abordar, ensinar e divulgar conteúdos científicos. No planetário, os temas são apresentados de forma que atraia a atenção do público, muitos deles interativos com o objetivo de despertar a curiosidade e tornar o ambiente mais agradável e envolvente (Silva, 2009). A linguagem, nestes momentos, deve ser adequado com o conhecimento em Astronomia do público da sessão e os três monitores nos dizem sobre o cuidado que têm ao fazer isso, como pode ser lido na transcrição das suas respostas para a Q4:

R.(sujeito 1): Geralmente, a gente faz isso, que eu tenho percebido, de um jeito mais simples, principalmente com criança, com criança falando com linguagem mais simples e não pular para conceitos que eles precisam ter um outro conceito antes para entender. Com um público mais velho,

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geralmente se percebe mais que eles não tem tanto conhecimento quando desenvolve algo e eles fazem perguntas mais básicas, como se eles não tivessem conseguido entender aquela parte , desenvolvendo a partir das perguntas, direcionado pelas perguntas, com o público mais velho depende muito do tipo de interações deles.

R.(sujeito 2): Tento explicar o máximo possível dentre os 10 min, e mesmo quando não tenha questionamentos, incentivamos através de perguntas .

R.(sujeito 3): Tentando ser o mais simples possível. Através de simplificação, tentar resumir, as vezes até mesmo a gente tenta fazer analogias para que eles consigam aprender, a gente simplifica alguns conceitos ali.

Na Q5, observamos como o trabalho no planetário contribui para a formação em Astronomia, através das afirmações dos monitores sobre a influência que suas atuações no planetário já ocasionou algum impacto nos seus conhecimentos sobre Astronomia, como também, deixam notório que houve uma necessidade de busca por mais conhecimentos sobre as temáticas da sessões, de forma autônoma, como podemos ler na transcrição das respostas abaixo:

R. (sujeito 1): Sim, eu acho que dá muita agonia você pensar que tipo, isso desde a primeira vez que eu fui para uma sessão eu tenho muito medo de fazerem perguntas e eu não ter conhecimento para passar e aí tem me motivado a estudar mais sobre justamente para não passar coisas erradas , porque é algo também que ficava muito na minha cabeça, principalmente mais coisas de divulgação científica , porque acho que uma coisa é você estudar por coisas assim, menos para leigos, e talvez isso dificulte um pouco você estudar por um meio mais formal e entender como passar para o meio mais informal , e aí acho que consumir mais coisas de divulgação ajuda um pouco a gente entender como fazer essa divulgação.

R.(sujeito 2): Sim, pois tive que pesquisar mais para explicar lá dentro para não passar vergonha Antes eu queria pesquisar mas não tinha tempo, mas agora tenho essa necessidade.

R. (sujeito 3): Muito, na verdade antes do planetário eu estava seguindo um caminho bem diferente do que estou encontrando aqui, já me trouxe uma visão totalmente diferente . Trabalhar com o planetário nesse projeto me fez perceber algumas paixões que ainda não tinham sido criadas. A gente teve uma ideia, que partiu da professora, sobre Astronomia indígena, que esses povos tinham suas interpretações próprias sobre as constelações, e me questionei porque nunca tinha me questionado sobre isso, e depois de um tempo, surgiu uma oportunidade para me ingressar em um projeto da universidade, para analisar como esses povos enxergam esse céu .

Neste momento da entrevista, a Q6 remete aos sujeitos suas idas para a escolas e por sua vez, relatam personagens diferentes, alunos e gestores, entretanto no que se distanciam dos personagens, se juntam ao falar sobre um feedback positivo, entusiasmado, ressaltando a importância do acesso dessa vivência, o que nos demonstra a importância do planetário para a comunidade , na qual podemos identificar nas respostas, como por exemplo:

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R.(sujeito 2): Eu acho de grande importância, para os alunos terem um acesso ao conhecimento científico , mesmo por um dia, um vídeo curto, para além de sala de aula e de conhecimento de casa.

R.(sujeito 3): Com certeza, é só você conversar com algum diretor de alguma escola que já notamos o interesse. O impacto, a gente que é monitor, já notamos ali, os estudantes saem entusiasmados, é muito imediato e acredito que em algum momento isso pode servir, e o quão importante foi para o estudantes a visita ao planetário e saber se isso impactou futuramente, já pesquisamos, através de um formulário para os alunos e já notamos que o impacto pode influenciar a longo prazo, pois já tivemos relatos de alunos que querem seguir a área de Física depois da visita.

Nesta ocasião, é notório o apreço que os monitores têm pela Astronomia, como também pela divulgação científica, em destaque do sujeito 1 , que ao responder a Q7, pensa em dar continuidade no trabalho, relatando sobre possibilidades futuras de aprofundamentos em ambas as áreas, e por se tratar de um discente que se encontra no início do seu curso de graduação, nos reforça o quão grande é o impacto que esse espaço não formal já está ocasionando na formação deste indivíduo.

R.(sujeito 1): Tenho, tanto na área de Astronomia quanto na da divulgação, acho que foram duas coisas que eu já tinha interesse antes mas que participar do planetário potencializou, mostrou que é realmente algo que eu gosto, em relação a Astronomia eu penso em investir mais na área acadêmica.

R.(Sujeito 2): Sim, não sei se terei condições. Mas não sei se consigo manter o financeiro através da pesquisa.

R. (sujeito 3) Sim, nesse momento o que tem mais vivo na minha mente é entender o impacto motivacional, que fez com que o estudante permaneça estudando sobre Astronomia, que o planetário talvez tem a possibilidade causar este impacto além daquilo que a gente imagina , para que o aluno continue estudante, que isso seja uma virada de chave. pois o planetário que é um espaço não formal , que aprendi com a professora, sobre a importância deles na vida acadêmica dos alunos, como também para nossa vida acadêmica.

Por fim, a Q9 nos traz a resposta do sujeito 1 , que por sua vez, fortalece a importância de abordar as temáticas de diferentes formas metodológicas, e da preocupação em adaptar os roteiros para cada sessão, respeitando o público alvo, ou seja, trazendo aspectos para a melhoria das sessões . Para além disso, o monitor relata que a partir de suas experiências, sobre a importância de uma boa relação entre os monitores com o público, previamente a sessão, pode ocasionar uma influência positiva.

R. (sujeito 1): Eu acho que a gente tentar entender melhor qual é o melhor jeito de falar com cada público , do mesmo jeito que a gente tava trabalhando em construir um roteiro tentar entender como adaptaria esse roteiro para cada faixa etária, para cada nível de formação, e uma coisa que me ajudou muito em uma das sessões do CAA, com duas escolas que foram para lá, o diálogo externo antes da sessão deixou eles mais atentos para a sessão (...) ter algo visual para eles interagirem antes deixou eles mais curiosos para entender o que era cada coisa e surgiu mais perguntas, acho que essa foi a sessão que mais teve interações com o público, ter algo visual para instigar ajuda.

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## Considerações finais

O planetário Céu do Agreste trouxe muitas mudanças para a região do agreste pernambucano, onde está instalado, uma vez que o acesso aos espaços não formais de ciências, nesta região é bastante escasso. Por isso, notou-se grande procura por parte das escolas e do público espontâneo para participar das sessões. Da mesma forma, notou-se um grande interesse dos alunos da graduação e pós-graduação em atuarem como voluntários no projeto, apostando em seu potencial para a divulgação científica e ampliação da sua formação acadêmica. Além disso, percebe-se o desenvolvimento de habilidades de estudo e de comunicação, que foram desenvolvidas a partir do seu contato com o público, de diferentes faixas etárias.

Os sujeitos entrevistados neste trabalho demonstraram um grande interesse pela Astronomia, disciplina que falta em seus cursos de Licenciatura em Física, mas que foi oportunizada por meio da atuação na educação não formal. Neste trabalho, foram apresentados algumas dimensões de análise, entretanto, alguns tópicos não foram contemplados, embora há um grande apreço pelo grupo de autores em ampliar e analisar estes dados e categorizá-los em próximos trabalhos, como também, ampliar o número amostral de indivíduos.

Com o propósito de explorar quais são as percepções dos monitores sobre sua participação consideramos que o planetário pode ocasionar impactos positivos na formação desses sujeitos, contribuindo tanto para sua vida profissional como social, fortalecendo vieses como divulgação científica e a utilização de espaços não formais para pluralizar o ensino de ciências. A colaboração dos indivíduos para essa pesquisa foi fundamental, o que nos proporcionou estruturas ideais e melhorias,.

## Referências

CARVALHO, T. F. G. Da divulgação ao ensino: um olhar para o céu . 2016. Tese (Doutorado em Ensino de Física) - Universidade de São Paulo, São Paulo-SP, 2016. FLICK, U. Introdução à Pesquisa Qualitativa . 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. MEDEIROS JUNIOR, J. C.; CARVALHO, T. F. G.. Astro Agreste: a vivência de um grupo de astronomia e a formação docente. In: BELO, N. Docência : práticas, experiências e vivências pedagógicas, ed. 1, São Paulo: Editora Literando. p. 79-99, 2021.

LANGHI, R.; NARDI, R.; Ensino da Astronomia no Brasil: educação formal, informal, não-formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 4, pp. 4402-1 - 11. 2009.

MANZINI, E.J. Entrevista semi-estruturada: análise de objetivos e de roteiros . In: Seminário Internacional sobre Pesquisa e Estudos Qualitativos, 2, 2004, Bauru. A pesquisa qualitativa em debate. Anais ... Bauru: USC, 2004.

MORAES, L. D.; SILVEIRA, I. F. E ducação não formal em Astronomia: Análise de artigos acadêmicos nacionais e internacionais. REAMEC - Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática , Cuiabá, Brasil, v. 8, n. 3, p. 189-209, 2020. DOI: 10.26571/reamec.v8i3.10625. Disponível em:

https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/reamec/article/view/10625. Acesso em: 5 nov. 2024.

SILVA, C. S. Formação e atuação de monitores de visitas escolares de um centro de ciências: saberes e prática reflexiva . Dissertação de mestrado. Universidade Estadual Paulista (Unesp). Bauru - SP, 2009.

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