Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O DESINTERESSE EM SALA DE AULA COMO RESULTADO DA FALTA DE AFETIVIDADE EMOCIONAL

Pedro Elias Chagas E Silveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
21/01/2025
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## O DESINTERESSE EM SALA DE AULA COMO RESULTADO DA FALTA DE AFETIVIDADE EMOCIONAL

## Pedro Elias Chagas e Silveira 1

1 Universidade de Brasília/ Instituto de Física, pedroelias0904@gmail.com

## Resumo

Um dos principais desafios enfrentados pelos professores de física em sala de aula é o desinteresse dos alunos pela matéria. Esse desinteresse pode resultar de vários fatores, como o caráter abstrato que a disciplina muitas vezes assume, tornando difícil visualizar conceitos e equações, a complexidade do conteúdo em si, as dificuldades em matemática básica ou a abordagem metodológica adotada pelo docente. No entanto, um fator crucial que contribui tanto para o desenvolvimento cognitivo do estudante quanto para a falta de interesse está diretamente ligado à forma como o professor é capaz de interagir e se relacionar com os alunos. Neste trabalho, será discutido como a afetividade emocional influencia nos processos de ensino-aprendizagem, formação e desenvolvimento dos alunos, e, consequentemente, seu interesse pela disciplina. Com base nas Teorias Psicogenética e da Afetividade de Henri Wallon, foram realizadas observações em aulas de física de diferentes professores do ensino médio, com ênfase na relação estabelecida entre professor-aluno. A análise resultante das discussões permite concluir que a afetividade emocional desempenha um papel singular e essencial em âmbito escolar, impactando diretamente os processos de ensino-aprendizagem e no desenvolvimento humano, tanto dos alunos quanto dos professores.

Palavras-chave : Afetividade emocional; Desinteresse; Ensino de física.

## Introdução

Muito se discute sobre as problemáticas que permeiam o ensino de física. Contudo, ao analisar o sistema educacional brasileiro de forma mais ampla e refletir brevemente sobre seu processo histórico de formação e desenvolvimento, conclui-se que o cenário educacional atual é, em grande parte, resultado dos processos conturbados e violentos que marcaram a formação da sociedade brasileira. Essas heranças podem ser observadas no ambiente escolar, manifestando-se na falta de qualidade, no sucateamento das instituições públicas de ensino e no descaso com alunos e professores. Esses fatores afetam diretamente a estruturação necessária para se alcançar uma educação de qualidade que promova uma formação significativa.

Embora parte dessa problemática esteja ligada aos fatores mencionados, a qualidade da relação entre professor e aluno também exerce uma influência significativa no ensino. O foco principal deste trabalho é realizar uma análise sob a perspectiva da psicologia educacional, baseada nas teorias de Henri Wallon, centrada na gênese da pessoa completa (motora, afetiva e cognitiva), sendo resultado de influências vindas das esferas sociais e fisiológicas do ser a fim de esclarecer uma das causas do desinteresse dos estudantes pela disciplina de Física.

É essencial, antes, estabelecer e esclarecer a diferença entre dois conceitos que são importantes para a pesquisa e análise: Interação e Relação. Ambos representam formas de comunicação entre as pessoas, mas possuem distinções fundamentais. A interação se refere a algo exclusivamente superficial, a exemplo, um

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

simples 'bom dia' que se diz a alguém desconhecido. Já a relação estabelecida entre duas ou mais partes se refere a algo mais profundo, que ultrapassa o estágio da interação, nela, estabelece-se um vínculo de confiança, compromisso e responsabilidade entre os envolvidos, formando-se um laço afetivo, aqui exemplificado na relação entre professor-aluno.

Além disso, é importante também definir o conceito de Afetividade, central nos estudos de Wallon, que engloba as dimensões de emoção, sentimento e paixão. Conforme MAHONEY e ALMEIDA (2005), afetividade 'refere-se à capacidade, à disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações ligadas a tonalidades agradáveis ou desagradáveis; ser afetado é reagir com atividades internas/externas que a situação desperta'.

- O método utilizado para este estudo foi a observação de diferentes aulas ministradas a turmas de ensino médio em escolas públicas das Coordenações Regionais de Ensino do Paranoá e Planaltina - DF. Diante desse contexto, surge o seguinte questionamento: qual a importância da afetividade e da responsabilidade emocional no ambiente de sala de aula e de que maneira elas influenciam o interesse dos alunos pelo conteúdo abordado?

## Revisão da Literatura

Como referencial literário, foram selecionados alguns artigos de autoras de destaque no estudo das teorias Wallonianas no Brasil e também trabalhos que explicitam de forma clara as principais ideias de Wallon, contribuindo para a compreensão da análise realizada neste estudo.

A teoria Walloniana pode ser considerada uma Teoria Interacionista, na qual o meio (conceito central na obra de Wallon) e o indivíduo estão em constante interação:

Ao enfatizar a junção genético-social, ou integração organismo-meio no processo de desenvolvimento, Wallon afirma que o meio tanto pode favorecer quanto tolher o desenvolvimento: 'a constituição biológica da criança ao nascer não será a única lei do seu destino posterior. Seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias de sua existência, da qual não se exclui sua possibilidade de escolha pessoal' (Wallon 1954/1986, p. 169). Portanto, o meio é uma noção fundamental na teoria walloniana. (DAVIS; ALMEIDA; RIBEIRO; RACHMAN, 2012, p. 72).

Compreender o conceito de afetividade é crucial, mas também é importante entender o que é a Emoção. MAHONEY e ALMEIDA (2005) descrevem a emoção como a expressão corporal resultante da afetividade, tendo um caráter expressivo e contagiante. As emoções influenciam diretamente a dinâmica em sala de aula, e é papel do professor ter controle e domínio sobre essas emoções para orientar as reações dos alunos de maneira adequada:

O professor, como adulto mais experiente, centrado em si e no outro, de forma equilibrada, com maiores recursos para controle das emoções e sentimentos, pode colaborar para a resolução dos conflitos (...) A qualidade da relação é revelada pela forma como os conflitos são resolvidos. (MAHONEY; ALMEIDA, 2005, p. 25-26).

'Cabe ao educador possibilitar que seu aluno expresse seus sentimentos, buscando observar suas demandas, a fim de lhe oferecer suporte em variadas exigências emocionais' (SILVA; BASTOS, 2022, p. 614).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Por fim, cabe realizar uma análise do impacto que as necessidades afetivas exercem no processo de ensino-aprendizagem. É essencial considerar o ensino, a aprendizagem e a esfera afetiva como uma unidade interdependente. Isto é, 'quando não são satisfeitas as necessidades afetivas, estas resultam em barreiras para o processo ensino-aprendizagem e, portanto, para o desenvolvimento, tanto do aluno como do professor.' (MAHONEY; ALMEIDA, 2005, p. 26).

## Referencial Teórico

Como referencial teórico deste trabalho, optou-se por explorar alguns dos principais pensamentos e ideias de Henri Wallon. Antes de apresentar suas contribuições, é interessante fazer uma breve revisão de sua trajetória acadêmica. Entre 1899 e 1908, Wallon estudou na Escola Normal Superior, formando-se em Filosofia e Medicina. Após, no ano de 1908, começou a trabalhar em uma clínica psiquiátrica, onde atendeu crianças com distúrbios motores e intelectuais. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), atuou como médico no Exército Francês, tendo a oportunidade de observar o comportamento de soldados, o que lhe permitiu aprofundar reflexões baseadas em sua prática na clínica psiquiátrica. Após a guerra, Wallon passou a ministrar palestras sobre psicologia infantil e, entre as décadas de 1920 e 1940, publicou sua tese de doutorado, o que o levou a se tornar professor responsável pela disciplina de Psicologia da Educação. Em 1935, viajou ao Brasil, onde se encontrou com Paulo Freire para ministrar palestras sobre seus estudos. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), Wallon filiou-se ao Partido Comunista fazendo oposição ao nazismo. No ano de 1944, foi nomeado pelo Ministério da Educação Nacional para compor uma comissão responsável pela reformulação do sistema de ensino francês, que resultou, no ano de 1947, no Projeto Langevin-Wallon do ensino francês. Em 1948, criou a Revista Enfance, de psicologia infantil. Wallon se aposentou oficialmente em 1949, mas continuou seu trabalho em seu laboratório até falecer em 1º de dezembro de 1962, aos 83 anos, em Paris, França.

A teoria Psicogenética e do desenvolvimento de Wallon é centrada na Psicogênese da Pessoa Completa, que diz respeito à análise da pessoa como um todo, integrando suas dimensões cognitivas, afetivas e sociais. De acordo com VIEIRA (2014):

A teoria de Henri Wallon é centrada na gênese da pessoa completa, pois para ele, a origem da inteligência é genética e organicamente social, ou seja, o seu desenvolvimento depende não só de suas estruturas biológicas, mas também do contato que a criança estabelece com o meio social em que vive. (VIEIRA, 2014, p. 72).

Wallon ressalta que o desenvolvimento humano ocorre por meio de uma interação dinâmica entre fatores biológicos e sociais, com grande ênfase na importância do meio social. Ainda segundo VIEIRA (2014):

[...] pode-se dizer que a teoria de Henri Wallon sobre a psicogênese da pessoa completa está centrada no estudo da pessoa como um todo, em suas dimensões cognitiva, afetiva e social de forma integrada, e na forte influência que o meio social exerce sobre a formação da pessoa. (VIEIRA, 2014, p. 73).

A afetividade é, portanto, um conceito central na teoria de Wallon e será o principal instrumento de análise deste trabalho. Para Wallon, nutrir a afetividade é nutrir a inteligência, e vice-versa, uma vez que a sua teoria está baseada na Psicogênese da Pessoa Completa. A teoria walloniana enfatiza os aspectos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

emocionais, orgânicos e o papel do outro na formação do indivíduo, segundo Wallon, o maior objetivo da educação não é apenas o desenvolvimento intelectual do ser, mas sim o desenvolvimento da pessoa, despertando uma noção de responsabilidade afetiva que é atribuída ao educador. Segundo VIEIRA e BASTOS (2022, p. 609) 'Wallon legou aos professores diversas lições, entre elas: ser uma pessoa completa, com afeto, cognição e movimento', isto é, ser e estar emocionalmente estável. É importante pontuar também que para Wallon, é a partir da puberdade e adolescência, a partir dos 11 anos de idade que a criança é capaz de reconhecer a sua singularidade, percebendo-se como uma pessoa própria, que possui sentimentos e necessidades.

Nesse contexto, é relevante incorporar também as reflexões de Paulo Freire, que destacam a importância da afetividade no ambiente escolar. Freire afirma que 'a educação é um ato de amor […]' e que 'importante na escola não é só estudar, é também criar laços de amizade e convivência'. Reforçando a importância do professor e do meio escolar no processo de desenvolvimento psicológico e intelectual dos alunos.

## Metodologia

O método empregado para realização da coleta de dados foi a prática da observação das aulas. Durante o processo, procurou-se dar mais atenção à relação estabelecida entre os professores e alunos, e como para diferentes docentes, o comportamento dos alunos com a disciplina se fez consideravelmente distinto. Procurou-se observar também, as diferentes práticas e metodologias pedagógicas utilizadas em sala de aula com o objetivo de responder à questão central que orienta este trabalho.

A análise dos dados foi fundamentada, principalmente, nos conceitos de Interação e Relação previamente discutidos, bem como na teoria psicogenética de Henri Wallon. O foco foi examinar como a afetividade emocional e a responsabilidade afetiva impactam os processos de ensino-aprendizagem.

Durante o período da pesquisa, foram observadas aulas de física em diferentes turmas de 1°, 2° e 3° anos do ensino médio, de escolas públicas da Secretaria de Educação do Distrito Federal, localizadas em Planaltina - DF e no Paranoá, voltadas para ensino fundamental e ensino médio. Ambas as instituições possuem cerca de 30 turmas distribuídas entre os períodos, matutino, vespertino e noturno e são responsáveis por receber alunos do entorno do DF também.

## Análise

Antes de entrar na análise propriamente dita, é pertinente discutir as motivações que levaram à escolha deste tema, relacionando o desinteresse dos alunos à falta de afetividade e refletindo sobre a importância de romper a barreira da interação para alcançar uma verdadeira relação em sala de aula. Durante as observações, foi possível verificar uma clara e significativa diferença entre os professores, não apenas nas metodologias, mas também na maneira como os professores interagem com os alunos e os fazem autônomos em si mesmos.

Analisando a importância de ultrapassar a barreira que separa a interação superficial da relação mais profunda, é possível notar que, conforme argumentado por MAHONEY e ALMEIDA (2005), a forma como o professor se relaciona com os alunos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

influencia, positiva ou negativamente, na forma com que os conceitos e conhecimentos são absorvidos, isso ocorre pois, quando as necessidades afetivas não são atendidas, resultam em um entrave nos processos de ensino-aprendizagem, e consequentemente no desenvolvimento. Assim, torna-se evidente a relevância de estabelecer uma relação com os alunos, uma vez que a mesma tem potencial de melhorar os resultados obtidos em sala de aula.

Para descrição dos fatos que se seguem, optou-se por identificar de forma anônima os professores como: professor 1 e professor 2. Desde as primeiras aulas observadas, ficou claro que a interação e a relação desempenham papéis distintos no meio escolar. Em muitas das aulas de física do professor 1, o que se observava era uma mera interação superficial entre as partes, a impressão era de que o docente não havia conseguido ultrapassar essa barreira para estabelecer uma relação genuína com os estudantes, deixando assim, de alcançar uma relação verdadeira, é como se o professor não tivesse importância para os alunos e vice-versa. Essa falta de conexão era evidente quando, por exemplo, um aluno me perguntou: "Você sabe qual é o nome do professor?", e quando o próprio professor se referia aos alunos de maneira impessoal, usando termos como "colegas" ou "fulano(a)", em vez de seus nomes.

Já nas aulas do professor 2, o cenário era totalmente diferente. Inicialmente, ele realizava chamada de frequência, isso fazia com que ele olhasse para os alunos e associasse o nome a feição deles. Além disso, havia uma clara diferença no diálogo entre professor e alunos, eles conversavam de igual para igual, havia uma troca de informações que não se limitava apenas aos conceitos físicos. Essas observações levam à conclusão de que, nas aulas do professor 2, havia uma verdadeira relação entre todos que estavam inseridos no meio escolar, baseada em confiança mútua e respeito, enquanto nas aulas do professor 1 predominava-se apenas uma simples interação, sem vínculos afetivos. o professor havia atribuído valor a presença dos alunos e os alunos viam o professor 2 como alguém confiável e que podiam conversar tranquilamente. Fazendo uma análise com base nas contribuições de Paulo Freire, tem-se que:

'qualidade indispensável à autoridade em suas relações com as liberdades é a generosidade. [...] O clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter formador do espaço pedagógico'. (FREIRE, 1996, p. 92)

Ainda sobre FREIRE (1996, p. 94), 'o essencial da relação entre educador e educando, [...] é a reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia'. E todas essas características eram rapidamente perceptíveis ao observar as aulas do professor 2. Já nas aulas do professor 1, havia apenas uma participação passiva dos estudantes, desinteressados.

Nesse contexto, é fundamental refletir sobre a responsabilidade que o professor assume ao entrar em sala de aula, especialmente no que diz respeito à responsabilidade afetiva. É crucial que o docente consiga estabelecer uma relação com os alunos, embora seja necessário também discutir os limites da mesma. Até que ponto o professor pode ir sem comprometer sua autoridade? Embora essa questão seja relevante, não é o foco deste trabalho. O objetivo aqui é destacar a importância dessa relação para o processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento. Foi apresentado que na relação é estabelecida uma ideia de confiança, compromisso e responsabilidade entre os envolvidos, e, conforme MAHONEY e ALMEIDA (2005, p. 26): 'A forma como o professor se relaciona com o aluno reflete nas relações com o

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

conhecimento e nas relações aluno-aluno'. Isso permite compreender, um pouco mais, a real importância que relacionar-se com os alunos possui, trás uma noção de Responsabilidade Afetiva, afinal, dar aula não é uma mera transmissão de conceitos, é uma transmissão de saberes, de vivências, é algo fundamental ao desenvolvimento da pessoa, para a formação de um indivíduo completo. Para Wallon, o maior objetivo da educação é o desenvolvimento da pessoa e não seu desenvolvimento intelectual, ou seja, a educação perpassa o intelecto, abarcando também, a formação completa do ser.

Diante das observações realizadas, foi possível notar como a postura do professor influenciou diretamente o interesse dos alunos nas aulas, era perceptível a diferente forma que os alunos participaram e interagiram com o que era apresentado, a diferença de postura do professor influenciou no interesse pela aula e nos conceitos físicos apresentados. Nas aulas do professor 1, era como se fossem meros agentes passivos (o que deve ser evitado pelo professor, afinal os alunos não são simples ouvintes, são, pessoas em desenvolvimento cognitivo e intelectual) que só copiavam os conceitos e exemplos de fixação, muitas vezes dispersos, interferindo no rendimento da aula de forma geral. Em contrapartida, nas aulas do professor 2 era completamente diferente, ele conseguia manter a atenção dos alunos por um período prolongado, e mesmo aqueles que demonstravam desinteresse permaneciam em silêncio, sem interferir no desempenho geral da turma. Isso sugere que a maneira como o professor se relaciona com os alunos pode impactar significativamente o ambiente de aprendizado e, por consequência, os resultados alcançados.

## Considerações finais

Com base nos aspectos observados e nos referenciais teóricos propostos, é possível responder à questão apresentada: Qual a importância da afetividade e da responsabilidade emocional em sala de aula e em que medida elas impactam o interesse dos alunos pelo conteúdo abordado? Primeiramente, é importante destacar que os resultados obtidos por meio da observação dialogam de maneira coerente com as teorias e ideias propostas ao longo da análise. Observou-se que a postura diferenciada dos professores influenciou, em certo grau, o desinteresse dos alunos pelas aulas.

Com base na teoria psicogenética de Henri Wallon e sua aplicação no contexto educacional e retomando a questão de pesquisa, pode-se afirmar que a Afetividade Emocional é um dos muitos fatores que os educadores devem trabalhar com cuidado em sala de aula, fortalecendo a noção de responsabilidade afetiva. Sua importância torna-se inquestionável diante das evidências apresentadas ao longo deste trabalho, especialmente quando a falta de afetividade se revela como um obstáculo no processo de ensino-aprendizagem, tornando-se mais uma dentre as muitas problemáticas que permeiam o as discussões acerca do ensino de física, suas potencialidades e limitações.

A afetividade possibilita que as pessoas atribuam diferentes níveis de importância umas às outras, e isso também se reflete no ambiente escolar. O nível de interesse e participação dos alunos mostrou-se diretamente proporcional à qualidade da relação estabelecida entre eles e o professor, influenciando diretamente a forma como os conteúdos são absorvidos e compreendidos. Assim, a atenção dada à construção de relações afetivas saudáveis e respeitosas entre professor e aluno pode

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

se revelar um elemento-chave para a melhoria do processo educacional e, consequentemente, para o desenvolvimento integral dos estudantes.

## Referências

MAHONEY, Abigail Alvarenga; ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da educação, São Paulo, n. 20, p. 11-30, jun. 2005.

DAVIS, Claudia Leme Ferreira; ALMEIDA, Laurinda Ramalho de; RIBEIRO, Marilda Pierro de Oliveira; RACHMAN, Vivian Carla Bohm. Abordagens vygotskiana, walloniana e piagetiana: diferentes olhares para a sala de aula. Psicologia da Educação, São Paulo, n. 34, p. 63-83, 1º sem. de 2012.

VIEIRA, Graziella Pereira. A teoria psicogenética de Henri Wallon. III Semana de Integração, XII Semana de Letras e XIV Semana de Pedagogia - 'Educação e Linguagem: novos olhares, novas possibilidades de ensino', v. 1, n. 1, p. 70-77, jun. 2014.

DAUTRO, Grazziany Moreira; LIMA, Welânio Guedes Maias de. A teoria psicogenética de Wallon e sua aplicação na educação. Anais V CONEDU … Campina Grande: Realize Editora, 2018.

SILVA, Dineuza Neves da; BASTOS, Luciete. A afetividade no processo de ensinoaprendizagem: contributos da teoria de Henri Wallon. Debates em Educação, Maceió, v. 14, n. especial, 2022.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra (coleção leitura), 1996.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.