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DECOLONIZANDO A CIÊNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DOS SABERES INDÍGENAS PARA A COMPREENSÃO DO UNIVERSO

Nairys Costa De Freitas, José Ademir Damasceno Junior, Heliomárzio Rodrigues Moreira, Mairton Cavalcante Romeu, Maria Cleide Da Silva Barroso

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DECOLONIZANDO A CIÊNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DOS SABERES INDÍGENAS PARA A COMPREENSÃO DO UNIVERSO

Nairys Costa de Freitasl 1 , José Ademir Damasceno Junior 2 , Heliomárzio Rodrigues Moreira 3 , Mairton Cavalcante Romeu 4 , Maria Cleide da Silva Barroso 5

2 Universidade Federal do Ceará, profademir7@gmail.com

- 3 Universidade Federal do Ceará, heliomarziom@gmail.com
- 4 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, mairtoncavalcante@ifce.edu.br

5

- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, ccleide@ifce.edu.br

## Resumo

- O foco deste estudo é investigar as potencialidades da utilização dos conhecimentos indígenas como ferramenta para incentivar a enculturação científica e compreensão do 1 Universo, tornando evidente a seguinte pergunta central: quais são as implicações da interculturalidade para a construção do conhecimento científico no Ensino de Física ? Esta 2 pesquisa empenha-se em apresentar os saberes indígenas que podem ser utilizados no Ensino de Física 3 (o qual incide diretamente na Etnoastronomia) na educação básica com vistas a decolonização dos saberes dos povos tradicionais brasileiros. Para complementar a pesquisa, foram averiguados os documentos oficiais que orientam o ensino no campo da educação nacional. Os mecanismos de investigação aplicados amalgamaram a revisão bibliográfica com práticas aplicadas em sala de aula, resultando em contribuições significativas aos resultados obtidos. A pesquisa revela uma nítida preocupação com a subsistência dos saberes dos povos originários no contexto do Ensino de Física, bem como um reconhecimento declarado do valor pedagógico desses ensinamentos no processo de enculturação científica.

Palavras-chave : Ensino de Física; Interculturalidade; Decolonização.

## Introdução

Este trabalho é fundamentado na forma que muitos povos tradicionais percebem os fenômenos celestes, levando em consideração a ideia de que da forte ligação entre o céu e a Terra, que nada mais é do que uma cópia imperfeita do céu (Afonso, 2006a). O trecho supracitado descreve a visão dos indígenas a respeito do Universo, bem como a relação entre a Terra e o céu. Logo, a relação do homem com o céu possibilita o surgimento de conhecimentos relacionados 'às coisas do céu', os quais foram ensinados de geração em geração, de forma oral, por meio de atividades práticas, além da influência das mitologias e tradições (Jalles; Silveira; Nader, 2013).

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

No Brasil, os indígenas foram os primeiros 'astrônomos' (Afonso, 2006a), pois o cotidiano dos povos tradicionais está diretamente ligado aos fenômenos astronômicos, os quais são fundamentais para a sobrevivência, envolvendo a colheita, o plantio, a caça, a pesca, entre outros (Afonso, 2010). É muito difícil existir no planeta, povo ou cultura ancestral que não tenha se encantado pelo céu estrelado, e que não tenha dado importância aos pontos brilhantes que sucedem o Sol (Cardoso, 2007). Assim, o conhecimento empírico, adquirido por meio da relação existente entre o céu e a Terra, sinaliza o conhecimento de mundo que determinado povo ou etnia estabeleceu, tornando-se de extrema importância para as suas vidas. Por essa razão, a Astronomia Indígena brasileira é considerada um patrimônio relevante para o país, indicando a importância de mapear e sistematizar os conhecimentos astronômicos dos povos tradicionais (Martins de Carvalho et al ., 2021).

Astronomia Cultural ou Etnoastronomia é conhecida como a Ciência que tem como finalidade estudar os conhecimentos astronômicos por meio dos costumes (Mourão, 1987). Ademais, possibilita a percepção do universo das sociedades de forma relativa, além de perceber a pluralidade cultural envolvida no desenvolvimento cultural da realidade, a fim de respeitar as diversidades (Fares et al. , 2004). Partindo desse pressuposto, é importante considerar que 'A astronomia nasceu e cresceu gradativamente para suprir necessidades sociais, econômicas, religiosas e também, obviamente culturais' (Boczko, 1984, p. 2). De acordo com as culturas particulares e as diversas formas de viver, os povos indígenas consideram que os aspectos ecológicos, meteorológicos, cosmológicos e astronômicos sejam fundamentais na construção dos seus conhecimentos sobre o céu, trazendo reconhecimento da dimensão cultural da Astronomia, o qual levou ao surgimento da Etnoastronomia (Lima et al ., 2013).

Rodrigues e Leite (2020) consideram a Etnoastronomia como uma área da Ciência que aborda os '[...] saberes sobre o céu atrelada às manifestações socioculturais dos povos, possuindo a potencialidade de abordar a diversidade cultural no contexto das aulas de ciências da natureza' (p. 1). Logo, é importante salientar que a Astronomia ensinada nas escolas brasileiras é oriunda de uma visão ocidental do céu noturno (Araújo; Verdeaux; Cardoso, 2017).

A Lei nº 11.645/2008 orienta que seja obrigatório o ensino da História e Cultura Afrobrasileira e dos povos indígenas no Brasil na Educação Básica, nas instituições de ensino públicas e privadas. Assim, é fundamental que a interculturalidade seja mais ampla, de modo a promover a criticidade e uma ferramenta pedagógica que questiona de forma contínua a racialização, subalternização, inferiorização e seus padrões de poder, a fim de defender meios que proporcionem melhores condições de vida, construindo constantemente um diálogo entre as diferenças de forma legítima (Walsh, 2009).

Contudo, é importante considerar que a 'Ciência é uma construção humana coletiva, a qual está sujeita às influências causadas pelo contexto histórico, social, cultural e econômico no qual está inserida' (Guimarães, 2009, p. 12). Feito isso, deve-se levar em consideração o significado do valor pedagógico da Etnoastronomia para a educação básica, citado por Afonso (2006), principalmente quando o autor fala sobre o ensino e a valorização das diversas interpretações do Universo, a qual contribui com o discurso de resistência, a fim de fortalecer a história, embora esteja ameaçada pelo constante apagamento, devido as omissões de alguns dos nossos políticos

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representantes, no que diz respeito à luz da defesa da vida e da preservação ambiental (Copixo, 2017).

Considerando o problema de pesquisa exposto no resumo, este trabalho tem como objetivo apresentar a utilização da Etnoastronomia como ferramenta de enculturação científica no ensino de Física, visando a valorização da diversidade cultural.

## Referencial Teórico

Na concepção cosmológica dos indígenas, a natureza e cultura, homem e animal não são considerados distintos, em circunstâncias generalizadas, de modo que a diversidade interior de cada um desses termos perca sua importância (Lima, 2000). O homem dependia dos fenômenos sazonais, e para isso mapeava o céu, tendo as estrelas como guias para obter orientação na caça, a prática da agricultura, a pesca. Um ponto importante na organização humana, foi a união de várias estrelas em grupos, a fim de facilitar a identificação, dando origem ao estudo das constelações (Fares et. al. , 2004). Em concordância, Rodrigues e Leite (2020) consideram que os fenômenos meteorológicos, atmosféricos, cosmológicos e climáticos, na perspectiva da academia, podem ser inseridos na Astronomia cultural.

Os conhecimentos dos indígenas a respeito da Astronomia são empíricos. Esses conhecimentos envolvem os movimentos do Sol, da Lua, da Via-Láctea e de suas constelações, as quais estão diretamente relacionadas à biodiversidade onde habitam. Logo, esses conhecimentos são fundamentais para a sobrevivência, embora não sejam conhecidos por muitos historiadores da área da Ciência (Afonso, 2009). Ainda é importante julgar que a visão indígena a respeito do Universo deve ser considerada nos parâmetros dos seus valores culturais e conhecimentos a respeito do meio ambiente, os quais representam as práticas que desencadeiam um conjunto de interpretações que fazem parte de uma complexidade cultural que envolve linguagem, sistemas de nomes e identificação, além da utilização de recursos naturais, rituais e espiritualidade (Afonso, 2013).

É relevante considerar que o Ensino de Astronomia é importante para estabelecer uma aproximação entre o aluno e a dinâmica do Universo, pois proporciona a construção de conhecimentos que são considerados fundamentais para entender os modelos de evolução cósmica, a formação estelar, o sistema solar, o movimento da Terra, o ciclo de vida das estrelas e diversos assuntos (Dias; Santa Rita, 2008). Dito isso, ao situar o indivíduo no universo, é prestigioso explanar historicamente as principais representações da Astronomia, considerando que alguns fenômenos astronômicos são de fácil observação e possuem forte relação com o cotidiano dos discentes (Kantor, 2001).

As mudanças no campo educacional dos indígenas foram fortalecidas a partir de 1996, com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, garantindo o direito a uma educação diferenciada, alicerçada pelo uso das línguas dos indígenas, pelo reconhecimento dos saberes e conhecimentos milenares e a formação docente dos indígenas para a atuação em sala de aula de suas próprias comunidades. Assim, a partir desse marco histórico houve grandes transformações, surgindo novas práticas sociais para a escola em terras indígenas (Grupioni, 2001). Embora com esses direitos conquistados, Viega (2022) se preocupa com a preservação dos saberes tradicionais dos indígenas, pois, segundo Iphan (2015), os mais jovens são influenciados pelos costumes modernos e não se interessam pelas mitologias

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contadas pelos mais antigos, além da falta de políticas públicas que incentivem a preservação desses conhecimentos.

## Percurso Metodológico

O trabalho exposto se trata de uma pesquisa bibliográfica a respeito das contribuições da Etnoastronomia no Ensino de Física como ferramenta de enculturação científica na educação básica (Freitas; Vieira, 2023). Ela foi realizada a partir da análise de trabalhos de pesquisadores da área, em um recorte temporal de 2013 a 2023, incluindo trabalhos de conclusão de cursos, artigos, dissertações e teses encontrados nos seguintes repositórios: Google Scholar , Scientific Electronic Library Online ( SciELO ) e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. Nas buscas, foi preferível optar pelos termos-chave: 'Etnoastronomia indígena', 'Astronomia cultural', 'Educação indígena' e 'Etnociências.

Por ser uma pesquisa de enfoque qualitativo, Rossman e Rallis (1998 apud Creswell, 2007, p. 186) consideram que, nesse contexto, o pesquisador é capaz de 'desenvolver um nível de detalhes sobre a pessoa ou sobre o local e estar [...] envolvido nas experiências reais dos participantes'. Partindo desse pressuposto, o trabalho é configurado nos moldes de uma pesquisa básica, cuja finalidade é buscar por respostas a perguntas a respeito de ensino e aprendizagem a respeito do ensino de Física (Moreira, 2004).

## Resultados e Discussões

Considerando as falas dos autores supramencionados no referencial teórico, resolvemos investigar as contribuições dos saberes indígenas para o Ensino de Física, objetivando preservar esses saberes, bem como a cultura que está ameaçada de extinção (Viega, 2022). Isto posto, o Quadro 1 apresenta os resultados obtidos de trabalhos publicados no portal Scientific Electronic Library Online ( SciELO ), referentes à Etnoastronomia indígena na educação básica.

Quadro 1 - Trabalhos publicados no portal Scientific Electronic Library Online ( SciELO ), referentes ao período 2013 a 2023, com seus respectivos títulos e ano de publicação.

Fonte: elaborado pelos autores (2024).

No portal SciELO foi encontrado apenas um trabalho conforme os critérios de busca. O trabalho T1, desenvolvido por Araújo, Verdeaux e Cardoso (2017), apresenta uma proposta didática com o objetivo de incluir os tópicos de Astronomia indígena no ensino de Física do Ensino Médio - EM. Além disso, os autores fazem referência à pedagogia dialógica de Paulo Freire (1996), propondo um estudo por meio da observação do céu noturno. O trabalho envolve Astronomia indígena brasileira (AIB) de diversos povos e regiões, envolvendo a organização de um banco de dados com as principais definições, metodologias e exemplos de AIB, classificados por temas e regiões. O trabalho foi realizado em sala de aula com pré-avaliação e pós-avaliação, para avaliar o conhecimento dos estudantes em relação a AIB. Mesmo diante da

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proposta, os autores relataram a indisponibilidade de materiais instrucionais sobre o tema. Além disso, embora o trabalho seja voltado para o EM, é possível encontrar conteúdos pré-requisitos nas seguintes unidades temáticas para o ensino fundamental, a saber: 'Vida e evolução e Terra e Universo' (Brasil, 2018, p. 350).

No Quadro 2, são expostos os resultados da pesquisa realizada no portal Google Scholar .

Quadro 2 - Trabalhos publicados no portal Google Scholar , referentes ao período 2013 a 2023, com seus respectivos títulos e ano de publicação.

Fonte: elaborado pelos autores (2024).

- O trabalho desenvolvido por Garcia et al. (2016) teve como objetivo investigar os conhecimentos etnoastronômicos da comunidade indígena do norte do Rio Grande do Sul, visando produzir um material paradidático para o uso dos estudantes da aldeia local. O trabalho demonstra o potencial da Etnoastronomia como ferramenta para a Educação e para a valorização da cultura indígena.
- O trabalho realizado pelos pesquisadores Barreto e Souza (2017) teve como foco investigar o conhecimento astronômico do povo Tukano, em especial o grupo Sararo Yuúpuri Bubera Porã, localizado no município de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. Os autores fizeram uso da metodologia qualitativa, com base na pesquisa etnográfica, com o intuito de coletar informações a respeito das crenças e práticas astronômicas dos Tukano. Os conhecimentos astronômicos dos Tukano são utilizados para diversos fins, como: orientações sobre o tempo e espaço, agricultura e rituais religiosos.
- Já o trabalho desenvolvido por Afonso, Silva e Afonso (2022), relatou os resultados de uma pesquisa realizada a respeito da Astronomia indígena. Foram utilizados textos de missionários da época da colonização, em que os relatos são considerados importantes para o estudo da cultura astronômica dos indígenas.
- O trabalho desenvolvido por Souza e Sitko (2023) é um recorte de uma dissertação de mestrado, a qual apresenta reflexões a respeito do ensino de Astronomia Cultural na Educação Básica. O estudo em questão desenvolveu uma sequência didática de

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Astronomia Cultural, a partir de um produto educacional, o qual versa sobre um livro paradidático intitulado 'Uma Aventura pelos Céus da Amazônia'. Concluiu-se que o produto educacional aplicado é uma excelente ferramenta educacional.

Quadro 3 - Trabalhos publicados no portal Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD, referentes ao período 2013 a 2023, com seus respectivos títulos e ano de publicação.

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Fonte: elaborado pelos autores (2024).

- O trabalho desenvolvido por Araújo (2014) apresenta uma sugestão a respeito da inclusão de tópicos de Astronomia Indígena brasileira nas aulas de Física do Ensino Médio, a fim de possibilitar a difusão da cultura etnoastronômica na educação formal. O desdobramento da pesquisa foi realizado a partir da Etnoastronomia e da pedagogia dialógica de Paulo Freire (1996). Além disso, o autor apresenta o céu com o olhar da cultura indígena e não somente os conteúdos baseados na tradição greco-romana.
- Já o trabalho de Ortriz (2014), apresenta a proposta de reaproximação de uma comunidade indígena terena com os conhecimentos astronômicos, a fim de valorizar os conhecimentos e a visão do céu por meio da mediação da autora do trabalho, a qual realizou os registros em um caderno instrucional com a colaboração da comunidade local.
- O trabalho proposto por Rodrigues (2015) procurou analisar materiais e propostas didáticas sobre Astronomia cultural, levando em consideração a sua inclusão no ensino de tópicos de Física e Ciências na educação básica. A partir dessa pesquisa, o autor considera que a Astronomia cultural pode ser considerada como o estudo dos vínculos entre os saberes produzidos sobre o céu e o funcionamento sociocultural de um determinado grupo. O autor considera que a diversidade cultural é pouco ou raramente é explorada no ensino de Física, apresentando a necessidade de explorar discussões a respeito desse tema.

A pesquisa realizada por Nunes (2019), associada ao conhecimento milenar do povo Mebêngokrê/Kayapó com a Astronomia, levando em consideração a diferença do mito e do científico presentes nos conhecimentos Mebêngokrê/Kayapó. Além disso, o autor descreveu o papel de formação cultural e social destes saberes na região.

A investigação implementada por Fonsêca (2020) apresentou um material para estudo de professores com o objetivo de fomentar a valorização e o respeito à diversidade epistemológica em sala de aula. O estudo utiliza como estruturas teóricas: elementos conceituais da abordagem humana para o Ensino da Astronomia, em particular a valorização à diversidade epistemológica e as diferentes vivências do céu.

Quanto ao trabalho de Hoffmann (2021), visou resgatar a Cultura Astronômica Indígena e fazer comparações dos conhecimentos empíricos dos povos indígenas da etnia Avá-Guarani a respeito da Astronomia com os conhecimentos científicos, relacionando a observação do céu noturno com os fenômenos que influenciam nas atividades diárias. O trabalho contribuiu para a valorização dos saberes dos povos originários.

No tocante à pesquisa de Frazão (2022), estudou as práticas e experiências do povo indígena Xukuru do Ororubá (PE) a partir dos conhecimentos a respeito da Etnoastronomia e que possuem relação com a Agricultura através dos saberes locais e da espiritualidade à luz das práticas pedagógicas específicas que condizem com o Currículo das instituições. A pesquisa resultou na produção de um livro paradidático, fruto do produto educacional.

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No que diz respeito ao trabalho desenvolvido por Fehlberg (2022), realizou a produção e análise de aplicação de um produto educacional, o qual se trata de um guia didático a respeito da inclusão da Etnoastronomia do povo Guarani nas aulas de Física.

Acerca da pesquisa de Souza (2022), criou atividades práticas de Astronomia sobre as constelações indígenas, fazendo uso de um livro paradidático no contexto da Amazônia, a fim de valorizar e preservar os saberes dos alunos. O autor concluiu que o livro paradidático é uma ferramenta educacional com potencial para a educação científica.

Já na investigação de Joaquim (2022), possui uma abordagem qualitativa e apresenta os conhecimentos ligados à Etnoastronomia indígena, tendo como fundamentação o 'Resgate e Valorização da Astronomia do Povo Terena' da TI Cachoeirinha, a qual fica localizada no município de Miranda/MS.

Em sua pesquisa, Oliveira (2022) utilizou a pluralidade cultural dos temas transversais no contexto da educação, de acordo com as recomendações da Base Nacional Comum Curricular - BNCC, por meio das metodologias ativas e a interdisciplinaridade. O trabalho em questão, buscou incluir atividades no Planetário Johannes Kepler - PJK e Núcleo de Observação do Céu - NOC, visando a valorização do ensino de Etnoastronomia na educação brasileira. Os autores constataram que o trabalho contribui para a valorização e preservação da diversidade cultural.

A quantidade de trabalhos com essa temática, vem sendo crescente desde 2014, com uma quantidade tímida de artigos publicados em periódicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Os trabalhos envolvem revisão de literatura e pesquisa aplicada a respeito do ensino e aprendizagem, formação de professores, meio ambiente e cultura indígena na conjuntura da Etnoastronomia, mostrando a pluralidade de Universos físicos e culturais, além de mostrar que não existe somente uma forma de estudar o Universo (Magalhães, 2000). Diante da resistência desses conhecimentos tradicionais e da concepção dos pesquisadores brasileiros, emerge uma conscientização a respeito da importância não apenas da salvaguarda dessas tradições, mas também na importância do seu papel no aperfeiçoamento do processo de enculturação científica.

## Considerações Finais

Analisando os trabalhos a respeito da Etnoastronomia indígena no Ensino de Física, percebe-se que os autores possuem uma preocupação a respeito da preservação dos saberes indígenas, do meio ambiente e o fortalecimento das políticas públicas que possibilitam esse reparo histórico. Diante das constantes tentativas de dizimar os indígenas, as pesquisas realizadas nesta área se mostram como um ato de resistência perante os fatos que vem ocorrendo desde a invasão do território brasileiro até o presente momento. A inclusão da Etnoastronomia indígena na educação científica é fundamental para a emancipação de uma Ciência nos moldes dos saberes dos povos tradicionais, mostrando a importância da pluralidade dos céus.

O trabalho mostra a percepção de diversos pesquisadores sobre as diferentes visões a cerca dinâmica do Universo, a compreensão de que na cultura indígena o céu está ligado à natureza, tornando esse conceito fundamental para compreender a relação do homem com a natureza e os mecanismos de sobrevivência. Assim, a pesquisa realizada possibilita uma aprendizagem alinhada aos saberes fundamentais para uma

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formação pautada não apenas em conhecimentos científicos convencionais, mas também em conhecimentos e saberes dos povos originários brasileiros.

A partir das investigações realizadas, espera-se que este trabalho possibilite a decolonização dos saberes dos povos tradicionais, considerando as seguintes perspectivas possíveis: expansão das práticas interculturais no ensino de Ciências, desenvolvimento de materiais didáticos interculturais, a promoção de políticas educacionais de inclusão cultural, interdisciplinaridade da pesquisa acadêmica e colaboração com comunidades indígenas.

## Referências

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