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O ENSINO DE FÍSICA E A EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: REFLEXÕES A PARTIR DOS SNEF

Andressa Melo Jacques, André Ary Leonel

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
23/01/2025
Linha de pesquisa
Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA E A EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: REFLEXÕES A PARTIR DOS SNEF

## Andressa Melo Jacques 1 , André Ary Leonel 2

1

UFSC/PPGECT, andressa.melo.jacques.a.m.j@ufsc.br 2 2 UFSC/PPGECT, andre.leonel@ufsc.br

## Resumo

A presente pesquisa analisou os trabalhos veiculados nos anais do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) entre os anos de 2003 e 2021, com o intuito de mapear a integração das Relações Étnico-Raciais no ensino de Física. Em um primeiro momento, utilizando palavras relacionadas à diversidade cultural e às leis 10.639/2003 e 11.645/2008, foram encontrados 540 trabalhos. Aplicando os critérios de exclusão, com foco no objetivo deste estudo, que é buscar possibilidades e desafios no que diz respeito à Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) no ensino de Física, chegou-se a um total de treze trabalhos que, direta ou indiretamente, tratam sobre a ERER. Esse resultado aponta uma carência em relação ao tema da valorização das culturas afro-brasileira e indígena a ser abordado no ensino de Física. A partir da análise desses trabalhos, ressalta-se o engajamento em propostas inovadoras, como o ensino da capoeira e o questionamento de elementos culturais, intensificando a importância de promover tais culturas no ambiente escolar. Conclui-se que, embora haja uma legislação que ampare e incentive a valorização cultural em questão, a abordagem dessas culturas no ensino da Física ainda está defasada.

Palavras-chave : Ensino de Física, Relações Étnico-Raciais, Cultura

## Apresentação

Pensar nos caminhos possíveis para uma educação plural constitui uma questão de máxima urgência para um país que intenta reconhecer as profundas discriminações e desigualdades que incidem majoritariamente sobre a população negra e os povos originários. Tal reconhecimento impõe a necessidade de estabelecer contextos educativos que promovam a valorização da história e da cultura desses grupos, entendendo que as complexas tramas que constituem nossa sociedade foram entrelaçadas ao longo de gerações por essas populações, as quais, por um extenso período, foram relegadas às margens da sociedade caracterizada como moderna.

A presente pesquisa se posiciona dentro desse cenário de busca por uma sociedade mais equitativa, tendo como propósito apresentar reflexões sobre a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) no ensino de Física, a partir dos anais do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF). Buscamos identificar e compreender as contribuições científicas e pedagógicas que têm sido desenvolvidas com vistas a integrar a diversidade cultural, particularmente no que se refere às heranças históricas e culturais da população negra e dos povos tradicionais dentro do sistema educacional. Esta investigação procura mapear as lacunas existentes no ensino de Física, bem como destacar as iniciativas que têm promovido a inclusão dessas narrativas históricas e culturais no currículo escolar, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento de políticas educacionais mais justas e representativas.

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Nessa perspectiva, o trabalho em questão tem como objetivo geral investigar os desafios e as oportunidades em relação à ERER no ensino de Física, a partir dos trabalhos publicados nos anais do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF). Além disso, busca compreender como essas publicações abordam a integração da diversidade étnico-racial no Ensino de Física e quais possibilidades surgem para promover uma educação mais inclusiva e culturalmente relevante.

## A Educação para as relações Étnico-Raciais no Ensino de Física

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação para as Relações Étnico-Raciais (BRASIL, 2004), o sucesso das políticas públicas de Estado, institucionais e pedagógicas, que visam à reparação, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros, depende necessariamente de condições físicas, materiais, intelectuais e afetivas favoráveis para o ensino e a aprendizagem. 'Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre negros e brancos, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais' (BRASIL, 2004, p. 13).

Segundo Nascimento (2020), a ERER surge da iniciativa do Movimento Negro em fomentar a luta contra o racismo e estimular a valorização da história, da cultura e da identidade negra no Brasil. Para a autora, a presença do racismo como tema de pesquisa na educação em ciências tem pouco mais de uma década, resultado da luta contra a reprodução do racismo na ciência e na educação nas ciências da natureza e exatas.

Pinheiro (2019), argumenta que o saber científico é apresentado como uma produção exclusiva dos povos brancos, em contraponto ao suposto atraso e subdesenvolvimento dos povos racializados, que são desumanizados por se considerar que esses povos não têm produção intelectual ou que essa produção não é digna o suficiente de ser abordada na escola. Nesse sentido, Nascimento (2020) chama atenção para os dois lados da moeda da ERER: a obrigatoriedade do ensino sobre os conhecimentos e elementos da história e da cultura negra e indígena no processo educativo, e a necessidade de problematizar como a branquitude permeia o ensino de ciências, pautado nos preceitos epistemológicos da Ciência Moderna.

## Desenvolvimento da Pesquisa

No âmbito deste estudo, fizemos um recorte do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), evento que é bianual e organizado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) desde 1970, fruto do esforço de professores e pesquisadores de várias partes do país interessados em refletir sobre e buscar soluções para os problemas do ensino de Física da época. Desde então, o SNEF tem se constituído como um espaço de diálogo, com intenso compartilhamento de conhecimentos e práticas, tornando-se tradicional a apresentação, em um único evento, de trabalhos de pesquisa, relatos de experiências didáticas, além da descrição e uso de equipamentos didáticos (Nardi, 2005). Nesse sentido, o SNEF tem se tornado um evento bastante convidativo para os professores da educação básica e, por esse motivo, configura-se como uma importante fonte de pesquisa para o presente trabalho.

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Para a busca dos trabalhos publicados, foram consideradas as edições do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) entre 2003 e 2021, uma vez que os anais do evento mais recente ainda não estão disponíveis. A pesquisa baseou-se em palavras-chave que refletem a temática do estudo, como Raça, Relações Étnico-Raciais, Cultura, Lei 11.645, Lei 10.639, Negro, Indígena, Povos Tradicionais, Povos Originários, Decolonial, Afro-Brasileiro e Intercultural.

Nos anos de 2003, 2011 e 2021, a ausência de uma ferramenta de busca exigiu uma abordagem manual. Assim, a pesquisa foi realizada ao abrir os trabalhos disponíveis e localizar as palavras-chave por meio de busca textual. Variações como cultural, culturalmente, racialização, Afro-Brasileira, Negra e Interculturalidade também foram consideradas. Essa metodologia visa uma análise abrangente das contribuições científicas relacionadas à ERER no ensino de Física, permitindo identificar lacunas e iniciativas que promovem a inclusão dessas narrativas no currículo escolar.

Após um extenso período de busca, chegamos a um total de 540 trabalhos, conforme distribuídos na Tabela 01.

Tabela 01: Quantidade de trabalhos encontrados pela palavra de busca

Fonte: Autores (2024)

Considerando a quantidade de trabalhos disponíveis, o limite de páginas para a apresentação das reflexões e a relevância dos temas abordados, decidiu-se realizar um recorte na amostra inicial de 540 trabalhos. Muitos desses não se relacionavam com o escopo da investigação, como os que discutem a Física do corpo negro ou a cultura dos jogos e da internet. Assim, a nova busca utilizou apenas as palavras-chave "relações étnico-raciais", "ensino", "cultura" e "diversidade". Essa abordagem resultou na seleção de 13 trabalhos que exploram o ensino sob a perspectiva das relações étnico-raciais. Os trabalhos selecionados, publicados entre 2003 e 2021, estão organizados no Quadro 01.

Quadro 01: Trabalhos encontrados por ano e palavra de busca

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## Fonte: Autores (2024)

Para organizar as reflexões, foi elaborado o Quadro 02, contendo a edição, o link de acesso, a página (quando necessário para identificação do artigo) e o código que será utilizado na apresentação das reflexões sobre as abordagens culturais aplicadas no ERER durante o período analisado. As reflexões apresentadas buscam contribuir para o campo da Educação e para o ensino de Física, ressaltando as principais tendências e os desafios na abordagem das questões étnico-raciais em sala de aula.

Quadro 02: Informações dos trabalhos encontrados

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## Fonte: Autores (2024)

## Reflexões a partir dos Trabalhos Publicados nos SNEF

- O trabalho T06, identificado entre os selecionados, utiliza a palavra-chave "étnico-raciais" em seu corpo de texto. Este estudo discute a responsabilidade do ensino de Física nas relações étnico-raciais, com ênfase na exclusão de mulheres negras no campo científico. Baseando-se em entrevistas com mulheres negras norte-americanas atuantes em diversas carreiras científicas, o trabalho aponta as questões de racismo, discriminação e o isolamento enfrentado por minorias nos ambientes acadêmicos e científicos. Dentro das discussões propostas, destaca-se a importância da escola e da comunidade científica no percurso dessas mulheres, revelando o papel fundamental de iniciativas educacionais que incentivem o interesse de minorias na área. Vale ressaltar que o trabalho não foi encontrado na íntegra nos anais do evento; apenas o resumo e as palavras-chave estavam disponíveis. No entanto, conseguimos acessar o trabalho completo por meio de um dos perfis da autora.
- O trabalho T07 explora o conceito de "esvaziamento histórico" das sociedades africanas, enfatizando a negação dos conhecimentos tecnológicos desses povos durante e após o período colonial. A pesquisa analisa o impacto desse fenômeno na construção da identidade afrodescendente, especialmente em relação à representação eurocêntrica dos povos africanos, que frequentemente são retratados como incapazes de gerar conhecimento. Em contraposição a essa narrativa, o estudo aborda a legislação brasileira, como a Lei 10.639/2003, que visa valorizar a história e a cultura africana e afro-brasileira no ambiente escolar.

Dentre os trabalhos analisados, dois abordam a Física da capoeira. O trabalho T04 discute a experiência de integrar a capoeira no ensino de Física, especialmente na formação inicial de professores. Essa proposta fundamenta-se nos princípios de Paulo Freire, que defende a valorização do contexto cultural dos alunos, buscando conectar a cultura popular ao conhecimento científico. No entanto, o trabalho não faz referências às Leis 11.645 ou 10.639.

Por sua vez, os trabalhos T05 e T12 propõem a inserção da capoeira, uma manifestação cultural brasileira, no Ensino Médio como uma estratégia para facilitar a aprendizagem de Física. Eles destacam o desinteresse dos estudantes pela disciplina, atribuindo essa situação ao ensino repetitivo e à carência de atividades experimentais, que distanciam a Física da vivência cotidiana dos alunos e de seu caráter filosófico e cultural. Ao olhar para as raízes culturais, como a capoeira, há

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uma oportunidade de conectar o conhecimento científico à realidade dos estudantes. À luz da Lei nº 10.639/2003 e da Lei nº 11.645/2005, que tornam obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e indígena, esses trabalhos reforçam a importância de integrar essas temáticas de forma significativa ao currículo escolar.

Os artigos T03 e T02, encontrados com a palavra-chave "indígena", relatam as experiências de professores que atuam em escolas situadas em comunidades indígenas. Ambos os trabalhos enfatizam a importância de adaptar o ensino de Ciências e Física às particularidades culturais desses alunos. Em vez de impor uma perspectiva hegemônica, o foco é valorizar e explorar as noções científicas já presentes na comunidade, por meio de atividades práticas e abertas. Essa abordagem propõe um olhar que respeite e preserve os conhecimentos dos alunos, valorizando suas culturas e concepções, sem impor substituições por ideias externas ou dominantes.

Os conhecimentos ancestrais sobre o firmamento e a cosmologia dos povos originários, assim como suas contribuições para o ensino de astronomia, são explorados a partir de uma perspectiva intercultural. Ao comparar a visão científica ocidental com as cosmologias indígenas, busca-se valorizar esses saberes tradicionais e promover reflexões sobre a pluralidade de formas de compreensão do universo. Essas abordagens revelam o potencial pedagógico da integração de diferentes cosmologias no ensino de astronomia, incentivando o respeito e a valorização das culturas marginalizadas no contexto educacional. Esses aspectos são destacados nos trabalhos T01, T09, T10, T11 E T13.

- O trabalho T08 consiste em uma análise das edições do SNEF entre 2009 e 2017, utilizando como termos de busca inclusão, questões étnico-raciais, sexo, gênero, LGBT e suas variantes. A pesquisa revela que muitos dos trabalhos analisados compartilham uma característica comum: a ênfase em propostas de atividades didáticas e no uso de materiais, especialmente em relação à inserção de alunos com necessidades educacionais especiais. Apesar do aumento nas discussões sobre diversidade, a pesquisa questiona até que ponto essas abordagens vão além de uma mera racionalidade técnica. Destaca-se, assim, a importância de um ensino de Física que valorize aspectos culturais e subjetivos, promovendo uma inclusão efetiva e um entendimento mais profundo das interações sociais.
- A análise dos trabalhos publicados no SNEF revela não apenas as contribuições individuais de cada artigo, mas também a necessidade de um diálogo mais profundo entre eles, especialmente em relação às questões étnico-raciais e culturais no ensino de Física. Os artigos abordam temáticas relevantes, como a inclusão de minorias, a valorização de saberes tradicionais e a intersecção entre cultura e ciência, a partir de uma análise integrada e crítica abriremos discussões para convergências e divergências entre estes trabalhos.

Um ponto em comum entre muitos dos trabalhos é a busca por uma pedagogia que respeite e valorize a diversidade cultural dos alunos. A experiência de integrar a capoeira no ensino de Física, discutida nos trabalhos T04, T05 e T11, exemplifica essa busca, ao conectar a cultura popular à ciência e ao mesmo tempo atender às diretrizes legais que promovem a educação étnico-racial. Da mesma forma, os artigos que tratam das experiências em comunidades indígenas (T02 e

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T03) enfatizam a importância de reconhecer os saberes locais e adaptar o ensino às realidades culturais dos alunos, promovendo um aprendizado que é mais significativo e inclusivo.Contudo, as abordagens e ênfases variam. Enquanto T04 se baseia nos princípios de Paulo Freire, enfatizando o respeito ao contexto cultural, não faz referência a legislações que poderiam fortalecer seu argumento. Em contrapartida, os artigos T05 e T11 mencionam essas legislações, mas apenas T05 explora as implicações práticas de sua aplicação no cotidiano escolar. Além disso, a análise do T08 levanta questionamentos sobre a superficialidade das abordagens de diversidade, indicando que, apesar do aumento das discussões, muitas propostas podem permanecer em uma lógica técnica que não se traduz em uma mudança real nas práticas pedagógicas.

Um dos principais desafios apontados nos artigos é a falta de recursos didáticos adequados para incorporar elementos culturais afro-brasileiros e indígenas no ensino de Física. Esses materiais poderiam facilitar o trabalho de professores, permitindo que a temática seja integrada de maneira mais acessível e efetiva no conteúdo de Física. Para que as propostas se concretizem, é essencial que os professores recebam formação específica sobre a importância das relações étnico-raciais no ensino de Física. A capacitação dos educadores deve incluir o desenvolvimento de habilidades para trabalhar com temas multiculturais e o conhecimento sobre diferentes abordagens pedagógicas, como as que são sugeridas nos estudos dos trabalhos T04, T05, T07 e T011. Tendo em vista que estes artigos concentram-se em intervenções mais imediatas e pontuais na sala de aula.

As reflexões das produções selecionadas, ressaltam que a integração das relações étnico-raciais no ensino de Física e Ciências é essencial para criar um ambiente educacional mais inclusivo e respeitoso. Reconhecer e valorizar a diversidade cultural dos alunos não só enriquece o currículo, mas também combate a exclusão histórica e promove uma educação mais justa e representativa. As leis brasileiras que exigem a inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena fornecem um marco importante para essa integração, enquanto a experiência prática com a capoeira e a adaptação do ensino às comunidades indígenas oferecem modelos valiosos para conectar o conhecimento científico com as culturas dos alunos.

## Considerações Finais

O presente trabalho evidencia a necessidade de aprofundar os estudos sobre a inserção das relações étnico-raciais no ensino de Física. Embora as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 tenham estabelecido um marco legal importante, as reflexões a partir dos trabalhos encontrados no SNEF, a escassez de investigações que abordem a temática de forma aprofundada e a falta de representatividade de autores negros e indígenas constituem desafios que precisam ser superados. Brito (2018), aponta que o ensino das relações étnico-raciais é, muitas vezes, discutido predominantemente nas Ciências Humanas e Sociais, e os dados encontrados enfatizam a importância de que mais pesquisas sejam realizadas na área das ciências físicas. De forma geral, Andrade (2018), destaca a lacuna existente no ensino de Física em relação às discussões sobre as relações étnico-raciais, um fato que foi ressaltado após a análise dos dados coletados pela investigação que se seguiu.

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Para futuras pesquisas, sugere-se a realização de análises mais aprofundadas dos trabalhos selecionados, bem como estudos comparativos com outros eventos científicos e investigações focadas na formação de professores. A articulação com outras áreas do conhecimento, como história, sociologia e filosofia, é essencial para promover uma abordagem interdisciplinar da temática. A formação continuada de professores é fundamental para que estes desenvolvam competências necessárias para trabalhar com a diversidade em sala de aula.

As pesquisas selecionadas evidenciam que as relações étnico-raciais vão além da mera aplicação prática de conhecimentos, configurando-se como uma ferramenta essencial para promover diversidade, tolerância, respeito e solidariedade. Em um mundo cada vez mais marcado por extremismo e intolerância, compreender e valorizar diferentes perspectivas culturais torna-se fundamental. No Brasil, essa área ainda está em desenvolvimento, e futuros pesquisadores devem continuar a explorar essa temática. Estudar as relações étnico-raciais também implica valorizar a cultura nacional e reconhecer a importância da diversidade na construção da sociedade.

Em conclusão, a inserção das relações étnico-raciais no ensino de Física representa um desafio urgente e necessário para a construção de uma educação mais justa e inclusiva. A valorização da diversidade cultural e a descolonização do conhecimento são fundamentais para superar desigualdades históricas e promover a cidadania plena.

## Referências

ALVES-BRITO, Alan; BOOTZ, Vitor Eduardo Buss; MASSONI, Neusa Teresinha. Uma sequência didática para discutir as relações étnico-raciais (Leis 10.639/03 e 11.645/08) na educação científica. Caderno brasileiro de ensino de física. Florianópolis. Vol. 35, n. 3 (dez. 2018), p. 917-955, 2018.

ANDRADE, Raphael Secchin de. O ensino de física e a Lei 10.639/03: possibilidade da educação para a diversidade étnico-racial. 2018.

BRASIL. Lei 10.639/2003 de 9 de janeiro de 2003 . Altera a Lei nº 9. 394, de 20 de 1996

BRASIL. Lei 11.645/08 de 10 de Março de 2008 . Altera a Lei n° 10.639, de 9 de 2003

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 9.394/96 , de 20 de dezembro de 1996

NARDI, R. Memórias da educação em ciência no Brasil: a pesquisa em ensino de Física. Investigações em Ensino de Ciências , 10, 1, p. 63-101, 2005.

NASCIMENTO, Carolina Cavalcanti. Educação das relações étnico-raciais: branquitude e educação das ciências. Tese de doutorado . UFSC, Florianópolis, 2020.

PINHEIRO, B. Educação em Ciências na Escola Democrática e as Relações Étnico-Raciais. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. 19(1), 329-344, 2019.

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