A ERA DA PÓS - VERDADE: DESMISTIFICANDO A TERRA PLANA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU/BA
Maria Erisfagna Ribeiro De Macedo, Damon Ferreira Farias, Thaeme De Souza Carneiro, Eliane Da Silva Lima
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 20/01/2025
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A ERA DA PÓS - VERDADE: DESMISTIFICANDO A TERRA PLANA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU/BA
## ¹Damon Ferreira Farias, ¹Maria Erisfagna Ribeiro de Macedo, ¹Ketllyn Jeovania Santos Gama
1 Colégio Estadual Professora Hilda Monteiro Menezes - Tempo Integral/Ciências da Natureza e suas Tecnologias/damon.fisica@gmail.com
## Resumo
Com o advento da internet e das redes sociais e o consequente enfraquecimento da mídia convencional, movimentos e grupos que visam espalhar desinformação. Negar a ciência tem adquirido cada vez mais visibilidade, força e alcance em nossa sociedade. Este trabalho teve como objetivo educar a população sobre como funciona o método científico e desmistificar a teoria da Terra plana. A pesquisa é do tipo exploratória e descritiva, assumindo uma abordagem qualitativa no tratamento dos dados coletados. O presente artigo analisa as visões dos estudantes do ensino médio sobre um conjunto de oficinas sobre fake news e o negacionismo da ciência expondo os resultados obtidos e discutindo suas contribuições para a alfabetização científica. Evidenciou-se que as oficinas promoveram ações para a formação de cidadãos críticos. Além disso, as oficinas despertaram a curiosidade e a criatividade das crianças, adolescentes e jovens. Por fim, observou-se a satisfação dos alunos em poderem experienciar a construção e divulgação do seu conhecimento.
Palavras-chave : desinformação , divulgação científica, ensino de ciências.
## Introdução
Os principais medos que ameaçaram a humanidade vieram da natureza: a peste, cólera, fome, másciência período de escassez de alimentos, terremotos, erupções vulcânicas, maremotos e a COVID-19, (DELUMEAU, 2004). Mas os medos podem mudar segundo os tempos e os lugares, em virtude das potenciais ameaças que pesam sobre nós. A ciência, ao longo dos séculos, avançou nas formas de cuidar das doenças e aumentou a expectativa de vida humana. Mas o medo de morrer ainda é intrínseco ao pensamento humano. Durante a pandemia COVID-19 a, corrida por uma vacina eficaz exigiu uma resposta rápida da ciência, revelando as desigualdades científicas e tecnológicas entre os países, em que as nações ricas aceleraram a produção para imunizar as populações e os países pobres com as dificuldades de acessar este mercado.
Vivemos um novo darwinismo social? A corrida pelas vacinas evidenciou contradições e mudanças na sociedade. Nas mídias sociais atuais, as informações circulam com muita velocidade. Uma notícia, até ser questionada sua veracidade, ocasiona um estrago social de pânico e medo. Tais mídias proliferam diversas informações mentirosas e falsas, chamadas de Fake News , de uma forma escala abusiva (SANTAELLA, 2018). As inverdades provocam danos à saúde pública, por confundir e não estimular uma visão crítica das notícias. Estamos num momento que pode ser chamado de era da Pós-verdade e da desinformação. As pessoas se relacionam em bolhas com características religiosas, socioculturais, econômicas, políticas e familiares. Os negacionistas estão engajados principalmente no âmbito
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
político, causando influência religiosa, econômica e tendo respaldo nos referendos familiares. 'As bolhas, portanto, são constituídas por pessoas que possuem a mesma visão de mundo, valores similares e o senso de humor em idêntica sintonia' (SANTAELLA, 2018).
A Organização Mundial da Saúde - OMS, enfatiza que vivemos uma 'infodemia' (OPAS, 2020) que seria o excesso de informações, tanto com a falta de precisão dessas, quanto criando mentiras sem fontes idôneas. 'A infodemia se refere a um grande aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar exponencialmente em pouco tempo devido a um evento específico, como a pandemia atual' (OPAS, 2020). A desinformação e manipulação das informações provocam paradoxos e acaba questionando- a ciência. Mas estes questionamentos são debatidos com método para contrapor teses e antíteses? Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra mais rapidamente, como um vírus.
Durante a pandemia em pleno século do conhecimento, as informações circulam e não são averiguadas sua veracidade, o que é uma ameaça às instituições de saúde pública e científicas. Este comportamento estimulou o uso indevido de tratamentos não referendados pela comunidade científica, alimentando o movimento antivacina e a anticiência (PRESSE, 2020).
Tal fenômeno não é recente. Como exemplo em 1938, a rádio Columbia Broadcasting SSystem- CBS, transmite um programa de rádio narrando uma invasão de centenas de marcianos, em várias naves terrestres, em uma cidade chamada Grover's Mil, em New Jersey-EUA. O programa foi uma adaptação do livro ' A Guerra dos Mundos', de (1898) de H. D Wells, e foi ouvido por mais de 6 milhões de pessoas. A dramatização envolvia entrevistas, efeitos, gritos, sons e pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditaram em tal factoide enquanto verdade, entrando em pânico, congestionando-se linhas telefônicas, trânsito e fugindo do perigo e, recentemente, os adeptos da Terra plana têm ganhado corpo e visibilidade nos últimos tempos.
Pesquisas recentes realizadas pelo Instituto Datafolha mostram que. uma parcela de 7% dos brasileiros acredita que o formato da Terra é plana. Eles acreditam em teorias conspiratórias que, entre outras narrativas, afirmam que a Terra é plana. Eles são chamados de terraplanistas. Não há dados e evidências para tal ideia (DATAFOLHA, 2019).
Vale ressaltar que a ascensão do terraplanismo, corrente pseudocientífica que defende que o planeta é plano e não esférico, teve muita ajuda em sua difusão através da internet, como por exemplo, nas redes sociais e os vídeos do YouTube que há anos contribuem com o problema da desinformação, evidenciando alguma falha existente no sistema educacional brasileiro.
Com isso, podemos fazer os seguintes questionamentos: qual será o impacto, a médio e longo prazo, se essa tendência de disseminação de desinformação sobre Ciência e Tecnologia persistir? Ou, ainda, se os jovens não desenvolverem as habilidades necessárias, ou uma alfabetização científica midiática (SASSERON, 2023) para identificar, expor e combater essa desinformação? Posto de outro modo: como o público/estudante pode discernir afirmações cientificamente fundamentadas em meio a um corpo crescente de afirmações falsas e distorcidas, desinformação, notícias falsas, fatos alternativos, contranarrativas, pseudociência e outras tendências
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comunicacionais da era da pós- verdade, que são eficientemente propagadas por meio da Internet e das redes sociais? (HÖTTECKE; ALLCHIN, 2020, p. 642, ).
Na própria Base Nacional Comum Curricular para a Educação Básica - BNCC (BRASIL, 2018), há a orientação de combate à propagação das fake news . Para os anos finais do Ensino Fundamental, por exemplo, o documento traz, no campo jornalístico- midiático, dentro da área de Linguagens e suas Tecnologias, que uma das habilidades a ser trabalhada em sala de aula diz respeito à:
'A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de fake news , da manipulação de fatos e opiniões tem destaque e muitas das habilidades se relacionam com a comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias, com análise de sites e serviços checadores de notícias e com o exercício da curadoria, estando previsto o uso de ferramentas digitais de curadoria' (BRASIL, 2018, p.136).
Neste sentido, este artigo analisa uma experiência didático-pedagógica que pretende dar uma contribuição ao tema do negacionismo da ciência e enfatizar o potencial da Educação Científica enquanto espaço para discussão crítica e mobilização da sociedade na Educação em Tempo Integral. Por isso, precisa-se difundir a ciência e seus preceitos para que todos possam entender seu funcionamento. Assim, tem-se uma chance de combater informações falsas e ideias retrógradas.
## Metodologia
A pesquisa é do tipo exploratória e descritiva, assumindo uma abordagem qualitativa no tratamento dos dados coletados. Para Gil (2002), a pesquisa exploratória tem por objetivo favorecer uma maior proximidade com o tema, tornandoo mais claro, além de propiciar ao pesquisador maior intimidade com o assunto, possibilitando a compreensão do problema. Ainda conforme o autor, caracteriza-se também como descritiva, pois os fatos serão observados, analisados, registrados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira.
- A abordagem qualitativa deste estudo se mostra pertinente aos objetivos da pesquisa. Com a proposta de ser exploratório, a escolha de analisar os dados qualitativamente permitirá que observemos os detalhes das respostas dos estudantes sobre fake news e negacionismo da ciência.
- A Pesquisa-ação também foi escolhida para a realização desta pesquisa, por ser uma pesquisa participativa, preocupada com a resolução de um problema coletivo, no qual pesquisadores e participantes da situação investigada estão envolvidos de modo a contribuírem com a transformação da realidade (Gil, 2002).
Participaram das oficinas estudantes voluntários do sexto ano do Ensino Fundamental e do primeiro, segundo e terceiro anos do Ensino Médio, regularmente matriculados no ano 2022 da rede pública da cidade de Campo Formoso e Antônio Gonçalves, situados no Norte da Bahia, ver quadro 1.
## Resultados e Discussão
SBPC vai à escola - A era da pós - verdade: desmistificando a Terra plana nas escolas públicas do Piemonte Norte do Itapicuru/BA
O projeto intitulado 'A era da pós - verdade: desmistificando a teoria da Terra
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plana' nas escolas públicas do Piemonte Norte do Itapicuru/BA, financiado pelo programa SBPC vai à Escola, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e que visa a promoção de atividades de divulgação da ciência, do estímulo à aquisição do conhecimento científico e da criatividade das crianças, adolescentes e jovens. O projeto foi aplicado na região do Piemonte do Norte do Itapicuru, sertão baiano, nos períodos 01 de março a 30 de novembro de 2022, tendo como objetivo educar os discentes da rede pública selecionados a fim de entender como funciona o método científico e desmistificar a teoria da Terra plana. O Quadro 1 retrata um resumo sobre o quantitativo de público atendido pelas escolas parceiras.
Este projeto proporcionou uma evolução na maneira como se promovem atividades extracurriculares nas instituições de ensino. Em resumo, destaca-se, quatro indicativos de que o projeto pode ser um grande auxiliar no desenvolvimento educacional, a saber: 1) Garantiu o envolvimento dos alunos no processo de ensino aprendizagem utilizando as metodologias ativas; 2) Despertou um pensamento crítico na comunidade sobre o negacionismo da ciência; 3) Abriu-se espaço para construção de conhecimentos na busca de resoluções de problemas, constituindo-se como base para o aprendizado e protagonismo do estudante; 4) Estimulou a educação científica entre os jovens estudantes da educação básica e 5) Incentivou a participação de alunos em olimpíadas. Ou seja, o projeto fortaleceu as práticas do aprender fazendo e estimulou a autonomia e protagonismo dos estudantes, trazendo duas das principais tendências da educação: a interdisciplinaridade de conhecimentos e o movimento do praticar, experimentar, tirar ideias do papel e projetar soluções de forma autônoma (PARK; KO, 2012; SASSERON, 2022;2023).
Além do mais, os dados obtidos e analisados nas sequências das oficinas propostas, desde a implementação do projeto, indicaram que as ações contribuíram para a formação de cidadãos críticos, pois os estudantes poderão agir de modo fundamentado sobre decisões político-governamentais que afetam escolhas pessoais e coletivas em assuntos como negacionismo, charlatanismo ideológico, dentre outros.
Tendo em vista que os principais canais que a sociedade utiliza para informar sobre esses e demais tópicos são a internet e as redes sociais, o projeto abriu um novo leque de possibilidades aos alunos que participaram da iniciativa poisn uma vez que com os conhecimentos adquiridos, foi possível enxergar a quantidade de alternativas que podem ser combinadas, por meio da interdisciplinaridade, a fim de superar obstáculos, melhorando ou criando produtos que auxiliam no combate ao negacionismo da ciência. Por fim, observou-se a satisfação dos alunos em poderem
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experienciar a construção e divulgação do seu conhecimento.
## Divulgação científica no Piemonte Norte do Itapicuru/BA
De acordo com uma reportagem da revista Neo Mundo (GERAÇÃO Z, 2018), dados apurados pela empresa especializada em segurança e soluções digitais, a DNPontocom, apontam que jovens entre 1990 e 2010 são os mais inclinados a compartilharem fake news . A referida pesquisa concluiu que sete a cada dez adolescentes leem somente o título das informações, quatro em cada dez compartilham, sem verificar a procedência, opiniões de pessoas nas quais confiam, e três, a cada dez jovens, são influenciados por opiniões de familiares. É com esse público que há a necessidade de trabalhar de maneira concreta sobre fake news , de forma contínua, persistente e com metodologia adequada.
Sabendo que por serem mais ativos nas redes sociais, os adolescentes e os jovens estão mais vulneráveis ao compartilhamento de notícias falsas, uma das causas são as grandes dificuldades que os estudantes possuem em relação ao hábito de ler. Com isso, o projeto surgiu como um espaço em que os discentes são estimulados a fazerem trocas de opiniões e diálogos sobre saberes científicos, trazendo temas como fake news , negacionismo, teoria científica, além de curiosidades e cientistas importantes do campo científico por meio de um conjunto de oficinas, a saber:
- ● Fake news sobre ciências na mídia: implicações para o ensino de ciências
- ● Lançamento de foguetes com garrafa pet
- ● 10 provas de que a terra não é plana
- ● Sistema solar
## a) Lançamento de foguetes com garrafa pet
Durante a realização desta oficina descreveu-se a construção de um foguete utilizando garrafas descartáveis de refrigerante (PET) de 2l e a montagem de um sistema de propulsão que funciona com água e ar comprimido. Mostrou-se também vários fatores que influenciam na estabilidade do foguete durante o voo, como a obtenção e relação entre centro de massa e centro de pressão. Apresentou-se ainda a teoria envolvida durante o lançamento, mostrando a aplicabilidade de assuntos comuns no ensino médio como segunda e terceira leis de Newton, conceitos de momento linear e velocidade relativa e lançamento obliquo. Vale destacar que esta oficina teve como objetivo difundir o estudo da Astronáutica, Física e Ciências Espaciais, como forma de introduzir o estudante na pesquisa científica e à saudável competição pelo conhecimento destas extraordinárias Ciências. A Figura 1 mostra a participação dos estudantes durante a oficina.
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Durante o andamento da oficina algumas dúvidas foram levantadas pelos estudantes, entre elas:
- 1. 'Qual a melhor inclinação para se lançar o foguete?'
- 2. 'Qual o melhor modelo de aleta?'
- 3. 'Qual o melhor material para se construir uma aleta?'
## b) 10 provas de que a Terra não é plana
Em anos recentes, tem se fortalecido na cultura ocidental, com reflexos progressivamente evidentes nas redes sociais, a ideia originalmente bastante antiga de que a Terra é plana. A despeito disso, diante do caráter altamente heterodoxo dessas crenças na atualidade, seus defensores costumam ser objeto de escárnio e estigmatização enquanto ignorantes, pouco inteligentes, insanos ou intelectualmente desonestos. Leia o trecho abaixo retirado de uma notícia:
Mike Hughes construiu nave em casa para explorar espaço; lançamento e queda foram filmados para documentário. O americano Mike Hughes, de 64 anos, um defensor de que a Terra é plana, morreu neste sábado, 22, ao despencar no chão instantes depois de que o foguete caseiro em que viajava fora lançado no deserto da Califórnia, nos Estados Unidos. A morte foi informada neste domingo pelos meios de comunicação locais. A cena de lançamento do foguete faria parte do programa Homemade Astronauts , que estreará este ano na Science Channel , da Discovery . (https://www.terra.com.br/byte/ciencia/terraplanista-morre-em-
lancamento-defoguete-caseiro-noseua,ffc01905b9b2c7099b9d6688c20ccc46s58sd89q.html).
Com relação à reportagem, as discussões realizadas permitem conjecturar que a formação de discursos conspiracionistas, como os que afirmam que a Terra é plana, tem como própria condição criadora a desconfiança da Ciência.
Além disso, segundo Oliveira (2018), um dos elementos que mais atrai os jovens para as fake news é o fator novidade e polêmica e, com efeito, 'a novidade atrai a atenção humana porque atualiza nossa compreensão de mundo'. Quando a informação é nova, não é só surpreendente, mas mais valiosa, no sentido de que aquele que a possui ganha status social (OLIVEIRA, 2018, p. 53). Desta forma, o que se verifica é que aquele jovem, quando de posse de uma notícia nova, o senso crítico é a última coisa que lhe passa pela cabeça. Santos e Miranda (2020), também tem essa mesma percepção ao afirmar que para o jovem em idade escolar, uma notícia nova, mesmo que falsa é muito mais importante que qualquer conteúdo ministrado pelo professor, por isso muitas vezes essas fake news acabam se tornando um instrumento para se sobrepor até mesmo ao professor.
Diante disso, durante esta oficina foram apresentados conceitos introdutórios sobre o tema, também, foi proposto aos alunos a responderem perguntas elaboradas pelo professor. Posteriormente, realizou-se uma discussão sobre fontes de pesquisa confiáveis, por fim, analisou-se a 'teoria' da Terra plana para confronta-la com conhecimentos científicos consolidados. Os estudantes, ao serem questionados sobre as ideias da 'teoria' da Terra plana pode ser considerada uma fake news , alguns comentários foram obtidos:
Estudante 03: '[...] isso da Terra ser plana é uma fake news, pois já foi comprovado pela ciência que a Terra é redonda.'
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Estudante 04: '[...] eu não acredito que a Terra é plana porque se realmente fosse plana não teria como as coisas serem como é.'
Estudante 05: '[...] não sabemos se realmente ela é plana ou redonda.'
Estudante 06: '[...] por que há várias provas e estudos que comprovam que a Terra é redonda, por exemplo fotos da Terra tiradas do espaço.'
Observa-se que as percepções que os alunos possuem, consideradas como elementos constituintes da consciência humana, regidas por estímulos externos (VIGOTSKI, 2000, CUNHA, 2009), na formação de conceitos científicos, são percepções positivas ou negativas quanto à aprendizagem de ciências. Vale ressaltar o fato de apenas um estudante contestar o formato da Terra. Percebe-se com esta fala certa ingenuidade e até algum nível de arrogância ao questionar o formato da Terra. Carvalho (2005) ressalta que, durante as aulas de ciências, o professor deve '[...] levar os alunos a entender e a participar da cultura científica fazendo com que eles pratiquem seus valores, suas regras e principalmente as diversas linguagens das ciências' (CARVALHO, 2005, p. 63). Na Figura 2, observa-se algumas produções realizadas pelos discentes sobre a Terra plana.
Figura 2: Produção dos alunos sobre terraplanismo.
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Os alunos também foram questionados o motivo dessa 'teoria' está cada vez mais ganhando novos adeptos. Do feedback dos estudantes, destaca-se:
Estudante 07: '[...] pois em 2014 tornou o maior fenômeno da internet dizendo que nosso planeta tinha um formato de uma pizza e várias pessoas passaram a acreditar nisso.'
Estudante 01: '[...] porque os falsos cientistas ficam alimentando e colocando ideias de que a Terra é plana e as pessoas acabam acreditando.'
Estudante 03: '[...] porque geralmente eles utilizam trechos de filmes, animações,
séries…'
Isso sugere que a educação ainda é cheia de lacunas e barreiras, existindo grandes dificuldades dos estudantes em desenvolver uma alfabetização científica midiática. Ao considerarmos que um dos objetivos do ensino das ciências na Educação Básica é a '(...) interpretação de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações' (BRASIL, 2018, p. 545).
## Conclusões
Os resultados apresentados e discutidos neste artigo revelam aspectos relevantes para professores e pesquisadores que referendam a necessidade de promover a alfabetização científica em sala de aula. A pesquisa reflete caminhos para
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o ensino de ciências enquanto fomentador de compreensão do mundo e do conhecimento científico, destacando o seu papel na cultura e na sociedade.
Cada vez mais os cidadãos se informam por meio da Internet e redes sociais sobre os resultados das pesquisas científicas. A compreensão de como a ciência é representada nestes meios torna-se fundamental, principalmente na era das Fake News e da desinformação. Mostramos neste trabalho que uma das formas de combater a disseminação de desinformação sobre assuntos de ciência e tecnologia é a divulgação científica nas escolas.
Ademais, é necessário orientar os estudantes para que aprendam a ler notícias, a checar as fontes, a buscar conteúdo em fontes confiáveis, a contextualizar as informações e, sobretudo, refletir sobre as intencionalidades da notícia e conceitos científicos apresentados. É preciso aprender a questionar.
## Agradecimentos
O projeto tem apoio financeiro do Ministério da Educação, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Governo Federal
## Referências
ALLCHIN, D. What counts as science. American Biology Teacher, v. 74, p. 291-294, 2012b. Disponível em: https://online.ucpress.edu/abt/article/74/4/291/18429/WhatCounts-as-Science. Acesso em: 10 mar. 2022.
ALLCOTT, H.; GENTZKOW, M. Social media and fake news in the 2016 election. Journal of Economic Perspectives , 2017, V.31, n.2, p.211-36.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 03 de abril de 2018 . Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/wpcontent/uploads/2018/04/BNCC\_EnsinoMedio\_embaixa\_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2022.
CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Introduzindo os alunos no universo das ciências. 2005, Anais. Granada: Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 2005. Disponível em:
https://ddd.uab.cat/pub/edlc/edlc\_a2005nEXTRA/edlc\_a2005nEXTRAp529intalu.pdf. Acesso em: 02 out. 2022.
CUNHA, C. da. Educação científica e desenvolvimento: o que pensam os cientistas. Brasília: UNESCO, Instituto Sangari, 2005. CUNHA, M. B. A percepção de ciência e tecnologia dos estudantes de ensino médio e a divulgação científica . 2009. 363 f. Tese (Doutorado). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
DATAFOLHA, Instituto. 7% dos brasileiros afirmam que Terra é plana, mostra pesquisa. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/07/7-dos-brasileiros-afirmamque-terra-e-plana-mostra-pesquisa.shtml
DELMAZO, C.; VALENTE, J. C. L. Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo , v. 18, n. 32, 2018 p. 155-169.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.