A POLÍTICA DE COOPERAÇÃO MUNDIAL DO CONSELHO INTERNACIONAL DE PESQUISA PÓS-PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL E A INFLUÊNCIA DA COMISSÃO INTERNACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL
Fabiano Willian Parma, Roberto Nardi
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 21/01/2025
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A POLÍTICA DE COOPERAÇÃO MUNDIAL DO CONSELHO INTERNACIONAL DE PESQUISA PÓS-PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL E A INFLUÊNCIA DA COMISSÃO INTERNACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL
## Fabiano Willian Parma 1 , Roberto Nardi 2
1 Universidade Estadual Paulista/Faculdade de Ciências/Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência, f.parma@unesp.br
2 Universidade Estadual Paulista/Faculdade de Ciências/Departamento de Educação, r.nardi@unesp.br
## Resumo
Esta pesquisa busca discutir o contexto no qual a União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) foi criada, os movimentos de cooperação científica internacional e os impactos da ideologia da Primeira Guerra Mundial (PGM) que permearam a história da física em todo o mundo. O problema que buscamos abordar é: quais os impactos da PGM na configuração da ciência física e, a partir deste contexto, como a IUPAP influenciou o Ensino e a Pesquisa em Ensino de Física no Brasil? O IRC foi estabelecido em 1919, após a PGM, com o objetivo de reorganizar e reunir cientistas das ciências naturais em uniões científicas internacionais especializadas. Nesse sentido, em 1922, a IUPAP foi fundada, reunindo atualmente físicos de 60 países e, por meio da Comissão Internacional de Ensino de Física (ICPE), contribuiu para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino da Física. A história do IRC e como suas atividades de cooperação científica internacional foram iniciadas e conduzidas é controversa e repleta de ideologias e políticas nacionalistas e excludentes. Não é possível estimar com precisão o impacto e os danos causados por essas políticas; no entanto, sabe-se que isso levou ao fim do IRC. No Brasil, a influência e a participação de físicos especialistas na ICPE podem ter contribuído para a constituição e caracterização da área e da pesquisa em Ensino de Física no país. Entendemos que conhecer esses desdobramentos contribui para esclarecer a história da Física e das Ciências, bem como para o seu ensino.
Palavras-chave : estudo historiográfico; história da física; IUPAP.
## Introdução
Com o advento da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), diversas pesquisas e relatórios apontam para os impactos da Guerra no trabalho científico, na ideologia e no internacionalismo entre os cientistas (Clara, 2022; Cock, 1983; Crawford, 1988; Fox, 2019; Lehto, 1998; Schroeder-Gudehus, 1973), ocasionando novos arranjos econômicos e sociais.
Segundo Clara (2022, p. 445), em 1918, '[...] o que restou das mais de seiscentas instituições internacionais listadas no Diretório de Eijkman de 1911 foi muito pouco, ou quase nada'. Dessa forma, compreendia-se, então, a necessidade de formar uma nova instituição científica que pudesse sucedê-la.
É a partir desse cenário que surge o International Research Council (IRC), cuja história foi marcada por controvérsias envolvendo ideologias e políticas nacionalistas. Além do IRC, em 1922, em Bruxelas, o Conselho fundou a International
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
Union of Pure and Applied Physics (IUPAP), como uma tentativa de restabelecer as relações entre os físicos que haviam sido rompidas durante a Guerra (Brown, 1973).
Nesse sentido, esta pesquisa busca apresentar e discutir o contexto em que a IUPAP foi criada, os movimentos de cooperação científica internacional e os impactos da ideologia da Primeira Guerra Mundial que transpassaram a história das ciências e da Física no mundo. O problema que buscamos responder é: quais os impactos da Primeira Guerra Mundial na configuração da ciência física e, a partir deste contexto, como a IUPAP influenciou o Ensino e a Pesquisa em Ensino de Física no Brasil? Entendemos que conhecer esses desdobramentos contribui para esclarecer a história da Física e das Ciências, bem como o seu ensino.
## A política de exclusão científica do IRC
A partir de uma série de três conferências realizadas em Londres, Paris e Bruxelas, entre 1918 e 1919, representantes das principais academias científicas de 12 nações estabeleceram o IRC. Esse órgão seria responsável por controlar e promover as relações e cooperações internacionais da ciência, por meio de sindicados subsidiários e de uma série de Uniões Internacionais, cada uma cobrindo um ramo da ciência (Cock, 1983; Fox, 2019; Lehto, 1998). A IUPAP é um exemplo dessas Uniões Internacionais, responsável por auxiliar o desenvolvimento da Física e a cooperação e circulação de cientistas.
Porém, desde a criação e a política interna de internacionalização e cooperação científica do IRC foram um tanto quanto controversas para o meio científico, pois, tanto o Conselho quanto seus Sindicatos, foram marcados pelo princípio de que as Potências Centrais derrotadas na Primeira Guerra (Alemanha, Áustria, Bulgária e o que havia restado do Império Otomano) deveriam ser excluídas (Clara, 2022).
Entre os vencedores da PGM, a França ocupou uma posição de liderança, por conta de seus esforços e perdas. Dessa forma, apoiado e fundamentado com base no Tratado de Versalhes, o IRC possuía como política pós-Guerra, '[...] uma cláusula em sua carta constituinte proibindo a participação de academias das antigas Potências Centrais' (Irish, 2016, p. 48, tradução nossa), refletindo uma posição de que a Alemanha deveria ser castigada pelos impactos da Guerra e, assim, garantindo que ela não recuperasse seu antigo domínio em assuntos militares, industriais, comerciais e científicos (Cock, 1983; Crawford, 1988). Assim,
Cientistas desses países seriam excluídos de congressos, e até mesmo o uso da língua alemã seria proibida. O princípio excludente teve suas raízes em discussões iniciais em que os franceses [...] tinham uma voz especialmente poderosa (Fox, 2019, p. 7, tradução nossa).
Não apenas a participação em congressos, mas até as publicações e citações de autores alemães haviam sido banidas dos congressos e dos periódicos. Tal ato fica mais explícito quando Holland (1918, p. 469, tradução nossa) faz uma citação de Lord Walsingham (1918), publicada na revista Nature :
Lord Walsingham [...] sugere que 'pelos próximos vinte anos, pelo menos, todos os alemães serão relegados à categoria de pessoas com as quais homens honestos declinarão de qualquer tipo de negociação', e propõe que, por consentimento comum, os homens da ciência em todo o mundo concordem em ignorar todos os artigos publicados em alemão, não como
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uma medida de 'vingança', mas como uma medida de 'justiça' (Holland, 1918, p. 469, tradução nossa).
Segundo Crawford (1988), essa intrusão maciça da política no meio 'supostamente não político' da ciência deixou cicatrizes. Nos primeiros anos após a Guerra, esse boicote (como era chamado pelos alemães) foi extremamente eficaz e, para alguns autores, o dano que as restrições ao internacionalismo causaram para a ciência alemã e, consequentemente, em todo mundo, é difícil de ser estimado (Lehto, 1998; Schroeder-Gudehus, 1973).
Mesmo que as proibições tenham sito eficazes contra a Alemanha, esse bloqueio científico nunca foi absolutamente respeitado, pois mesmo antes da Primeira Guerra, a Alemanha priorizou muito o conhecimento científico e, por conta disso, possuía uma forte influência nesse meio (Schroeder-Gudehus, 1973). Conforme Bernal (1969 apud Schroeder-Gudehus, 1973) e Ammon (2016), naquela época o idioma alemão havia se tornado a língua internacional da ciência e os professores alemães tinham estabelecido um império científico em todo norte, centro e leste europeu, além de forte influência sobre a ciência na Rússia, Estados Unidos da América e Japão.
## O declínio do IRC
Segundo Fox (2019), a partir do momento em que o IRC abre cuidadosamente suas portas para os países neutros da Guerra, surgem diversas opiniões e cisões que colocam o IRC sob uma forte pressão, por conta dos posicionamentos políticos e das proibições (Clara, 2022; Lehto, 1998; Schroeder-Gudehus, 1973).
Duas semanas após a terceira Assembleia do IRC, foi publicado na revista Nature um breve resumo da reunião, no qual foi mencionada uma primeira tentativa frustrada de modificar os estatutos do Conselho, de forma que os países das Potencias Centrais não fossem mais excluídos.
Este resultado é, em todos os sentidos, muito infeliz para a ciência internacional: não apenas adia o momento em que o Conselho de Pesquisa será verdadeiramente internacional, mas também levanta a questão de saber se, nas circunstâncias atuais, será possível efetuar a modificação de qualquer estatuto até o final da presente Convenção (The International…, 1925, p. 138, tradução nossa).
O sentimento de que o IRC e suas Uniões não poderiam continuar sendo consideradas organizações verdadeiramente internacionais enquanto alguns países fossem excluídos de suas atividades, era crescente (Lehto, 1998). Nesse sentido, foram formadas duas principais linhas de insatisfação; uma delas, defendendo que o Conselho deveria ser aberto, independente da nacionalidade, a todos os cientistas. A outra era em relação suas Uniões Internacionais, insatisfeitas e defendendo que deveriam ter mais voz e independência em seus assuntos internos (Lehto, 1998).
Nesse mesmo resumo supracitado, os líderes da IUPAP publicaram a seguinte nota: 'Na União de Física [IUPAP], foi instada a desejabilidade de alcançar a plena internacionalidade na data mais precoce possível, e uma resolução nesse sentido foi aprovada por unanimidade' (The International..., 1925, p. 139, tradução e grifo nosso). Segundo Crawford (1988) e Schroeder-Gudehus (1973), a IUPAP teve um papel importante na defesa da real cooperação internacional da ciência.
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Segundo Lehto (1998) e Irish (2016), com a entrada da Alemanha na Liga das Nações, em 1926, o IRC viu-se ainda mais pressionado, de forma que estava sendo difundido internamente um sentimento de 'que a própria existência do Conselho estava ameaçada, a menos que as cláusulas discriminatórias de filiação fossem removidas' (Lehto, 1998, p. 39, tradução nossa).
Em junho de 1926, o IRC convocou uma assembleia extraordinária para decidir a permanência ou a revogação das cláusulas que excluíam as Potências Centrais. Após uma reunião de aproximadamente uma hora, foi decidido, por unanimidade, a revogação da cláusula e a Alemanha, Áustria, Hungria e Bulgária foram convidadas para aderirem ao Conselho (Lehto, 1998). No entanto, apenas a Hungria aceitou, mas não pôde aderir por razões financeiras. A Alemanha, por outro lado, nunca aceitou oficialmente o convite devido algumas discordâncias sobre os estatutos e, além disso, embora as mudanças tenham sido feitas, os cientistas alemães compartilhavam da opinião de que o 'clima' dentro do Conselho permaneciam indiferentes (Lehto, 1998; Schroeder-Gudehus, 1973).
## O radicalismo alemão
Segundo Forman (1973), durante a República de Weimar 1 , o parlamento alemão e vários estudiosos consideravam o prestígio científico e acadêmico como o último atributo de 'grande potência nacional' e não queriam correr o risco de perder ou ceder sua ciência ao IRC, algo que ainda era motivo de orgulho e investimento para o país.
Segundo Schroeder-Gudehus (1973, p. 105, tradução nossa), os estudiosos alemães
haviam reagido com desprezo e amargura teimosa. [...] o ressentimento acadêmico contra o repúdio coletivo coincidiu com o clima geral na Alemanha pós-Versalhes: a profunda frustração e a convicção inabalável de ser vítima de uma injustiça ultrajante.
De forma que organizaram uma associação profissional de professores universitários, o Committee of External Affairs of the German Universities' Union , que estabeleceria uma Frente Comum da ciência alemã. Conforme Schroeder-Gudehus (1973, p.106, tradução nossa),
Os líderes da 'frente comum' chegavam às vezes ao ponto de denunciar [...] 'desertores' que não se importavam o suficiente com a dignidade nacional, para evitar encontros ou organizações internacionais onde cientistas alemães não eram oficialmente convidados
Um desses 'desertores' mais famosos foi o físico teórico Albert Einstein (1879-1955), que aceitou a nomeação para representar a esfera da cultura alemã no Comitê Internacional de Cooperação Intelectual (ICIC), da Liga das Nações (Schroeder-Gudehus, 1973).
Segundo Elzinga (2004), o ICIC foi uma organização elitista e sua lógica era de que o grupo das mentes mais brilhantes do mundo estariam acima do conflito que
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dividia as nações em blocos políticos, ideológicos, econômicos e outros. Dessa forma, o Comitê ignorava diversas questões importantes e controversas.
Numa conjuntura em que o fascismo avançava, o Comitê carecia da agressividade necessária para deixar sua marca na opinião mundial. Assemelhava-se a um avestruz e sua neutralidade oficial era explorada pelas nações agressoras para fabricar uma falsa imagem de civilização e dedicação à cultura (Elzinga, 2004, p. 92).
Em uma tentativa de 'amenizar' a situação, a Royal Society da Inglaterra tomou frente no IRC. Assim, no final dos anos 20, para que o Conselho não se desintegrasse totalmente, grandes modificações foram preparadas para a próxima Assembleia Geral, em 1931. As mudanças foram tão radicais que o IRC foi dissolvido e substituído pelo International Council of Scientific Unions (ICSU) (Lehto, 1998; Schroeder-Gudehus, 1973); atualmente, conhecido por International Council for Science (ICS).
Segundo Lehto (1998), desde o início, o ICSU adotou o princípio de não discriminação e abriu-se para cientistas de todo o mundo, estabelecendo uma base para a política científica internacional. No entanto, os alemães conservadores e até mesmo aqueles que defendiam a proposta de colaboração internacional, novamente não estavam dispostos a aceitar.
## A relação entre a União Internacional de Física Pura e Aplicada e o Brasil
Criada em 1922, a União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) foi constituída por 13 países membros: África do Sul, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Japão, Noruega, Polônia, Reino Unido e Suíça (Brown, 1973; Ossipyan; Yamaguchi, 1992); com os o objetivos de promover a cooperação global em Física, facilitar acordos sobre símbolos, unidades e normas, apoiar eventos internacionais, promover o desenvolvimento e publicação de materiais, e facilitar a circulação global de cientistas para pesquisa e educação. Atualmente, a IUPAP conta com a parceria de 60 países associados.
Em 1951, quase trinta anos após a criação da União, o Brasil foi aceito para fazer parte da IUPAP (Ossipyan; Yamaguchi, 1992). Mesmo ano em que foram institucionalizados dois importantes órgãos para a pesquisa científica no Brasil: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao Ministério da Educação, responsável principalmente pela consolidação da pósgraduação e na capacitação e qualificação do corpo docente das universidades brasileiras; e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atualmente vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Antes da criação do ministério, em 1985, o CNPq era o órgão responsável pela coordenação da política nacional de ciência e tecnologia (Varela; Domingues; Coimbra, 2012).
Segundo Varela, Domingues e Coimbra (2012), a criação do CNPq está intimamente ligada ao movimento de internacionalização das ciências no período pósSegunda Guerra e, com a criação da Comissão de Energia Atômica (CEA) na ONU, em 1946, mesmo ano em que o Brasil é convidado para fazer parte desta comissão, visto como um 'produtor de matéria-prima para a energia nuclear e, portanto, deveria possuir assento naquele espaço' (Varela; Domingues; Coimbra, 2012, p. 3).
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Ao analisar a política de bolsas e auxílios do CNPq nos anos de 1951 a 1955, os autores supracitados relatam que a questão em torno da energia nuclear foi tema central na política de fomento do Conselho Nacional, sendo ele responsável por financiar a filiação do Brasil em diversos conselhos e uniões científicas internacionais, dentre eles, a IUPAP (Varela; Domingues; Coimbra, 2012).
Segundo Salinas (2001), em 1975, o CNPq designa a Sociedade Brasileira de Física (SBF), que havia sido fundada em 1966, para representar o Brasil na IUPAP e, para marcar o início deste relacionamento, Erasmo Madureira Ferreira (UFRJ) e Eugenio Lerner (USP) participaram da XV Assembleia Geral da IUPAP, naquele mesmo ano, em Munique, Alemanha.
Desde então, o Brasil, por meio da SBF, tem participado de diversas comissões internacionais da IUPAP, dentre elas, a Comissão Internacional de Ensino de Física (ICPE), com a representação nacional de físicos especialistas na área, os mais recentes: Erasmo Ferreira (PUC/UFRJ), Ernst Wolfgang Hamburguer (USP), Anna Maria Pessoa de Carvalho (USP), Marco Antonio Moreira (UFRGS), Maurício Pietrocola (USP), Roberto Nardi (Unesp) e, atualmente, Cristiano Rodrigues de Mattos (USP) (IUPAP, 2023).
## A influência da Comissão Internacional de Ensino de Física no Brasil
A IUPAP está organizada em diversas comissões internacionais especializadas, dentre elas, a ICPE, criada em 1960, quase quarenta anos após a fundação da IUPAP, para lidar com os desafios no ensino de Física na época, como a superlotação de salas, a educação de jovens e adultos, a escassez de professores etc. (Brown, 1973; French, 1980).
Segundo Kelly (1985), antes da criação da ICPE, os anos foram marcados por grandes avanços na Física, que necessitavam ser integrados ao ensino. Durante esse período, países desenvolvidos implementaram reformas educacionais, exportando essas ideias e reformas para nações em desenvolvimento (Kelly, 1985).
No Brasil, a segunda conferência internacional organizada pela ICPE, intitulada 'Conferência Internacional sobre Física na Educação Geral', ocorreu em 1963, no Palácio da Cultura, Rio de Janeiro, uma semana após a Conferência Interamericana de Ensino de Física (CIAEF), no mesmo local. Segundo Kelly (1985), isso permitiu que muitos latino-americanos comparecessem a ambas as conferências.
Uma das principais palestras da conferência supracitada foi proferida por Jerrold Zacharias, figura proeminente no desenvolvimento e na implementação do Physical Science Study Committee (PSSC), que apresentou detalhes sobre a reforma curricular nos EUA e as conquistas do PSSC (French, 1980; Kelly, 1985).
Durante esse período, o Brasil importou o PSSC e outros projetos internacionais para o ensino de Física. No entanto, as dificuldades de adaptação levaram os pesquisadores brasileiros a desenvolver projetos nacionais, como o Projeto de Ensino de Física (PEF), Física Auto-Instrutiva (FAI) e Projeto Brasileiro de Ensino de Física (PBEF), conforme observado por Nardi (2005). Em 1968, foi implementada a primeira pós-graduação em Ensino de Física (UFRGS), com a publicação das primeiras teses e dissertações na área (Feres, 2010) e a pósgraduação em Física do IFUSP criada oficialmente em 1970, mas já titulava doutores desde o final da década de 1940 (Nardi, 2005). Ademais, foram iniciados eventos
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nacionais específicos, como o I Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) em 1970, no qual várias críticas aos projetos estrangeiros foram apresentadas em forma de pesquisas e seminários, além disso, também reuniu professores de Física atuantes nas escolas para discutir as iniciativas e os problemas dessa área de ensino.
## Considerações finais
Conforme os autores mencionados, o nacionalismo dentro do IRC era tão prevalente que as próprias Uniões Internacionais se opuseram aos interesses do Conselho, devido à influência científica significativa da Alemanha e à necessidade de sua cooperação para o progresso científico. O nacionalismo, combinado com políticas de exclusão e um desejo de "justiça" e culpa pela guerra, quase levou ao fim do IRC. Os autores também destacam a dificuldade de estimar completamente o impacto e os danos causados por essas restrições.
No Brasil, podemos considerar que a influência da Comissão Internacional de Ensino de Física, da IUPAP, aconteceu principalmente na realização de uns de seus primeiros eventos no país, que teve com foco a promoção e as conquistas do PSSC na reforma educacional das EUA, buscou atingir os países da América Latina, influenciando no desenvolvimento de projetos de ensino nacionais e na pesquisa em ensino de Física. Nesse sentido, corroborando com Nardi (2005), consideramos que tais fatores foram importantes por contribuir para a constituição e caracterização da área e da pesquisa em Ensino de Física no Brasil.
Ademais, como desdobramentos futuros, está pesquisa contribui tanto para novas investigações quanto para o ensino de Física, pois abre novas perspectivas sobre a cooperação científica global e suas implicações e para o ensino de Ciências. Além de possibilitar a articulação da história da Física no ensino, apresentando-a como construção social e política.
## Referências
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