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O uso das HQs, na proposta do PNLD, mediante a análise de conteúdo do Guia do Livro Didático de Ciências e Física de 2010 a 2020

Rui Narciso Alves, Alexandre Campos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
21/01/2025
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O uso das HQs, na proposta do PNLD, mediante a análise de conteúdo do Guia do Livro Didático de Ciências e Física de 2010 a 2020

## Rui Narciso Alves 1 , Alexandre Campos 2

1 Universidade Federal de Campina Grande, Departamento de Física, rui.narcs7@gmail.com

2

Universidade Federal de Campina Grande, Departamento de Física, alexandre.campos@df.ufcg.edu.br

## Resumo

Este estudo, realizado em âmbito de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), observa a utilização das Histórias em Quadrinhos (HQs) como recurso pedagógico no contexto educacional brasileiro, e a sua articulação com os critérios estabelecidos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para os livros de Ciências e Física através da análise de conteúdo aplicada ao Guia do Livro Didático (GLD) entre o período de 2010 a 2020. A pesquisa investiga como as HQs são abordadas nos livros didáticos, suas funções pedagógicas e como essas abordagens refletem os critérios estabelecidos pelos editais do PNLD. As HQs possuem um potencial significativo para enriquecer o processo de ensino ao incorporar metáforas, analogias e reflexões sobre contextos sociais, contudo, aparecem com pouca frequência nas resenhas disponibilizadas pelo GLD, estando, na maioria das vezes, associadas à linguagem e à comunicação, de forma semelhante a como foi introduzida academicamente no ensino. Na investigação, é possível observar que, com o passar do tempo, o desenvolvimento quanto a sua utilização, ao auxiliar na articulação, aprofundamento, e contextualização do conteúdo de Física e de Ciências.

Palavras-chave : Histórias em Quadrinhos. PNLD. Educação.

## Introdução

Enquanto sociedade moderna moldamos e somos moldados pelas mais diversas formas de expressões culturais presentes em nosso cotidiano, psicologicamente e socioculturalmente influenciados pelos suportes midiáticos que permeiam nossa rotina. Muitas são as abordagens e metodologias de ensino que se preocupam com a necessária contextualização e articulação entre os conteúdos estudados e aplicados em sala de aula e as vivências da esfera sociocultural em que o educando se insere.

Assim, essas formas de expressões culturais, encontram-se presentes e justificadas nas mais diversas propostas pedagógicas: materiais de potencial pedagógico, recursos didáticos, ferramentas didáticas, objetos educacionais. Tais propostas estão presentes em sequências didáticas e atividades práticas, como suporte para a discussão de conceitos e situações problemas, exploradas em seus mais diversos usos.

Tomando como exemplo as Histórias em Quadrinhos (HQs), e lançando um olhar à sua capacidade de agregar valor à produção de sentidos, seja explorando metáforas e analogias, seja desbravando os contextos sociais que possibilitam identificação e ressignificação de sentidos nos indivíduos, temos um recurso pedagógico com incrível potencial (SANTOS; NEVES, 2022). As HQs como conhecemos são o resultado de um processo de construção histórico-social, artefatos

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20 a 25 de janeiro de 2025

culturais da nossa contemporaneidade, de modo a também produzir e representar significados, mudanças e permear o desenvolvimento de um indivíduo e de uma sociedade.

Esta expressão artística, marginalizada nos seus primeiros anos de vida, começa a ser experimentada academicamente somente na década de 1980. Porém, segundo Vergueiro e Ramos (2013), é somente com a virada entre os séculos XX e XXI que uma nova fase para os quadrinhos se inicia. Nessa virada, as HQs que se encontravam em meio a um processo de reavaliação, gradativamente passam a serem entendidas pela sociedade para além de uma leitura exclusiva para crianças, desvencilhando-se da percepção negativa enquanto meio de comunicação de massa e elemento de desvirtuação da juventude (SETUBAL; REBOUÇAS, 2015, p.322) para serem compreendidas como um meio de 'transmissão de saber'.

Em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as HQs passam a serem inseridas oficialmente nas escolas brasileiras, atuando sobre a necessidade de inserção de outras linguagens e manifestações artísticas contemporâneas no ensino básico (VERGUEIRO; RAMOS, 2013). Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) dos anos posteriores, os quadrinhos apareceriam nas propostas de maneira explícita, interpretados como gênero literário, o que reflete no predomínio de títulos que eram adaptações de obras clássicas da literatura universal (VERGUEIRO; RAMOS, 2013).

As primeiras manifestações das HQs, no que se refere aos PCNs voltavamse à necessidade de exposição a uma diversidade de gêneros, restrita exclusivamente ao ensino de língua portuguesa, ao desenvolvimento de práticas comunicativas diárias, e da leitura, mesmo neste âmbito, pouco exploradas (MENDONÇA, 2002). Atualmente, contempla a necessidade de trabalhar, interdisciplinarmente, com diferentes linguagens, meios de comunicação, e suportes, como previsto pelos critérios avaliativos estabelecidos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), refletidos sobre todas as obras didáticas, pedagógicas e literárias distribuídas a rede escolar pública.

É importante esclarecer que não temos a intenção de categorizar as HQ como gênero textual, literário ou linguagem própria. Essa interpretação é aquela adotada diante o conjunto de documentos analisados, os editais e guias do PNLD. Assim, as tomaremos aqui como uma forma de arte, por uma perspectiva semiótica, como narrativa gráfico-visual, tomando a perspectiva de Eisner (1989), onde encontramos nas HQs uma bem sucedida hibridização de palavras e imagens, elementos específicos que assumem a característica de uma linguagem, que se vale da experiência visual comum ao criador e ao público.

Compreendemos, dessa maneira, os aspectos que sustentam a abordagem das HQs para além do texto exclusivamente verbal ou imagético, sendo abordados, ou não, nos materiais analisados. Diante desta perspectiva busca-se observar quais critérios e parâmetros estabelecidos pelos Editais do PNLD articulam-se às HQs, e os derivados desta linguagem: tirinhas, cartuns e charges 1 .

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Em seu trabalho 'As histórias em quadrinhos como linguagem fomentadora de reflexões: uma análise de coleções de livros didáticos de ciências naturais do ensino fundamental' Kamel e La Rocque (2006) pautando-se na percepção de que as HQs, enquanto recurso pedagógico, estariam sendo subutilizadas, apesar de seu grande potencial pedagógico, norteando-se na capacidade do material de oferecer significados relacionáveis para os alunos, e na influência que o meio de comunicação em massa teria sobre o público infanto-juvenil, em sua análise, apontam para um uso do quadrinho voltado para enriquecer e diversificar o material didático, trazendo para a sala de aula, materiais que fazem parte do contexto social dos estudantes. De modo que, os livros de Ciências Naturais seguem as propostas dos PCN e PNLD, oferecendo diversidade textual, ainda que com pouca articulação com os tópicos curriculares.

Esse trabalho motiva esta pesquisa, que pretende investigar como as HQs, e seu uso, são compreendidos, atualmente, na proposta do PNLD, mediante as análises fornecidas pelo Guia do Livro Didático (GLD), no que se referem às HQs e sua inserção nos Livros Didáticos (LD) e, posteriormente, compreendidas diante os critérios estabelecidos pelos Editais do PNLD, para os livros de Ciências e Física. O que deve retornar o cenário geral de como se dá a articulação entre quadrinhos, tirinhas, charges e os LDs.

## Aspectos Metodológicos

Para investigar como as HQs aparecem na proposta do PNLD atualmente, partiu-se da análise do GLD, de Ciências, Anos Iniciais (AI) e Anos Finais (AF) do Ensino Fundamental (EF), e de Física, para o Ensino Médio (EM); e dos critérios estabelecidos pelos editais de convocação para inscrição no processo de avaliação e seleção de obras didáticas a serem incluídas no GLD do PNLD, para os livros de Ciências e Física. Ambos os materiais referentes ao PNLD entre o período de 2010 a 2020.

A análise do material foi realizada através da proposta de Análise de Conteúdo de Bardin (1997, p.31) caracterizada como um conjunto de técnicas de análises de discursos diversos, e como procedimento de pesquisa que parte da mensagem - expressão de significado e sentido, cuja emissão está vinculada às condições contextuais, isto é, aspectos históricos, econômicos e socioculturais, de seus produtores. - e do pressuposto de uma linguagem compreendida como construção real de todas as sociedades (FRANCO, 2005). A Organização da Análise de Conteúdo proposta por Bardin (1997, p.95) é realizada em três etapas: pré-análise, exploração do material, e tratamento dos resultados e interpretações, descritas a seguir.

## Pré-análise

Nessa etapa são selecionados e organizados os textos que serão analisados. Como esperado, nos familiarizamos com os documentos escolhidos a priori, isto é, por determinação do pesquisador, um conjunto suscetível a fornecer informações sobre o problema levantado (BARDIN, 1997, p.96). Voltamo-nos aos GLD,

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identificando entre as resenhas das obras aprovadas, menções diretas aos termos 'histórias em quadrinhos' ou 'HQ', 'tirinhas', 'cartuns' e 'charges', inicialmente em uma leitura flutuante, posteriormente, identificando os índices que seriam explorados pela análise, como pode ser observado no quadro abaixo onde se destaca a relação entre a abordagem, ou definição, dada à HQ, e a finalidade ou aplicação destinada:

Quadro 1 - Abordagem e finalidade atribuída às HQs nos GLD (2010-2020)

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## A exploração do material

Essa etapa consiste na aplicação sistemáticas das decisões tomadas durante a pré-análise, onde a análise não é mais que a administração sistemática dessas decisões, e na realização de operações de codificação, desconto ou enumeração conforme regras pré-definidas (BARDIN, 1997, p.101).

Parte-se do mapeamento de como se dá a utilização das HQs no LD, como são designadas ou abordadas, e qual finalidade lhe é atribuída, mediante análise das resenhas fornecidas nos GLDs, para se identificar e classificar os elementos que serviram à proposta do trabalho, tem-se por objetivo relacioná-los aos critérios estabelecidos pelo PNLD. Esses elementos foram designados como os parâmetros norteadores à análise:

- 1. As HQs como parte do Projeto Gráfico do LD;
- 2. As HQs associadas à linguagem, comunicação, como variedade de gênero textual ou literários;
- 3. As HQs associadas a atividades;
- 4. As HQs como recurso, objeto, estratégia ou abordagem de ensino;
- 5. As HQs associadas ao lúdico ou a motivação da aprendizagem.

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## Resultados e interpretações:

Com os resultados à disposição, nesta etapa, promove-se a proposição de inferências e interpretações em relação aos objetivos e hipóteses estabelecidos. Essas inferências e resultados obtidos devem servir de base para exploração de novas dimensões teóricas ou práticas, como propõe Bardin (1997, p.101).

Os critérios relacionados aos aspectos gráfico-editoriais das obras, com relação às ilustrações, são os mais consistentes ao longo do período analisado, inclusive quando direcionados a diferentes etapas de ensino. Esse aspecto do Edital do PNLD engloba explicitamente as HQs, bem como tirinhas, charges, e cartuns, quando os consideramos como ilustrações, figuras, ou discurso imagético. É interessante observar que apenas nos anos de 2010, 2019 e 2020 aparecem entre os critérios a utilização de ilustrações que dialogam com o texto, e exploram ao máximo as várias funções que as imagens podem exercer no processo educativo.

Com relação às HQs associada à linguagem, comunicação e variedade de gêneros textuais, atividades, e como recurso, objeto ou estratégia de ensino, buscouse estabelecer a partir da observação ao longo das seções destinadas aos critérios eliminatórios para o componente curricular Ciências e Física e da seção Manual do Professor, aqueles aspectos que enquadram e apoiam as designações tomadas como parâmetros. Os Editais dos anos de 2019 e 2020 não contam com os critérios eliminatórios específicos do componente currículo de ciências e, portanto, não foram considerados nesta análise.

Já o aspecto lúdico, onde as HQs poderiam ser abarcadas, é explicitamente apontado entre os critérios apenas nos editais referentes aos AIs e aos AFs do EF.

Esta análise nos revela que, apesar da pouca frequência com que os quadrinhos aparecem nas resenhas disponibilizadas pelos GLDs, essas são bem suportadas pelas propostas e critérios que os PNLDs aplicam.

De fato, se tomarmos, como fizemos, apenas os critérios relacionados a estes parâmetros, ainda encontramos propostas não exploradas, como: tratar, de forma articulada, tópicos conceituais que são claramente inter-relacionados na estrutura conceitual da ciência Física e introduz/apresenta cada tópico ou assunto mediante a necessária problematização; colaborar com o debate sobre as repercussões, relações e aplicações do conhecimento científico na sociedade, buscando uma formação para o pleno exercício da cidadania; atividade organizada em sequências visando uma progressão nas aprendizagens e autonomia dos alunos; esse último, por exemplo, vem sendo frequentemente abordado nas produções acadêmicas relacionadas às HQs.

Além disso, deve-se considerar as propostas para o uso das HQs que aparecem de forma vaga quando descritas nas resenhas, de modo que não se pode dizer se os critérios colocados pelos editais são de fato contemplados, se as HQs estão devidamente articuladas com o conteúdo do LD e se contribuem, de fato, com a compreensão do texto, da atividade, ou com a finalidade a qual foi aplicada.

As HQs estão, na maioria das vezes, associadas à linguagem, comunicação, variedade de gêneros textuais e literários, de forma semelhante a como foi introduzida academicamente no ensino, abarcando o hall das ilustrações constituintes do projetográfico do LD. No entanto, é possível ver a diversificação na abordagem, ao longo

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dos anos, bem como suas diferentes aplicações. Embora, majoritariamente, sua finalidade debruce-se em articular, aprofundar, e contextualizar o conteúdo de Física e de Ciências com o cotidiano, ou cumprir com o aspecto lúdico da obra, em especial quando destinadas aos AI e aos AF do EF.

Por fim, também se encontrou sua aplicação ao abordar a perspectiva histórica e sociocultural do saber, propondo o diálogo entre disciplinas, promovendo as habilidades de análise, interpretação e comunicação dos discentes.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BRASIL. Ministério da Educação. Guia de livros didáticos: PNLD 2010: Ciências. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2009.

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\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Guia de livros didáticos PNLD 2012: ensino médio: física . Secretaria de Educação Básica, 2011.

\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Guia de livros didáticos: PNLD 2013: Ciências. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2012.

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\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Guia de livros didáticos PNLD 2016: ciências: ensino fundamental anos iniciais . Secretaria de Educação Básica, 2015.

- \_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Guia de livros didáticos PNLD 2017: ciências: ensino fundamental anos finais . Secretaria de Educação Básica, 2016.

\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. PNLD 2018: física: guia de livros didáticos: ensino médio . Secretaria de Educação Básica, 2017.

- \_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. PNLD 2019: ciências: guia de livros didáticos: ensino fundamental . Secretaria de Educação Básica, 2018.

\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação.Guia de livros didáticos PNLD 2020: ciências . Secretaria de Educação Básica, 2020.

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