DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA ABORDAGENS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DE FÍSICA
João Paulo Casaro Erthal, Kênia Rezende Cardoso
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 20/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ciência, Tecnologia, Sociedade E Ambiente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA ABORDAGENS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DE FÍSICA
João Paulo Casaro Erthal 1 , Kênia Rezende Cardoso 2
1 Universidade Federal do Espírito Santo, jperthal@gmail.com
2 Universidade Federal do Espírito Santo, kenia.rezende@yahoo.com.br
## Resumo
Diante de uma realidade ambiental que vem despertando uma preocupação necessária e imediata em buscar soluções para os problemas ambientais que emergem como grandes desafios na atualidade, a educação ambiental se apresenta como uma importante ferramenta de sensibilização e reflexão acerca desses problemáticas ambientais. Assim, o presente trabalho apresenta um estudo sobre as abordagens práticas de educação ambiental no Ensino de Física, no qual objetivou-se analisar práticas de educação ambiental, buscando compreender no Ensino de Física, como a inserção das questões ambientais podem ser abordadas. A pesquisa de cunho qualitativa analisou, dentro de um recorte temporal de dez anos, trabalhos publicados no Portal de Periódicos da CAPES que discorrem sobre metodologias práticas no Ensino de Física para a inserção da temática ambiental. O trabalho mostrou o enfoque CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) como uma possibilidade para trabalhar a temática ambiental de forma reflexiva e interdisciplinar, proporcionando argumentos para pensar soluções no cotidiano para as problemáticas ambientais atuais. O estudo mostrou ainda, como a temática ambiental nas aulas de Física é essencial na busca para um desenvolvimento sustentável, ao trabalhar as reflexões ambientais de forma coletiva e colaborativa entre os educandos, por meio de metodologias práticas de forma dinâmica e relacionada a realidade do aluno.
Palavras-chave : Educação ambiental, Ensino de Física.
## Introdução
A realidade ambiental que vivenciamos tem se mostrado cada vez mais preocupante e os problemas ambientais emergem como grandes desafios que exigem soluções imediatas, as quais requerem uma compreensão do papel coletivo e individual da sociedade nesse meio ambiente que nos cerca e que é a base da nossa sobrevivência.
Enfrentamos uma urgência necessária em refletir sobre as problemáticas ambientais, onde a educação ambiental pautada no princípio do pluralismo de ideias pedagógicas, através da abordagem interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar, possibilita aos alunos desenvolver uma compreensão holística e interconectada do mundo natural e de suas interações com a sociedade, assumindo um olhar crítico para a sua realidade (Miranda; Miranda; Ravaglia, 2010).
Neto e Latinni (2010) destacam que os alunos, muitas das vezes, apresentam dificuldade de associar a realidade da vivência cotidiana aos conteúdos aprendidos em sala de aula quando se fala em responsabilidades socioambientais. Por sua vez, Oliveira, Sahed e Rodrigues (2020) ressaltam a importância da preparação do professor, o repensar a forma de ensinar, trabalhar práticas pedagógicas que contribuam para a um novo paradigma da educação ambiental, pensadas a partir das problemáticas locais, propiciando aprendizagens mais significativas e reflexivas.
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
A educação ambiental, propõe um pensamento reflexivo e crítico, valendo destacar que, de acordo com Jacobi (2005), os educadores possuem um papel estratégico na promoção da educação ambiental no cotidiano escolar, podendo impulsionar as transformações de uma educação engajada em incentivar práticas que contribuam para a construção de uma sociedade mais sustentável.
Ao pensar a inserção da educação ambiental no Ensino de Física, WatanabeCaramello, Strieder, Gehlen, (2012) explanam o desafio da visão e das prioridades dos professores, as quais podem influenciar diretamente na forma como a educação ambiental é abordada em sala de aula. Alguns professores podem focar mais nos conceitos da Física, enquanto outros podem priorizar conteúdos voltados para exames vestibulares. Por outro lado, há aqueles que discutem as questões de cidadania e valores, as quais aparecerem como elementos fundamentais na pauta de discussões cotidianas nos mais variados ramos do saber.
É evidente o papel crucial que o Ensino de Física desempenha ao mediar a realidade do educando e a relação com conceitos teóricos, como uma disciplina que busca a compreensão dos fenômenos naturais e a relação do homem com o meio, se tornando uma ferramenta essencial para pensar muitas das soluções ambientais, e socioeconômicos (Franzon; Iachel, 2016).
A Física desafia os estudantes a irem além dos fenômenos físicos em si, pois ao estimular a experimentação e o pensamento reflexivo, esses podem auxiliar os alunos a buscarem soluções para as problemáticas ambientais, através de uma educação crítica e significativa, com abordagens inovadoras e sustentáveis na busca por um futuro mais equilibrado com o meio ambiente (Fortes; João, 2021).
Cabe salientar que é importante repensar o Ensino de Física na educação básica, e como esse pode, e tem contribuído para despertar no educando o pensamento crítico e reflexivo no campo ambiental, buscando trabalhar a Física e seus conceitos teóricos de forma transversal, considerando a realidade do estudante.
Dessa forma, o presente trabalho, de cunho bibliográfico, objetivou analisar abordagens práticas de educação ambiental no Ensino de Física, buscando compreender como a inserção das questões ambientais podem ser trabalhadas dentro da Física.
## Metodologia
Este trabalho representa uma parte de um estudo mais amplo, realizado durante um curso de mestrado, que investiga as abordagens da educação ambiental no Ensino de Física, focando em tendências de pesquisa, formação docente e aplicações didáticas. O estudo está dividido em três unidades temáticas: 1) "Educação ambiental no Ensino de Física: integração e reflexões sobre o tema"; 2) "Análise das publicações sobre a inserção da educação ambiental nos cursos de licenciatura em Física"; e 3) "Abordagens práticas de educação ambiental no Ensino de Física". A unidade apresentada neste trabalho é a terceira, que busca explorar as principais abordagens práticas de educação ambiental publicadas para o Ensino de Física.
Inicialmente foi realizada uma pesquisa de artigos nacionais no Portal de Periódicos da CAPES, com período de 2013 a 2023, pautada na leitura dos títulos, resumos e palavras-chave que traziam a educação ambiental relacionada ao Ensino
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de Física, com um propósito de conhecer e analisar o que vem sendo produzido sobre educação ambiental no Ensino de Física.
A fim de conhecer as principais abordagens práticas de educação ambiental publicadas para o Ensino de Física, foram encontrados quatro artigos que discorrem sobre a temática ambiental e a utilização de metodologias que apontam caminhos reflexivos para despertar uma sensibilização ambiental através da compreensão sobre o Ensino da Física. O quadro a seguir mostra os artigos estudados para a construção dessa pesquisa.
Quadro 01: Artigos analisados sobre as abordagens práticas de educação ambiental no Ensino de Física
A abordagem de temas ambientais complexos e controversos, por meio de trabalhos educativos que possibilitam a inserção das questões ambientais no Ensino de Física, não só enriquece o conteúdo, mas também permite aos alunos desenvolver uma compreensão mais profunda dos conceitos enquanto exploram sua relevância para questões ambientais contemporâneas (Melo e Silva, 2019).
Contribuindo com essa discussão, Silva, Neves, Silva (2020) trazem o enfoque CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente), a partir do estudo da 'Física dos transportes' proporcionando uma análise multidisciplinar que conecta conhecimentos técnicos a questões econômicas sociais e ambientais. Essa abordagem ajuda a destacar as implicações diretas que as escolhas tecnológicas e de infraestrutura em transportes têm sobre a sociedade e o meio ambiente. Foram abordadas questões relevantes como emissão de gases, resíduos, poluição, impactos ambientais, efeito estufa, derivados petróleo, saúde, infraestrutura, fatores econômicos e problemas provocados pela poluição dos meios de transportes movidos a combustíveis fósseis. Verifica-se aqui, indicações reais e plausíveis para a discussão de assuntos sobre educação ambiental em conjunto com tópicos clássicos de Física.
A atividade na perspectiva CTSA mostra uma possibilidade de trabalhar a temática ambiental de forma reflexiva e interdisciplinar, promovendo pensamento
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crítico e consciente nos alunos para pensar soluções no cotidiano para as problemáticas ambientais atuais.
A pesquisa de Santos, Massoni, Dantas e Rodrigues (2022) é outro exemplo de como integrar conceitos de Física com educação ambiental usando tecnologias avançadas, como o sensoriamento remoto. Além de ampliar o entendimento científico dos alunos, também os conecta de forma prática e relevante com questões ambientais globais e locais. Na pesquisa foram trabalhados conceitos como o desmatamento, radiação emitida pela superfície (ROL), índice de vegetação (NDVI), a partir do uso de imagens de satélites de duas regiões diferentes, uma na Mesorregião do Sul Cearense, e outra na Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre, utilizando um período de 10 anos (2006 a 2016). Foram apontados resultados que demonstram a influência da vegetação na temperatura, sendo que áreas com a vegetação mais densa influenciam o fator temperatura, deixando seus valores mais baixos e interferindo no conforto térmico nessas regiões. Através dos dados fornecidos pelo sensoriamento é possível trabalhar a interdisciplinaridade conectando a Física com outras disciplinas, como Biologia, Geografia e tecnologia, o que enriquece a experiência de aprendizado, tornando-a menos fragmentada, incentivado os alunos a conhecerem a própria realidade além de proporcionar mais autonomia a professores e estudantes no que tange as tomadas de consciências nas decisões que locais.
O estudo de Moraes e Gebara (2017) revela uma diferença na percepção e na abertura dos professores brasileiros em relação à utilização da Física Ambiental em espaços formais e não formais de ensino. Ao realizar a pesquisa com 70 professores de Física que atuaram a maior parte da vida profissional em escolas públicas, e 39 professores de Física que atuaram a maior parte da vida profissional em escolas particulares, foi possível observar que os professores de escolas públicas apresentam maior potencial para abordar a Física Ambiental em sala de aula, por terem um pouco mais de liberdade para trabalhar metodologias de ensino diversificadas em espaços formais, em comparação aos professores de escolas privadas que são mais submissos ao sistema escolar mercantil, porém, apresentam melhores condições para a utilização dos espaços não formais, visto que as escolas privadas tendem a ter mais disponibilidade de recursos financeira e de logística para realizar atividades fora do ambiente escolar com os alunos, como visitações a espaços não formais de educação.
Galvão, Epazziani e Monteiro (2018), na pesquisa sobre a Argumentação de alunos da primeira série do Ensino Médio sobre o tema 'Energia: discussões numa perspectiva de Educação Ambiental', propõem uma atividade reflexiva através do levantamento de situações relacionadas à produção e usos de energia, com destaque para as questões ambientais presentes nesse processo, onde evidenciam a participação dos alunos com um olhar voltado para o cotidiano, e uma visão crítica sobre as formas de produção de energia elétrica. A pesquisa contribuiu ainda para abordar questões pertinentes ao impacto ambiental, como a queima de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas, a mudança no ciclo natural das aves, reflexões de radiações eletromagnéticas nas usinas eólicas, ou no lixo radioativo que é produzido nas usinas nucleares, além do olhar para a responsabilidade social que os alunos apresentaram.
'Notamos que, na maioria das falas, há destaque para questões do cotidiano e inserção de aspectos vivenciados em sociedade. Acreditamos que esse fato permitiu aos alunos maior liberdade e confiança na elaboração de seus argumentos, com maior enfoque crítico. Portanto, entendemos que é possível
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inserir nas aulas de Física conceitos que podem ser explorados a partir de questões sociais, fato que torna o Ensino de Física mais significativo para os alunos' (Galvão; Epazziani e Monteiro, 2018. p.988).
A pesquisa realizada por Galvão, Epazziani e Monteiro (2018) reforça que a inserção da educação ambiental contribui para uma formação para a cidadania, com um olhar crítico para o desenvolvimento sustentável, e o pensamento coletivo, além de apontar a educação básica como um momento para essa formação cidadã dos alunos, sendo imprescindível que a escola forneça esse ambiente propício, acessível e transformador que sustentem práticas pedagógicas voltadas a formação da cidadania.
Assim, é fundamental que as metodologias de ensino sejam desenvolvidas para estimular a participação dos alunos, incentivando a expressão de ideias. Dessa forma, os estudantes podem refletir sobre questões ambientais e se sensibilizar para pensar em possíveis soluções para os desequilíbrios na relação entre o ser humano e o meio ambiente (Galvão; Epazziani; Monteiro, 2018).
Em comparação ao que vem sendo feito no Brasil, Fortes e João (2021), ao realizar a pesquisa: 'Ensino de Física e Cidadania', voltada para uma perspectiva do consumo consciente de eletricidade em Moçambique evidenciam mais uma vez a importância da inserção da educação ambiental nas aulas de Física para uma formação cidadã, pois contribui para uma reflexão dos hábitos e comportamento que cooperam para um consumo mais consciente.
Leite e Silva (2021) corroboram com essa discussão ao sugerir que a inserção de diferentes temas ambientais nas aulas de Física proporciona ao professor, através da temática ambiental, elementos que enriquecem a prática teórica e conceitual nas aulas de Física.
É necessário superar um Ensino de Física conteudista. A abordagem de temas ambientais em aulas de Física contribui com a formação de sujeitos mais engajados com o enfrentamento dos problemas ambientais e pode destacar a produção de energia elétrica, os fenômenos climáticos, a água e a radiação como temas ambientais que apresentam grande potencial para serem abordados em aulas de Física, possibilitando a discussão de aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais ligados à questão ambiental (Oliveira; Leite, 2022).
## Conclusão
Os trabalhos publicados mostram possibilidades para a abordagem da temática ambiental nas aulas de Física, e como ela é essencial na busca para um desenvolvimento sustentável, quando trabalha no educando o pensamento crítico, e um olhar para a própria realidade.
Outro ponto que se destaca ao trabalhar as questões ambientais no Ensino da Física é a necessidade de trabalhar as reflexões ambientais de forma coletiva e colaborativa entre os educandos, propiciando um olhar amplo que vai além dos conceitos da Física, mas que permita identificar relações com outras disciplinas, para transformar a aprendizagem significativa e menos fragmentada.
Portanto, é possível abordar a temática ambiental nas aulas de Física de forma dinâmica e relacionada a realidade do aluno para que ocorra uma mudança transformadora diante das problemáticas ambientais. Entretanto, foi verificada uma produção pequena em relação ao entrelaçamento sobre Ensino de Física e Educação
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Ambiental, o que denota a existência de um amplo campo de investigação para as áreas de Ensino de Física e Ensino de Ciências.
## Referências
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FRANZON, L. G. H.; IACHEL, G. Consumo consciente de energia elétrica: pequenas ações para grandes resultados. Caderno PDE, v. 1, p. 1-16, 2016.
GALVÃO, I. C. M; SPAZZIANI, M. L; MONTEIRO, I. C. C. Argumentação de alunos da primeira série do Ensino Médio sobre o tema" Energia": discussões numa perspectiva de Educação Ambiental. Ciência & Educação (Bauru), v. 24, p. 979-991, 2018.
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