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EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO NÃO-FORMAL DE ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DAS MÉTRICAS DE ENGAJAMENTO DE AÇÕES DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE UM PROJETO DE EXTENSÃO

Helena Newton Araujo, Emerson Cristiano Barbano, Matheus Henrique Reule

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESPAÇO NÃO-FORMAL DE ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DAS MÉTRICAS DE ENGAJAMENTO DE AÇÕES DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE UM PROJETO DE EXTENSÃO

## Helena Newton Araújo¹, Matheus Henrique Reule², Emerson Cristiano Barbano³

- 1 Universidade Federal do Paraná, Departamento de Física, helena.newton@ufpr.br

2 Universidade Federal do Paraná, PPGFILO, matheus.reule@gmail.com

- 3 Universidade Federal do Paraná, Departamento de Física, emerson.barbano@ufpr.br

## Resumo

O extensionismo vem sendo uma parte cada vez mais integrante do currículo e das atividades universitárias. Portanto, uma análise de ações extensionistas se torna crucial para referenciar e comparar a efetividade e abrangência das ações de extensão realizadas por docentes e discentes. Além disso, as iniciativas de ensino e extensão têm, cada vez mais, utilizado meios eletrônicos, como as redes sociais, como um espaço não formal de ensino. Nesse contexto, este estudo realizou uma análise detalhada do projeto de extensão universitária UFPR OPTICA Student Chapter, em que foi examinado o seu público e o engajamento de suas ações nas redes sociais. O estudo comparou o público-alvo do projeto com o público universitário em geral, identificando quais categorias de ações extensionistas foram mais eficazes em alcançar a audiência desejada. Os resultados obtidos possibilitam verificar quais estratégias podem ser adotadas no plano da extensão universitária e na divulgação científica em redes sociais.

Palavras-chave : Extensão. Redes Sociais. Divulgação Científica.

## Introdução

## Extensionismo Universitário

O extensionismo universitário tem sido um tema cada vez mais discutido, visto as adaptações nos currículos dos programas de graduação das Instituições de Ensino Superior (IES) devido à décima segunda meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que busca 'assegurar, no mínimo, 10% (dez por cento) do total de créditos curriculares exigidos para a graduação em programas e projetos de extensão universitária' (BRASIL, 2014).

A extensão, no âmbito da universidade, é classificada como, segundo o Fórum de Pró-Reitores das Instituições Públicas de Ensino Superior (FORPROEX), como 'um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade.' (FORPROEX, 2012, p.28) e isso denota, portanto, que projetos de extensão, ou seja, grupos de discentes e/ou docentes organizados em torno de um objetivo comum relativo à extensão, se balizam em torno de processos e interações dialógicas que unam e transformam não apenas um ambiente universitário, mas também a sociedade e os setores sociais em que o projeto de extensão e a universidade se encontram.

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Os projetos de extensão, portanto, buscam essa transformação, tanto no âmbito dos seus membros, que sofrem impactos positivos na formação acadêmica e cidadã, quanto no âmbito da comunidade em geral, que se torna mais inclusa e participante dos processos de produção de conhecimento e divulgação presentes nas IES. Balizado a isto, surge na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2020, o UFPR OPTICA Student Chapter, um projeto de extensão focado na divulgação científica nas áreas das ciências, com foco em física e óptica, que busca produzir e levar conhecimentos científicos para a comunidade interna e externa à UFPR.

O UFPR OPTICA Student Chapter utiliza-se principalmente das redes sociais como forma de realizar a divulgação científica de seus quadros, que são focados em: explicar conceitos físicos e científicos de forma descomplicada; apresentar a história do desenvolvimento dos conceitos científicos; apresentar e dar destaque a cientistas e pesquisadores com quadros especialmente dedicados a mulheres, negros e negras e LGBTQIA+; incentivar e valorizar ações afirmativas de diversidade e inclusão; valorizar e dar destaque a cientistas e pesquisadores brasileiros.

Essas atividades são formuladas tendo em vista atrair a atenção de um público mais jovem, utilizando-se de meios como vídeos curtos, imagens atrativas, tirinhas, linguagem descomplicada, ilustrações, dentre outros meios. Assim, procura-se atingir um público com faixa etária compreendida entre os anos finais do ensino básico e a graduação, de forma a incentivar a participação mais ativa desse público em ações, projetos, cursos e atividades relacionadas com as Ciências Exatas.

## Espaços Formais e Não-Formais de Ensino e a Extensão

Os espaços de ensino podem ser classificados de acordo com a localidade e a intencionalidade existente no processo educativo. Segundo Jacobucci (2008, p.57) 'pode-se dizer que os espaços formais de Educação referem-se a Instituições Educacionais, enquanto que os espaços não-formais relacionam-se com Instituições cuja função básica não é a Educação formal e com lugares não-institucionalizados'. Portanto, os ambientes em que se busca ou existe a intencionalidade do ensino, porém de maneira não-formal, ou seja, sem a utilização das instituições de ensino como local para o processo, poderiam ser definidos como espaços não-formais de ensino.

Assim sendo, podemos observar que, mesmo ainda se encontrando em um patamar pouco desenvolvido, como afirmado por Favero, Faller e Rosa (2018), as redes sociais 'trazem a possibilidade de ir ao encontro de uma Educação Pluridimensional' em que 'as possibilidades de aprender oferecidas pela sociedade exterior à escola multiplicam-se'. Dessa forma, uma análise da efetividade das redes sociais como sendo um espaço educativo é válida e necessária em uma sociedade cada vez mais conectada.

Portanto, compreender as redes sociais como um espaço onde adolescentes, jovens e adultos estão conectados e um espaço que se abre para a possibilidade de um processo educativo, não institucionalizado, onde é possível gerar e construir conjuntamente o conhecimento científico -de maneira não formalizada- é ver um novo campo que poderia ser classificado como um espaço não-formal de ensino. Assim, a extensão universitária, ao se utilizar das redes sociais como uma forma de realizar a divulgação científica, está também sendo um componente para o processo

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educativo em um espaço não-formal de ensino, unindo os setores da universidade e da sociedade em um processo colaborativo.

## Utilização das Redes Sociais para a Divulgação Científica

O acesso dos brasileiros à internet e redes sociais tem crescido ao longo dos anos e a sua utilização como meio de entretenimento e espaço informal de ensino tem se intensificado, especialmente entre o público mais jovem. Nagumo, Teles e Silva (2020, p.10) dizem, sobre a utilização de vídeos como forma de ensino informal:

'Em parte estas diferentes formas de utilização do Youtube como suporte ao aprendizado acabam por suprir uma brecha entre as instituições educativas e a cultura do jovem com as tecnologias digitais. É fundamental pesquisar como os jovens têm realizado sua aprendizagem informal a partir do Youtube para explorar que critérios e valores estão em jogo nesta dinâmica' (Nagumo, Teles e Silva, 2020, p.10).

Mostra-se, então, a necessidade de se analisar como ocorre o ensino informal por meio das redes sociais e outros meios tecnológicos e suas características. Paradella et al. (2020, p.03) afirmam como 'o vídeo é uma mídia poderosa para atrair e manter a atenção, bem como para transmitir impressões', o que indica, talvez, uma vantagem sobre esta mídia para a cativação das pessoas. Além disso, cita que 'a utilização do vídeo como instrumento e material didático pode ser muito rico para criar e complementar o conhecimento dos alunos.' (Paradella et al. , 2020, p.03)

Assim sendo, percebe-se o poder que as redes sociais possuem como um espaço não-formal para a educação, através da divulgação de conteúdos de caráter científico para um público interessado. Sousa et al. (2024, p.106) afirmam que:

'[...] as mídias digitais associadas à educação são uma realidade, uma vez que com o advento das redes sociais e o seu instantâneo fluxo de informações, as mesmas se tornaram um importante meio para a difusão, bem como veiculação do conhecimento, no qual se vivencia um novo momento cheio de possibilidades de aprender, onde o espaço físico da escola, tão essencial em outros tempos, deixa de ser exclusivo para dar espaços a outros ambientes, inclusive o virtual' (Souza et al. , 2020, p.106).

## Metodologia

Para a análise realizada neste trabalho, foi utilizada uma abordagem baseada em métricas disponibilizadas pelo Instagram do projeto de extensão, focando em diferentes quadros produzidos pela equipe. Os quadros selecionados foram organizados em três categorias principais: vídeos, ilustrações e textos curtos.

Na categoria de vídeos, destacamos dois quadros: o primeiro, "Óptica Geek", é um projeto que conecta conceitos de física com elementos da cultura pop e geek, facilitando a compreensão de tópicos científicos complexos por meio de referências amplamente reconhecidas entre jovens e entusiastas dessa cultura. O segundo, "BioÓptica", explora fenômenos físicos observados na natureza, com especial atenção

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aos fenômenos ópticos presentes no reino animal, proporcionando uma abordagem mais contextualizada e aplicada da física.

Para a categoria de ilustrações, selecionamos os quadros "Tiras Ópticas" e " Science, Photonics and Optics on Tuesday (SPOT)". "Tiras Ópticas" apresenta narrativas visuais que abordam histórias de descobertas científicas e perfis de cientistas renomados, combinando informação e entretenimento. Já "SPOT" oferece quadros curtos com uma abordagem humorística, sempre vinculando o conteúdo ao ensino de conceitos físicos, buscando captar a atenção do público por meio da leveza e do humor.

Por fim, na categoria de textos curtos, escolhemos os quadros "Laureados da Óptica" e "Aplicações em Óptica". "Laureados da Óptica" é dedicado a explorar as pesquisas que foram reconhecidas com o Prêmio Nobel, oferecendo ao público uma visão sobre as contribuições mais significativas na área de física, enquanto "Aplicações em Óptica" foca em inovações tecnológicas baseadas em princípios ópticos, demonstrando a relevância e aplicação prática da física no cotidiano.

Com base nas métricas fornecidas pelo Instagram , foram analisados diversos aspectos, como a faixa etária dos seguidores da conta, o alcance de cada quadro o número de contas que visualizam as postagens- e as visualizações por quadro, que inclui tanto as visualizações diretas pelo Instagram quanto aquelas resultantes de compartilhamentos.

Adicionalmente, incorporamos à análise dados demográficos obtidos pelo Censo da Educação Superior (CENSUP) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) do número de ingressantes e concluintes dos cursos de graduação em universidades federais da região Sul do Brasil para o ano de 2022 (INEP, 2023), com dados referentes à faixa etária. Essa comparação permitiu uma análise mais contextualizada e abrangente dos resultados, relacionando o perfil dos seguidores do projeto com o público-alvo em potencial, além de avaliar o impacto e a eficácia das diferentes abordagens educacionais empregadas nos quadros.

## Métricas e Análise

Foram analisados o alcance e visualizações de 06 tipos diferentes de postagens realizadas pelo UFPR OPTICA Student Chapter desde o início do ano de 2024, assim como o número de visualizações por conta alcançada, gerando os seguintes dados de visualizações no Instagram :

Tabela 01: Visualizações e engajamento por quadro.

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Observa-se que certos quadros possuem um número expressivamente maior de visualizações e de contas alcançadas. Além disso, os quadros da categoria 'vídeos' possuem um número relativo de visualizações por conta alcançada superior aos demais, indicando um 'fator de repetição' maior.

Observando esses valores e adotando as categorias já mencionadas: vídeos, ilustrações e textos curtos; vemos uma clara divisão na figura (Figura 01) abaixo onde é possível notar que a categoria 'vídeos' possui um engajamento maior, tanto em visualizações quanto em contas alcançadas, além de terem mais visualizações por conta alcançada, indicando uma cativação maior do público para esta categoria. Em contrapartida, apesar das categorias 'ilustrações' e 'textos curtos' apresentarem um engajamento menor, elas se equiparam entre si.

Figura 01: Gráfico de barra das visualizações e contas alcançadas de cada quadro.

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Adicionalmente, foi comparada a faixa etária dos ingressantes e concluintes dos cursos de graduação em universidades federais da região Sul com a faixa etária do público atingido pelo projeto, obtendo-se a seguinte situação (Figura 02):

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Figura 02: Divisão, em porcentagem, da faixa etária do público alcançado pelas redes sociais do projeto em relação aos concluintes e ingressantes dos cursos de graduação das universidades federais da região Sul.

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Observa-se, então, que o público que está sendo atingido pelas redes sociais do UFPR OPTICA Student Chapter compreende uma faixa mais ampla de faixas etárias, atingindo majoritariamente um público de idade similar aos ingressantes e concluintes de cursos de graduação das universidades federais da região Sul, porém também atinge um público de uma idade superior, de forma a equalizar e conectar com maiores parcelas da sociedade, incluindo docentes, professores da educação básica e interessados nas ciências em geral.

## Discussão e Conclusão

Concluindo, as análises realizadas demonstram que as publicações em formato de vídeo são significativamente mais eficazes em termos de engajamento e atenção dos seguidores. Esse resultado sublinha a importância de adotar vídeos como uma ferramenta essencial tanto para fins educativos quanto para a divulgação científica. A natureza dinâmica e envolvente dos vídeos facilita a comunicação de conceitos complexos, tornando-os um recurso valioso para alcançar e impactar o público de maneira significativa.

Além disso, a análise revela uma notável correspondência entre a faixa etária do público que consome esse conteúdo e os estudantes de cursos de ciências exatas na região sul do Brasil. A escolha desse nicho regional se mostra acertada, visto que a maioria das interações provém dessa área geográfica. Esse fato sugere que uma estratégia focada em vídeos pode não apenas ampliar o alcance, mas também fortalecer o vínculo com um público-alvo específico, o que é crucial para maximizar a efetividade de iniciativas educacionais e de divulgação científica.

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## Referências

BRASIL. Lei n.13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União , Brasília, DF., 26 jun 2014.

FAVERO, Rute Vera Maria; FALLER, Bianca; ROSA, Janine. Redes Sociais e Educação: um possível encontro. Anais do 5º SENID. Passo Fundo, 2018.

FORPROEX, Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Ensino Superior Brasileiras. Plano Nacional de Extensão Universitária. Manaus, 2012.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Sinopse Estatística da Educação Superior 2022 . Brasília: Inep, 2023.

JACOBUCCI, Daniela Franco Carvalho. Contribuições dos espaços não-formais de educação para aformação da cultura científica. Em Extensão , v.7, p.55-66. Uberlândia, 2008.

NAGUMO, Estevon; TELES, Lúcio França; SILVA, Lucélia de Almeida. A utilização de vídeos do Youtube como suporte ao processo de aprendizagem . Revista Eletrônica de Educação , v.14. 2020.

PARADELLA, Anna Mirella; SANTOS, Bruna Lima; PINTO, Débora Sila; PINESE, Julia Socci. O uso do vídeo como método de ensino e recurso didático. Revista InovaEduc , n.6, p.1-17. Campinas, 2020.

SOUSA, Amanda Pereira de; FIRMINO, Nairley Cardoso Sá; FIRMINO, Diego Farias; BARBANO, Elton Patrick. Educação na web: caracterização de perfis voltados ao ensino de Química no Instagram. Amazônia - Revista de Educação em Ciências e Matemática , v.20, p.105-120. 2024.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.