PROPOSTA DE MODELO EXPOGRÁFICO PARA O PÁTIO DA CIÊNCIA: A EXPOSIÇÃO EM ESPAÇO EDUCATIVO NÃO-FORMAL
Letícia Carvalho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 21/01/2025
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PROPOSTA DE MODELO EXPOGRÁFICO PARA O PÁTIO DA CIÊNCIA: A EXPOSIÇÃO EM ESPAÇO EDUCATIVO NÃO-FORMAL
Letícia Carvalho Veloso Viana 1 , Marcus Carrião dos Santos 2
1 Universidade Federal de Goiás / Faculdade de Informação e Comunicação - FIC leticia\_veloso@discente.ufg.br
2
Universidade Federal de Goiás / Instituto de Física - IF
mscarriao@ufg.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta a construção de um template expográfico (facility report) para o Pátio da Ciência, projeto de extensão do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (UFG). Este projeto de extensão universitário busca oferecer experiências diversificadas e interdisciplinares aos visitantes, aproximando a academia da comunidade, além de contribuir com a interatividade e com a abordagem lúdica sobre assuntos tratados em ambientes de ensino formal, complementando, assim, a aprendizagem. Com os objetivos de nortear a execução das exposições e desenvolver novas propostas de exposições temáticas para o Pátio da Ciência, estruturou-se um template expográfico a fim de consolidar o projeto de extensão como um museu de educação científica não-formal. Para isso, definiu-se os critérios e tópicos necessários a compor o modelo expográfico e aplicou-se na realidade do Pátio, alcançando uma proposta conceitual, que não envolve desenho técnico, do template. A primeira aplicação já está sendo desenvolvida na exposição temática 'Universo: Energia e Matéria', a qual será um norte para as demais a serem estruturadas.
Palavras-chave : Template expográfico, Ensino não-formal, Pátio da Ciência
## Introdução
Espaços dedicados à divulgação da ciência e tecnologia desempenham um papel crucial na educação científica da população em geral e, especialmente, de jovens estudantes. Essas iniciativas são essenciais ao tornar o conhecimento científico mais acessível e compreensível para todos, promovendo a popularização da ciência. Além disso, incentivam jovens a considerar carreiras científicas, complementam o ensino formal de ciências e inspiram estudantes a se dedicarem aos estudos de maneira mais interessada e prazerosa. Em sentido mais amplo, podem contribuir para a maior valorização social da atividade científica. Dentro desta perspectiva, o Pátio da Ciência (www.patiodaciencia.ufg.br) é um ambiente de experimentação e descoberta científica baseadas em visitas guiadas, mediadas por alunos de graduação.
- O Pátio da Ciência é um espaço público, um centro de ciências aberto à visitação da comunidade. Com o objetivo de divulgar, popularizar a ciência e contribuir para uma alfabetização científica, recebe visitantes, em geral escolas de ensino médio, e dispõe de demonstrações de experimentos, em sua maioria, das áreas da Física e da Química. Como um projeto de extensão universitário, busca proporcionar também experiências universais a todos os visitantes, disponibilizando
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
a eles uma gama de interdisciplinaridade e possibilidades múltiplas de aprendizado. Para tal, o Pátio da Ciência possui espaços que possibilitam esse intercâmbio de ideias e que buscam aproximar a comunidade à área acadêmica (CARVALHO, 2022).
Além disso, por sua proposta de ensino não-formal, necessita de constante atualização de conteúdo e forma, renovação dos espaços e dos eixos temáticos, não pode e nem deve ser permanente. Portanto, urge, também, a necessidade de se estruturar como entidade museológica, com os objetivos de nortear as transformações expográficas a serem constantemente propostas e pensar exposições temáticas a serem desenvolvidas.
## Referencial teórico
O Pátio da Ciência, primordialmente, é um museu, conforme a definição de museus de 2022 do Instituto Internacional de Museus (ICOM), que propõe o ensino científico de maneira não-formal, ou seja, extrapola os limites de uma sala de aula e consegue alcançar até aqueles que se encontram fora do ambiente escolar. Bianconi e Caruso (2005) definem que educação não-formal não ocorre acidentalmente, como nas situações de ensino informal nas quais a pessoa adquire conhecimento empírico através da experiência e das vivências do dia a dia. Ou seja, o sistema não-formal também é fruto de tentativas educacionais organizadas e sistematizadas, em geral, realizadas fora do sistema formal de ensino.
A partir de uma parceria museu-escola, o Pátio utiliza de uma atividade não-formal de educação científica (uma exposição museológica) para receber as escolas interessadas e abordar conteúdos já ensinados em sala de aula ou a serem ensinados, de forma mais lúdica, didática e interativa. Conforme Barker (1994), a interatividade é um mecanismo fundamental para a aprendizagem, ideia reforçada por Wellington (1990), que entende que exposições museológicas, particularmente, neste caso, interativas/hands on, geram estímulos nos visitantes, levando-os a se interessarem por assuntos de ciência e tecnologia. Aqui destaca-se, também, a importância de espaços de ensino não-formal aliados à educação formal, pois se reforçam mutuamente, principalmente por entender que as atividades museológicas motivam a aprendizagem, consoante Hofstein e Rosenfeld (1996).
Para a estruturação de um modelo de projeto expográfico, a fim de atender a um modelo sistematizado de ensino, buscou-se primeiro compreender qual a função de um museu e sua principal necessidade. Segundo Cury (2006, p.9), contemporaneamente a função principal da instituição museu é a de comunicação e
'a principal forma de comunicação museológica é a exposição, ocasião em que o público tem a possibilidade de [...] ter contato com o passado da humanidade e construir seu lugar no mundo'. (Cury, 2006, p.9)
## Metodologia
O presente trabalho é pautado nas disposições de Marília Xavier Cury (2005), no método expositivo proposto pela autora de três etapas primordiais para dar-se uma exposição e cumprir o primeiro objetivo, nortear as transformações
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expográficas a serem constantemente propostas. Observa-se que, nas discussões supracitadas, já conclui-se a primeira: pensar. Qual o objetivo de um template expográfico para o Pátio da Ciência? Nortear as transformações expográficas a serem constantemente propostas, a fim de divulgar, popularizar a ciência e contribuir para uma alfabetização científica.
A segunda etapa conta com o planejar, definir os elementos básicos de uma exposição e seus níveis de interação com os visitantes. Esse momento da produção efetiva de um template expográfico será descrito posteriormente na seção 'resultados' do presente trabalho, na relação entre necessidade e aplicação ao Pátio da Ciência, haja vista que atende mais diretamente ao segundo objetivo proposto, pensar exposições temáticas a serem desenvolvidas.
A terceira e última etapa é executar a exposição e possui mais 4 passos: equipe, divulgação, orçamento e avaliação. Em relação à equipe, é interessante contar com competências específicas, de acordo com as necessidades apresentadas na definição dos elementos da exposição e do espaço. O Pátio conta, atualmente, com uma equipe de 19 monitores, que revezam de acordo com uma escala pré-definida. Contudo, aos moldes do espaço e da exposição atual, há a necessidade de, no mínimo, 10 monitores presentes para mediarem a visita. Além do mais, o Pátio conta com uma estrutura hierárquica de funções, com coordenações e monitores específicos para cada área.
A divulgação contempla todos os materiais, físicos ou digitais, a serem veiculados ou expostos sobre a exposição. Aqui, analisam-se a identidade visual do museu, a da exposição, os elementos temáticos, a narrativa proposta e o público alvo. A partir disso, organizam-se banners, panfletos, bottons, peças publicitárias, materiais para redes sociais (artes feed e story, fotos, vídeos, reels), matérias para site, release, briefing etc., todos os elementos de uma divulgação integrada. No caso do Pátio, os principais meios de divulgação físicos são banners e bottons e, digitais, são materiais para Instagram (patiodaciencia\_ufg/) matérias para site (www.patiodaciencia.ufg.br) e release.
Sobre orçamento, é um panorama geral que indica a origem dos recursos para cada item, implementação e manutenção da exposição. No caso do Pátio da Ciência, um projeto de extensão vinculado a uma universidade, os custos de produção e manutenção dependem de critérios específicos da instituição e não despendem onerosamente ao Pátio. Nesse sentido, o orçamento do projeto depende, basicamente, com gastos na divulgação (com produção de banners, panfletos, bottons etc.) e com adicionais de acordo com a especificidade da exposição.
Enfim, sobre a avaliação, é uma ferramenta utilizada para a compreensão e aprofundamento do trabalho desenvolvido em uma exposição. Cabe dividi-la em dois momentos: uma avaliação interna, da equipe para a equipe, sobre o trabalho realizado; uma avaliação externa, dos visitantes para a equipe, sobre a experiência na exposição. Para isso, o Pátio desenvolveu dois formulários google especificamente para tais avaliações (Avaliação para a equipe - Avaliação para os visitantes), que contam com os tópicos sobre infraestrutura, acessibilidade, monitores, pontos positivos e negativos, conteúdo e apresentação.
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## Resultados & Discussão
Ao que interessa de resultados a essa pesquisa, desdobra-se a segunda etapa, planejar uma exposição, a fim de que o template expográfico museológico possa ser estruturado e uma nova exposição temática desenvolvida. O primeiro passo é ter bem definido um local, onde e o quê pode ser feito estruturalmente no espaço da exposição. O Pátio da Ciência localiza-se entre os Institutos de Física e Química da UFG, no campus Samambaia, possui cinco estandes, seis vitrines, um palco de demonstrações e uma galeria de fotos no interior do prédio do Instituto de Física. Em todos esses ambientes há um planejamento de acessibilidade, tanto para pessoas com mobilidade reduzida quanto para níveis diferentes de faixa etária. Há ainda a possibilidade de adaptação para pessoas com baixa visão ou com deficiência auditiva.
Figura 01: Planta baixa do local do Pátio da Ciência
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O segundo passo é definir um nome para a exposição, de fácil entendimento e de rápida memorização, e que gere identificação com o que será apresentado. Por exemplo, a exposição intitulada 'Universo: Energia e Matéria' é a primeira ideia a ser desenvolvida no Pátio da Ciência e refere-se aos componentes primordiais, matéria e energia, explicados em forma de experimentos. O terceiro passo é pensar na duração e nas datas de início e término de uma exposição, a fim de atender a demanda dos visitantes. Como o Pátio costuma receber visitas marcadas de
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escolas, o ideal é um tempo de duração proporcional ao calendário letivo, haja vista que as escolas precisam de um processo preparatório interno para levarem os estudantes e, por outro lado, garantindo a possibilidade que estes consigam retornar mais de uma vez por ano e visitarem sempre novos conteúdos. Nesse sentido, organiza-se uma exposição trimestral que possibilite continuidade e diversidade de aprendizagem com correspondência a um ano letivo no ensino formal.
- O quarto passo é organizar o acervo, ou seja, criar narrativas com os objetos que se encontram na reserva técnica do museu e elaborar uma abordagem diferente para os experimentos que não estiverem diretamente ligados ao tema ou criar novos objetos que se encaixem na narrativa proposta. O Pátio apresenta tanto um acervo já definido, com experimentos interativos, demonstrações, atividades (galeria, vídeos) e vitrines (imagens), quanto a possibilidade de criação de novos experimentos por parte dos monitores. Aqui, também, observam-se três tipos de interatividade propostas -a interatividade manual ou da emoção provocadora (hands on); a interatividade mental ou da emoção inteligível (minds on) e a interatividade cultural ou da emoção cultural (heart on) -conforme Wagensberg (2001), que afirma que
'Experimentar é conversar com a natureza. Pensar é conversar consigo mesmo. E um bom museu propicia também a conversa entre os visitantes'. (Wagensberg, 2001, p.23)
A partir disso, o quinto passo é definir o conceito, a intencionalidade da exposição, ou seja, precisamos saber o que se quer dizer, para então desenvolver a maneira mais adequada possível para dizê-lo. Aqui entra o planejamento integrado de espaço, conteúdo temático e acervo. O quê fica onde e pra quê. Conforme Farias
'[...] os museus devem ser apreendidos como espaços de informação, no qual se realizam processos comunicacionais, que conjugam recursos museais diversos em forma de uma narrativa expográfica, pela qual são expressos: ideias, conceitos, propostas.' (Farias, 1990, p.2)
De posse dos passos anteriores, chegamos ao sexto e último, a narrativa. Toda exposição conta uma história, o que implica em uma série de escolhas de camadas informacionais (visuais, sonoras, tecnológicas, acessíveis) que deverão nortear o começo, meio e fim da exposição. Pensando na narrativa, o Pátio da Ciência desenvolveu um texto base e, a partir dele, desenvolveu os vários módulos que irão compor a exposição. Esse texto serve também para nortear os organizadores das exposições futuras, além de indicar um texto a ser criado e compartilhado com os visitantes, explicando a exposição.
À vista dos objetivos propostos, um template expográfico foi desenvolvido para o Pátio da Ciência, contemplando todos os itens anteriormente dispostos e, ainda, contendo um texto de orientação (nomeado 'argumento') para a equipe que desenvolverá a exposição. O template contém, em sua estrutura, os tópicos principais: Título, Duração, Argumento, Apresentação, Espaços, Acervo, Vitrines, Atividades, Divulgação, Orçamento e Avaliação. Cabe ainda ressaltar que esse template ou facility report é uma proposta conceitual, que não envolve desenho técnico.
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Figura 02: Modelo de template estruturado
## Conclusão
Infere-se, por conseguinte, a importância da divulgação científica e tecnológica que propõe a educação científica da população em geral e de jovens estudantes. O Pátio da Ciência integra esse meio como centro de ciências que tem como objetivos divulgar, popularizar a ciência e contribuir para uma alfabetização científica em ambiente não-formal. Por isso, o Pátio da Ciência entende-se, também, como um museu de ciências, pois busca desenvolver exposições e manter estreita a comunicação com os visitantes, promovendo aprendizado por meio da interatividade. Com os objetivos deste presente trabalho alcançados, os quais a definição de um modelo de template expográfico e o desenvolvimento de novas propostas de exposições temáticas, iniciou-se, inclusive, a estruturação da exposição temática 'Universo: Energia e Matéria', que está sendo desenvolvida no formato expográfico proposto e é o alicerce para as demais a serem planejadas.
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## Referências
BARKER, P. Designing interactive learning . In: JONG; T.; L. SARTI (Eds.) Design and Production of Multimedia and Simulation-based Learning Material. Dordrecht: Kluwer Academic, 1994.
BIANCONI, M. L.; CARUSO, F. Educação não-formal . Ciência & Cultura, v. 57, n. 4, p. 20-20, out.-dez. 2005.
CARVALHO, L. Pátio de todas as ciências . Disponível em: https://patiodaciencia.ufg.br/n/162983-patio-de-todas-as-ciencias. Acesso em: 10 jul.
2024.
CURY, M. X. Exposição - Concepção, Montagem e Avaliação . 1ª ed. São Paulo: Annablume, 2006.
FARIAS, S. M. A exposição como meio de comunicação museológica . Disponível em:
https://arquimuseus.arq.br/seminario2012/conteudo/eixo\_02/e02\_a\_exposicao\_como \_meio\_de\_comunicacao\_museologica.pdf . Acesso em: 10 jul. 2024.
HOFSTEIN, A.; ROSENFELD, S. Bridging the gap between formal and informal Science Learning . Studies in Science Education, v. 28, p. 87-112, 1996.
WAGENSBERG, J. Principios fundamentales de la museología científica moderna . 22-24, abril/junho, 2001. Disponível em:
In: Patrimonio, museos y ciudad. Cuaderno Central. Barcelona, n. 55, p. https://ocw.ehu.eus/pluginfile.php/53801/mod\_resource/content/1/Wagensberg\_2001
.pdf. Acesso em: 10 ago. 2024.
WELLINGTON, J. Formal and informal learning in science : The role of the interactive science centres. Physics Education, v. 25, p. 247-252, 1990.
## Glossário
Acervo: Conjunto de bens pertencentes a algo ou alguém;
Exposição: Do latim expositione , é uma apresentação organizada e exibição de uma seleção de itens;
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
Interatividade: capacidade de interagir, engajar e participar em um determinado contexto
Museu: Instituição dedicada a buscar, conservar, estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico etc.;
Projeto de Extensão: Ação processual e contínua de caráter educativo, social e cultural, científico ou tecnológico, com objetivo específico e prazo determinado;
Facility Report: Orientações para o uso dos espaços expositivos;
Template Expográfico: Modelo ou estrutura que guia a elaboração do layout e disposição do conteúdo em uma exposição.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.