UMA ANÁLISE DAS POSSIBILIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA DA CIÊNCIA APRESENTADA NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DAS DÉCADAS DE 1960 E 2000
Francisco De Assis Nascimento Junior, Luis Paulo Piassi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UMA ANÁLISE DAS POSSIBILIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA DA CIÊNCIA APRESENTADA NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DAS DÉCADAS DE 1960 E 2000
## AN ANALYSIS OF THE PHYSICS TEACHING OPPORTUNITIES PRESENTED BY SCIENCE FICTION COMICS BOOKS
## Francisco de Assis Nascimento Junior , Luis Paulo C. Piassi 1 2
1 Universidade de São Paulo - Programa de Pós Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, francisco.assis@usp.br
2 Universidade de São Paulo - Escola de Artes, Ciências e Humanidades, lppiassi@usp.br
Palavras-chave: Ensino de Física, Histórias em Quadrinhos, Semiótica, Ficção Científica
## Justificativa e objetivos
A segunda metade do século XX testemunhou uma proliferação do uso da imagem como fator de comunicação: dos sinais de trânsito às instruções mecânicas, a leitura visual vem se tornando uma habilidade inseparável do convívio social. Como todo veículo de comunicação em massa, as Histórias em Quadrinhos pertencem ao contexto histórico-social em que são geradas, não sendo veiculadas de forma isolada do contexto cultural da sociedade que as produz.
Ao analisar as características distintivas de uma narrativa quadrinhística sob um viés científico, este trabalho investiga sua aproximação com a prática pedagógica de acordo com o caminho estabelecido por Zanetic (1989) ao asseverar que a física deve ser transformada num elemento cultural que trabalhe com o imaginário.Possibilidades decorrentes do uso de Histórias em Quadrinhos como ferramenta didática têm sido discutidas no ensino de Física em trabalhos recentes de Carusto (2009) e Testoni (2004), embora iniciativas para o uso de arte sequencial na educação remetam à década de 1940, segundo Eisner (1989). Órgãos oficiais de educação no Brasil vem reconhecendo a importância do uso da linguagem das Narrativas Gráficas no currículo escolar, tendo desenvolvido orientações específicas para este fim ao reconhecer seu emprego pela LDB e os PCNs.
Se todo conhecimento produzido é fruto de uma época e um lugar, o estudo de uma obra selecionada em dois momentos culturais distintos permite que seja apresentada uma discussão sobre as diferentes formas de pensar as concepções de ciência e tecnologia veiculadas nas Histórias em Quadrinhos no decorrer do tempo, com as possíveis situações didáticas daí decorrentes. Entre os diversos gêneros disponíveis, optamos pelo estudo da série 'Quarteto Fantástico', pertencentes ao gênero de ficção científica, por apresentar uma linha de publicação ininterrupta desde a década de 1960.
## Marco Teórico
Partindo da ideia defendida por João Zanetic (1989) de que Física também é cultura e dos estudos sobre o uso da ficção científica no ensino de ciências
realizado por Piassi e Pietrocola (2007), torna-se necessário pensar a maneira como a mensagem das histórias em quadrinhos que trabalham elementos constituintes da realidade (como é o caso da ficção científica) é transmitida em seu espaço de atuação de forma discursiva e visual, dadas as dimensões de seus recursos. Assim é que uma análise textual-discursiva de objetos culturais (gêneros textuais) das HQs de ficção científica se torna condição para uma análise do possível impacto causado na alfabetização científica de seus leitores. Trata-se de um passo preliminar para que seja pensada uma apropriação de sua linguagem para uso como instrumento didático na prática escolar,o que se é possível através de um estudo baseado na semiótica de Greimas (1976) em conjunto com a análise de discurso de Bakthin (2004).
## Metodologia e Análise de pesquisa
Como qualquer outro tipo de leitura, a narrativa gráfica sequencial não é meramente linear ou sujeita somente a um único tipo de interpretação, representando um caminho de acesso às relações de comunicação entre sujeito e sociedade. Não basta um estudo dos personagens, é necessária uma análise da relação entre as histórias em quadrinhos como fenômeno midiático e a divulgação científica 'disfarçada' que parecem exercer, traçando eventuais pontos de contato ao estudar as possibilidades de sublimação de suas limitações. Fez-se necessária a investigação sobre as condições de produção da série em quadrinhos adotada: quem foram seus autores e qual o contexto social e histórico em que foi produzida, bem como a quem se destinou sua leitura, tarefa relacionada à análise do discurso de Bakthin (2004) em que se descrever e analisa os modos com que o saber científico se reconfigura ou se retextualiza no domínio discursivo das histórias em quadrinhos, de acordo com Marcuschi (2001). Em um segundo momento será realizada a análise da série em quadrinhos como produto , utilizando a semiótica Gremiasiana ( cujo objetivo é a exploração do sentido , através do estudo dos níveis narrativo, fundamental e discursivo de uma obra).
## Conclusões
O estudo identificou a existência de duas fases distintas de relacionamento das histórias em quadrinhos do Quarteto Fantástico com a Ciência. Em sua primeira versão publicada na década de 1960, a ciência provoca maravilhamento ao leitor e ao mesmo tempo, medo.Trata-se de uma fase ingênua em que cientistas foram retratados de forma romântica como solitários bem-feitores da humanidade ou entes malignos decididos a escravizá-la. Neste período, os roteiristas não apenas utilizaram conhecimentos e descobertas científicas em suas histórias como tentaram também prever sua evolução.
Na versão repaginada para publicação na década de 2000, os autores não mais se limitaram a divulgar teorias científicas, buscando também uma reflexão ética a respeito de seu emprego ao retratarem um momento histórico-cultural em que a presença da ciência e da tecnologia influenciam de forma decisiva os rumos da sociedade mundial, incluindo sua forma de pensar, de forma que discutir a ciência se tornou discutir o mundo em que vivemos.
Trata-se de conclusões preliminares, uma vez que este estudo ainda se encontra em andamento, mas que convergem para o objetivo final do trabalho: a
reflexão sobre possibilidades de uso dessas historias como ferramenta auxiliar ao ensino de física deve propor uma melhor utilização da linguagem quadrinhística com fins educativos em sala de aula, que não se restrinja ao ferramental demonstrativo de eventuais falhas ou acertos da ciência na forma como é apresentada nas histórias em quadrinhos de ficção científica.
## Referências
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004. CARUSO, F.; SILVEIRA, M. C. Quadrinhos para a Cidadania. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, v. 16, p. 217-236, 2009.
DANTON, Gian. Ciência e Quadrinhos . 1ª Edição. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005.
EISNER, W. Quadrinhos e Arte Sequencial . São Paulo: Martins Fontes, 1989.
GREIMAS A. J. Semiótica do discurso científico e da modalidade . São Paulo: Difusão Editorial, Sociedade Brasileira de Professores de Linguística, 1976.
LEE, Stan; KIRBY, Jack. Biblioteca Histórica Marvel - Quarteto Fantástico n° 1 . Publicada originalmente em Fantastic Four n. 1 a 10, Marvel Comics (1960-1963) Trad. Eduardo Sales Filho, Roberto Guedes. Panini Comics, 2007.
MARCUSCHI, Luiz A .. Da Fala para a Escrita: Atividades de Retextualização . 1ª. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001
PIASSI, Luís P.; PIETROCOLA, Maurício. Quem conta um conto aumenta um ponto também em física: Contos de ficção científica na sala de aula . In XVII SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. Ata do XVII SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. São Luís: UEMA, 2007.
TESTONI,L.A. Um corpo que cai: as Histórias em Quadrinhos no Ensino de Física . Dissertação de mestrado . FEUSP, 2004.
ZANETIC, João. Física também é cultura . 1989. Tese (Doutorado em Educação).Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 1989.
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