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UM MUSEU DE CIÊNCIA COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO INTERIOR DO SERTÃO BAIANO

Maria Erisfagna Ribeiro De Macedo, Damon Ferreira Farias, Marcos José Paixão Da Silva, Janielly Silva Guimarães, Zaanny Gabrielle Paixão Da Silva E Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMMUSEU DE CIÊNCIA COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO INTERIOR DO SERTÃO BAIANO

¹Damon Ferreira Farias, ¹Maria Erisfagna Ribeiro de Macedo, ¹Marcos José Paixão da Silva, ¹Janielly Silva Guimarães, ¹Zaanny Gabrielle Paixão da Silva e Silva

1 Colégio Estadual Professora Hilda Monteiro Menezes - Tempo Integral/Ciências da Natureza e Suas Tecnologias/damon.fisica@gmail.com

## Resumo

O Museu Budega da Ciência (MBC) existe há aproximadamente 5 anos, e sua concepção se baseia em Jacobucci (2006), Valente e Cazelli (2005) e Pavão (2008), que discutem os museus de ciência enquanto espaços lúdicos, dinâmicos e interativos, não sendo considerado apenas como lugar de coisa antiga e histórica. O Museu fica localizado no Colégio Estadual Professora Hilda Monteiro Menezes, Campo Formoso. Este trabalho teve como objetivo investigar o impacto do Museu Budega da Ciência no processo de popularização da ciência no Colégio Estadual De Tempo Integral Professora Hilda Monteiro Menezes. A pesquisa é do tipo exploratória e descritiva, assumindo uma abordagem qualitativa no tratamento dos dados coletados. O presente trabalho possibilitou uma aproximação com a ciência e uma formação humana integral. Além disso, o Museu de Ciência contribuiu para inserir os participantes no mundo científico. Por fim, a construção de um espaço não formal, vem proporcionando a aprendizagem dos jovens estudantes, através de argumentos, assim como conflitos e a construção de conceitos científicos, antes considerados trágicos.

Palavras-chave : Divulgação científica, Museu, Ensino de ciências.

## Introdução

Encantamento, curiosidade, descoberta, diversão, prazer, passeio, sociabilidade, debate, pesquisa, trabalho de campo e aprendizagem. O museu é atualmente reconhecido por sua missão cultural, que além das funções de preservar, conservar, pesquisar e expor apresenta-se também como campo fértil para as práticas educativas. O compromisso de colocar-se a serviço de uma sociedade em constante transformação orienta os trabalhos desenvolvidos a fim de sensibilizar os indivíduos sobre o seu patrimônio cultural e de empreender um diálogo constante com diferentes públicos que o frequentam (GRUZMAN, 2017).

A principal característica desses locais, além de serem espaços de Divulgação Científica, é o emprego da educação não formal, uma vez que esse tipo de ensino está livre de currículos e estruturas pré-estabelecidas que são encontradas no ambiente formal. É importante ressaltar que a forma como é trabalhada a educação nos Centros e Museus de Ciência (CMC) é totalmente planejada para o público, para que se possa aproveitar ao máximo cada conhecimento, não se esquecendo do seu valor científico. Os CMC seguem metodologias próprias que utilizam exposições científicas de diversas ordens e recorrem, inclusive, a recursos audiovisuais de variados níveis de sofisticação por meio de um caráter multidisciplinar, integrando a Ciência e Tecnologia. Esses locais desenvolveram uma modalidade não formal de ensinar que pode ocorrer paralelamente ao ensino formal a cargo das escolas (DANTAS, 2016; RIBEIRO, 2021).

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O Museu Budega da Ciência (MBC) existe há aproximadamente 5 anos, e sua concepção se baseia em Jacobucci (2006), Valente e Cazelli (2005) e Pavão (2008), que discutem os museus de ciência enquanto espaços lúdicos, dinâmicos e interativos, não sendo considerado apenas como lugar de coisa antiga e histórica. Os objetivos do Museu envolvem a produção de experimentos para o ensino de ciências, o desenvolvimento de atividades a partir de diálogos problematizadores com os educandos, a divulgação científica e a promoção do ensino de ciências investigativo e experimental.

Neste sentido, o presente projeto teve como foco investigar o impacto do Museu Budega da Ciência no processo de popularização da ciência no Colégio Estadual De Tempo Integral Professora Hilda Monteiro Menezes, município de Campo Formoso - Bahia.

## Metodologia

A pesquisa é do tipo exploratória e descritiva, assumindo uma abordagem qualitativa no tratamento dos dados coletados. Para Gil (2002) e Vieira (2002), a pesquisa exploratória tem por objetivo favorecer uma maior proximidade com o tema, tornando-o mais claro, além de propiciar ao pesquisador maior intimidade com o assunto, possibilitando a compreensão do problema. Ainda conforme os autores, caracteriza-se também como descritiva, pois os fatos serão observados, analisados, registrados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira nesses.

A abordagem qualitativa deste estudo se mostra pertinente aos objetivos da pesquisa. Com a proposta de ser exploratório, a escolha de analisar os dados qualitativamente permitirá que observemos os detalhes das respostas dos estudantes sobre as atividades realizadas (Gil, 2022). As atividades foram desenvolvidas durante o ano de 2022 e 2023 com participação dos alunos do Colégio Estadual De Tempo Integral Professora Hilda Monteiro Menezes (CEPHMM), Campo Formoso - Bahia.

## Resultados e Discussão

O Museu Budega da Ciência financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) visa a promoção de atividades de divulgação da ciência, do estímulo à aquisição do conhecimento científico e da criatividade das crianças, adolescentes e jovens. A ideia de um espaço para divulgação científica, itinerância, envolvimento dos alunos da educação básica numa escola pública, bem como a criação de um museu em um espaço formal, foi uma provocação ao modelo de educação tradicional e bancária, presente em muitas escolas. Uma das primeiras ações do MBC com o intuito de popularizar a ciência no interior do Sertão Baiano foi a implantação do projeto museu itinerante nas escolas públicas para motivar os jovens a se interessarem mais pelo universo científico tendo como motivação o ensino de ciência, tecnologia, meio ambiente e sociedade. O MBC também oferece oficinas e palestras com cientistas locais, convidados e bolsistas.

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Figura 1: Itinerância no CEPHMM - anexo.Fonte: Os autores

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Outra atividade importante que faz parte do projeto com intuito de promover e difundir as ciências no interior do Sertão Baiano foram:

## a) Participação em eventos e olimpíadas científicas

O Museu Budega da Ciência vem incentivando a participação de estudantes do interior do Sertão Baiano em olímpiadas nacionais e estaduais em diversas areas do conhecimento. Sobre esse ponto, destaca-se o Colégio Estadual Professora Hilda Monteiro Menezes (CEPHMM) localizado no município de Campo Formoso/Ba, uma das escolas parceiras do projeto, teve recorde de inscrição na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA 2022) e na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG 2022) com oitenta e quatro participantes no qual conquistaram 22 medalhas pelo desempenho na competição, como observa-se na Figura 2. Entre os anos de 2019 2021 a escola obteve apenas três alunos inscritos.

Figura 2: Quadro de medalhas conquistada na MOBFOG.

Fonte: Os autores

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Na Olimpíada Brasileira de Física (OBF), uma aluna do 3° ano do ensino médio do CEPHMM, por exemplo, foi uma das participantes que alcançou êxito. Segundo ela:

'Ter sido classificada para a segunda fase em uma olímpiada nacional tão importante e concorrida, como é a de Física, é muito bom, sinto-me bastante orgulhosa. A Física tem uma importância fundamental no dia a dia das pessoas, porque ela está presente em todos os lugares e devo ao meu professor Damon Ferreira Farias o meu entendimento em Física, a minha descoberta pela disciplina.' (Estudante 1)

Diante desse resultado, as três melhores equipes que lançaram o mais distante possível seus foguetes foram convidadas a participar da JORNADAS DE FOGUETES na cidade de Barra do Piraí, RJ, entre agosto e dezembro de 2022. Segundo os estudantes,

Estudante 02: 'Foi uma experiência incrível colocar na prática o que aprendemos em sala de aula [...]'

Estudante 03: 'No início eu pensei que não ia dar certo, mas com o incentivo do professor e da nossa curiosidade deu super certo e foi muito divertido nos aproximando ainda mais da ciências.'

Outra atividade importante e que faz parte do projeto é o incentivo da comunidade escolar em participar de congressos, clubes de ciência e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A participação de alunos em eventos científicos, como, SBPC Jovem, evento associado a 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), conta com diferentes espaços, como o Circo da Ciência, o de Robótica e Arena Gamer, o Ciência Móvel e a Mostra de Feira de Ciências busca trazer atividades que incentivem o contato de estudantes do ensino fundamental, médio e técnico com o conhecimento científico. Segundo o estudante.

Estudante 4: 'Além de passar o meu conhecimento também quero adquirir um pouco. Para mim, é uma honra ter sido escolhido em meio a tantos alunos, junto com minha colega, para estar representando a minha cidade, um lugar muito rico e muito lindo e que merece ser reconhecido em todo o país.'

Figura 3: Alunos participando da SBPC 2023

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## b) Aulas de Práticas Investigativas

Outra atividade importante e que faz parte do projeto é o incentivo de aulas práticas no laboratório de ciências, pois, o laboratório não se restringe a responder somente os problemas escolares, com base na interação social que o laboratório de ciências possibilita, os alunos são levados ao diálogo, ao convívio em grupo, formando assim indivíduos capazes de interagirem com a sociedade de forma ativa e dessas interações, os indivíduos levam para o grupo novos saberes, novas perspectivas que se somam as demais, possibilitando um contínuo crescimento para cada indivíduo e, consequentemente, para o grupo, como observa-se na Figura 4.

Figura 4: Aula prática no laboratório de ciências.

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A experimentação, como qualquer outra atividade em sala de aula, é um aliando bastante importante, quanto à análise da postura didática do professor. A implementação de atividades experimentais além de poder assegurar uma melhoria na relação de ensino e aprendizagem pode ser um referencial para a postura didática do professor. Com base nas perspectivas do trabalho experimental, como o trabalho em equipe e a motivação, o professor pode elaborar aulas que também visam essas características.

De maneira geral, a divulgação científica pode ser entendida como uma atividade de difusão do conhecimento científico e tecnológico produzido no interior de uma comunidade específica, e que mobiliza recursos e técnicas para a veiculação de informações sobre ciência e tecnologia a um público diversificado (RIBEIRO, 2007).

## Considerações Finais

Os resultados apresentados e discutidos durante a execução do projeto revelam aspectos relevantes para professores e pesquisadores que referendam a necessidade de promover a alfabetização científica em sala de aula. O projeto reflete caminhos para o ensino de ciências enquanto fomentador de compreensão do mundo e do conhecimento científico, destacando o seu papel na cultura e na sociedade.

Os resultados revelaram que as experiências de um Museu de Ciência dentro de uma escola podem contribuir para a superação de problemas recorrentes como evasão, reprovação e desestímulo. Abrindo e ampliando novas possibilidades educacionais com o desenvolvimento da habilidade dos estudantes na criação de critérios para compreensão de objetos, fenômenos ou fatos do cotidiano, empíricos ou científicos.

As exibições, itinerâncias, seminários e mostras dos experimentos do MBC possibilitaram aos alunos uma aproximação com a ciência e uma formação humana integral, pois, os Museus de Ciências são importantes espaços de divulgação

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científica e possibilitam o desenvolvimento da Alfabetização Científica.

## Agradecimentos

O projeto tem apoio financeiro do Ministério da Educação, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Governo Federal

## Referências

ARAÚJO, Carlos Wagner Costa; RIBEIRO, Marcos Antonio Pinto; Batista, Lindsai Santos Amaral. UM OLHAR SOBRE A TRAJETÓRIA DO MUSEU DE CIÊNCIA RICARDO FERREIRA Revista Eletrônica DECT, Vitória (ES), v. 9, n. 01, p. 423-445, 2019.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2002.

Gruzman, Carla; Siqueira, Vera Helena F. de. O papel educacional do Museu de Ciências: desafios e transformações conceituais. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias Vol. 6, Nº2, 402-423 (2007).

JACOBUCCI, Daniela Franco Carvalho. A Formação Continuada de Professores em Centros e Museus de Ciências no Brasil. 2006. 317 p. Tese (Doutorado em Educação - Universidade Estadual de Campinas). Campinas. SP. 2006.

PAVÃO, Antônio Carlos. Ensinar ciências fazendo ciência com professores e alunos da educação básica. 2008. Disponível em http://hpc.ct.utfpr.edu.br/~charlie/docs/PPGFCET/4\_TEXTO\_01\_ENSINAR%20CI%C 3%8ANCIAS%20FAZENDO%20CI%C3%8ANCIA.pdf. Acesso em 15 de abr. de 2018.

REVISTA Educação Bahia 2020.2. Disponível em: https://online.fliphtml5.com/xtjl/anpn/#p=1

VALENTE, Maria Ester.; CAZELLI, Sibelle.; ALVES, Fátima. Museus, ciência e educação: novos desafios. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, v. 12, n. suplemento, p. 183-203, Rio de Janeiro. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v12s0/09. Acesso em 25 mai de 2018.

VIEIRA, Valter Afonso. As tipologias, variações e características da pesquisa de marketing. Curitiba, Revista da FAE , v.5, p.65-70, jan./abr. 2002.

O Texto do artigo deve ser em Arial tamanho 12, espaço simples, justificado, com recuo de 1,50cm na primeira linha, ou seja, parágrafo de 1,50cm. O espaçamento antes deve ser 0pt (zero) e depois 6pt.

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