ELETROLUVAS - UTILIZANDO A GESTALT NO ENSINO DA ELETRICIDADE POR MEIOS DE ESTÍMULOS SENSORIAIS E VISUAIS COM LICENCIANDO DE FÍSICA
Henristoni De Souza Pinheiro, Maria Cristina Moreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 21/01/2025
- Linha de pesquisa
- Cultura, Cognição E Linguagem No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ELETROLUVAS - UTILIZANDO A GESTALT NO ENSINO DA ELETRICIDADE POR MEIOS DE ESTÍMULOS SENSORIAIS E VISUAIS COM LICENCIANDO DE FÍSICA
## Henristoni de Souza Pinheiro 1 , Maria Cristina do Amaral Moreira 2
1 IFRJ, tonnypp3@gmail.com.br
2 IFRJ, maria.amaral@ifrj.edu.br
## Resumo
A alienação educacional e o desinteresse escolar têm sido um entrave na evolução na educação dos alunos do ensino fundamental e médio ao longo dos anos. Muito se tem feito na busca por um ensino mais inclusivo e participativo, visando tornar o conteúdo educacional mais atraente aos alunos. Nesse contexto, as dinâmicas experimentais têm um importante papel de ser a cola que liga o conteúdo teórico aos fenômenos que eles dimensionam. Pensando nisso, foi desenvolvido um trabalho no grupo de pesquisa da IFRJ, seguindo os conceitos da Gestalt, buscando proporcionar uma experiência imersiva no ensino da eletricidade para os alunos. Nele o aluno será um componente elétrico e fará parte de um circuito, tendo as mesmas funções de deveres do componente que representará. Os alunos utilizarão luvas elétricas que tornaram possível a condução de eletricidade entre eles de forma segura. Dessa forma, eles poderão formar diversos circuitos elétricos, que desempenharão diversas funções diferentes, para resolver problemas propostos em sala de aula, onde ele, conscientes de suas funções e habilidades como componentes elétricos, encontraram, através do insight, suas formas particulares de resolver os problemas propostos. Sendo uma forma de incentivar o pensamento criativo e ensinando e eletricidade de forma pessoal, fazendo com que o aluno participe da aula de forma interativa.
Palavras-chave : eletroluvas; eletricidade; ensino de física
## Introdução
A escola tradicional se caracteriza por centralizar o conhecimento no professor, que exerce monopólio sobre o saber, deixando pouco espaço para identificar o indivíduo como entidade de mudança, transformação e de interação com o conteúdo a ser ensinado. Esse tipo de modelo pode gerar alunos desinteressados e alienados. (BRIZUEÑA et al, 2022).
Brizueña et al. (2022) apontam que apesar de existirem inúmeras contribuições no campo do ensino de ciências, seja pelo ponto de vista psicológico, pedagógico ou filosófico, o que ainda prevalece é o modelo tradicional, descrito como uma rotina mecânica e burocrática, implicando em um ensino a-histórico e acrítico.
Figueiredo e Justi (2011) citam em seu estudo, que tradicionalmente, os alunos são testados em sua capacidade de memorização de conceitos superficiais, gerando um conhecimento fragmentado e difuso, oferecendo pouca interação entre o aluno e o conhecimento transmitido em sala de aula.
Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é o de minimizar esse cenário e apresentar uma estratégia de ensino que auxilie o aluno a entender eletricidade de forma participativa. A proposta visa o formato onde o professor utiliza experimentos em sala de aula que levem os alunos a entenderem a identidade dos elementos da
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
matéria que estão aprendendo, aproximando-os do ensino dos fenômenos de forma mais representativa. Para isso, utilizamos os conceitos da Gestalt, teoria desenvolvida como um método que induz ao autoaprendizado por meio do insight . Nessa teoria, o mundo que é captado por nossos olhos é diferente do que se apresenta ao nosso cérebro, ou seja, existem duas dimensões: o mundo real; e o que é interpretado pela nossa mente, sendo assim, o que se vê é diferente do que é entendido. A Gestalt considera que dificilmente percebemos as partes isoladamente, mas o todo que é formado por elas. Para que as partes tenham significado, é preciso primeiro compreender o todo formado por elas. (BOCK, FURTADO, TEIXEIRA ,1999). Por isso, contrariando o que muitos pensam, o aprendizado deve partir de uma unidade completa, um todo, para depois apresentar suas partes, sempre indicando a posição desta parte no todo. Entende-se que nossos sensores de visão, audição, tato, olfato e paladar passam informações para o cérebro, ele organiza essas informações através da estruturação, dando uma intepretação a elas. Ainda, segundo a teoria da Gestalt, é partir do conhecimento do todo que se começa a formar novas partes, e as partes que compõem a ideia deixam de ter importância, pois é possível chegar a elas de diversas formas e de diferentes pontos de vista.
Este estudo utilizou experimentos em sala de aula com onze alunos da licenciatura de física do Instituto Federal do Rio de Janeiro, por meio da ampliação da percepção, e no uso da analogia de conceitos mais familiares, comuns ao cotidiano de qualquer indivíduo, facilitando a compreensão do conteúdo a ser ensinado.
## Metodologia
Com o objetivo de ensinar o comportamento da corrente elétrica em diversos circuitos e dos seus componentes principais, foi desenvolvida uma dinâmica experimental com os alunos onde todos fizeram parte de um circuito elétrico. Com o auxílio de luvas, ilustradas na Figura 1, equipadas com contatos e componentes elétricos.
Figura 01. Luvas com componentes elétricos para dinâmica educacional e grupo (figura elaborada pelo autor).
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As luvas foram criadas pelo autor principal do trabalho e são chamadas de eletroluvas, elas passam por um processo de patente já enviado e depositado, com o apoio da Agência de Inovação - IFRJ, que já proporcionou a apresentação do trabalho em eventos como o Rio Innovetion Weekend, nos dias 03 a 06 de outubro de 2023, no Píer Mauá, edição 23IRW, e dia no 19/10/23 foram apresentadas no Festival da Ciência, um evento realizado pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia (SMCT), eventos fundamentais para promover e incentivar ações que estimulem nos estudantes a busca por novos conhecimentos.
## Aplicação da Metodologia
A aula sobre circuitos em série e paralelo, realizada no IFRJ de Nilópolis, no dia 16/09/2023, teve como objetivo proporcionar aos participantes uma compreensão sobre os conceitos fundamentais do conteúdo de circuitos elétricos e suas aplicações práticas. A partir dos princípios da Gestalt, foi feita uma dinâmica com os participantes onde utilizando as luvas como ferramentas para aplicação desses princípios.
Na dinâmica, cada participante faz parte de um circuito elétrico, ao vestir o par de luvas, se comportando como um componente elétrico, desempenhando uma função no circuito. A dinâmica busca apresentar a funcionalidade e as diferenças entre o circuito série e paralelo, e descrever as funções e o comportamento dos componentes nesses dois tipos de circuitos, ao mesmo tempo que os alunos participantes atribuem identidade aos componentes. Esse experimento também desenvolve o lado criativo dos alunos, fazendo com que eles usem as luvas entre eles para desenvolver diversas combinações com os componentes nas variadas configurações de circuitos. A dinâmica busca fazer com que cada aluno sabia seu papel no circuito, levando em consideração a função do componente equipado na luva que está vestindo. Para a representação do circuito em série, foram selecionados três alunos representando lâmpadas, e um aluno representando a bateria, conforme a Figura 2.
Figura 02. Dinâmica com alunos dando as mãos para formar uma roda, configurando o circuito série (figura elaborada pelo autor).
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Quando os alunos dão as mãos, formando uma roda, as luvas dos alunos que tinham lâmpadas acendem. Logo após é solicitado a um dos alunos que representa lâmpada saia do círculo. Quando ele solta as mãos para deixar o círculo todas as demais lâmpadas do círculo apagam. Mostrando para os alunos que as reações de um circuito série são propagadas de igual forma para todos os componentes.
Para a representação do circuito em paralelo, eles empilharam as mãos direita e esquerda umas sobre as outras, formaram um circuito paralelo como demostrado na Figura 3.
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Figura 03. Dinâmica com alunos botando as mãos uma sobre a outra, configurando o circuito paralelo (figura elaborada pelo autor).
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Novamente foi solicitado que um dos alunos com a lâmpada soltasse sua mão das outras. Mas dessa vez somente a lâmpada do aluno que tirou a mão apagou, as demais lâmpadas continuaram acesas. Isso demonstrou para os alunos a diferença funcional entre o circuito em série e em paralelo. Mostrando para os alunos o circuito paralelo funciona de uma forma mais particionada.
## Introduzindo componentes na dinâmica
Nessa etapa os alunos repetem a ligação do circuito em série, dando as mãos para formar um círculo, mas dessa vez junto com as luzes incluímos um aluno equipada com um resistor. Quando o aluno entra na roda, dando as mãos aos outros, a intensidade do brilho das lâmpadas dos 3 alunos diminui de igual forma. Confirmando para os alunos o que tinha sido exposto no primeiro passo da dinâmica, que as reações de um circuito série são propagadas de igual forma para todos os componentes. Também mostrou de forma prática os resultados do trabalho da resistência, se opondo à passagem da corrente elétrica, gerando a diminuição da intensidade luminosa das lâmpadas.
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Figura 04. Representação do comportamento do circuito série com a inclusão da resistência (figura elaborada pelo autor).
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Assim como feito no circuito em série, os alunos realizaram o mesmo procedimento, mas dessa vez repetem a formação do circuito paralelo. Nessa configuração, quando o aluno com a luva incluindo a resistência dá as mãos a um aluno com somente a lâmpada, ela diminui o brilho, mas as demais continuam brilhando com a mesma intensidade.
- O mesmo procedimento, aplicado na introdução do resistor, foi aplicado na introdução do capacitor. Quando ligado em série os alunos conseguem perceber que as luzes vão apagando lentamente conforme o capacitor se carrega.
Nessa etapa, o aluno com a bateria soltará as mãos dos demais, deixando apenas o aluno que representa o capacitor ligado com os 2 que representam as lâmpadas. Ao fazer isso, os alunos percebem que no momento que a bateria deixa o grupo, as lâmpadas começam a apagar lentamente, à medida que o capacitor vai cedendo sua carga para as lâmpadas. Dessa forma, os alunos percebem a diferença funcional do capacitor nos dois circuitos.
## Resultados
Dentro das atividades realizadas foi dado enfoque para: (i) comportamento da eletricidade em um circuito em série; (ii) Comportamento da eletricidade em um circuito em paralelo; (iii) Explicação do funcionamento do componente elétrico resistência; (iv) Associação da resistência em um circuito serie e paralelo.
Após e apresentação prática foi feita uma revisão relacionando o conteúdo trabalhado com os conceitos teóricos eletricidade, essa revisão foi explicada por meio de uma analogia entre o comportamento da água dentro de um circuito hídrico e a eletricidade, utilizando slides, e por uma explicação sobre circuitos em série e paralelo.
Em seguida, foi realizado um Quiz utilizando a plataforma de perguntas e resposta kahoot , e nele discutimos sobre as aplicações práticas da eletricidade, problemas comuns em circuitos do mundo real e possíveis soluções por meio de um
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conjunto de perguntas sobre o conteúdo aprendido pelo conhecimento teórico e da dinâmica prática aplicados em sala.
O resultado pode ser constatado nas respostas dadas ao questionário aplicado após a aula, neles demostra que a maioria dos alunos respondem de forma correta perguntas relacionadas ao conteúdo trabalhado, conforme podemos ver abaixo na Figura 5:
Figura 05. Representações gráfica dos desempenhos dos alunos gerada pelo kahoot (fonte kahoot.com).
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## Considerações Finais
A dinâmica proporcionou uma compreensão sólida dos circuitos em série e paralelo, destacando a importância desses conceitos em diversas aplicações práticas. Os participantes puderam aplicar os conhecimentos adquiridos por meio de uma demonstração prática, consolidando assim a teoria aprendida.
Dessa forma, aprender corrente elétrica, por meio das eletroluvas, leva o aluno a entender o fenômeno a partir da identidade de suas partes de forma participativa, e não a partir de uma rotina da memorização mecânica.
## Referências
BOCK, A. M. et al. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13ª Edição, São Paulo: Saraiva, 1999.
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BRIZUÑA, T. M.; PLAÇA, J. S.; GOBARA, S. T. A alienação escolar na perspectiva da teoria da objetivação: um olhar para o Ensino de Ciências, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, 2022.
FIGUEIRÊDO, K. L.; JUSTI, R. Uma proposta de formação continuada de professores de ciências buscando inovação, autonomia e colaboração a partir de referenciais integrados. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 11, n.1, Belo Horizonte, MG, 2011.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.