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Acústica musical no ensino médio: uma discussão curricular

Rafael Andrade Pereira, Oscar João Abdounur

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ACÚSTICA MUSICAL NO ENSINO MÉDIO: UMA DISCUSSÃO CURRICULAR

## MUSICAL ACOUSTICS IN HIGH SCHOOL: A CURRICULUM DISCUSSION

## Rafael Andrade Pereira, Oscar João Abdounur

1 Universidade de São Paulo/ Instituto de Física/ Programa de Pós-Graduação Interunidades/ rafael.andrade.pereira@usp.br

## 1.0 Introdução: Delimitando o problema de pesquisa

Este trabalho tem a pretensão de apresentar os resultados de minha dissertação de mestrado, assim serão abordadas diversas perspectivas da relação entre o ensino de física da música. Neste sentido, este trabalho apresentará uma maneira de se entender como o ensino da relação entre a física e a música pode colaborar com a formação dos estudantes de ensino médio. Assim, esta pesquisa tem como questões norteadoras as seguintes perguntas:

- - Como o ensino da Acústica Musical pode colaborar com o tratamento da natureza da ciência no ensino médio?
- - Como a experimentação e a história da ciência podem colaborar com o desenvolvimento de um curso de Acústica? Que outras estratégias podem ser utilizadas neste curso?

Como obstáculos à inserção deste tema no currículo do ensino médio estão a fragilidade da formação musical dos estudantes e professores, a escassa disponibilidade de materiais que explorem a interface físico-musical e a tradição de tratar a música como tema secundário dentre as muitas implicações da ondulatória. Assim, muitos materiais didáticos excluem ou diminuem a importância de abordar este conteúdo. Desta forma, pretende-se investigar os benefícios que o tratamento desta temática pode trazer ao curso de física.

Além disso, esta pesquisa objetivou reunir elementos da história que evidenciassem como este conteúdo se construiu ao longo do tempo e, além disso, organizar uma exposição didática na Estação Ciência apresentando um projeto de divulgação de parte dos conceitos da relação físico-musical.

## 2.0 Objetivos

- -Reunir contribuições históricas necessárias à compreensão da relação entre física, matemática e música no Renascimento.
- -Extrair de registros históricos pertinentes, indicadores da presença da verificação experimental na produção de conhecimento acústico durante o Renascimento.
- -Sob uma perspectiva físico-matemática, analisar o conceito de harmonia na música teórica ocidental, tendo por base conceitos físicos tais como batimento, ressonância, Série Harmônica, etc. Nesse sentido, avaliar o quanto as regras de harmonia estabelecidas nos tratados teórico-musicais do período em

questão são passíveis de ser compreendidas à luz de conceitos físicoexperimentais.

- -Como parte do trabalho de campo, abordar, por meio da exposição didática no museu Estação Ciência, fenômenos relevantes para a compreensão racional da acústica musical renascentista.
- -Organizar teoricamente um conjunto de estratégias didáticas que busquem explicitar as concepções histórico-epistemológicas desta pesquisa.

## 3.0 Pressupostos básicos e a metodologia de pesquisa

Da perspectiva metodológica, esta pesquisa envolveu encontros periódicos com o orientador e com o grupo de pesquisa que visavam estabelecer uma bibliografia básica que fornecesse subsídios historiográficos para sustentar a hipótese que a Acústica Musical, assim como a Gravitação Universal, viveu no Renascimento um momento de Revolução Científica, isto é, passou de um paradigma essencialmente baseado em um dogmatismo aritmético para um novo paradigma sustentado pela valorização do experimento.

Como fundamento teórico desta pesquisa será explorado o projeto epistemológico de Thomas Kuhn, assim a obra 'A estrutura das Revoluções Científicas' será uma das referências amplamente exploradas neste texto, de tal forma que deve-se atribuir um significado Kuhniano na leitura desta dissertação para os termos paradigma, crise epistemológica e Revolução Científica.

- É pressuposto que o leitor deste material não é um músico proficiente. Assim, sempre que a teoria musical for abordada a dissertação buscará fornecer subsídios para que um leigo possa entender esta discussão.

Visando divulgar a análise realizada neste trabalho organizou-se uma proposta de exposição que está acontecendo na Estação Ciência. Segue uma breve apresentação desta exposição, já que ao longo deste documento haverá um capítulo específico para explicitar detalhes do planejamento e da execução desta exposição.

Sob uma ótica estrutural da exposição, o projeto propõe a realização de 8 módulos dispostos em salas capazes de transmitir as idéias centrais da relação entre física, matemática e música:

- -- 1) Motivações e questões relevantes para a compreensão da Série Harmônica
- --2) O experimento do Monocórdio: razões x intervalos musicais e a sistematização matemática da escala
- -- 3) Renascimento: o nascimento da música como ciência experimental
- -- 4) Escalas e Temperamento
- -- 5) Série Harmônica/Série de Fourier
- -- 6) Consonância e Dissonância: do simbolismo aritmético a uma concepção

física

- -- 7) O som dos planetas
- -- 8) Da matemática-especulativa à matemática-empírica: uma revolução científica na música

## 4.0 Diversificando as estratégias de ensino

Como desdobramento de uma pesquisa histórico-epistemoloógica essencialmente teórica organizou-se um conjunto de estratégias de ensino, cuja abordagem favorecesse a explicitação de uma concepção histórica na qual o renascimento era marcado como um importante Período para a reconstrução do paradigma científico contemporâneo. Visando explicitar o trabalho com a Acústica Musical segue abaixo um conjunto de estratégias que podem colaborar com o desenvolvimento de um curso sobre este tema. Vale ressaltar que apesar de abordar algumas estratégias de ensino o presente texto não tem a pretensão de prescrever como deve-se ensinar Acústica, mas sim colaborar com os professores para que estes possam explorar outras estratégias e abordagens do assunto.

Entre as estratégias exploradas no trabalho destacam-se: o uso de softwares, a construção de instrumentos musicais, o uso de textos históricos, a construção de diálogos fictícios e o uso de imagens e vídeos. Muitas destas estratégias foram exploradas em situações reais e seus resultados mostraram-se bastante satisfatórios, ainda que o objetivo central deste trabalho não fosse quantificar/analisar tais resultados. Assim, o trabalho apenas aponta para um conjunto de estratégias didáticas eficientes para evidenciar a concepção históricoepistemológica apresentada neste trabalho.

Entretanto apesar das dificuldades de se discutir um tema intrinsecamente interdisciplinar como este, vale ressaltar que esta dissertação buscou explicitar diversas razões para se investir nisso. Dentre estas razões destacam-se a riqueza de se contemplar a perspectiva histórica, valorizar a experimentação (fortemente presente no paradigma científico contemporâneo) e possibilitar a discussão de habilidades, competências e conteúdos fundamentais para a formação de um estudante de física.

## 5.0 Conclusão

Essencialmente este trabalho buscou discutir três importantes perspectivas da relação entre a física e a música, sendo elas:

- 1. Uma análise histórico-epistemológica da Acústica Musical e sua relação com a importância de contemplar este conteúdo no currículo de física;
- 2. O desenvolvimento de uma Exposição Didática sobre a relação físicomatemático-musical e a divulgação de conceitos e ideias do tema;
- 3. As implicações educacionais deste trabalho e as possibilidades de exploração deste tema em sala de aula.

## Referências

Abdounur, Oscar João. Matemática e música: o pensamento analógico na construção de significados. Editora Escrituras: São Paulo, 1999

Kuhn, Thomas S. The structure of scientific revolutions. Chicago: University of Chicago Press, 1970.

Lindsay, R.B. Acoustics: Historical and Philosophical Development. Stroudsburg: Dowden

Palisca,C.V.,'Scientific Empiricism in Musical Thought',Seventeenth Century Science and the Arts, ed.H.H.Rhys(Princeton,1961), 91-137

Zanetic, J. Física também é cultura. São Paulo: Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 1989.

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