Potencialidades de atividades de Física a partir do Anime "Dr. Stone"
Bruno Xavier Duarte, Silmara Rodrigues Domingues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 21/01/2025
- Linha de pesquisa
- Cultura, Cognição E Linguagem No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## POTENCIALIDADES DE ATIVIDADES DE FÍSICA A PARTIR DO ANIME 'DR. STONE'
## Bruno Xavier Duarte¹, Silmara Rodrigues Domingues 2
- 1 Universidade Estadual de Campinas, b214087@dac.unicamp.br
- 2 Universidade Estadual de Campinas, silmara1945@gmail.com
## Resumo
Considerando os potenciais pedagógicos das atividades experimentais e das animações no ensino de Física, levantamos a seguinte questão de pesquisa: quais as possibilidades de trabalhar com uma série de animação no ensino de Física? Para tal, selecionamos o anime Dr. Stone e realizamos uma análise fílmica com o objetivo de analisar a obra em busca de possibilidades didáticas a partir das tecnologias desenvolvidas nessa. Com a trama desenvolvendo-se milhares de anos após um fenômeno de origem desconhecida transformar toda a humanidade em pedra, Ishigami Senku desperta e busca construir, usando todo seu conhecimento e amor pela erudição, uma nova civilização a partir do desenvolvimento da ciência. No decorrer da primeira temporada, diversas tecnologias são desenvolvidas e identificamos que boa parte destas possui grande potencial pedagógico para se trabalhar no ensino básico, seja para apresentar a ciência como processo histórico e contextualizado em uma problemática, seja sob uma perspectiva experimental, ao poder reproduzir-se determinados processos expostos no anime em sua totalidade ou parcialidade. Identificamos também possibilidades de trabalhar com a animação em uma perspectiva crítica e reflexiva sobre a produção, ao observamos que as representações de Ciência e de cientista expostas na obra são descontextualizadas, expondo estereótipos que precisam ser ultrapassados e problematizados em processos de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave : Ensino de Física; Animação; Experimentação.
## Introdução
Diversos autores do campo da Educação em Ciências advogam pela utilização de animações em processos de ensino-aprendizagem, principalmente por sua potencialidade lúdica de despertar o interesse nos estudantes e por motivar a construção do conhecimento científico, já fazendo parte da cultura e do cotidiano dos estudantes (Santos; Gebara, 2015; Tomazi et al. , 2009; Mesquita; Soares, 2008). No entanto, encontramos na literatura pesquisas que nos lembram da necessidade de entender a animação como produto fílmico e, como tal, elaborado em um contexto comercial específico de seu produtor, não tendo como finalidade a educação científica.
Dessa forma, para Silva e Cunha (2017, p. 210), '[...] é preciso considerar que o filme, por ser um produto sociocultural, transmite diferentes representações que podem ser entendidas de diferentes formas, pois depende do público que está assistindo'. As autoras instigam a necessidade do espectador, ao assistir qualquer produção cinematográfica, refletir sobre suas representações, relações e contextos.
Neste trabalho consideramos que filmes e séries de animação são materiais indispensáveis para o Ensino de Física, tanto por já fazerem parte do arcabouço sociocultural do estudante quanto por possibilitarem debates e análises de aspectos
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
sociais e científicos presentes nas obras. Assim como Zanetic (1990) nos diz, física também é cultura, e aproximar obras cinematográficas do Ensino de Física diminui as fronteiras criadas entre ciência e arte. As animações possibilitam que os estudantes entrem em contato com a física enquanto cultura, trabalhando o imaginário e instigando processos, debates e discussões sobre questões científicas e sociais.
Com o objetivo de analisar uma animação em busca de possibilidades didáticas a partir das tecnologias desenvolvidas, realizamos uma análise fílmica do anime Dr. Stone (2019) para responder à seguinte questão: quais as possibilidades de trabalhar com uma série de animação no ensino de Física? Para tal, selecionamos a animação Dr Stone (2019), por considerarmos que esta desenvolve diversas atividades de cunho sociocientífico que possibilitam discussões e contextualizações de Ensino de Física.
## A Experimentação no Ensino de Física
Considerando o caráter empírico da ciência, os documentos e normativas que constituem a organização do sistema educacional nacional em todos os níveis de ensino (básico e superior) ressaltam a importância da presença da experimentação nas situações de ensino-aprendizagem, seja para incentivar a articulação entre as áreas do conhecimento, para analisar fenômenos ou processos da natureza ou para a interpretação de como o conhecimento e as tecnologias são desenvolvidas pela ciência (BRASIL, 2001; BRASIL, 2018a; BRASIL, 2018b). Contudo, por mais que os documentos oficiais estimulem o uso dessa metodologia de ensino, diversos fatores contribuem para que as atividades experimentais sejam pouco desenvolvidas no ensino básico, onde Borges (2002) aponta razões como: a falta de verbas ou recursos para compra de materiais e equipamentos; falta de tempo na grade do professor para planejar a realização das atividades; laboratório fechado, abandonado ou sem manutenção nas escolas; e a distância entre os fenômenos observados em laboratório e o ambiente fora da sala de aula dos alunos. Ainda, o autor ressalta que um problema comumente visto é a complexidade das montagens de determinados experimentos e/ou equipamentos, constituindo uma '[...] forte barreira para que o estudante compreenda as idéias e conceitos envolvidos nas atividades práticas' (Borges, 2002, p.296).
Dessa forma, levando em conta as potencialidades pedagógicas das atividades experimentais (Neves, 2006; Carvalho et al ., 2010; Parreira; Dickman, 2020; Marques; Orengo, 2021) e as dificuldades comumente encontradas para sua aplicação, entendemos que o emprego de filmes de animações pode ser uma alternativa de introdução à Física como ciência experimental. Esses podem ser abordados para promover um pensamento crítico, refletir sobre resoluções de problemas e estimular a observação e registro de dados (Parreira; Dickman, 2020), bem como auxiliar na percepção da experimentação como algo proposto com uma intencionalidade e um problema por trás (Borges, 2002), contextualizando o processo de ensinoaprendizagem.
## Metodologia
Temos como objetivo analisar uma animação em busca de possibilidades didáticas a partir das tecnologias desenvolvidas. Com isso, partimos da seguinte questão: quais as possibilidades de trabalhar com uma série de animação no ensino de Física?
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Para cumprir com o objetivo estabelecido, escolhemos trabalhar com a análise fílmica, pois consideramos que esta significa '[...] despedaçar, descosturar, desunir, extrair, separar, destacar e denominar materiais que não se percebem isoladamente 'a olho nu', uma vez que o filme é tomado pela totalidade' (Vanoye, 2008, p. 15). Após assistirmos à animação selecionada, Dr. Stone (2019), e nos familiarizarmos com os aspectos centrais da produção, selecionamos os experimentos realizados na primeira temporada e seus respectivos contextos para passar por um processo de análise mais cuidadoso.
Para a seleção das cenas, estabelecemos alguns pontos centrais a serem analisados: realização de experimentos, falas dos personagens e contextos das situações apresentadas. Na análise das cenas selecionadas, observamos alguns pontos: a viabilização das tecnologias desenvolvidas e as possibilidades didáticas com a animação; e a representação da ciência e do cientista.
## Dr. Stone
A série de animação japonesa, ou anime, Dr. Stone ( Dokutā Sutōn , adaptação do mangá escrito por Riichiro Inagaki e animado pela TOHO animation sob a direção de Shinya Iino em 2019) foi escolhido por nós por considerarmos que seu enredo está diretamente ligado a aspectos da ciência e, especificamente, de tópicos de física. A história do anime se passa milhares de anos após um fenômeno de origem desconhecida transformar toda a humanidade no planeta terra em pedra, quando um jovem extraordinariamente inteligente e motivado pela ciência chamado Senku Ishigami desperta. Face a um planeta colapsado, Senku decide usar sua mente para reconstruir o mundo usando todo seu corpo de conhecimentos sobre ciência ao lado de seus amigos Taiju Oki e Yuzuriha Ogawa, e contando com a ajuda de uma pequena vila de 'sobreviventes' do desastre que quase extinguiu a humanidade, buscando restabelecer a civilização do zero na construção do que o protagonista chama de 'Reino da Ciência'.
Representando os milhões de anos da história da ciência, desde a Idade da Pedra até os dias atuais, a trama apresenta-se em torno da construção de uma sociedade baseada em ciência e em tecnologia, onde para isso o protagonista e seus colegas desenvolvem invenções e tecnologias, desde a cerâmica, o cloreto de sódio (sal de cozinha), sextante e polias, até a utilização de métodos mais avançados como destilação para se obter etanol, dínamos para geração de corrente e fornos de alta temperatura para fundir ferro, cobre e produzir vidraria. No decorrer da história, inúmeras adversidades entram no caminho dos personagens, os quais usam da ciência para conseguir sobrepujar estas, como a manufatura de antibióticos para tratar doenças ou vidro para conceber lentes de grau.
## Tecnologias desenvolvidas e possibilidades didáticas
A primeira temporada do anime, recorte que selecionamos para este trabalho, conta com 24 episódios. Nestes, contabilizamos 65 tecnologias 1 desenvolvidas e executadas pelos personagens ao longo de toda a história. Algumas tecnologias são mais primitivas, com finalidades simples e outras são mais complexas, cuja
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elaboração necessita de diversas etapas e, em cada uma dessas, outras tecnologias também são produzidas. Ao ter conhecimento da história da ciência e das civilizações, o protagonista, deparando-se com uma situação problema, usa de seu conhecimento para pensar qual possível tecnologia ou ferramenta pode ser útil para superar tal adversidade.
Como exemplo, citamos algumas tecnologias criadas no início do anime, como as ferramentas de pedra, as cordas feitas com fibras de plantas, armadilhas para caça, jangada, sabão para desinfecção e polias; todas possuem uma finalidade primitiva de servir de base para sobrevivência, abrigo e aquisição de alimentos. Percebemos nesses exemplos uma possibilidade de trabalho interdisciplinar com a disciplina de História, ao observarmos oportunidades de discutir e comparar as tecnologias da animação com as tecnologias desenvolvidas nas Idade da Pedra Lascada e Idade da Pedra Polida. Ao trabalhar e desenvolver a polia 2 , por exemplo, conteúdo da disciplina de Física no Ensino Médio (Brasil, 2018b), observamos possibilidades de trabalhar de maneira experimental com os estudantes, bem como exaltar a ciência como algo contextualizado em uma problemática, colaborativo e histórico (Cachapuz, 2005).
De maneira linear, a história progride com o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas. Com o uso do fogo, por exemplo, adquire-se: Cloreto de Sódio (NaCl) ao evaporar água do mar, onde vemos como possibilidade a replicação do experimento em sala de aula com materiais de baixo custo; etanol, ao usar um destilador de barro para purificar e concentrar o álcool, onde também percebemos a possível reprodutibilidade em sala de aula através de um aparato experimental usando-se de um destilador de vidro (ou borossilicato, para vidrarias especiais de laboratórios de química); glucose, criado ao esquentar-se o álcool; e metais fundidos, quando os personagens desenvolvem uma fornalha de barro com sopradores. Observamos, portanto, diversas perspectivas em que atividades experimentais podem ser realizadas baseadas nas tecnologias apresentadas na animação onde, de acordo com a trama, cada uma destas está contextualizada com uma problemática e uma intencionalidade, assim como ocorre na história da ciência, evidenciando novamente a ideia de uma atividade interdisciplinar (Cachapuz, 2005; Parreira; Dickman, 2020).
Com o desenrolar do desenho, o desenvolvimento de tecnologias mais complexas, dados contextos ou problemas específicos a serem superados, acabam por serem explorados de maneira mais profunda pelos personagens. Ao invés de apenas criar uma determinada ferramenta para cumprir um objetivo específico direto, aos poucos introduz-se na história processos mais longos cujas etapas possuem relevância neste e em outros momentos posteriores. Por exemplo, ao se depararem com a filha do chefe da vila com uma doença respiratória, Senku organiza toda uma sequência de etapas, conforme exposto na Figura 1, para desenvolver um remédio antibiótico que trata essa. Entendemos essa parte do anime como possibilidade para apresentar a ciência não como resultado, mas como processo histórico, onde pode-se discutir: a necessidade da manipulação artesanal e profissional dos equipamentos; o esclarecimento da teoria para elucidação da sua relação com a finalidade da prática e dos processos que compõem a composição desta nova tecnologia (Parreira; Dickman, 2020).
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Figura 01: Esquema das invenções feitas durante o processo de manufatura do antibiótico (sulfa drug). Fonte: captura de tela retirada diretamente da animação, episódio 8, minutagem 3:35.
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Apenas para a fabricação de poucos gramas de remédio, vê-se o uso de materiais brutos, como ferro e cobre, outros mais manufaturados, como álcool e vinagre, até alguns mais complexos e que necessitam de uma ampla gama de conhecimentos para se obter com segurança, como eletricidade, magneto, ácido sulfúrico e amônia. Esse e outros exemplos em que tecnologias mais elaboradas são desenvolvidas no anime, mostram um potencial pedagógico bem interessante, por mostrar não apenas a manipulação de objetos, mas também pelo '[...] envolvimento comprometido com a busca de respostas/soluções bem articuladas para as questões colocadas' (Borges, 2002, p. 294), bem como por incentivar uma nova visão de mundo em quem assiste, considerando o entrelaçamento entre os conhecimentos expostos e os anteriores dos estudantes (Carvalho et al ., 2010). Assim, entendemos que essas tecnologias mais elaboradas apresentadas no desenho possuem potencial para trabalho experimental no ensino básico no que se refere aos métodos científicos, na exploração das etapas de um experimento científico e na problematização deste.
## Representação de Ciência e de Cientista
A animação tem como ponto central, em sua primeira temporada, o desenvolvimento do 'Reino da Ciência', onde todos os participantes dessa sociedade devem venerar e compreender a importância que a Ciência possui no desenvolvimento de tecnologias que auxiliem em todos os aspectos essenciais já conquistados pelo ser humano, desde processos de sanitização até o desenvolvimento de energia elétrica. Para isso, o anime desenvolve uma visão do que significa fazer Ciência e do que significa ser cientista.
O cientista é representado por dois personagens ao longo da primeira temporada: Senku Ishigami, personagem principal, que desde pequeno demonstra-se interessado por compreender o mundo científico, destacando-se em diversos campos da ciência, com especial interesse pelo campo da astronomia; e Chrome, aprendiz de Senku
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Ishigami, tido inicialmente pela sua aldeia como feiticeiro, curioso pelo mundo físico desde pequeno e com especial interesse em colecionar pedras.
Senku Ishigami é tido como gênio em todos os episódios da primeira temporada, sendo sempre capaz de solucionar os problemas com os quais se depara através de seu conhecimento científico. Com um quimono branco desenvolvido por ele no início da animação, que conta com a estampa 'E=mc²', e com os cabelos brancos e espetados, o personagem representa de forma bem clara o estereótipo de cientista encontrado em filmes dos diversos gêneros (Tomazi et al. , 2009): do sexo masculino, branco, com cabelo grande e não arrumado, pesquisador louco, atormentado, extremamente inteligente e com poucas habilidades sociais. Esse estereótipo possui diversos problemas: uma concepção elitista da ciência, por pertencer a uma minoria superdotada (p. 345); a atividade científica como desenvolvida predominantemente para a criação de tecnologias, com instrumentos típicos de laboratórios (p. 348); uma visão individualista da ciência, ignorando o papel da comunidade científica e prevalecendo o fazer científico como obra de gênios isolados (p. 347).
Como exemplo desse último ponto, no Episódio 9 'Faça-se a luz da ciência', Senku Ishigami desenvolve os instrumentos necessários para a criação de uma lâmpada, e diz (Episódio 9, minutagem 20:53): 'Não existe escuridão na minha era. O velho Edson apagou a noite do mundo com a sua lâmpada incandescente. Ele conquistou as 24 horas do dia. Com a Ciência, a humanidade derrotou a noite'.
Ao analisarmos a concepção de Ciência presente na animação, percebemos que vai ao encontro das considerações de Cachapuz (2005, p. 45): 'Uma concepção que defende o papel da observação e da experimentação 'neutra' [...], esquecendo o papel essencial das hipóteses como focalizadoras da investigação e dos corpos coerentes de conhecimentos (teorias) disponíveis, que orientam todo processo'. Da mesma forma, observamos uma falta de discussão sobre os impactos aos meios naturais, sociais e culturais da ciência. Ao contrário de outras animações analisadas em Tomazi e colaboradores (2009), os experimentos realizados e as tecnologias desenvolvidas possuem sempre êxito, passando a imagem de que a persistência e a determinação sempre levarão à conclusão dos objetivos pretendidos. Não há limites para a Ciência, mesmo considerando o desenvolvimento de tecnologias que não pertencem ao contexto histórico apresentado.
Observamos também o uso indiscriminado de um 'método científico' único, com sequência de etapas definidas, baseado em observações e experiências. Como Moreira e Ostermann (1993, p. 114) nos lembram:
O método científico não é um procedimento lógico, algorítmico, rígido. Na prática, muitas vezes, o cientista procede por tentativas, vai numa direção, volta, mede novamente, abandona certas hipóteses porque não tem equipamento adequado, faz uso da intuição, dá chutes, se deprime, se entusiasma, se apega a uma teoria. Enfim, fazer ciência é uma atividade humana, com todos os defeitos e virtudes que o ser humano tem, e com muita teoria que ele tem na cabeça. Conceber o método científico como uma seqüência rigorosa de passos que o cientista segue disciplinadamente é conceber de maneira errônea a atividade científica.
Percebemos, portanto, que o anime apresenta uma visão estereotipada do que é Ciência e cientista. Considerando as possibilidades de utilização dessa série de animação em salas de aula, faz-se necessária uma contextualização e análise dessas visões com os estudantes, para que estes analisem de maneira crítica as representações e intencionalidades presentes nesta e em outras obras de animação.
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Consideramos que esta análise crítica auxilia os estudantes a perceberem as obras fílmicas como produtos mercadológicos criados de acordo com a visão de seu produtor, e como tal, detentoras de endereçamentos próprios de uma cultura e de uma sociedade, que não necessariamente vão ao encontro do que é consensualmente discutido pela comunidade científica. Essas representações estereotipadas não são, portanto, motivos para desqualificar uma obra fílmica como possibilidade didática, mas sim uma forma de possibilitar que os estudantes consigam perceber características das produções cinematográficas, analisando de maneira crítica os contextos de uma obra fílmica e discutindo aspectos sociais do fazer científico.
## Considerações finais
Ao analisar as potencialidades da série de animação Dr. Stone para o ensino de Física, consideramos que o anime manifesta diversas possibilidades de trabalho pedagógico em sala de aula, em especial no que se refere ao emprego de atividades experimentais, ao ensino das etapas do processo científico e das problemáticas que alavancam todo desenvolvimento tecnológico e da ciência. Para além disso, observamos potencialidades de discutir com os estudantes as imagens estereotipadas presentes na animação sobre Ciência e cientista, onde estudantes e professores podem analisar e discutir sobre o que significa fazer Ciência e seu papel na sociedade, bem como a necessidade e importância de uma comunidade científica. Com isso, consideramos que a série de animação Dr. Stone é potencializadora de atividades para o ensino de Física tanto sob um viés prático quanto sob um viés crítico-analítico. Esperamos que este trabalho auxilie no desenvolvimento de atividades realizadas em salas de aula, bem como auxilie na compreensão da importância das obras cinematográficas para o ensino de Física.
## Referências
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BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 2018b.
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