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O ESTUDO DAS FONTES RENOVÁVEIS DE ENERGIA NO ENSINO BÁSICO NA REGIÃO DO NOROESTE FLUMINENSE

Guilherme Jorge Mezentier Da Cruz, Juan Lucas Nachez

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
21/01/2025
Linha de pesquisa
Ciência, Tecnologia, Sociedade E Ambiente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ESTUDO DAS FONTES RENOVÁVEIS DE ENERGIA NO ENSINO BÁSICO NA REGIÃO DO NOROESTE FLUMINENSE

Guilherme Jorge Mezentier da Cruz 1 , Juan Lucas Nachez 2

1 Universidade Federal Fluminense/PPGEn, g\_mezentier@id.uff.br 2 Universidade Federal Fluminense/PPGEn-PEB-INFES, jlnachez@id.uff.br

## Resumo

Este trabalho discute a inserção do estudo dos recursos naturais renováveis, como fontes alternativas de energia, no Ensino Básico, através da Educação Ambiental. A Educação Ambiental pode modificar formas padronizadas de comportamentos e favorecer a aquisição de um olhar mais adequado em relação ao meio ambiente, em virtude da união entre uso da energia e danos ao meio ambiente. Através de uma pesquisa exploratória, realizada em sala de aula de Ensino Básico no Noroeste Fluminense (RJ) a proposta é observar como os estudantes relacionam conceitos, vantagens e desvantagens da funcionalidade dos recursos naturais renováveis e de que forma estes recursos estão relacionados com a região onde moram. A Educação Ambiental se coloca aqui como mediadora da formação da cidadania ecológica diante da relevância e a urgente demanda da utilização dos recursos naturais renováveis, onde a inserção de fontes energéticas renováveis cobra vital importância.

Palavras-chave: Energias Renováveis. Educação Ambiental. Noroeste Fluminense.

## Introdução

A Educação Ambiental e a sustentabilidade socioambiental são, por muitas vezes, subjugadas e tidas como assuntos e disciplinas de menor importância no meio escolar, não sendo incluídas ou tendo pouco espaço na grade curricular do Ensino Básico. Por outro lado, devido aos recentes acontecimentos climáticos, que vem causando alterações e dificuldades em nosso cotidiano, é de suma importância que estas disciplinas integrem e façam parte do cotidiano dos alunos de forma progressiva (SOUZA, 2007).

À medida que o Brasil foi se industrializando, o Setor Energético Brasileiro foi se desenvolvendo a grande velocidade e atualmente existem várias fontes energéticas no Brasil, como a energia hidrelétrica, o petróleo, o carvão mineral, e outras fontes utilizadas em menor escala, como gás natural e energia nuclear (IEA, 2007). Até o ano 2022, a energia hidroelétrica com 61,9%, a energia eólica com 11,8 % e energias não renováveis com 10% são as principais fontes da matriz energética brasileira (EPE, 2023)

De acordo com Piotroski (2017), a escola pode contribuir para uma relação saudável entre as pessoas e o meio ambiente. Ela pode e deve investir em práticas pedagógicas que se responsabilizem pela educação para a sustentabilidade. Abordagens contextualizadas podem promover avanços significativos na compreensão sobre ciência sob uma perspectiva da Educação Ambiental (FORMENTON e ARAÚJO, 2015). O ensino das energias renováveis desempenha, portanto, um papel central para tratar com a atual crise ambiental (De ARAÚJO et al., 2024). A Educação

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Ambiental está amplamente amparada pela legislação brasileira, como a Lei 9.795/1999, conhecida como Lei da Educação Ambiental, que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil. Essa legislação é fundamental para promover a conscientização e ação em prol da sustentabilidade através da educação ambiental salientando assim a sua importância. Essa lei se correlacionada com a importância da educação sustentável:

Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e nãoformal (Brasil,1999).

A Lei 9.795/1999 também tem foco na conscientização ambiental, na promoção da cidadania ambiental, na integração nos currículos escolares e no estímulo à pesquisa e à inovação, assim como também ressalva a importância da participação da sociedade na promoção da educação ambiental. Isso significa que não se trata apenas de uma responsabilidade das escolas, mas também das empresas, organizações da sociedade civil e governo em geral. O engajamento de diferentes setores da sociedade é essencial para disseminar práticas sustentáveis e alcançar resultados efetivos na preservação do meio ambiente.

Por outro lado, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018) está diretamente correlacionada com o ensino de matrizes energéticas e com ensino de sustentabilidade através de abordagens cruciais em diversas disciplinas contribuindo com a formação de cidadãos conscientes, engajados e prontos para debater importantes questões ambientais. Na área de ciências da natureza a BNCC, mesmo que de forma dispersa (SILVA, 2020) prevê o estudo de ecossistemas, da biodiversidade, e dos impactos que o ser humano gera no meio ambiente e abre espaço para a discussão sobre fontes de energia renováveis e não renováveis, bem como para a análise dos impactos socioambientais e econômicos associados a cada uma delas. A BNCC propõe o estudo das diferentes formas de geração de energia, incluindo a energia solar, eólica, hidrelétrica e nuclear, e estimula a necessidade de se compreender os processos de poluição, desmatamento e esgotamento dos recursos naturais que são vitais para a manutenção da vida no Planeta, assim como a busca pela solução sustentável das demandas de energia e dos problemas atuais.

Na geografia a Base Nacional Comum Curricular aborda a relação entre sociedade e natureza, analisando as diferentes formas de ocupação do espaço, os impactos da ocupação desordenada e a preservação de áreas naturais e da gestão adequada dos recursos hídricos e energéticos.

Já em disciplinas como história e sociologia a BNCC estimula a reflexão sobre os modelos econômicos e sociais que influenciam as práticas de consumo e produção, bem como os papéis das comunidades locais e da sociedade civil em geral na promoção da sustentabilidade e da defesa do meio ambiente.

A integralização da temática da sustentabilidade em diferentes áreas do currículo escolar contribui para a formação de indivíduos conscientes, capazes de compreender a complexidade das questões ambientais e de atuar de forma proativa na construção de um futuro mais sustentável e equitativo. Assim, a educação se torna um instrumento poderoso na promoção do desenvolvimento sustentável e na construção de uma sociedade mais justa e responsável com o meio ambiente. Desta maneira, esta pesquisa está completamente integrada com a Base Nacional Comum Curricular,

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visando uma abordagem mais aprofundada sobre o tema de matrizes energéticas e produção de energia sustentável.

## Panorama do Noroeste Fluminense para Investimentos em Energias Renováveis

O potencial para elaboração de uma matriz energética está diretamente ligado com tipo de relevo onde será instalada. O Noroeste fluminense é uma região do Estado do Rio de Janeiro formada por treze municípios, sendo eles: Bom Jesus do Itabapoana, Italva, Itaperuna, Lage do Muriaé, Natividade, Porciúncula, Varre-Sai, Aperibé, Cambuci, Itaocara, Miracema, Santo Antônio de Pádua e São José de Ubá (SEBRAE, 2015). O Planalto do Alto Itabapoana, também denominado Planalto de Varre-Sai, compreende uma região mais elevada no norte da área, sendo caracterizada por um relevo colinoso onde se destacam morros isolados de relevo mais movimentado. Essa área planáltica, contornada por uma área montanhosa e escarpada que a separa da depressão, guarda íntima relação com a Zona Planáltica do sul do Estado do Espírito Santo e com extensas áreas da Zona da Mata de Minas Gerais.

Em termos climáticos, nos setores mais elevados, em geral em cotas de 500 a 800 m, relacionadas à Floresta Tropical, ocorre o clima tipo Subtropical Úmido. A temperatura é mais amena, com valores médios anuais de 19º a 22ºC, precipitações ligeiramente superiores, atingindo 1400 mm, 3 a 5 meses secos e deficiência hídrica inferior a 60 mm anuais (BRANDÃO et al., 2001).

Em suas partes menos elevadas, que compreendem os demais municípios, a região é característica por cadeias de serras de menores proporções, cujas cidades se localizam a beira dos rios que compõe a região hidrográfica, dando maiores destaques ao Rio Pomba e ao Rio Paraíba do Sul. O clima é quente e seco, com chuvas concentradas entre os meses de outubro e março, enquanto nos outros meses é comum um período de estiagem de três a quatro meses, com temperaturas que atingem facilmente a marca de 37° Celsius.

A região Noroeste Fluminense, com exceção das regiões de altitudes mais elevadas, apresenta um clima predominante quente, o que favorece a adoção da energia solar sobre a energia hidroelétrica, atualmente utilizada, uma vez que no período de estiagem há demanda de queima de energia fóssil como gás natural.

## Metodologia

Com objetivo de aferir o nível de interesse e conhecimento dos alunos do Ensino Básico sobre matrizes energéticas, as suas importâncias e viabilidades de implementação, foi realizada uma pesquisa, por meio de formulário on-line do Google Forms , inicialmente com alunos do Ensino Médio da cidade de Aperibé, RJ, conforme informações do Quadro 01. Esta pesquisa será ampliada posteriormente para incluir toda a região do Noroeste Fluminense. A pesquisa foca especificamente sobre o conhecimento dos alunos de Ensino Básico referente ao uso das diferentes fontes de energia renováveis.

A pesquisa visou coletar dados que pudessem contribuir para o grande desafio enfrentado atualmente, que é a de viabilizar a ampliação da matriz energia brasileira por fontes que não causem prejuízos ambientais. Em particular, o formulário aplicado teve como eixos principais: a) Conhecimento e interesse dos alunos sobre o tema

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matrizes energéticas; b) Familiaridade com as fontes de energia existentes na região e quais fontes renováveis poderiam ser implementadas na região onde estão localizados.

Quadro 01: Dados da pesquisa.

## Resultados e Discussões

Focaremos aqui exclusivamente nas questões pertinentes aos eixos definidos na metodologia. Foram entrevistados 30 alunos e 13 alunas. A pergunta inicial buscava entender que grau de conhecimento tinham os estudantes sobre fontes energéticas renováveis. Perguntados sobre o tema, 26 estudantes (60,5%) responderam saber o que são matrizes energéticas renováveis, e 17 estudantes (39,5%) responderam desconhecer o assunto (Figura 01). Notamos que, apesar da maioria dos alunos afirmarem conhecer as matrizes energéticas, uma quantidade considerável ainda desconhece o tema, apesar da crescente quantidade informação existente sobre ele.

Figura 01: Você sabe o que são as matrizes energéticas renováveis?

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Perguntados sobre a relevância do desenvolvimento de energias sustentáveis, 40 estudantes (93%) reconhecem a sua importância enquanto apenas 3 estudantes (7%) responderam negativamente (Figura 02). Este resultado é interessante já que mesmo não entendendo claramente o que são as matrizes energéticas, existe uma ideia, talvez relacionada com existência da palavra 'renováveis' que evoca a representação de algo beneficioso para o planeta, similar ao observado por Tristão (2015) em diversas palavras-chave utilizadas na Educação Ambiental, onde existe uma reprodução de uma linguagem homogênea como padrão de correta conduta ecológica.

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Figura 02: Você reconhece a relevância dos estudos para o desenvolvimento de fontes de energias sustentáveis e sua importância social e ambiental?

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Com respeito ao tipo de fontes de energia mais conhecidas pelos alunos foram: energia solar, energia eólica e hidroelétrica, sendo conhecidas por 40 (93%), 37 (86%) e 32 (74,4%) dos estudantes respectivamente. Isto está em concordância com as três fontes de energia mais usadas no Brasil, mesmo que não nessa ordem. As fontes de energia menos conhecidas foram a energia maremotriz, o gás natural e a biomassa, que foram selecionadas apenas por 12 (27,9%), 15 (34,9%) e 21 (48,8%) alunos respectivamente. O carvão mineral foi selecionado por 25 estudantes, representando 58,1% do total. O petróleo, principal fonte de energia global, ficou representado com 24 estudantes somente, representando 55,8% do total de entrevistados (Figura 03).

Figura 03: Quais dessas fontes de energia você conhece ou já estudou em sala de aula?

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No que se refere à região do Noroeste Fluminense, 38 estudantes (88,4%) entrevistados acreditam que a Energia Solar seria a mais indicada, seguido pela energia eólica com 13 respostas (30,2%), pela biomassa, com 6 respostas (14%), enquanto 3 respostas (7%) optaram pela energia nuclear e apenas 1 resposta (2,3%) pela maremotriz. Estas respostas provavelmente sejam baseadas no fato de que a região é caracterizada pelo seu clima quente, cadeia de montanhas e atividade agrícola predominantes (Figura 05).

Neste caso é importante destacar que nenhum estudante sugeriu a energia hidroelétrica como opção. Desde o começo dos anos 2000 existe um projeto para

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instalação da usina hidroelétrica Itaocara I (PINHEIRO,2018), que ficaria situada entre os municípios de Santo Antônio de Pádua, Itaocara e Aperibé e teria um potencial de geração para abastecer uma cidade de até 200 mil habitantes. Foram iniciados e arquivados dois processos de licenciamento ambiental (1999, 2008). O último processo de licenciamento ambiental iniciou em 2018 e em 2020 o IBAMA formalizou o aceite do EIA/RIMA. Cerca de 700 famílias precisarão deixar suas residências para viabilizar a construção da UHE. Há indivíduos que serão impactados pela construção que ainda não encontraram uma solução ou sequer foram procurados pelo empreendedor para negociar sua relocação, já que o projeto passou por modificações para se adequar às novas normas e impactará áreas não contempladas anteriormente (PINHEIRO, 2018). Foi percebido que apesar da visão benéfica das energias renováveis, o impacto regional na comunidade é, logicamente, mais visível e concreto, requerendo contrapartidas sociais acordes.

Figura 04: Qual dessas fontes de energia sustentável você acredita ser viável para a região onde você mora?

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Perguntados sobre se apoiaria a inclusão de uma disciplina sobre energia sustentável no currículo, 28 estudantes (65,1%) acreditam na relevância da inclusão desta disciplina em sua grade curricular, enquanto 12 estudantes (27,9%) disseram não saber dizer exatamente e por sua vez apenas 3 estudantes (7%) rejeitaram a ideia, mostrando que a grande maioria dos alunos gostariam e achariam benéfica a inclusão desta disciplina no ensino básico. Vemos que em concordância com a primeira pergunta formulada, todos os alunos que conhecem o tema matriz energética consideram importante a inclusão de uma disciplina dentro do currículo (Figura 05).

Figura 05: Você acredita que a inclusão de uma disciplina sobre produção de energia sustentável agregaria ao seu currículo escolar?

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## Considerações Finais

O presente trabalho examinou a interlocução de estudantes com a Educação Ambiental, particularmente no tema de fontes de energia renováveis, tema este cada vez mais discutido e debatido em várias esferas governamentais e na própria sociedade como um todo. O uso da energia renovável vem ganhando muita importância globalmente, por isto essa temática vem solicitando a gestão de programas e ações que sejam direcionadas dentro e fora da esfera escolar. É perceptível que se trata de um grande desafio para a escola e toda a sociedade compreenderem a relevância e o destaque da Educação Ambiental voltada para o uso racional/consciente e eficiente das fontes renováveis de energia do planeta. Foi estudado o tema de fontes renováveis de energia através de uma pesquisa exploratória com alunos de Ensino Básico, realizada na região do Noroeste Fluminense, com o propósito de observar como este tema está representado no âmbito escolar e de que forma os estudantes o percebem.

Nesta pesquisa foi notado que a maioria dos estudantes entrevistados entendem a importância das fontes renováveis e os benefícios que o uso deste tipo de fonte energética pode oferecer. Contudo, é possível perceber que a ideia de energia sustentável é pensada como um benefício global, quase como uma ideia abstrata, na linha da linguagem padrão de correta conduta ecológica.

Quando confrontados com a possibilidade real de uma implantação de uma Usina Hidrelétrica (UHE) na região, surgem outros questionamentos, na forma das consequências socioambientais locais que podem ocorrer, o que leva a pensar que existe uma sobrerrepresentação desse benefício global em detrimento das populações afetadas quando se fala em fontes renováveis dentro de sala de aula.

Por isso, a inserção da Educação Ambiental no contexto das escolas deve ser apresentada ao aluno-cidadão através da ideia de que o mundo pode evoluir socioambientalmente através das fontes renováveis de energia. Nessa perspectiva é necessário um trabalho intenso de gestores públicos, educadores, pesquisadores, comunidade envolvida e educandos, para além de uma estruturação dos setores em torno da conservação da energia (transporte, indústria, construção, consumo doméstico) e políticas públicas de apoio às pessoas afetadas pela aplicação desta tecnologia.

## Referências

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