Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

INTEGRANDO TEORIA E PRÁTICA NA MEDIAÇÃO EM MUSEUS DECIÊNCIAS: EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS E INTERATIVAS NOMUSEU DICA

Pablo Gabriel Oliveira Araujo, Cecília Veras Paim, Silvia Martins, Matheus Barros

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
23/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## INTEGRANDO TEORIAE PRÁTICA MEDIAÇÃO: EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS E INTERATIVAS NO MUSEU DICA

Pablo Gabriel Oliveira Araujo", Cecilia Veras Paim?, Silvia Martins?

, Matheus Barros!

- 1 Universidade Federal de Uberlândia -UFU/Instituto de Física/ Museu Dica pablogabrielO920Qufu.br
- 2 Universidade Federal de Uberlândia -UFU/Instituto de Ciências Agrárias/Museu DICA, ceciliavpaimDufu.br

## Resumo

O trabalho do mediador em museus de ciências vai além da prática, pois exige uma base teórica sólida que complementa as atividades de interação com o público. Estudos, como os de Martha Marandino (2008) e o artigo de Meneghelli et al. (2022), foram fundamentais para o desenvolvimento de habilidades de comunicação e mediação, essenciais para adaptar a linguagem e os exemplos à diversidade dos visitantes. No museu onde atuamos, essas referências são aplicadas para tornar as exposições mais acessíveis, interativas e capazes de despertar o interesse científico dos visitantes. Exposições sobre Física, Química, Biologia (comfoco em Educação Ambiental) e Astronomia são usadas como ferramentas lúdicas para promover o acesso à informação. A integração entre teoria e prática permite que os mediadores utilizem objetos interativos e experiências práticas para facilitar a visualização e compreensão dos conceitos científicos. Dessa forma, aprimoram continuamente suas habilidades de mediação e fortalecem seu papel na popularização da ciência, proporcionando uma experiência educativa completa.

Palavras-chave: mediação, popularização da ciência, museu de ciências.

## Introdução e motivação

Os museus de ciências desempenham um papel essencial na Educação, Divulgação e Popularização das ciências, conectando o conhecimento científico ao público em geral e facilitando o compartilhamento de saberes entre a comunidade científica e a sociedade (ICOM, 2003; Nascimento; Ventura, 2001). Esses espaços oferecem experiências culturais e educativas à sociedade (Marandino, 2005; Nascimento; Ventura, 2001), no entanto, a atuação em um museu de ciências vai além da simples apresentação de exposições. Sendo assim, é necessário desenvolver uma combinação de habilidades pedagógicas, comunicativas e científicas para mediar o conhecimento de forma clara e envolvente (Barros; Martins, 2023; Marandino, 2008). No museu Diversão com Ciência e Arte do Instituto de Física da Universidade Federal

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

de Uberlândia (Dica/INFIS/UFU), temos a oportunidade de aprimorar essas competências em duas etapas: a teórica e a prática!.

Na parte teórica, um dos principais fatores para o desenvolvimento foi o estudo de artigos e referências sobre educação não formal e comunicação, divulgação e popularização das ciências em museus (Barros; Martins, 2023), além das discussões realizadas em reuniões com toda a equipe. Esse processo permitiu à equipe adquirir uma base sólida sobre as melhores práticas de mediação em museus que abordam o conteúdo de ciências da natureza. A segunda etapa envolve a aplicação prática desse conhecimento, utilizando as técnicas de mediação e o conteúdo estudado para criar experiências interativas e acessíveis ao público. Além disso, permite a reflexão sobre a teoria e o reconhecimento da diversidade de contextos, que promovem situações únicase exigem, da mediação, não uma habilidade mecânica única, mas um conjunto de ferramentas e conhecimentos que podem ser acessados conforme outras experiências e em articulação com o conteúdo teórico (Marandino, 2008).

A principal motivação foi o desejo de difundir e promover o conhecimento científico de forma prática e acessível à sociedade em geral. A leitura de artigos ajudou a equipe a entender como adaptar estratégias para diferentes públicos e construir atividades que incentivem a curiosidade e o aprendizado. Assim, este trabalho busca mostrar como essas leituras teóricas influenciaram o dia a dia no museu, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades essenciais na mediação científica e na criação de atividades educativas eficazes.

## Referencial teórico-metodológico

Os trabalhos de Marta Marandino et al. (2004; 2008), especialmente em "Educação em Museus e Divulgação Científica" e "Educação em Museus: A Mediação em Foco", foram essenciais para os estudos, destacando o papel central dos objetos e da mediação no processo educativo em museus. Nesse cenário, Marandino (2008) defende que os objetos expostos não são meras ilustrações, mas elementos cruciais que carregam informações científicas e despertam a curiosidade dos visitantes. A interação com os objetos durante as visitas, mediada por profissionais capacitados, podem facilitara compreensão de conceitos científicos, ajustando-se à diversidade de públicos.

Outro ponto relevante abordado por Marandino (2008), que se reflete nas práticas desenvolvidas, é a necessidade de adaptar a linguagem para tomar o conteúdo acessível a diferentesfaixas etárias e níveis de conhecimento (Barros; Martins, 2023). Essa adequação é fundamental para garantir que o museu cumpra seu papel de democratizar o acesso à ciência (Dica, 2022; ICOM, 2023).

O artigo "A Contribuição dos Museus na Popularização da Ciência", de Meneghelli et al. (2022), reforça essa visão, afirmando que a comunicação científica deve ser adaptada às diversas camadas da sociedade. A linguagem clara e acessível é

1

indispensável para garantir uma mediação eficaz, transformando a comunicação entre o museu e o público em uma verdadeira troca de saberes, o que permite que visitantes com diferentes formações culturais e educacionais se engajem com o conteúdo exposto.

Em síntese, essas estratégias são aplicadas notrabalho de mediação no Museu, que conta com diversos equipamentos interativos que possibilitam a participação ativa do público. A ampla gama de visitantes exige preparo para comunicarde formas variadas e eficazes. O diálogo constante entre os mediadores e o público é fundamental, pois ajuda a entender a realidade de cada visitante, permitindo adaptar os exemplos e facilitando a visualização e compreensão dos conceitos científicos por meio dos equipamentos práticos disponíveis no museu.

## Contexto do trabalho

O cenário do trabalho no museu de ciências envolve o atendimento aos seus visitantes, onde o papel dos mediadores é proporcionar experiências que conectem ciência, tecnologia e conhecimento ao cotidiano dos visitantes de forma interativa, contextualizada e divertida. O museu é um espaço dinâmico, onde ciência e arte se encontram (Neves, 2021), e sua missão é garantir que essa interseção seja percebida de maneira acessível por todos os visitantes. Ao estimular a curiosidade e promover o pensamento crítico, buscamos despertar o interesse pela ciência, oferecendo um aprendizado informal e envolvente.

Nas diversas praças temáticas do Museu Dica, como a Praça da Física, a Passarinhar, a Tabela Periódica, a Carbono e a Trilha do Sistema Solar, os mediadores orientam e acompanham os visitantes em interações com experimentos e materiais científicos (Dica, 2022). Essas atividades são desenvolvidas para que todos possam se engajar manual e mentalmente (Hohensstein; Tran, 2007), explorando conceitos científicos de forma prática e divertida (Viladot; Stengler; Fernández, 2016), visandotornar questões complexas acessíveis e atraentes, ajustando a abordagem ao ritmo e ao nível de conhecimento de cada visitante. Para alcançar esse objetivo, são utilizadas discussões e análises nas reuniões e estudos, explorando diferentes métodos e estratégias de mediação. Essas práticas permitem adaptar o conteúdo as atividades, garantindo que sejam compreensíveis e envolventes para todos os públicos.

As figuras 01 e 02 ilustram a diversidade do público do museu, evidenciando que recebemos visitantes de diferentes níveis de escolaridade. Embora as figuras se concentrem em visitas escolares, também atendemos outros públicos, como alunos de graduação e visitantes espontâneos com variados níveis de formação.

Figura 01: Mediação em uma das praças do museu

<!-- image -->

Figura 02: Mediação em uma exposição interativa do museu

<!-- image -->

Já no quiosque do Museu, as exposições "Caminhos da Eletricidade: Da Natureza até sua Casa" (Torres et al., 2020) e " Roberto Silvestre: Astronomia como Paixão" (Maestri, 2021) oferecem uma oportunidade única de aproximar os visitantes de temas científicos contemporâneos de forma prática e envolvente. Nessas mediações, traduzimos conceitos complexos, como os princípios da eletricidade e os mistérios do universo, em experiências acessíveis e interativas. Esse trabalho vai além da simples explicação dos conteúdos, envolvendo também o incentivo à curiosidade e ao questionamento, tornando o aprendizado mais dinâmico e significativo.

## Relato e discussão

O trabalho do museu vai muito além da mediação. Nossa formação nos capacita a elaborar atividades lúdicas e a contribuir com a parte educativa, criando, planejando, executando e avaliando atividades e exposições (Dica, 2022). Como mencionado, para que a comunicação científica em um museu seja eficiente, é fundamental adotar estratégias que engajem o público (Hohenstein; Tran, 2007; Viladot; Stengler, Fernández, 2016), como o uso de atividades e objetos interativos. Outro fator essencial é a forma como nos comunicamos, sempre buscando aproximar a conversa da realidade dos visitantes, facilitando a compreensão dos conceitos científicos (Barros; Martins, 2023).

No Museu, essas estratégias são aplicadas tanto na criação de novas atividades quanto nas exposições. Um exemplo é o evento "Semana de Férias", onde os mediadores e os estagiários foram orientados a desenvolver atividades baseadas nessas abordagens. Durante o evento, as atividades como jogos e gincanas foram desenvolvidas, com o objetivo de facilitar o entendimento de temas científicos trazidos nas exposições (Dica, 2022) pelo público. Uma dessas atividades foi o "Caça aos Planetas", onde, apesar da maioria dos participantes serem crianças, os pais também se envolveram. O museu conta com exposições que representam o Sistema Solar em escala real, com tamanhos e distâncias proporcionais. Usamos essas exposições para

fazer perguntas e dar dicas sobre os planetas (Hohenstein; Tran, 2007), incentivando que as crianças corressem até o planeta correspondente para ganhar adesivos e completar um álbum do sistema solar. Esse formato interativo não apenas promoveu o aprendizado das crianças, mas também incentivou a participação dos pais, mostrando como a ciência pode ser comunicada de forma divertida e acessível a todos (Marandino, 2008; Meneghelli etal., 2022; Neves, 2021; Viladot; Stengler; Fernández, 2016).

Outro exemplo de adaptação da comunicação que utilizamos no museu é a explicação do princípio da alavanca com uma cadeira interativa. Para aproximar o conceito do cotidiano dos visitantes (Barros; Martins, 2023; Marandino, 2008), explicamos que trocar o pneu de um carro é mais fácil com uma chave de roda de braço longo do que com uma curta, pois quanto maior o braço, menos força é necessária. Também usamos a analogia das maçanetas: uma maçaneta redonda é mais difícil de abrir do que uma com braço, algo que todos já vivenciaram. Ao combinar esse exemplo com o experimento da alavanca no museu, facilitamos a compreensão do conceito por meio de exemplos práticos e familiares (Barros; Martins, 2023; ICOM, 20283; Meneghelli et a!., 2022; Neves, 2021; Viladot; Stengler; Fernández, 2016).

## Considerações finais

O trabalho desenvolvido no Museu tem sido fundamental para aprimorar tanto nossa experiência pessoal quanto profissional. A mediação com o público, a adaptação da linguagem para diferentes faixas etárias e a criação de atividades educativas contribuíram diretamente para o desenvolvimento das habilidades comunicativas dos mediadores. Além disso, a colaboração com os colegas de equipe fortaleceu as nossas capacidades de trabalhar em grupo e de desenvolver projetos voltados à popularização da ciência.

Considerando o nosso objetivo neste trabalho, buscamos mostrar articular as leituras teóricas que realizamos durante a formação, enquanto mediadores, para que sustentem nossos trabalhos práticos, de modo que a teoria e a práticas estejam sempre conectadas. Outro aspecto sobre as leituras teóricas, é que elas influenciaram o dia a dia no museu, onde a formação de uma visão sobre o trabalho de mediação e a contribuição em várias atividades enquanto membros da equipe educativa, nos proporcionou o desenvolvimento de habilidades essenciais na mediação de conteúdos científicos, assim como na criação de atividades, estratégias e práticas avaliativas das nossas ações educativas, para que elas se tornem eficazes.

Apesar dos desafios, como a constante necessidade de ajustar as explicações para diferentes públicos, esses obstáculos foram superados por meio de métodos criativos e uma abordagem flexível. A troca de experiências com outros mediadores também foi essencial para aprimorar as atividades, tornando o processo mais colaborativo e enriquecedor.

Por fim, é importante destacar o papel crucial dos museus de ciência na sociedade. Eles não são apenas espaços de exibição, mas centros de aprendizado ativo que promovem o conhecimento científico de maneira inclusiva e envolvente, tanto para o público que os frequenta, como para as equipes que se preparam e atuam nesses espaços. Ao unireducação, diversão, ciência e arte, o Museu Dica cumpre sua missão

de maneira exemplar, demonstrando que o acesso ao conhecimento pode e deve ser democratizado para o público visitante e para os agentes que o promovem.

## Referências Bibliográficas

BARROS, Matheus; MARTINS, Silvia. Dicas do Dica: Divulgação Científica para Cientistas e Educadores. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2023. 72 p. Disponível em: http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/743093. Acesso em: 01 nov. 2024.

DICA. Museu Diversão com Ciência e Arte. Planejamento Conceitual. Uberlândia: Museu Dica, 2022. Disponível em: https://dicaufu.com.br/o -museu-dica. Acesso em: 02 nov. 2024.

HOHENSTEIN, Jill; TRAN, Lynn Uyen. Use of questions in exhibit labels to generate explanatory conversation among science museum visitors. International Journal of Science Education, v. 29, n. 12, p. 1557-1580, 2007.

ICOM. International Council of Museums. (2023). Revision of the ICOM Code of Ethics for Museums. Disponível em: https://icom.museum/wp -content/uploads/2023/06/Revision-of-the-ICOM-Code-ofEthics-for-Museums. pdf. Acesso em 04 out. de 2024.

MAESTRI, Pedro Felipe. Roberto Silvestre e a Astronomia: Duas Décadas de Inspiração para a População de Uberlândia. 2020. 134 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática) -Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020. DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.di.2020.405.

MARANDINO, Martha. Educação em museus e divulgação científica. ComCiência, Campinas, n. 100, 2008.

MARANDINO, Martha et al. A educação não formal e a divulgação científica: o que pensa quem faz. Atas... In: Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências, 04, 2004, p. 37-45, 2004.

MARANDINO, Martha. Educação, comunicação e museus. In: MARANDINO, M. Educação em Museus: mediação em foco. São Paulo: Geenf / FEUSP, 2008.

MENEGHELLI, L. M. N.; GABILÃO, A. de J.; SALES, A.; SILVA, F. da. Comunicação: A contribuição dos museus na popularização da ciência. 2022.

NEVES, M. C. D.; DA SILVA, J. A. P. Ciência informal e o crossroad entre arte e ciência . Revista Em Extensão, Uberlândia, v. 22, n. 2, p. 68-81, 2023. DOI: 10.14393/REE-v22n22023-68116. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/68116. Acesso em: 8 set. 2024.

TORRES, Heidie; GARCIA, Débora; BARROS, Matheus; NUNES, Natália; MARTINS, Silvia. ELETRICIDADE EM EXPOSIÇÃO: ELEMENTOS PARA A ABORDAGEM DA ELETRICIDADE NO COTIDIANO, EM UM MUSEU DE CIÊNCIAS. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 18, 2020, ONLINE. Anais... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2020, p.1023-1130. Disponível em: &lt; http://www! .fisica.org.br/-epef/xviii/images/Anais XVIII-EPEF.pdf&gt; Acesso em: 02 mar. 2022.

VILADOT, Pere; STENGLER, Erik: FERNÁNDEZ, Guillermo. From" fun science" to seductive science. Spokes, v. 13, 2015, p. 53-62.

NASCIMENTO, Silvania Sousa; VENTURA, Paulo Cezar Santos. Mutações na construção dos museus de ciências. Pro-posições, v. 12, n. 1, p. 126-138, 2001.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.