O USO DE RECURSOS MULTIMÍDIA COMO ESTRATÉGIA PARA PROVOCAR MUDANÇAS NAS CONCEPÇÕES SOBRE O SOL EM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
Marcia Regina Santana Pereira, Mariniel De Souza Galvão Junior, Timóteo Ricardo Campos De Farias, William Teixeira Olívio
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O USO DE RECURSOS MULTIMÍDIA COMO ESTRATÉGIA PARA PROVOCAR MUDANÇAS NAS CONCEPÇÕES SOBRE O SOL EM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
## THE USE OF MULTIMEDIA RESOURCES AS A STRATEGY TO INDUCE CHANGES IN CONCEPTIONS ABOUT THE SUN ON HIGH SCHOOL STUDENTS
## Marcia Regina Santana Pereira , Mariniel de Souza Galvão Junior , Timóteo 1 2 Ricardo Campos de Farias 3 , William Teixeira Olívio 4
1 Universidade Federal do Espírito Santo/CEUNES/DECH, marciapereira@ceunes.ufes.br 2 Universidade Federal do Espírito Santo/CEUNES/DCMN, marinieljr@gmail.com 3 Universidade Federal do Espírito Santo/CEUNES/DCMN, timoteoricardo@hotmail.com 4 Universidade Federal do Espírito Santo/CEUNES/DCMN, willianlivio@hotmail.com
Palavras-chave : Ensino de Astronomia, Formação de Professores e Recursos Multimídia
## 1) Justificativa e objetivos
Este trabalho descreve uma das ações desenvolvidas pelos participantes do Projeto PIBID no Campus do Litorâneo/UFES. Parte dos bolsistas atua no Projeto 'Observando o Céu de São Mateus' que busca uma articulação envolvendo docentes do ensino superior e básico, discentes de ambas as modalidades e a comunidade em geral, num contexto de Divulgação Científica. A atividade descrita foi idealizada a partir da necessidade de promover ações em Astronomia que pudessem ser desenvolvidas durante o dia. Foi elaborada uma Apresentação multimídia com informações sobre o Sol para estudantes do 3ª ano do Ensino Médio. Outra perspectiva era quantificar a efetividade da estratégia escolhida, incentivando os bolsistas a adotarem uma prática de avaliação constante de suas ações pedagógicas. Assim, foram analisados desenhos feitos pelos estudantes, antes e depois de assistirem à Apresentação, na busca de evidências de mudanças nas concepções destes estudantes.
## 2) Marco Teórico
Como conteúdo escolar a Astronomia está presente de maneira pulverizada nas disciplinas de Ciências e Geografia, a grande maioria dos docentes responsáveis por estas disciplinas recebeu formação insuficiente neste conteúdo específico. Além disso, muitos livros didáticos apresentam erros conceituais que são retransmitidos (LANGUI e NARDI, 2007). Estes e outros fatores trazem conseqüências como a dificuldade de ensinar/aprender conteúdos de astronomia a propagação de erros conceituais, concepções alternativas e crenças sobre fenômenos astronômicos.
A despeito de todas as dificuldades e do papel quase incipiente que a Astronomia ocupa atualmente nos currículos escolares, muitos autores concordam que ela pode despertar e estimular o interesse pela Ciência partindo da observação da Natureza através dos fenômenos astronômicos. Em seu artigo, Gama e Henrique (2010) discutem as dimensões axiológicas e epistemológicas da Astronomia e de seu ensino. Segundo eles a Astronomia pode ser usada como tema motivador devido suas características cativantes. Para Langui e Nardi (2009) a a stronomia possui um grau altamente motivador e 'popularizável', uma vez que o seu laboratório é natural e o céu está à disposição de todos, favorecendo a cultura científica .
## 3) Metodologia e Análise de pesquisa
A apresentação foi elaborada pelos bolsistas sob a supervisão da orientadora, mostrando fotos, imagens e simulações. Seu objetivo era abordar, de forma simples e direta, algumas das principais características do nosso Sol e mostrar alguns fenômenos relacionados ao sistema Sol/Terra/Lua.
A etapa seguinte foi desenvolvida na EEEFM Marita Motta Santos, localizada na região central de São Mateus-ES com estudantes do 3º ano do Ensino Médio. As duas turmas escolhidas assistiram à Apresentação elaborada pelos bolsistas. Optou-se por analisar, através de desenhos elaborados pelos estudantes, as possíveis mudanças provocadas pelo contato com as informações expostas.
Inicialmente o público foi convidado a participar da pesquisa, a orientadora argumentou sobre a importância de conhecer as concepções dos estudantes para adequar a abordagem, focando principalmente nas principais dúvidas e curiosidades do público alvo, melhorando assim suas estratégias de ensino. Todos receberam folhas de papel em branco e foram solicitados a mostrar, através de seus desenhos, como imaginam o Sol, 'por fora' e 'por dentro'.
Ao todo 63 estudantes assistiram à Apresentação e logo depois a foram solicitados a fazer novos desenhos. Como era de se esperar, parte dos estudantes (27%) não executou as duas tarefas, elaborando apenas um dos desenhos, antes ou depois da Apresentação. Entre os que fizeram ambos os desenhos pode se notar algumas diferenças bastante significativas. Frequentemente os desenhos iniciais apresentavam versões do clássico sol esférico com 'raios retilíneos' saindo da superfície, observou-se também alguns 'soizinhos sorridentes', ambas estruturas típicas de desenhos infantis (Figura 01).
Figura 01. Raios retilíneos e soizinhos sorridentes.
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Figura 02 . Desenhos mostrando um núcleo ativo, EMC e manchas solares.
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Pode-se perceber que muitos desenhos iniciais tem em comum a uniformidade das superfícies. Outro traço marcante é a presença dos 'raios solares retilíneos' que quase desaparecem nos desenhos posteriores. Nos desenhos posteriores também se observa a existência de núcleos ativos além de
representações das estruturas solares conceituadas como Manchas Solares, Ejeções de Massa Coronal (EMC) e Laços magnéticos (Figura 02).
Um ponto que provocou curiosidade em relação à fonte dessa concepção foi o aparecimento de 'vulcões' nos desenhos de três estudantes (Figura 03).
Figura 03 . 'Vulcões' no Sol.
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## 4) Conclusões
De maneira geral a estratégia foi avaliada como positiva, devido ao interesse demonstrado pelos estudantes durante a Apresentação. É possível concluir também, embora não se possa dizer se estas são mudanças permanentes, que na maioria dos estudantes o modelo apresentado nos desenhos posteriores é mais elaborado. Esta conclusão baseia-se principalmente na existência de estruturas solares, ou do 'interior solar' no qual o núcleo é mostrado como 'ativo'. Outro ponto bastante importante e o desaparecimento dos 'raios retilíneos' tão comuns nos desenhos que vemos do Sol. O próximo passo da pesquisa é aprofundar-se em algumas das principais características observadas e reforçar na Apresentação alguns pontos que possam ter produzido concepções distantes das esperadas.
## 5) Referências
FRIANÇA, A. C. S. et al (Org.) Astronomia: uma visão geral do mundo . São Paulo: Edusp, 2 edição, 2006.
GAMA, L. D. e HENRIQUE, A. B. Astronomia na sala de aula por quê? Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia . n. 9, p. 7-15, 2010.
LANGHI, R. e NARDI, R. Ensino de astronomia no Brasil: educação formal, não formal e divulgação científica. Revista Latino-Americana de Ensino de Astronomia . v. 31, n. 4, p. 4402-11, 2009.
LANGHI, R. e NARDI, R. Ensino de astronomia: erros conceituais mais comuns presentes em livros didáticos de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 24, n. 1: p. 87-111, abr. 2007.
MOTA, A. T. et al Inclusão de temas astronômicos numa abordagem inovadora do ensino informal de física para estudantes de ensino médio. Revista LatinoAmericana de Educação em Astronomia . n. 8, p. 7-17, 2009.
NASA Sun for kids . Disponível em:
<http://www.nasa.gov/vision/universe/solarsystem/sun\_for\_kids\_main.html>. Acesso em 20 nov. 2010.
OLIVEIRA FILHO, K. S. e SARAIVA, M. F. O. Astronomia e astrofísica . Porto Alegre: Livraria da Física, 2 edição, 2004.
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