PRÁTICAS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICAS EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO DA CIDADE DE VITÓRIA/ES
Luana Biasutti, Patrícia Mara De Queiroga, Erika M. De Souza, Sérgio M. Bisch, Maria Alice Zucoloto, Mikiya Muramatsu, Laércio Ferracioli
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PRÁTICAS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICAS EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO DA CIDADE DE VITÓRIA/ES
## SCIENTIFIC DIVULGATION PRACTICES IN AREAS OF NONFORMAL EDUCATION OF THE CITY OF VITÓRIA/ES
Luana Biasutti , Patrícia Mara B. de Queiroga , Erika M. de Souza , 1 2 3 Sérgio M. Bisch , Maria Alice S. Zucoloto , Mikiya Muramatsu , 4 5 6 Laércio Ferracioli 7
1USP/Mestranda Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências/luanabiasutti@gmail.com 2Praça da Ciência/SEME/ pracaciencia@yahoo.com.br 3Planetário da UFES/UFES e SEME/erikamilenasouza@gmail.com 4 Planetário da UFES/UFES e SEME/sergiobisch@gmail.com 5Escola da Ciência Física/PMV/ecienciafisica@gmail.com 6 Instituto de Física da USP/Depto Física Geral/mmuramat@if.usp.br 7UFES/ModeLab/Departamento de Física/laercio.ufes@gmail.com
Palavras-chaves: Divulgação Científica, Educação Não Formal, Avaliação
## Introdução
- O município de Vitória possui quatro espaços não formais de educação denominados Praça da Ciência , Escola de Ciência -Física , Planetário de Vitória/Observatório Astronômico da UFES e a Escola de Ciência - Biologia e História (Souza et all, 2011) sendo estes gerenciados pela Secretaria Municipal de Educação - SEME, com exceção ao Planetário, que é administrado conjuntamente pela SEME e pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, através Departamento de Física (GODINHO E FERRACIOLI, 2006).
Considerando os três primeiros espaços por possuírem a Física como temática principal, o objetivo desse estudo é levantar as prática de divulgação científica e de avaliação desses três espaços não formais de educação do Município de Vitória. Os resultados representam mais uma etapa de uma série de levantamentos que estão sendo realizados sobre esses espaços na busca da continua melhoria de suas atividades para o atendimento do grande público.
## Marco Teórico
- O Ministério da Ciência e Tecnologia afirma que o Ensino de Ciências e a Divulgação Científica são importantes ferramentas na formação para a cidadania e qualificação científico-tecnológica da sociedade, podendo ser implementada através da visitação a centros e museus de ciência (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA, 2008) caracterizados, aqui, como espaços não formais de educação.
Bianconi e Caruso (2005) apontam a educação não formal como qualquer tentativa educacional organizada que se realiza fora do contexto escolar. Nesse contexto, Ferracioli (2010) entende esses espaços como loci de divulgação científica para construção de uma terceira cultura resultante da articulação da visão centrada na ciência formal sciencentrism - e da centrada no publico publicentrism . Assim, a emergência dessa terceira cultura seria:
'(...) oriunda da contraposição científico-senso comum , para a preparação de um cidadão provido de compreensão global do universo onde está inserido e capacitado para processar informação , gerar conhecimento específico ,
inovar agregando novos olhares ao seu conhecimento e tomar decisões , qualidades mínimas para a sobrevivência de qualquer cidadão na sociedade cada vez mais complexa em que vivemos'. (FERRACIOLI, 2010)
Logo, esses espaços assumem um papel decisivo no movimento de alfabetização científica da sociedade como um todo. Vários são os centros e museus com esse enfoque na educação em ciências, diferenciando-se uns dos outros, seja pela temática específica e pelo tipo de exposições e/ou atividades que oferecem ao público (REBELLO, 2001, apud QUEIROZ et all, 2002).
## Metodologia e Resultados
- O instrumento de coleta de dados foi um questionário com questões abertas e fechadas para a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os espaços considerados. O instrumento foi adaptado de Souza (2008) e abordou seis aspectos: Caracterização Institucional , Visão Institucional , Práticas de Divulgação e Popularização da Ciência , Caracterização das Exposições , Acessibilidade , Formação Profissional do Responsável . Os questionários foram entregues aos responsáveis dos espaços que, após responde-los, reuniram-se com os responsáveis pelo estudo para dirimir qualquer dúvida e complementar as respostas.
- O publico visitante desses espaços atinge a ordem de 51.000/ano (Souza et all, 2011) e os dados revelam que consiste de aproximadamente 50% de estudantes de ensino fundamental, educação infantil e ensino médio em visitas organizadas por professores de escolas. Os demais visitantes são caracterizados por crianças acompanhadas dos pais, estudantes de educação superior, turistas e adultos.
Os dados revelam que os três espaços utilizam diversas atividades para a divulgação e popularização da ciência em seu espaço físico, tais como, exposições permanentes, exposições temporárias, cursos, palestras, oficinas, mostras de vídeos. As atividades são, também, praticadas fora dos espaços, incluindo exposições itinerantes, participação em mostras científicas, Semanas Nacionais de C&T, atividades com turmas de alunos nas próprias escolas, exposições em shoppings e Rodoviária de Vitória, participação no Circuito Metropolitano de Divulgação da Ciência. Foi observada a realização de atividades interativas de rua diferenciadas, tais como, observação do céu a olho nu e com telescópios de efemérides astronômicas, tais como eclipses, observações de planetas.
A realização de avaliação das visitas, ainda que com o foco no levantamento de opinião, está presente nos três espaços. O Planetário de Vitória a realiza junto aos estudantes e docentes logo após a visitação. A Praça da Ciência a realiza junto ao público em geral. Já a Escola da Ciência-Física realiza uma avaliação com aos professores que levam os estudantes para as visitas e uma auto-avaliação da equipe. Apesar da avaliação estar presente, observa-se a inexistência de um setor ou responsável específico para a sistematização dessa fundamental atividade.
## Considerações Finais
Os resultados desse trabalho, um recorte de um levantamento maior sobre espaços não formais de educação de Vitória-ES, revelam que os espaços centrados na temática da Física, vêem desenvolvendo suas atividades na perspectiva das premissas preconizadas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia quanto a formação para a cidadania e qualificação científico-tecnológica da sociedade articulando o Ensino de Ciências e a Divulgação Científica. A continua articulação desses espaços não-formais de educação com a educação formal, através da visitação de
estudantes da educação básica, revela, também, o seu engajamento na busca da construção de uma terceira cultura pautada no provimento de uma formação mínima do cidadão de nossa sociedade atual.
No tocante a avaliação, a iniciativa á restrita na perspectiva de se verificar a real contribuição dessas atividades na formação científica do visitante. Esse fato não é só observável no Espírito Santo. Souza (2008) aponta que as iniciativas dessa natureza tendem a ser precárias: poucos fazem, e os que fazem, em geral, não possuem mecanismos claros e adequados. No entanto, a inclusão da avaliação nos espaços de Vitória, ES, ainda que em caráter preliminar, revelam a preocupação com o produto final a ser apresentado ao público alvo e refletem a busca da continua melhoria de suas atividades incluindo, naturalmente, o parâmetro avaliação na construção da terceira cultura.
Finalizando, o levantamento do perfil desses espaços do município de Vitória/ES consiste, então, no passo inicial para o delineamento de uma metodologia avaliativa específica do impacto causado pelas atividades de divulgação científica desenvolvidas em ambientes dessa natureza.
## Referências
BIANCONI, L. M. e CARUSO, F. Educação Não-Formal . Revista Ciência e Cultura. V. 57, n°4, p20. São Paulo. 2005.
FERRACIOLI, L. Albert Einstein: Ciência, Cultura e Arte. In KNOBEL, M. & SCHULZ, P. (Org.) Einstein: Muito Além da Relatividade . São Paulo: Instituto Sangari. 2010.
GODINHO, M. J. de F. e FERRACIOLI, L. World Wide Applicable Solutions: Local Initiatives for Science and Technology Education in Vitória, Espírito Santo Brazil . In: International Organization for Science and Technology Education (IOSTE), XII IOSTE Symposium, Malaysia Penang, 30 July - 04 August, 2006.
MINISTÉRIO DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA. Divulgação e Popularização da Ciência e Tecnologia . Brasília: MCT. 2008. Disponível em: http://www.mct.gov.br/. Acessado em: 7 de agosto de 2010.
QUEIRÓZ, G.; KRAPAS, S.; VALENTE, M. E.; DAVID, E.; DAMAS, E.; FREIRE, F. Construindo Saberes da Mediação na Educação em Museus de Ciências: O Caso dos Mediadores do Museu de Astronomia e Ciências Afins/ Brasil . In: I Encontro Ibero-americano Investigação em Educação em Ciências, Burgos, Espanha, 16-21 Set, 2002.
REBELLO, L. O perfil educativo dos museus de ciência da cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado da UFF, Niterói, 2001.
SOUZA, A. V. da S. de. A Ciência Mora Aqui: Reflexões Acerca Dos Museus E Centros De Ciência Interativos Do Brasil . Dissertação Mestrado Programa de Pós-Graduação Interunidades História da Ciência e da Técnica e Epistemologia do Conhecimento Científico, Universidade Federal Rio de Janeiro, R.J., 2008.
SOUZA, E.M.; BISCH, S. M.; GODINHO, M. J. de F.; ZUCOLOTO, M.A.S.; QUEIROGA, P.; CONTI, R. & FERRACIOLI, L. Centros de Ciência, Educação e Cultura: Um Relato de Atividades de Espaços Não-Formais de Educação do Município de Vitória, ES . In Proceeding of 12th Biennial Meeting of Network for the Popularization of Science and Technology in Latin America and the Caribbean. Campinas, Brazil, 29 May-02 June, 2011. Trabalho aceito para Comunicação Oral.
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