ANALISANDO A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID/FÍSICA DESENVOLVIDO NO CAMPUS DA UFF EM SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA NA FORMAÇÃO DOCENTE
Luciano Gomes De Medeiros Junior, Adriana Marmelo Arruda, Samara Da Silva Morett Azevedo, Luciana Ferreira Mendes Ribeiro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 21/01/2025
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ANALISANDO A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID/FÍSICA DESENVOLVIDO NO CAMPUS DA UFF EM SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA NA FORMAÇÃO DOCENTE
## Luciano Gomes de Medeiros Junior 1 , Adriana Marmelo Arruda 2 , Samara da Silva Morett Azevedo 3 , Luciana Ferreira Mendes Ribeiro 4
- 1 Universidade Federal Fluminense/Departamento de Ciências Exatas, Biológicas e da Terra/lucianomedeiros@id.uff.br
2 Professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro/C. E. Dr. Leonel Homem da Costa/prof.adriana.qui@gmail.com
- 2 Professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro/CIEP BRIZOLÃO 275 Lenine Cortes Falante/samorett@yahoo.com.br
3 Professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro/Colégio Estadual Deodato Linhares/lueveraldo@yahoo.com.br
## Resumo
Este relato de experiência analisa o projeto PIBID/Física desenvolvido no Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior, campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Santo Antônio de Pádua. Nosso objetivo é substanciar uma discussão acerca das percepções dos bolsistas sobre os possíveis impactos da implementação do PIBID/Física nas escolas atendidas pelo projeto e a importância do mesmo em suas formações acadêmicas. A pesquisa foi desenvolvida através da análise de um questionário afirmativo com 10 questões, onde usamos uma escala Likert com pontuação par, que submetemos a 21 discentes do curso de Licenciatura em Física, que foram bolsistas de Iniciação à Docência (ID) do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) entre outubro de 2022 e março de 2024. Fizemos também uma pergunta livre, onde pedimos para escreverem os aspectos positivos e negativos de suas percepções do projeto. O projeto PIBID/Física ocorreu em três escolas diferentes, sendo cada uma localizada em uma cidade da região do Noroeste Fluminense. O nosso projeto é voltado para a pesquisa, o desenvolvimento e a construção de experimentos de física com materiais de baixo custo para serem utilizados em todas as aulas ministradas pelos supervisores e bolsistas de ID, tentando fugir ao máximo do ensino tradicional da disciplina física, onde por vezes se prioriza a resolução de exercícios através de fórmulas. Os resultados dos questionários e a análise das questões livres, demostraram que o projeto possibilitou aos discentes vivenciarem diversas situações na prática docente e fez com que aprendessem literalmente na prática a importância da experimentação nas aulas de física. As respostas expressaram que o projeto foi extremamente importante para a formação docente dos futuros professores e também indicou que alguns pontos precisam ser melhorados.
Palavras-chave : PIBID, Experimentos de baixo custo, Ensino Médio.
## O Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior (INFES) e o curso de Licenciatura em Física
A Universidade Federal Fluminense (UFF) se estabelece em Santo Antônio de Pádua em 1985, com a oferta inicial de apenas um curso de graduação (Licenciatura em Matemática). Durante 26 anos, o curso desenvolveu suas atividades no Colégio de Pádua e no CIEP Brizolão 469 Escola Municipal Professora Anaíde Panaro Caldas. Entre 2001 e 2010, os docentes, os servidores e os estudantes dedicaram-se ao projeto de construir em Santo Antônio de Pádua uma unidade de formação de
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
professores - hoje conhecido como Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior (INFES) -, projeto que passou a fazer parte do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFF e que foi concretizado após a formulação de uma política federal de ampliação do Ensino Superior (REUNI), na qual a UFF ofereceu atenção especial à interiorização.
Atualmente, o INFES oferece os cursos de Licenciatura em Matemática, Física, Ciências Naturais, Computação, Pedagogia e Educação do Campo e Bacharelado em Matemática, perfazendo um total de sete cursos de graduação. Além destes, possui 2 cursos de mestrado, o Programa de Pós-Graduação em Ensino, em nível de Mestrado Acadêmico (programa de pós-graduação próprio), e uma parceria com o Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional da EEMIVR (Volta Redonda), também em nível de Mestrado Acadêmico.
O curso de Licenciatura em Física no campus de Santo Antônio de Pádua foi criado em 2010, apoiando-se na Resolução CNE/CES nº 1034/2001, de 06 de novembro de 2001 (Brasil, 2001), que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Bacharelado e Licenciatura em Física. O Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Física de Santo Antônio de Pádua, com ênfase na docência para os dois últimos anos do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, tem enfoque na formação especializada e multidisciplinar. Esse requisito é fundamentado no fato de que o campo de atuação do profissional Licenciado em Física deverá contemplar a Educação Básica nas escolas, para as séries finais do Ensino Fundamental e para o Ensino de nível Médio. Atualmente o curso conta com 109 alunos ativos oriundos de várias cidades distantes da Universidade, o que ocasiona um grande custo para esses alunos, visto que não há moradia estudantil e nem bandejão em nosso Instituto.
É nesse contexto que observamos a importância do PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), juntamente com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e criado para atender aos alunos dos cursos de licenciatura, dando ao magistério a importância que lhe é devida -, e sua ajuda financeira em forma de bolsas é fundamental sobretudo para os discentes que estudam em IES longe dos centros urbanos, tendo portanto que arcar com hospedagem, alimentação e outra despesas que talvez não tivessem se estudassem perto de suas residências.
## O PIBID/Física da UFF de Santo Antônio de Pádua
O desinteresse dos alunos pela disciplina de Física, especialmente em escolas públicas de regiões carentes, é um problema amplamente discutido em diversos artigos. A falta de recursos adequados, o ensino baseado apenas em cálculos e fórmulas abstratas e a ausência de contextualização com o cotidiano dos estudantes são fatores que contribuem para essa desconexão com a disciplina. Segundo Silva (2019), muitos alunos não consideram a Física relevante para suas vidas cotidianas, o que diminui o engajamento nas aulas.
Visando a melhoria do ensino na Educação Básica e um salto de qualidade na formação dos licenciandos, foi criado o PIBID, que é um programa que coloca o discente de licenciatura diretamente em contato com a escola, promovendo a interação entre a Educação Básica e a Educação Superior, indo em busca de concepções de ensino inovadoras e interdisciplinares. São basicamente os objetivos
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do PIBID, de acordo com os documentos oficiais: Incentivar a formação de professores para a educação básica, contribuindo para a elevação da qualidade da escola pública; valorizar o magistério, incentivando os estudantes que optam pela carreira docente" (Brasil, 2009).
Nosso projeto PIBID/Física versa em trabalhar os conceitos da física utilizando experimentos de baixo custo, confeccionados pelos bolsistas de Iniciação à Docência (ID) e professores supervisores da Educação Básica para serem utilizados durante as aulas, como mostra a Figura 1. Buscamos minimizar a ausência de laboratórios didáticos nas escolas, onde algumas delas não possuem sequer espaços físicos para confeccionar tais experimentos.
Figura 01: Experimento sendo manuseado pelo aluno da Educação Básica durante uma aula de Física no Colégio Estadual Deodato Linhares em Miracema.
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Um laboratório didático permite que os alunos experimentem diretamente os fenômenos físicos discutidos em sala de aula. Segundo Alves (2017), a realização de experimentos em laboratório ajuda os estudantes a visualizarem de maneira prática as leis da Física, facilitando a compreensão de conceitos abstratos, como gravitação, eletricidade, e movimento. Isso torna o aprendizado mais significativo e memorável.
Observar na prática alguns conceitos que estão aprendendo em sala de aula, desperta certamente um maior interesse pela disciplina (Nogueira D'ávila, 1999). A demonstração de pequenos experimentos de Física, feitos com materiais de sucatas ou de baixo custo, onde situações do seu dia a dia poderiam ser observadas, relacionaria melhor a teoria aprendida em sala de aula com situações do cotidiano (Batista; Fusinato; Blini 2009) e (Serafin, 2001). De acordo com os PCN+ Ensino Médio:
'é indispensável que a experimentação esteja sempre presente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das competências em física, privilegiando-se o fazer, manusear, operar, agir, em diferentes formas e níveis. É dessa forma que se pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável.' (Brasil, 2002, p. 84).
O objetivo do projeto PIBID/Física é desmistificar o ensino de física na região do Noroeste Fluminense e de inserir o discente da graduação em Licenciatura em Física dentro da sala de aula, mostrando-o desde já a importância dos experimentos simples na contextualização de alguns conceitos.
A prática da sala de aula, em nosso projeto, é o ponto de partida e de chegada no processo de aprendizagem do magistério. Entendemos que a prática deve ser compreendida como um processo de ensino/aprendizagem por meio da qual os futuros professores retraduzem sua formação e a adaptam à profissão, eliminando o que lhes parece inutilmente abstrato ou sem relação com a realidade vivida e
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conservando o que pode servir-lhes de uma maneira ou de outra conforme aponta Tardif (2012).
Os saberes docentes não se limitam a conhecimentos teóricos adquiridos em instituições de formação, mas integram também conhecimentos práticos e experiências vivenciadas cotidianamente em sala de aula. Esses saberes são construídos na interação com os alunos e no contexto específico onde a prática ocorre. (Tardif, 2012, p. 45)
Souza (2016) destaca que os cursos de licenciatura que não proporcionam aos professores em formação inicial uma formação prática, acabam, nesse período, forçando esses futuros docentes a inventarem seu próprio conhecimento concreto com base no trabalho realizado no cotidiano escolar. Em outras palavras, eles aprendem a docência in loco , porém sem uma aprendizagem significativa do magistério. Nosso projeto PIBID/Física, ao contrário, trabalha diretamente na escola de Educação Básica, buscando alternativas didáticas, através dos experimentos, e discutindo metodologias e aprendizagens que substanciem as práticas pedagógicas dos licenciandos.
## Investigando as percepções dos bolsistas de Iniciação à Docência
Para estudar o impacto na formação dos discentes do curso de física no PIBID/Física da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizamos uma pequena pesquisa qualitativa, mais precisamente um relato de experiência, de estudo de caso com os bolsistas de ID participantes do projeto. O relato de experiência é geralmente considerado uma forma de pesquisa qualitativa. Esse tipo de relato descreve e analisa vivências, práticas ou intervenções em contextos específicos, com o objetivo de compartilhar o conhecimento obtido com base na experiência prática. Em pesquisas qualitativas, o foco recai sobre a exploração aprofundada de fenômenos e a compreensão dos significados atribuídos pelos envolvidos, o que está alinhado com os objetivos de um relato de experiência.
Silva (2020, p. 126) destaca, em seu relato de experiência, a importância da contextualização prática para o engajamento dos estudantes no ensino de ciências em escolas públicas e é isso que desejamos nesse trabalho, ou seja, discutir o impacto do PIBID/Física para a formação dos discentes do curso de Física e, para isso, realizamos uma pequena pesquisa qualitativa de estudo de caso com os bolsistas de Iniciação à Docência (ID) participantes do projeto.
Segundo Lüdke e André (1986, p. 13), a pesquisa qualitativa voltada para o estudo de caso: 'vêm ganhando crescente aceitação na área de educação, devido principalmente ao seu potencial para estudar as questões relacionadas à escola'. Assim sendo, o nosso trabalho foi estruturado para substanciar uma discussão acerca das percepções dos bolsistas sobre os possíveis impactos da implementação do PIBID/Física nas escolas atendidas pelo projeto e a importância do mesmo em suas formações acadêmicas.
A fim de analisar o impacto na formação dos futuros professores de Física, que foram bolsistas de ID no projeto PIBID/Física entre 2022 e 2024, elaboramos um questionário, enviado via Formulário Google , com 10 questões afirmativas na escala Likert com pontuação par (Da Silva, 2024) Concordo totalmente; Concordo parcialmente; Discordo parcialmente e Discordo totalmente - e mais uma questão livre, onde pedimos para escreverem os aspectos positivos e negativos de suas percepções
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do PIBID/Física. O questionário foi aplicado a 21 licenciandos, participantes do projeto PIBID/Física logo após o término das atividades, ou seja, em março de 2024.
## Resultados e discussões
## Questionário afirmativo
- 1. O projeto PIBID/Física foi importante para a sua formação acadêmica - para 20 alunos (95,2%) o projeto foi importante. As próximas respostas demostram que alguns fatores foram preponderantes para isso, tais como a interação universidade x escola, vivência da rotina escolar, aprendizagem na confecção de experimentos de física, dentre outros.
- 2 . O projeto PIBID/Física te ensinou a confeccionar experimentos de baixo custo -para 19 alunos (90,5%) ensinou. A construção dos experimentos foi extremamente constante em nosso projeto, uma vez que todas as aulas eram acompanhadas de um experimento. E o fato de trabalharmos com turmas tão distintas, 1°, 2° e 3° Séries do Ensino Médio nas três escolas, fez com que construíssemos experimentos de várias áreas, como podemos observar na Figura 02.
- 3 . O projeto PIBID/Física possibilitou a troca de experiências entre discentes e professores da escola - para 17 alunos (81%) o projeto possibilitou essa troca. Algumas respostas da questão livre indicaram no entanto que podemos aumentar esse percentual.
- 4 . O projeto PIBID/Física desenvolveu atividades multidisciplinares com os alunos da escola - para 'apenas' 13 (61,9%) o projeto desenvolveu atividades multidisciplinares. Percebemos em algumas respostas da questão livre que devemos incluir outros professores e outras turmas nas atividades do PIBID, não ficando restrito às turmas dos supervisores.
- 5 . O projeto PIBID/Física possibilitou a troca de conhecimentos e experiências entre comunidade acadêmica e comunidade escolar - para 18 alunos (85,7%) a resposta foi positiva. De fato o projeto PIBID/Física possibilita essa troca, uma vez que une discentes e docentes da Universidade e professores da Educação Básica trabalhando numa mesma 'equipe' tanto no campus , através das reuniões semanais, quanto na escola durante as aulas.
- 6 . O projeto PIBID/Física contribuiu para ampliar o seu referencial teórico - para 18 alunos (85,7%) sim, contribuiu. Em nossos encontros semanais, discutimos vários artigos de Ensino e Educação, ampliando o referencial teórico e buscando novas técnicas de abordagem nas aulas, sobretudo na demonstração de alguns experimentos.
- 7 . Você usará vários ensinamentos adquiridos no projeto PIBID/Física em sua carreira no Magistério - para 17 alunos (81%) a reposta foi positiva. Os que responderam negativamente são exatamente os que pretendem migrar para outros cursos como a Matemática e/ou Engenharia. Alguns alunos relataram que fizeram vestibular para Física já pensando nessa mudança. Vale ressaltar que todos sem distinção trabalharam muito e gostaram demais de terem participado no projeto.
- 8. O projeto PIBID/Física te possibilitou ministrar algumas aulas na Educação Básica - para 'apenas' 14 alunos (66,7%) o projeto possibilitou que os bolsistas de ID ministrassem aulas na educação Básica. Isso aconteceu basicamente por dois motivos: a) alguns alunos se esquivavam das aulas, já que mudariam de curso e não estavam muito confiantes; e b) o fato de não restarem muitas datas para um aluno
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ministrar mais de duas ou três aulas em um semestre, pois são 08 alunos em cada núcleo. Vale salientar que durante as aulas todos participavam de alguma forma, seja na confecção do experimento, seja na ajuda ao colega na apresentação do mesmo, seja na confecção da parte teórica da aula etc.
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Figura 02: Alguns experimentos construídos pelos bolsistas de ID e que foram utilizados durante as aulas nas escolas participantes do PIBID/Física. São eles: (a) Experimento para o estudo da conservação de energia; (b) Experimento para o estudo de ondas; (c) Experimento para o estudo do eletromagnetismo; (d) Experimento para a aula de corrente elétrica; (e) Experimento para aula de força centrípeta; (f) Experimento para o estudo dos movimentos; (g) Experimento para o estudo dos espelhos planos.
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- 9. O projeto PIBID/Física fomentou discussões sobre a carreira do Magistério na Educação Básica - 17 alunos (81%) responderam positivamente, coerentemente com as respostas da pergunta 3, onde perguntamos se o projeto possibilitou a troca de experiências entre discentes e professores da escola. Isso sem dúvida é muito importante para a formação acadêmica dos futuros professores da Educação Básica.
- 10. O projeto PIBID/Física fez você vivenciar 'de fato' a rotina de uma escola de Educação Básica - para 16 alunos (76,2%) o projeto possibilitou essa percepção, mas esse percentual poderia ser maior e as respostas da questão livre nos deu algumas pistas de como melhorar esse percentual. Nesse projeto PIBID/Física, combinamos de alternar os dias dos alunos às escolas, ou seja, cada semana iam apenas 04 bolsistas de cada núcleo. Combinamos isso porque tínhamos acabado de sair de uma pandemia em 2022 e como duas das três escolas possuem salas muito pequenas e cheias, achamos prudente alternar a frequência dos alunos à escola. Vale ressaltar que os alunos que não estavam na escola, estavam no campus confeccionando os experimentos para a aula seguinte. Isso, sem dúvidas, iremos mudar para o próximo edital do PIBID, ou seja, todos os alunos irão semanalmente à escola.
## Questão livre
A questão que fizemos foi: Escreva pontos positivos e negativos de sua participação no subprojeto PIBID/Física .
## Pontos positivos
Fizemos uma análise minuciosa de todas as palavras e frases escritas pelos discentes e agrupamos as que possuíam significados semelhantes. Por exemplo, quem escreveu 'melhora na didática' consideramos que é uma resposta semelhante a quem escreveu 'aprender e desenvolver um repertório profissional' . Fizemos isso para termos uma visão mais geral do projeto. Entendemos que para um relato de experiência, essa seria uma conduta aceita e que nos traria uma ideia bem satisfatória de como os discentes vivenciaram o projeto. Sendo assim, observamos que as repostas positivas mais citadas foram 'melhoria na didática em sala de aula' (para
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12 discentes); 'aprendizagem de confeccção de experimentos de física' (para 9 discentes); 'vivência da rotina escolar' (para 13 discentes) e 'troca de conhecimentos entre escola e universidade' (para 06 discentes). Algumas repostas individuais foram impactantes, como 'concretização da profissão escolhida' , 'perdi o medo de sala de aula, melhorei o desenvolvimento de trabalho em grupo e me tornei uma pessoa mais proativa' ; 'a oportunidade de colocar em prática o que é aprendido na universidade' ; 'aprender e desenvolver um repertório profissional' , dentre outras. Isso mostra a importância do projeto e sua relevância na concepção individual dos discentes, indicando que cada aluno enriqueceu sua formação acadêmica de acordo com sua percepção de vida e peculiaridades.
## Pontos negativos
Para 09 alunos, o projeto não possui nenhum ponto negativo. Nas demais respostas, tivemos a mesma conduta e agrupamos as que possuíam o mesmo significado. Portanto, observamos que as repostas negativas mais citadas foram 'falta de equipamentos no laboratório da escola' (para 3 discentes); 'mais carga horária na escola' (para 7 discentes); 'não ter tido mais tempo de PIBID na minha graduação' (para 04 discentes). Dentre essas as que certamente iremos modificar nos projetos futuros é a ida dos alunos à escola. A partir dos próximos projetos, todos irão semanalmente à escola.
## Considerações finais
As repostas do questionário afirmativo e da questão livre, mostraram que o desenvolvimento do projeto PIBID/Física foi muito relevante para a formação acadêmica dos discentes envolvidos, pois constataram na prática que a utilização dos experimentos simples de física, confeccionados com materiais de baixo custo, são muito importantes na contextualização da teoria vista em sala de aula.
A interação com os alunos e professores da Educação Básica, durante o desenvolvimento dos trabalhos, contribuiu demasiadamente para o discente entender na prática a relação entre aluno e professor dentro de um ambiente escolar. Felício, Gomes e Allain (2014, p. 342) defende que é no ambiente escolar onde se mais aprende sobre a profissão docente, local em que os licenciandos reconhecem a importância da sua participação dentro do PIBID, principalmente pela chance de 'vivenciar a rotina escolar' .
O projeto identificou que há ajustes necessários na execução e no planejamento das atividades, os quais serão revistos pela equipe para os próximos editais do PIBID. Planejaremos trabalhar semanalmente com a mesma equipe na escola, construindo a maioria dos experimentos no próprio ambiente escolar, o que permitirá uma maior inserção dos discentes de Licenciatura em Física no cotidiano da Educação Básica.
## Referências
ALVES, J. A importância dos experimentos laboratoriais no ensino de Física: visualização prática e compreensão de conceitos abstratos. Revista de Educação e Ciências , v. 12, n. 3, p. 45-60, 2017.
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BATISTA, M. C.; FUSINATO, P. A.; BLINI, R. B. Reflexões sobre a importância da experimentação no ensino de Física. Acta Scientiarum. Humanand Social Sciences , v. 31, n. 1, 2009.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. PCN+ Ensino Médio: Física. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias , p. 84. Brasília, 2002.
BRASIL. Portaria n. 122, de 16 de setembro de 2009. Dispõe sobre ações para a valorização e formação de professores . Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 set. 2009.
BRASIL. Resolução CNE/CES nº 1034, de 6 de novembro de 2001. Diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em áreas do conhecimento da educação superior . Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2001.
DA SILVA, D. Escala Likert: o que é e como ela ajudará suas pesquisas? Zendesk, 2024. Disponível em: https://encurtador.com.br/jBtz3. Acesso em: 03 set. 2024.
FELÍCIO, H. M. S.; GOMES, C.; ALLAIN, L. R. O PIBID na ótica dos licenciandos: possibilidades e limites no desenvolvimento do Programa. Educação. Revista do Centro de Educação , v. 39, n. 2, p. 339-352, 2014.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas . São Paulo: EPU, 1986.
NOGUEIRA D'ÁVILA, A. R. L. Utilização de materiais de baixo custo no ensino de Física . Monografia. Faculdade de Ciências. UNESP, 1999.
SERAFIM, M. C. A falácia da dicotomia da teoria-prática. Revista Espaço Acadêmico , v. 1, n. 7, 2001.
SILVA, M. A percepção dos alunos sobre a relevância da Física para a vida cotidiana e seu impacto no engajamento escolar. Revista Brasileira de Educação em Ciências , v. 10, n. 2, p. 150-165, 2019.
SILVA, M. Relato de experiência no ensino de ciências em escolas públicas . In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO, 10., 2020, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: Editora da Universidade, 2020. p. 123-134.
SOUZA, F. S. Política Nacional de Formação de Professores: Análise da Implementação do PIBID de Matemática pela Universidade Federal Fluminense no período de 2009 - 2013 . 2016. 345 f., Tese (Doutorado em Educação) Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Educação, Niterói, 2016.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional . 14. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
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