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CONCEPÇÕES DE RISCO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA: UMA ANÁLISE CULTURAL NA PERSPECTIVA DE MARY DOUGLAS

Igor Machado Nossa, Leandro Londero

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
21/01/2025
Linha de pesquisa
Cultura, Cognição E Linguagem No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CONCEPÇÕES DE RISCO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA: UMA ANÁLISE CULTURAL NA PERSPECTIVA DE MARY DOUGLAS

## Igor Machado Nossa 1 , Leandro Londero 2

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', igor.nossa@unesp.br
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', leandro.londero@unesp.br

## Resumo

Investigamos como as percepções de risco de licenciandos em Física são moldadas por suas culturas, explorando como essas influências se manifestam em suas percepções sobre riscos tecnológicos e ambientais. Baseamo-nos na teoria cultural de Mary Douglas e adotamos uma abordagem qualitativa para analisar as respostas de 12 licenciandos da Universidade Estadual Paulista. Focamos em quatro dimensões principais: normas e valores culturais, práticas culturais, redes de significado social e contexto social. Os resultados indicam que as percepções dos licenciandos são fortemente influenciadas por valores culturais que enfatizam a segurança, a prevenção e o cuidado em situações de risco. Além disso, observamos que as percepções sobre riscos também refletem as interações dos licenciandos com as redes sociais e os debates públicos sobre questões tecnológicas e ambientais. Concluímos que as redes de significado social e os contextos sociais desempenham um papel crucial na formação dessas percepções, e que há necessidade de integrar de maneira mais sistemática a discussão sobre riscos tecnológicos e ambientais no Ensino de Física, proporcionando uma formação mais abrangente, crítica e alinhada com os desafios contemporâneos.

Palavras-chave : Percepções de Risco, Teoria Cultural do Risco, Ensino de Física.

## Introdução

A concepção de risco é intrinsecamente ligada aos contextos culturais e sociais nos quais está inserida, refletindo as maneiras pelas quais as sociedades estruturam suas percepções e respostas a ameaças. A abordagem cultural do risco, amplamente explorada por Mary Douglas, desafia as noções tradicionais que tratam o risco como um fenômeno universal e quantificável. Douglas e Wildavsky (2012) propõem que os riscos não são simplesmente dados objetivos, mas são filtrados por meio de matrizes culturais que definem o que é percebido como perigoso. Eles afirmam que 'a seleção dos riscos com que se preocupar depende das formas sociais escolhidas' (Douglas; Wildavsky, 2012, p. 8).

Este entendimento é ampliado por Douglas, ao desenvolver a teoria das quatro culturas, sugerindo que diferentes padrões culturais dão origem a distintas abordagens para a avaliação e gestão do risco. A autora argumenta que 'Uma cultura constrói legitimidade sobre sua própria base de 'certezas' que contradizem as 'certezas' de outras culturas. Assim, as culturas se definem adversarialmente' (Douglas, 1999, p. 413). Essa diversidade não só reflete a complexidade do fenômeno do risco, mas também destaca a importância de se considerar os contextos culturais ao avaliar e discutir questões relacionadas a riscos.

A intersecção entre cultura e risco revela-se, portanto, um campo de estudo essencial para entender como as sociedades enfrentam desafios em um mundo cada vez mais interconectado e tecnologicamente complexo. A percepção do risco, longe de ser uma simples reação a perigos objetivos, é profundamente influenciada pelas normas, valores e estruturas culturais que caracterizam diferentes grupos sociais. Esta visão não só amplia o escopo da análise de risco, mas também proporciona um

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entendimento mais complexo das dinâmicas sociais que moldam a maneira como os riscos são interpretados e gerenciados.

## Objetivo, Problema e Questões de estudo

Nosso objetivo geral foi o de investigar como as concepções de risco dos licenciandos em Física são influenciadas por suas culturas e de que maneira essas influências se manifestam em suas percepções e entendimento sobre riscos. Como objetivos específicos elencamos: a) Analisar como as normas e valores culturais dos licenciandos em Física moldam suas percepções sobre os principais riscos tecnológicos e ambientais. b) Examinar de que maneira as práticas culturais específicas das comunidades em que estão inseridos os licenciandos em Física influenciam suas preocupações e percepções sobre riscos tecnológicos e ambientais. c) Identificar como as redes de significado social e os contextos sociais dos licenciandos em Física afetam suas percepções sobre os riscos tecnológicos e ambientais.

Procuramos respostas para o seguinte problema: Como as concepções de risco dos licenciandos em Física são influenciadas por suas culturas, e de que maneira essas influências se manifestam em suas percepções e entendimento sobre riscos tecnológicos e ambientais?

Direcionamos nossa investigação para as seguintes questões norteadoras: a) Como as normas e valores culturais dos licenciandos em Física moldam suas percepções sobre os principais riscos tecnológicos e ambientais? b) De que maneira as práticas culturais das comunidades em que os licenciandos em Física estão imersos influenciam suas preocupações e percepções sobre riscos tecnológicos e ambientais? c) Como as redes de significado social e os contextos sociais dos licenciandos em Física afetam suas percepções sobre os riscos tecnológicos e ambientais?

A escolha por riscos tecnológicos e ambientais é fundamentada no livro 'Risco e cultura: Um ensaio sobre a seleção de riscos tecnológicos e ambientais'. Os riscos tecnológicos e ambientais, como os relacionados ao desenvolvimento acelerado de novas tecnologias, as mudanças climáticas e a poluição apresentam desafios que afetam diretamente o cotidiano das pessoas e exigem uma educação científica que capacite os futuros professores a lidar com esses temas de forma crítica.

## Metodologia

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. A escolha pela abordagem qualitativa é justificada pela natureza do problema de pesquisa, que busca compreender como as concepções de risco dos licenciandos em Física são moldadas por suas culturas. Segundo Uwe Flick (2009),

os pesquisadores qualitativos escolhem os participantes propositalmente e integram pequenos números de casos segundo sua relevância. A coleta de dados é concebida de uma maneira muito mais aberta e tem como objetivo um quadro abrangente possibilitado pela reconstrução do caso que está sendo estudado. Por isso, menos questões e respostas são definidas antecipadamente; havendo um uso maior de questões abertas. Espera-se que os participantes respondam a essas questões espontaneamente e com suas próprias palavras. Com frequência, os pesquisadores trabalham com narrativas de histórias da vida pessoal dos entrevistados (Flick, 2013, p. 23).

Para coletar os dados necessários à investigação, utilizamos um questionário estruturado. Para Gil (2008), o questionário é definido como:

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a técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças , sentimentos, valores , interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado etc. (Gil, 2008, p. 121, grifo nosso).

O questionário aplicado neste estudo foi elaborado para captar as percepções dos licenciandos em Física sobre riscos, em consonância com os objetivos de explorar como essas percepções são moldadas pelos contextos culturais e sociais em que os participantes estão inseridos.

Os participantes da pesquisa foram 12 licenciandos em Física matriculados em um curso de nível superior de uma universidade pública do estado de São Paulo. A seleção dos participantes foi feita por conveniência, considerando a disponibilidade e o interesse dos alunos em participar do estudo. A escolha por um grupo específico de participantes permitiu uma análise detalhada das influências culturais dentro de um contexto acadêmico específico.

Os dados foram coletados por meio de um questionário, aplicado por meio da plataforma Google Forms, contendo seis questões abertas. As questões foram elaboradas com base nos conceitos da teoria cultural de Mary Douglas, com o objetivo de explorar quatro dimensões principais: normas e valores culturais, práticas culturais, redes de significado social e contexto social. As questões foram as seguintes:

Quadro 01: Relação entre questão e parâmetro analisado.

Fonte: Elaboração do próprio autor.

As questões abordadas no questionário foram organizadas em quatro parâmetros de análise que foram cuidadosamente desenvolvidos com base nos fundamentos da Teoria Cultural do Risco proposta por Mary Douglas. Essa classificação foi realizada com o objetivo de permitir uma análise sistemática e aprofundada das percepções de risco dos licenciandos em Física. A seguir, apresentamos as definições dos parâmetros estabelecidos.

Normas e Valores Culturais: esses elementos moldam a percepção de risco ao influenciar as prioridades e preocupações coletivas dentro de uma cultura, 'a análise cultural mostra como determinado núcleo de valores e crenças extrai um sentido das várias posturas e práticas adotadas pelas pessoas' (Douglas; Wildavsky, 2012, p. 9).

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Práticas Culturais: 'A prática pode ser rapidamente aprendida; a acreditação depende da demonstração de lealdade aos professores carismáticos. Alegações de talento pessoal inato têm mais peso do que a verificação precisa do conhecimento técnico' (Douglas, 1992, p. 108). Essas práticas impactam diretamente como os riscos são percebidos e gerenciados no cotidiano das pessoas.

Redes de Significado Social: 'os meios de comunicação de massa ajudam a criar o equivalente às pressões sociais exercidas nos contatos cara a cara dos pequenos grupos.' (Douglas; Wildavsky, 2012, p. 110). Elas incluem instituições como a mídia, escolas e organizações comunitárias. Ainda,

Antes que qualquer mensagem seja enviada por um aspirante a líder ao seu grupo de seguidores, o escopo para a liderança já foi determinado pela estrutura de sua organização. O estilo da própria organização sugere como os problemas devem ser apresentados. Não existe uma única maneira correta de comunicar. O método de comunicação é parte do estilo da organização. Cada tipo de organização percebe seus problemas de maneira diferente (Douglas, 1992, p. 204).

Contexto Social: este conceito abrange a maneira como diferentes grupos sociais, com suas respectivas visões de mundo e padrões de organização, influenciam a forma como os riscos são percebidos.

A análise cultural não precisa tornar-se um entrave ao diálogo, que permite que qualquer um paralise qualquer argumento referindo-se de modo reducionista à sua gênese social. Seu próprio clamor por atenção seria destruído no mesmo golpe - o que gera um procedimento de investigação capaz de conciliar o contexto social da crença sem eliminar a base do discurso (Douglas; Wildavsky, 2012, p. 183).

A partir desses parâmetros, a análise dos dados foi conduzida por meio do uso das proposições teóricas de Mary Douglas como base analítica. As respostas foram comparadas e interpretadas à luz da teoria cultural de Douglas e permitiram uma compreensão crítica de como as influências culturais moldam as percepções de risco dos licenciandos.

## Resultados

Apresentamos os resultados obtidos a partir da análise das respostas fornecidas ao questionário, associadas aos parâmetros teóricos extraídos da obra de Douglas. Os resultados e discussões serão organizados e discutidos em função de cada questão abordada.

## Questão 1

As respostas demonstram uma forte valorização da segurança física e mental, refletindo normas culturais que priorizam o bem-estar e a prevenção de situações de risco. Por exemplo, uma resposta destaca: ' Alguma ameaça à minha segurança física e mental. Tento não me colocar em situações desse tipo, evitando desgastes excessivos, discussões e similares. Se for o caso de não ser evitado, tento dialogar para evitar piorar o momento '.

Com base nos dados obtidos, aproximadamente 58% dos licenciandos (7 de 12) relacionam o trânsito como uma situação cotidiana de risco. A resposta predominante é que esse risco é gerido por meio de comportamentos prudentes, como ' dirigindo com mais prudência ', ' olhando para os dois lados antes de atravessar a rua ' e ' respeitando às regras de trânsito, evitando distrair-se com o celular '. Essas

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respostas indicam um valor de respeito às normas de trânsito e uma preocupação coletiva com a segurança no trânsito.

Os licenciandos mencionam uma variedade de riscos que são inerentes ao cotidiano, como o uso de gás de cozinha, eletricidade, objetos cortantes. Há uma clara valorização da cautela e da prevenção, demonstrada em respostas como: ' Me atento ao cheiro de gás e verifico se o desliguei após o uso; não misturo óleo e realizo o descarte da maneira correta; utilizo objetos cortantes com cautela '.

Um destaque é uma resposta que menciona a ideia de risco vista como algo que pode trazer benefícios, desde que gerenciada com cautela. A resposta: ' Quando penso em riscos, penso em situações que tomo que provavelmente poderão ter muitas consequências negativas, porém vale tentar algo arriscado pelo benefício que está envolvido ' demonstra uma norma cultural que valoriza a prudência, mas também reconhece o potencial benefício de enfrentar certos riscos. Neste trecho, nota-se a referência a um outro parâmetro: o Contexto Social. Essa inclusão é fundamentada em Lupton (2024), que argumenta:

Em alguns contextos sociais, a tomada de riscos é ativamente incentivada como um meio de escapar dos limites da vida cotidiana, alcançar a autoatualização, demonstrar a capacidade de ir além das expectativas ou performar o gênero. As emoções e a excitação do carnavalesco mudaram de local, passando do festival religioso para locais como o resort à beira-mar, o festival de música, o parque de diversões e o parque temático, as férias de aventura e o "esporte extremo". Atividades como o uso de drogas e o sexo oferecem caminhos pelos quais o culturalmente proibido pode ser indulgido, pelo menos por um tempo (p. 188).

As respostas dos licenciandos refletem normas e valores culturais fortemente orientados para a segurança, a prevenção e a prudência em situações de risco, sejam elas no trânsito, em casa ou em situações cotidianas. Há uma clara valorização de comportamentos que minimizam a exposição a riscos, bem como uma conscientização sobre os perigos associados a diferentes atividades diárias.

## Questão 2

Uma resposta menciona a necessidade de ' entrar em uma luta corporal para defender meu pai. Tentei, antes, dialogar com uma das partes, mas precisei defender meu pai quando a parte tentou o agredir ' podemos inferir que o contexto cultural em que o indivíduo foi socializado valoriza a justiça familiar e a proteção como obrigações morais. Esse contexto social específico legitima a ação física como uma resposta apropriada a uma ameaça contra a família.

Em um terço das respostas (4 de 12), é evidente a importância da capacidade de reação rápida e eficaz em emergências, como no caso de um ' acidente de trânsito ' em que o licenciando ' acionou os serviços de emergência ' ou quando ' desliguei rapidamente o fogão e avisei todos de casa sobre o ocorrido ' após detectar um vazamento de gás. Essas respostas indicam uma socialização que valoriza a segurança e a prontidão para agir em situações de perigo iminente. Algumas respostas refletem uma socialização que promove a avaliação cuidadosa dos riscos antes de tomar decisões. Por exemplo, o licenciando que optou por 'não dirigir com a CNH vencida' demonstra uma capacidade de ponderar as consequências de suas ações e escolher alternativas menos arriscadas.

As experiências relatadas por licenciandos que enfrentaram situações de risco na infância ou adolescência, como atravessar a rua em frente a uma moto em alta

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velocidade ou evitar um acidente com um caminhão, mostram como o contexto social precoce pode moldar reações automáticas em situações de perigo. As respostas revelam que suas reações e decisões em situações de risco são fortemente influenciadas pelo contexto no qual cresceram. As experiências pessoais, o ambiente familiar, e os valores sociais que foram internalizados ao longo de suas vidas desempenham um papel crucial na maneira como eles percebem e enfrentam riscos.

## Questão 3

Aproximadamente 42% das respostas (5 de 12) destacam a importância da conscientização pública e da divulgação científica para enfrentar riscos ambientais. Por exemplo, um licenciando menciona: ' Os cientistas podem contribuir para enfrentar esses riscos ao divulgar a gravidade do problema e fornecer possíveis soluções viáveis e práticas, conscientizando a população '. Isso reflete a influência das redes de significado social, como a mídia e a educação, na formação de uma consciência ambiental e na disseminação de conhecimento científico.

A menção às políticas públicas e à necessidade de fiscalização rigorosa, como observado na resposta ' Todos esses problemas podem ser resolvidos através de políticas públicas que fiscalizem as áreas naturais e que punam devidamente aqueles que cometerem crimes ambientais ' indica que as redes de significado social, incluindo instituições governamentais e organizações não-governamentais, desempenham um papel crucial na gestão dos riscos ambientais. Essas redes influenciam a percepção dos indivíduos sobre a eficácia das políticas e ações governamentais.

Respostas que mencionam a necessidade de ' cooperação global e adoção de práticas sustentáveis ' indicam que as redes de significado social, como as organizações internacionais e os movimentos ambientais globais, influenciam a percepção de que os riscos ambientais devem ser abordados coletivamente em uma escala global. Isso reflete a disseminação de uma visão globalizada e cosmopolita dos problemas ambientais e das soluções necessárias.

As respostas dos licenciandos indicam que suas percepções sobre riscos ambientais são amplamente moldadas pelas redes de significado social, que incluem a mídia, instituições educacionais, políticas públicas e movimentos globais. Essas redes desempenham um papel vital na conscientização, na disseminação de informações científicas e na mobilização para a ação coletiva.

## Questão 4

Todas as respostas (12) destacam a importância de discutir e ensinar sobre riscos no contexto educacional como uma maneira de conscientizar e preparar os alunos para enfrentar situações de risco. Por exemplo, uma resposta afirma: ' Discutir e ensinar sobre riscos no contexto educacional é fundamental porque prepara as pessoas para lidar com incertezas, tomar decisões informadas e desenvolver uma mentalidade crítica e resiliente '.

Quatro licenciandos apontam para deficiências na cultura educacional, em que a discussão sobre riscos não é dada a devida importância. Uma resposta menciona: ' Acredito que discutir sobre riscos no contexto educacional é muito importante [...] Mas percebo que o tema de riscos não é levado tão a sério até acontecer '. Diante disso, percebe-se que em certos cenários, as normas culturais podem minimizar a importância da educação sobre riscos até que ocorra uma situação crítica, refletindo uma cultura reativa em vez de proativa.

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Uma resposta destaca que ' se o indivíduo possuir conhecimento sobre os riscos e os problemas que esses podem causar diretamente em sua vida, ele pode alinhar seus ideais, por exemplo, por meio do voto não elegendo políticos que compactuam com a degradação do meio ambiente ' sugerindo que o ensino sobre riscos pode influenciar comportamentos e decisões políticas, como o voto. Isso reflete uma norma cultural que valoriza a educação como ferramenta para a participação consciente e informada na sociedade.

As respostas refletem uma percepção crescente sobre a importância de ensinar sobre riscos, influenciada por valores culturais que priorizam a preparação para o futuro, o desenvolvimento de habilidades críticas e conscientização social.

## Questão 5

Duas respostas indicam que, embora muitos conteúdos de Física envolvam questões de risco, esses riscos não são frequentemente abordados de maneira prática ou aplicada. Por exemplo, uma resposta menciona: ' Acredito que a maioria, se não todos, os conteúdos de física envolvem questões de risco... Entretanto, esses conceitos não são abordados com enfoque direto nos perigos do dia a dia, mas sim, nas fórmulas e resoluções de exercícios '. Isso reflete uma prática cultural no ensino de Física que prioriza a teoria e a resolução de problemas matemáticos, enquanto as aplicações práticas e os riscos são menos explorados.

Uma resposta relatou práticas em que os professores fazem conexões entre os conteúdos de Física e os riscos do cotidiano, embora de forma limitada. Um exemplo é: ' Durante meu ensino médio os livros didáticos distribuídos traziam esses alertas em partes ao lado do texto base, nas aulas acompanhadas hoje em dia o professor costuma citar algum desses exemplos '. Isso sugere que, em certas práticas culturais, há um esforço para relacionar o conteúdo com situações de risco, mas essa prática não é aprofundada ou integrada ao currículo principal.

As respostas mencionam conteúdos como Termodinâmica, Eletricidade, Eletromagnetismo e Física Moderna (radiação) como áreas que envolvem riscos. Um licenciando observa: ' Energia (tipos de energia sendo discutidos, quais são mais benéficos para o meio ambiente e para a sociedade). Física Moderna (explicando o que são radiações e quais os tipos que são maléficas para a vida) '. Isso mostra uma prática cultural em que certos tópicos são reconhecidos por seu potencial risco, mas a maneira como esses riscos são abordados pode variar significativamente entre diferentes contextos educacionais.

A partir das respostas, percebe-se que a falta de uma abordagem sistemática e integrada para tratar os riscos nas aulas de Física reflete uma prática cultural que poderia ser aprimorada para melhor preparar os alunos para lidar com os riscos.

## Questão 6

Cerca de 83% das respostas (10 de 12) indicam que os licenciandos percebem a emergência de novos riscos tecnológicos, como a Inteligência Artificial (IA), o uso inadequado da internet e a poluição luminosa. Por exemplo, uma resposta observa: ' Um risco tecnológico que eu vejo é o avanço das inteligências artificiais, mas a comunidade não percebe muito isso '. Essa percepção sugere que, embora os licenciandos estejam cientes desses riscos, há uma prática cultural na comunidade que ainda não valoriza ou discute suficientemente essas questões, o que pode refletir uma falta de conscientização ou de interesse na temática.

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Um terço das respostas (4 de 12) aponta que muitos problemas tecnológicos são ' negligenciados ' ou tratados ' com senso comum na comunidade ', como mencionado na resposta: ' A maioria dos problemas tecnológicos nem sequer é percebida ou apenas é tratada com senso comum na comunidade '. Isso reflete uma prática cultural em que os riscos tecnológicos não são analisados de forma crítica, o que pode limitar a capacidade de lidar efetivamente com esses desafios.

Cerca de 33% das respostas (4 de 12) enfatizam a importância de discutir os impactos ambientais das tecnologias, como o descarte de lixo eletrônico, o uso de fontes de energia, e a poluição causada por satélites e foguetes. Uma resposta menciona: ' Os principais riscos tecnológicos que devem ser discutidos no ensino de física, em minha opinião, são fontes de energia e combustível e as consequências do uso de cada uma delas '. Isso sugere que há práticas culturais que começam a integrar a discussão sobre sustentabilidade e riscos tecnológicos no discurso educacional.

As respostas indicam que há uma conscientização crescente entre os licenciandos sobre os desafios e riscos emergentes. No entanto, a percepção desses riscos na comunidade varia amplamente, e muitos problemas tecnológicos ainda são negligenciados ou tratados superficialmente. Percebe-se que as práticas culturais relacionadas à educação sobre riscos tecnológicos ainda precisam ser fortalecidas, tanto em termos de conscientização quanto de discussão crítica no ensino de Física.

## Considerações finais

As respostas dos licenciandos revelam que, embora o ensino frequentemente se concentre na teoria e na aplicação matemática, alguns riscos específicos são reconhecidos justamente devido ao conteúdo aprendido no curso. As respostas mencionam riscos relacionados a eletricidade e radiação, temas abordados em disciplinas do curso de licenciatura em Física. Assim, o curso contribui para que os alunos reconheçam riscos que talvez passassem despercebidos sem esse embasamento, mostrando a importância de relacionar os conceitos teóricos com situações práticas para fortalecer a formação crítica e preventiva. Concluímos, portanto, que há uma necessidade de integrar de maneira mais sistemática a discussão sobre riscos tecnológicos e ambientais no Ensino de Física, a fim de proporcionar, para os futuros professores, uma formação mais abrangente, crítica e alinhada com os desafios contemporâneos.

## Agradecimentos

Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, código de financiamento 001 e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Processo número 2024/03921-4.

## Referências

DOUGLAS, M. Risk and blame: Essays in cultural theory. London: Routledge, 1992.

DOUGLAS, M. Four Cultures: The Evolution of a Parsimonious Model. GeoJournal , v. 47, n. 3, p. 411-415, 1999.

DOUGLAS, M.; WILDAVSKY, A. Risco e cultura : um ensaio sobre a seleção de riscos tecnológicos e ambientais. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012.

FLICK, U. Introdução à metodologia de pesquisa: Penso, 2013.

um guia para iniciantes. Porto Alegre:

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social . 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. LUPTON, D. Risk . New York: Taylor & Francis, 2024.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.