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ARTICULANDO SABERES EM FEIRAS DE CIÊNCIAS: PROTAGONIZANDO A APRENDIZAGEM

Allan Victor Ribeiro, Elisabete Ap. Andrello Rubo, Moacir Pereira De Souza Filho, Izabel De Souza Sartti, Ellen Cristina Barbosa

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ARTICULANDO SABERES EM FEIRAS DE CIÊNCIAS: PROTAGONIZANDO A APRENDIZAGEM

## ARTICULATING KNOWLEDGE IN SCIENCE FAIRS: STARRING LEARNING

## Allan Victor Ribeiro , Elisabete Ap. Andrello Rubo , Moacir Pereira de Souza 1 1 Filho , Izabel de Souza Sartti , Ellen Cristina Barbosa 2 3 4

1 UNESP/Depto de Física - Bauru, allan\_vr@fc.unesp.br

2 UNESP/Depto de Física, Química e Biologia - Presidente Prudente, moacir@fct.unesp.br 3 SESI/Centro Educacional 358 - Bauru, izabelsartti@ig.com.br.

4 Faculdade Anhanguera/Depto de Ciências Biológicas - Bauru, ellen\_amell@yahoo.com.br

Palavras-chave

: Feiras de Ciências, Ensino Médio, Educação não-formal

## 1) Justificativa e objetivos

A Feira de Ciências como articuladora entre a educação formal e não-formal vem ganhando destaque como uma importante ferramenta no processo de ensinoaprendizagem. Além de seu papel como veiculador de informações, a Feira de Ciências do ponto de vista da prática pedagógica, oportuniza aos envolvidos um grande crescimento científico e sociocultural.

No que se refere ao desenvolvimento de habilidades, Mancuso (2000) e Lima (2008) destacam diversos a spectos positivos, tais como: o estimulo a cooperação; relacionamento interpessoal e formação de lideranças; desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade comunicativa; ampliação da visão de mundo, dentre outras. Eventos como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) ilustra e sinaliza a necessidade de se desenvolver atividades associadas à divulgação, exposição e reflexão cientifica convergindo e, principalmente, contribuindo para a popularização da Física (HARTMANN et. al. , 2008).

Este trabalho tem como objetivo avaliar a influência de um evento de divulgação científica no planejamento, montagem e apresentação de uma feira de ciências multidisciplinar realizada por alunos de Ensino Médio (EM).

## 2) Marco Teórico

A educação formal caracteriza-se por um programa de aprendizagem sistemático e planejado, que ocorre geralmente em escolas, e que possui reconhecimento oficial. A educação não-formal , por sua vez, é um processo complementar de duração variável e que pode ocorrer fora dos sistemas de ensino (HARTMANN; ZIMMERMANN, 2010). A integração entre estas duas instâncias, como ocorre com as Feiras de Ciências, além de potencializar a aprendizagem da Física pelos professores e expositores, que se mobilizam para aprender os conteúdos científicos, possibilita o letramento científico da comunidade, na medida em que o conhecimento físico se torna acessível ao público, aproximando o conhecimento científico e tecnológico dos cidadãos comuns.

- O processo de aprendizagem se dá na medida em que as demonstrações resultam em diferentes estilos e formas de interpretação. O aprendizado está mais associado ao prazer e ao estímulo em aprender de forma significativa e, nem tanto, na aquisição de conceitos. No entanto, nesses eventos ocorre uma desmistificação da Física como uma ciência teórica e abstrata e um aumento do interesse em

aprender Física. Mesmo que para alguns seja um dia de passeio e descontração, se for atrativo do ponto de vista técnico, isso pode fazer com que os visitantes se interessem um pouco mais pela ciência em geral, e pela Física em particular. A experimentação é um excelente meio de aprender a teoria e pode servir para a demonstração de uma lei física.

Eventos como Feira de Ciências, como destaca Hartmann et. al. (2008), contempla três dimensões que promovem a alfabetização científica: os participantes adquirem um vocabulário de conceitos científicos; eles compreendem a natureza da ciência e a influência da tecnologia na sociedade.

Gaspar (2002) lembra que um conceito não evolui instantaneamente. Nossas estruturas cerebrais são maleáveis e precisam de um tempo fisiológico para se efetivar. Para o autor, pode haver apresentações e exposições mais ou menos provocadoras e estimulantes, mas não há nada pior do que a ausência destes estímulos.

## 3) Metodologia e Análise de pesquisa

A metodologia deste trabalho baseou-se em analisar a influência de uma visita orientada a um evento de divulgação científica no planejamento e realização de uma feira de ciências em uma escola de Ensino Médio direcionada ao público interno da escola e à comunidade em geral. Este trabalho foi realizado com noventa alunos do EM do Centro Educacional SESI 358 e foi estruturado em três momentos. O Centro Educacional SESI possui uma infra-estrutura diferenciada, conta com diversos recursos pedagógicos e áudio visuais como (data show, lousa digital, salas de informática e ambiente multidisciplinar). Os alunos possuem faixa etária entre 14 e 17 anos e a partir do 2° ano cursam, concomitantemente, a Educação Profissional Técnica de nível médio nas escolas do SENAI.

Foi elaborado, em um primeiro momento, um roteiro de observação estruturado que consistia em questões dissertativas sobre as concepções físicas e percepções dos experimentos. Este instrumento tinha como objetivo oferecer aos alunos subsídios para a reflexão e futura produção cientifica no ambiente escolar.

- O segundo momento refere-se a visita ao evento 'Física ao Vivo', promovido pelo Depto de Física da UNESP-Bauru que, em 2010 consistiu em uma Feira de Ciências composta de vinte e quatro experimentos apresentados por graduandos do curso de Licenciatura em Física. Na visitação os alunos foram divididos em dois grandes grupos, sendo que um dos grupos foi encaminhado para assistir uma pequena palestra de sobre um tema atual da Física, enquanto a outra parte dos alunos realizava a visitação aos experimentos. Os alunos foram organizados em subgrupos de cinco integrantes onde, com o roteiro de observação, cada grupo elegeu um experimento para análise.
- O terceiro momento consistiu na elaboração de uma Feira de Ciências de caráter multidisciplinar e que fez parte do conjunto de atividades a serem realizadas na Semana de Ciência e Tecnologia da escola (SECITEC) que ocorreria entre os dias 18 e 22 de outubro de 2010. Na Figura 1 o gráfico apresenta à escolha dos experimentos feita pelos alunos para apresentação na SECITEC. Foi possível observar que 84% dos experimentos estavam relacionados à Física e os demais abordavam conteúdos de Química e Biologia. Verificamos a predominância dos experimentos relacionados à Termodinâmica, isso se justifica pelo fato de que os experimentos desta área despertaram maior interesse dos alunos na visitação do 'Física ao Vivo'. Constatou-se a ausência de experimentos relacionados à Física Moderna.

Verificou-se na grande quantidade de experimentos voltados a área da Física, a influencia que a visitação exerceu na tomada de decisão dos alunos na escolha dos experimentos. Sobre a natureza dos trabalhos apresentados percebeu-se claramente, através da categorização utilizada por Mancuso (2000), que a produção cientifica se deu majoritariamente aos trabalhos de montagem e

Figura 1 - Porcentagem dos Experimentos de Física apresentados e suas respectivas

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trabalhos informativos, sendo que os trabalhos de investigação, por exigirem um grande número de habilidades e competências, foram inexpressíveis.

Verificamos através dos resultados obtidos que as percepções dos alunos e professores corroboraram com os benefícios destacados por Mancuso (2000) e Lima (2008). Observamos que a maior dificuldade apontada pelos estudantes foi a de verbalizar o conhecimento cientifico para os diferentes públicos, ou seja, através da mediação verbal, realizar a transposição entre a linguagem científica e a linguagem acessível ao publico.

## 4) Conclusões

Em vários momentos os alunos puderam restabelecer conexões entre o seu conhecimento formal (escolar) e o conhecimento informal, e isso, oportunizou a reflexão sobre conteúdos, linguagens e abordagens (RIBEIRO; KAWAMURA, 2008). Apontamos que a Feira de Ciências não age apenas despertando o caráter investigativo dos alunos em disciplinas específicas, mas contribui para sua formação integral e de um espírito critico mobilizando-o a ser protagonista de sua própria formação. A feira de ciências tanto na participação como na elaboração promove um fértil ambiente transformador no processo de ensino-aprendizagem.

Agradecimentos : a colaboração da escola e responsáveis pela participação dos alunos nas atividades citadas neste trabalho.

## 5) Referências

HARTMANN, A. M.; ZIMMERMANN, E.; Exposições de Ciência e Tecnologia e o trababalho docente: um estudo de caso. In : XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , 2010, Águas de Lindóia.

LIMA, M. E. C. Feiras de ciências: o prazer de produzir e comunicar. In: PAVÃO, A. C.; FREITAS, D. Quanta ciência há no ensino de ciências . São Carlos: EduFSCar, 2008.

MANCUSO, R. Feiras de ciências: produção estudantil, avaliação, consequências. Contexto Educativo. Revista digital de Educación y Nuevas Tecnologias , n. 6, abr. 2000. Disponível em: &lt;http://contexto-educativo.com.ar/2000/4/nota-7.htm&gt; Acesso em: 15 jan. 2011

HARTMANN, A. M.; ZIMMERMANN, E. . O impacto da semana nacional de ciência e tecnologia sobre o conhecimento de física de alunos de ensino médio. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Físic a, 2008, Curitiba.

RIBEIRO, R. A.; KAWAMURA, M. R. D. . Ensino de Física e formação do espírito crítico: reflexões sobre o papel da divulgação científica. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , 2008, Curitiba.

GASPAR, A.; A educação formal e a educação informal em ciências. In: MASSARANI, L.; MOREIRA, I.C.; BRITO, F. Ciência e Público: caminhos da educação científica no Brasil .Rio de Janeiro: UFRJ, 2002. p.171 - 183.

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