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O Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste: Um Espaço de Divulgação Científica

Giovanni Grassi, Paulo Celso Ferrari

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O CENTRO REGIONAL DE CIÊNCIAS NUCLEARES DO CENTROOESTE: UM ESPAÇO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

## CENTRO REGIONAL DE CIÊNCIAS NUCLEARES DO CENTROOESTE: A SCIENTIFIC POPULARIZATION'S PLACE

## Giovanni Grassi , Paulo Celso Ferrari 1 2

1 Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal/Centro de Ensino Médio 804 do Recanto das Emas, gigrassi@gmail.com

2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pferrari@if.ufg.br

## 1. Introdução

O Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO) foi criado no dia 1º de junho de 1989 e inaugurado em 5 de junho de 1997, com a missão de representar a CNEN na região Centro-Oeste do país no que diz respeito às atividades decorrentes do acidente radioativo de Goiânia, bem como prestar esclarecimentos à população sobre o acidente e os usos benéficos da radiação nuclear, através do seu Centro de Informações (CI).

Interessou-nos, como objeto de pesquisa, as atividades de divulgação do CRCN-CO, que recebe sistematicamente, em seu CI, um grande número de estudantes, acompanhados por seus professores.

## 2. Centros de Ciências

De acordo com Gruzman e Siqueira (2007), uma importante geração dos museus, aqueles conhecidos como hands-on science, utilizam métodos interativos de exposição, demonstrando como as invenções e as descobertas constituem respostas às necessidades e curiosidades do homem. Esta geração também é marcada por assumir a preocupação com a alfabetização científica.

Junto com esta geração de museus surgiram os centros de ciências e tecnologia, que assumem como objetivo ensinar ciências a todos os setores sociais de uma forma rigorosa, porém, agradável (CHAGAS, 1993). As atividades de um centro de ciências se aproximam das de um museu de ciências, porém os métodos de trabalho deslocam-se da área da curadoria para a da comunicação, há um compromisso maior com renovação e reposição do que com restauração e são mais voltados à comunicação dos temas científicos ligados à política do centro do que à preservação de acervos.

Cury (2002) caracteriza as atividades dos Centros de Ciências e Tecnologia como, por exemplo: função social e educacional; comprometimento com a socialização do conhecimento; comunicação; método de trabalho centrado no processo de comunicação e; as atividades são orientadas pela divulgação científica e nem sempre há uma ênfase sobre um meio específico.

- O papel dos mediadores em um centro de ciência é essencial para a educação (QUEIROZ et al, 2002). Sua formação deve ser levada em conta, pois contribuem diretamente para a aprendizagem. Contudo, há uma preocupação de não escolarização destes espaços para que não percam suas próprias características (QUEIROZ, 2001-2).

A preocupação com relação à organização das exposições dos centros de ciência de acordo com o interesse dos visitantes vem crescendo acentuadamente e, por isso, a necessidade de pesquisas sobre estes visitantes. Continuam em aberto questões sobre como avaliar os resultados das experiências em termos de aquisição de conhecimento e como atestar a eficácia pedagógica das atividades desenvolvidas pelos centros de ciência (ALBAGLI, 1996).

Dentro dessa perspectiva, investigamos as ações desenvolvidas pelo CICRCN-CO de acordo com a visão dos professores visitantes, com o objetivo de avaliar suas impressões e as ações no mês do vigésimo aniversário do acidente.

## 3. A Pesquisa de Campo

Para conhecermos melhor o trabalho de atendimento ao público que o CICRCN-CO oferece, acompanhamos a visita de uma instituição de ensino e visualizamos a rotina de recepção dos seus visitantes. A partir dessas visitas foi possível perceber que o CI-CRCN-CO desenvolve uma atividade de educação nãoformal, complementando a educação formal realizada nas escolas, centros de educação técnica e instituições de ensino superior, caracterizando as atividades típicas de um centro de ciências. A etapa seguinte foi a realização de entrevistas com professores visitantes.

## 3.1 A Entrevista

As entrevistas foram realizadas com cinco visitantes no mês do vigésimo aniversário do acidente com o Césio-137 em Goiânia, setembro de 2007. A partir das entrevistas com os responsáveis investigamos o trabalho de popularização da ciência realizado pelo CI-CRCN-CO, bem como sua possível contribuição para a educação formal, mais especificamente para a educação em ciências, enquanto agente de educação não-formal.

A estrutura da entrevista consiste em investigar os seguintes aspectos: perfil dos visitantes; caracterização dos visitantes; eficiência dos recursos de divulgação; processo de comunicação entre os cientistas e o público leigo; formação do espírito crítico sobre a produção científica; interesses da academia; iniciativas implementadas nas escolas e; o potencial educativo desse órgão de divulgação.

A análise das entrevistas foi feita utilizando o método da análise de conteúdo, numa perspectiva de investigação qualitativa (TRIVIÑOS, 2008; BARDIN, 2008).

## 4. Conclusões

Conseguimos identificar que o CRCN-CO não é voltado a um público específico e que essa unidade da CNEN pode ser caracterizada como um centro de ciências e tecnologia.

Devido ao perfil de alguns entrevistados, não atuantes diretamente no ensino de ciências, certos aspectos das impressões recolhidas não puderam ser analisados. Vários entrevistados consideraram que as informações disponíveis no CI-CRCN-CO retratam a realidade do acidente. A visita não contribui para modificar essa visão. As informações mais significativas para os entrevistados foram as relacionadas à história do acidente, especialmente por possibilitarem o manuseio de instrumentos científicos e o contato com imagens da época gravadas em vídeo.

Os entrevistados revelaram que houve atividades complementares à visita nas escolas. Acreditam haver contribuições diretas da visita ao CI-CRCN-CO para a aprendizagem de conceitos científicos, mesmo sem terem planejado uma estratégia didática de exploração da atividade. Na única escola onde houve uma preparação anterior à visita, segundo o entrevistado, existiu a preocupação de que o professor acompanhante da turma não deixasse o trabalho apenas por conta dos funcionários do CI-CRCN-CO.

Ainda falta uma ação mais efetiva de popularização a ser implementada pela CNEN em cooperação com as secretarias de educação. Por outro lado, compete aos professores desta cidade se comprometerem com uma visitação regular, planejada e orientada.

Os professores visitantes e os responsáveis pela recepção nos centros de ciências precisam estar preparados para explorar os recursos característicos das atividades de educação não-formal para que a escola possa integrar essas atividades aos seus projetos pedagógicos, ampliando suas possibilidades de organização curricular.

## Referências

ALBAGLI, S.. Divulgação científica: informação científica para a cidadania?. Ciência da Informação , Brasília, v. 25, n. 3, p. 396-404, 1996.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Portugal: Edições 70, 5 ed, 2008.

CHAGAS, I.. Aprendizagem não formal/formal das ciências: Relações entre museus de ciência e escolas. Revista de Educação , Lisboa, v. 3, n. 1, p. 1-17. 1993.

CURY. M. X.. Estudo sobre Centros e Museus de Ciências, subsídios para uma política de apoio. Caderno do Museu da Vida . Rio de Janeiro: 2002.

GRUZMAN, C.; SIQUEIRA, V. H. F. O papel educacional do Museu de Ciências: desafios e transformações conceituais. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciências , Barcelona, v. 6, n. 2, p 402-423, 2007. Disponível em: <http://www.saum.uvigo.es/reec>. Acesso em: 02 dez. 2009.

QUEIROZ, G., KRAPAS, S.; VALENTE, M. E.; DAVID, E.; DAMAS, E.; FREIRE, F. Construindo saberes da mediação na educação em Museus de Ciências: o caso dos mediadores do Museu de Astronomia e Ciências Afins. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , Belo Horizonte, v. 2, nº 2, p. 77-88, 2002.

QUEIROZ, Glória Pessôa. Parcerias na formação de professores de ciências na educação formal e não-formal. Caderno do Museu da Vida , Rio de Janeiro, p. 8086, 2001-2.

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 2008.

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