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SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES DA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL

Elcio Correia De Souza Tavares, Thiago William Barbalho Dantas, Rylaine De Araújo Carvalho, Jefferson Jackson Fernandes Pinheiro, Rodrigo Lacerda Paz, Flávia Polati Ferreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
21/01/2025
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES DA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL

## MENTAL HEALTH OF FULL-TIME SCHOOL STUDENTS

Elcio Correia de Souza Tavares 1 , Thiago William Barbalho Dantas 2 , Rylaine de Araújo Carvalho 3 Jefferson Jackson Fernandes Pinheiro 4 Rodrigo Lacerda Paz 5 Flávia Pollatti 6

1 CEEP professora Lourdinha Guerra, elciotavares67@gmail.com

2,3,4,5 Graduandos da Licenciatura em Física, Universidade Federal do Rio

Grande do Norte/DFTE, thiagowilliam09@gmail.com, rylainearaujo@gmail.com, jefferson.fernandes.706@gmail.com, rodrigolacerdapaz@gmail.com

6 Departamento de Física Teórica e Experimental, Universidade

Federal do Rio Grande do Norte/DFTE, flaviapolati@fisica.ufrn.br

## Resumo

As escolas de tempo integral têm muitas vantagens em relação às chamadas regulares, como usufruir de um período maior no ambiente escolar, receber auxílio pedagógico mais direcionado, sanar dúvidas disciplinares e trabalhar suas dificuldades acadêmicas no próprio colégio. Assim, há uma expectativa de melhora do rendimento em sala de aula, além do desenvolvimento da autonomia e do protagonismo. O aluno também tem nesse período escolar atividades extracurriculares que complementam o conhecimento adquirido em sala de aula, aperfeiçoam as habilidades acadêmicas e (teoricamente) garantem mais motivação nos estudos. Contudo, há risco de sobrecarregar os alunos, que passam a maior parte do seu dia em um mesmo ambiente, chegando em casa cansados e assoberbados com tarefas que não estimulam os seus próprios interesses e a sua criatividade. Neste trabalho, os estudantes do PIBID-Física, ao iniciarem suas atividades em uma dessas escolas, realizaram um levantamento entre os estudantes que mostrou que esse era exatamente seu maior problema: o excesso de carga horária, sem tempo livre para descanso ou lazer gerava fadiga, irritação e desinteresse pela escola, acarretando pedidos de liberação das aulas, baixa frequência nas sextas-feiras e irritação e agressividade entre os alunos. O objetivo deste trabalho foi propor maneiras de fortalecer o bem-estar emocional dos estudantes, reduzindo o estresse acadêmico e melhorando sua qualidade de vida. As ações incluíram um levantamento das queixas específicas dos estudantes, sua análise e a discussão com a gestão/coordenação pedagógica para implementação das atividades, com aulas prazerosas, não-conteudistas e abordagens distintas para avaliar. Os resultados se mostraram animadores em atenuar os problemas de estresse enfrentados.

Palavras-chave : Saúde mental. Tempo integral. Estresse.

## Introdução

O novo modelo de ensino médio de jornada completa, conhecido como ensino médio integral, tem sido adotado paulatinamente por governos estaduais e em 2023 pelo governo federal (MEC, 2023). Krawczyk (2014, p. 29) evidencia que os estados de São Paulo e Pernambuco estão implantando o novo modelo de escola média de tempo integral com unidades escolares que passam por reforma física e estrutural,

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

indo desde mudanças nos recursos humanos e até a implementação de um novo e ariscado projeto pedagógico, provocando inúmeras alterações no trabalho docente e na gestão escolar. Dutra (2014) diz que no ano de 2008 foi implementado em Pernambuco, durante o governo de Eduardo Campos, a educação integral para o ensino médio somente após a aprovação do Programa Ensino Médio Inovador do estado. Tratava-se de um novo encaminhamento de gestão e também pedagógico, já que contou com parceria privada e com profissionais comissionados. Outros modelos de educação integral foram e estão sendo paulatinamente implementados pelo Brasil muitas vezes sem uma discussão democrática a respeito (Vianna, 2021).

Em essência, a escola de tempo integral prevê que os estudantes devem permanecer na escola por tempo igual ou superior a 7 horas diárias ou 35 horas semanais, com um currículo intencional que amplia e articula diferentes experiências educativas, sociais, culturais e esportivas em espaços dentro e fora da escola, com a participação da comunidade escolar (MEC, 2023).

A ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola bem como com sua reorganização seria a princípio bem-vinda, mas não estaria isenta de alguns problemas novos ou antigos que tangem a educação. Moll relembra que a educação em tempo integral 'é marcada pela mesma desigualdade que nos constituiu como sociedade' (2014, p. 369). Para ela, a população pobre teve acesso tardio a uma escola que também era desprovida de qualidade. Assim, a ampliação do tempo escolar é entendida como uma possibilidade de deixar os alunos mais tempo na escola, mas não como uma mudança qualitativa no ensino. Brandão (2009) comenta que 'o acesso à escola não garante cidadania escolar' e cita condições que justificariam uma proposta de escola em tempo integral. Ernica (2006) diz que simplesmente aumentar a quantidade de horas na escola não significa uma educação integral, que seria uma transformação qualitativa da educação. A Sociedade do Cansaço descrita por Han (2015) descreve uma enfermidade que está acometendo a sociedade. Cansaço para ele é uma resposta do corpo para o excesso de positividade e cobrança que a sociedade impõe, produzindo pessoas mecanizadas e que buscam apenas o que é essencial para um sistema capitalista: o lucro. A cobrança pelo desempenho afeta os indivíduos ao focar exageradamente o sucesso no trabalho (leia-se estudo) sem se preocupar com a saúde mental.

O estresse no dia a dia escolar presente também nas escolas em tempo integral pode vir como decorrente de diferentes fatores, incluindo desde o excessivo tempo de permanência na escola, como na convivência dos estudantes com seus familiares em casa, ou mesmo no trabalho. Straub (2014) ressalta que pesquisas em psicologia da saúde apontam que os estressores, ou seja, aquilo que provoca estresse, são eventos ou situações difíceis que desencadeiam adaptações de enfrentamento na pessoa, sendo um processo pelo qual a pessoa percebe e responde abruptamente a eventos que considera desafiadores ou ameaçadores. Ramos (2018) coloca a partir de uma linha histórica a fundamentação da ligação do capital com o surgimento do ensino técnico integrado e o motivo dele ter surgido, já que devido a carga horária, haveria de trabalhar no jovem a sua preparação para o trabalho, não como conhecemos cotidianamente, mas trabalho no sentido de realização do indivíduo para com ele mesmo.

A escola de tempo integral envolvida no projeto Física para Além das Fórmulas é considerada uma das melhores escolas públicas do Rio Grande do Norte, sendo uma das escolas estaduais de ensino técnico em tempo integral criadas em

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2017 como proposta de governo para uma mudança no modelo de ensino hoje conhecida como Novo Ensino Médio.

Entre as primeiras atividades na escola foi feita uma pesquisa com os estudantes para saber deles quais os principais problemas que enfrentavam, e a maioria relatou o acúmulo de atividades e a falta de tempo como os principais fatores de desestímulo nas atividades escolares, o que é visto em outros trabalhos (Carneiro & Coutinho, 2015; Rodrigues, et alli, 2023). No espírito do PIBID de promover alterações significativas na escola, nos propusemos a criar um projeto que diminuísse esse estresse através de aulas de física que não acontecessem da maneira formal corrente no nosso país, mas que fossem 'além das fórmulas', e se transformassem em momentos prazerosos.

Aprender, por meio de atividades práticas e lúdicas acaba se tornando parte integrante e facilitada da educação, como forma de atrair a atenção do aluno para a contextualização do conteúdo a ser ensinado, fugindo de uma abordagem meramente demonstrativa. Diversos trabalhos (Marcuz, 2019; Cristino, 2016; Rodrigues 2017; Valadares, 2002; Carbo et ali, 2019) já foram desenvolvidos no sentido de promover o ensino de física com ludicidade, a fim de despertar o interesse e curiosidade dos estudantes pelos conceitos de Física. O uso de brinquedos lúdicos, games, realidade aumentada, etc., mostram que o ensino de física não pode consistir apenas em decoreba e aplicação de fórmulas em exercícios de resolução de problemas numéricos, sem contextualização. A aplicação do ensino lúdico (contextualizado) nesses trabalhos mostrou que a aprendizagem ocorre de maneira mais descontraída (embora efetiva), o que é o propósito deste projeto.

Uma das finalidades dessa modalidade de ensino é proporcionar aos alunos a capacidade de aprender de forma flexível, eficaz, autônoma (Pozo, 2003), além de desenvolver o raciocínio estratégico, diversificado e capaz de superar obstáculos. (Pedroso, 2009). Carbo et alli apontam que 98% dos alunos preferem aulas que fogem do tradicional, como aulas práticas, jogos didáticos e aulas de campo

De acordo com Costa (2010), os professores que fazem uso de ferramentas diversificadas no processo de ensino sugerem que o método pedagógico a ser empregado depende muito do contexto da sala de aula e da turma a ser trabalhada.

Dessa forma, os objetivos deste trabalho consistem em investigar como as aulas de Física podem ser planejadas visando contribuir para minimizar os problemas presentes no modelo de ensino integral. Discutiremos qual o papel do ócio no aprendizado e qual o papel da diversidade das abordagens do ensino de física frente a necessidade de promover mais espaços e discussões que promovam o bem-estar e a saúde mental nas escolas em tempo integral. Com esse trabalho, buscamos responder: Como o Ensino da Física pode contribuir para o enfrentamento do problema da saúde mental de estudantes das escolas de ensino médio em tempo integral?

## Metodologia

Ao levar o PIBID-Física às escolas, sempre houve a preocupação não apenas com os benefícios que os Pibidianos pudessem ter nesse contato, mas também quais benefícios a comunidade escolar pudesse usufruir dessa colaboração.

Assim inicialmente foi feita uma pesquisa exploratória, nos moldes da descrição de Theodorson e Theodorson (1970):

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"Estudo exploratório. Um estudo preliminar cujo objetivo principal é familiarizar-se com um fenômeno que deve ser investigado, para que o estudo principal a seguir possa ser desenhado com maior compreensão e precisão. O estudo exploratório (que pode usar qualquer um de uma variedade de técnicas, geralmente com uma amostra pequena) permite ao investigador definir o seu problema de investigação e formular a sua hipótese com mais precisão. Também lhe permite escolher as técnicas mais adequadas para a sua investigação e decidir sobre as questões que mais necessitam de ênfase e. investigação detalhada, e pode alertá-lo sobre potenciais dificuldades, sensibilidades e áreas de resistência."

Esta pesquisa visava identificar os principais problemas enfrentados pelos estudantes na escola, utilizando um questionário aplicado via Google Forms, com perguntas abertas solicitando que fossem apontados quais eram os maiores problemas sentidos por eles na escola. Ao mesmo tempo, questionário semelhante foi aplicado aos professores e gestores, para que fornecessem sua visão dos principais problemas escolares.

A partir das respostas encontradas, pensou-se em um projeto que não fosse uma monitoria convencional, mas que se tornasse um momento em que os estudantes pudessem se encantar com a Física, com aulas de temas interessantes e que não fossem 'cobradas nas provas', de maneira que eles se encantassem com os fenômenos físicos e tivessem prazer em aprendê-los e levando-se em consideração o interesse dos estudantes por assuntos vistos nas mídias.

As aulas propostas foram aplicadas em quatro turmas da segunda série do ensino médio, com cerca de 45 alunos por turma.

Tivemos aulas sobre eclipses e fenômenos astronômicos em geral, aproveitando o eclipse anular do Sol ocorrido em 14 de outubro de 2023, no qual o estado do Rio Grande do Norte foi privilegiado em termos de observação e que teve ampla repercussão popular e na mídia (G1, 2023). Outras aulas foram ministradas aproveitando a repercussão do lançamento nos cinemas no mesmo ano do filme 'Oppenheimer', nas quais falou-se sobre radiação, acidentes radioativos, bombas atômicas, a vida de Marie Curie, etc.

O grande interesse dos alunos levou a temas sugeridos por eles mesmos para aulas futuras: Onde estamos no universo, Buracos negros, o que são e o que acontece se cair nele? Energia nuclear: Como funciona? Como são as estrelas?

## Resultados

Através da investigação temática realizada, foram identificados os principais problemas enfrentados pelos estudantes (figura 1): elevada carga horária e pouco tempo disponível para recreação ou ócio na escola. Isso acaba gerando o aumento do desinteresse na participação nas aulas e de atividades extraclasse, alto índice de solicitações de dispensa das aulas, uma baixa frequência nas aulas de sextas-feiras, aumento da violência entre eles, etc.

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Figura 01: Problemáticas da escola estudada segundo os próprios alunos Fonte: Os autores

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O PIBID-Física está ajudando a combater esses problemas através de auxílio às atividades e ministrando aulas de temas interessantes, proporcionando um clima mais suave ao período em que os estudantes ficam na escola.

As aulas aplicadas foram realizadas de maneira descontraída e divertida, resultando em um interesse maior pelos assuntos de física bordados e em uma maior descontração geral, percebida pelos próprios estudantes e pelo professor das turmas.

Como uma forma de avaliar os alunos, ao final do período letivo foi elaborado um pequeno roteiro com perguntas, utilizando o método de grupo focal, durante a qual houve a coleta dos dados a fim de se saber se os alunos gostaram das aulas ministradas pelo PIBID-Física. Perguntas como 'É mais fácil aprender em aulas lúdicas, a qual o foco não é a prova, mas apenas agregar um conhecimento em determinado assunto?' foram feitas aos alunos e grande parte respondeu que sim; um dos estudantes respondeu 'sim, acho mais interessante, apesar de que não irá cair no ENEM, mas é algo -conhecimento- que vou levar para vida' grande parte das respostas foram parecidas com a desse estudante. Dessa forma, podemos notar a preocupação dos estudantes com o ENEM, e com a preocupação dos estudantes em fazer uma prova escrita como avaliação acaba fazendo com que, eles se sintam sobrecarregados.

## Considerações finais

Este trabalho não pretende criticar as escolas de ensino médio em tempo integral, mas sim relatar as dificuldades encontradas pelos seus estudantes e a ajuda que pode ser dada pelos bolsistas do PIBID. Assim, buscamos mostrar que as pressões da instituição e do âmbito familiar por bons resultados em concursos e na prova do ENEM, bem como no rendimento escolar, acabam gerando problemas na saúde mental dos estudantes, o que prejudica a aprendizagem e causa diversos outros problemas sociais.

Mostramos neste trabalho que ensinar física em momentos de aprendizagem significativa e descontraída resultam em um aumento de entusiasmo, a vontade de estudar, possibilitando uma diminuição dos níveis de estresse e aumento do interesse por assuntos em geral considerados áridos, como os associados ao ensino de física.

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A sua proposta é oferecer um ambiente para os alunos no qual não apenas haja avanço acadêmico, mas que o proteja e acolha, de modo que possa se desenvolver também como pessoa, valorizando a integralidade e complexidade de cada sujeito.

## Referências

BRANDÃO, Z. Escola de tempo integral e cidadania escolar. Em Aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 97-108, abr. 2009. Último acesso em 08/01/2024.

CARBO, L. TORRES, F. S., ZAQUEO, K.D., BERTON, A., Atividades práticas e jogos didáticos nos conteúdos de Química como ferramenta auxiliar no ensino de Ciências, REnCiMa, v. 10, n.5, p. 53-69, 2019

CARNEIRO, C.; COUTINHO, L.G. Infância e adolescência: como chegam as queixas escolar à saúde mental? Educ. ver, Curitiba: n. 56, p. 181-192, 2015. Disponível em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&amp;pid=S010440602015000200181&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Último acesso em: 09/01/2024.

CRISTINO, C. S. O uso da Ludicidade no Ensino de Física. Dissertação de Mestrado, Mestrado Profissional em Ensino de Ciências, Universidade Federal de Ouro Preto, 2016.

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MEC, Programa Escola em Tempo Integral, https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-emtempo-integral. Último acesso em 09/01/2024.

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PORTAL G1, Natal será a melhor capital do Brasil para observar o eclipse solar anular no sábado (14), https://g1.globo.com/rn/rio-grande-donorte/noticia/2023/10/09/natal-sera-a-melhor-capital-do-brasil-para-observar-oeclipse-solar-anular-no-sabado-14.ghtml. Último acesso em 08/01/2024.

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STRAUB, R. O. Psicologia da saúde: uma abordagem biopsicossocial. Porto Alegre: Artmed, 2014.

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VALADARES, E. C. Física mais que divertida. 2.ed. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2002.

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