AFASTANDO IDEIAS TERRAPLANISTAS DO ENSINO DE FISICA
Fabricio Tavares Da Cunha Salles, Maria Cristina Moreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 20/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## AFASTANDO IDEIAS TERRAPLANISTAS DO ENSINO DE FISICA
## Fabricio Tavares da Cunha Salles 1 , Maria Cristina do Amaral Moreira 2 ,
1 IFRJ/Licenciatura em Física, salles-fabricio@hotmail.com
2 IFRJ/Licenciatura em Física, maria.amaral@ifrj.edu.br
## Resumo
O presente estudo procurou contribuir com o ensino de física uma vez que, ainda hoje, percebe-se que os alunos da educação básica têm uma visão prévia equivocada e desfavorável da Física. Um dos fatores que, geralmente, levam os alunos a se distanciarem da disciplina é a linguagem matemática utilizada por esta Ciência, além do distanciamento entre o que é lecionado em sala de aula e o mundo exterior a ela, fator esse, essencial para esse trabalho. Nos últimos anos, as redes sociais e a mídia foram invadidas por discussões de movimentos anticientíficos como o terraplanismo, assunto que dificilmente é discutido por professores. Este estudo visou dois aspectos: um deles foi o de oferecer argumentos da ciência para o formato da Terra e ao mesmo tempo entender do ponto de vista do docente e do licenciando quais as possibilidades de discussão do assunto em aula. Promovemos uma discussão a partir de argumentos trazidos sobre a planicidade da Terra de forma a clarificar o entendimento do tema para a Ciência. Para a discussão por meio de uma breve coletânea foram selecionados os mais debatidos e que geram dúvidas, e até mesmo as controvérsias sobre o assunto. Com base na Base Nacional Comum Curricular, discutimos de forma preliminar a importância do envolvimento da comunidade de professores e pesquisadores em ensino de Física nesta temática. Realizamos um questionário com 5 professores e 22 licenciandos de forma a entender como consideram o uso das aulas para discussão do problema do formato da Terra. Identificamos que mesmo que tenham respondido temas e modos de explicar o formato da Terra em sua grande maioria pela astronomia e gravitação universal assim como o uso de simuladores, muitas foram as propostas para enfrentar essa questão.
Palavras-chave : Argumentos científicos, Fake News, Ensino de Física.
## Introdução
A comunicação científica é, geralmente, voltada para um público especialista, deixando de fora o público não especializado na área. Na maioria das vezes as informações não são acessadas pelo público mais amplo de forma direta e simplificada, tal como na comunicação científica, gerando dúvidas e desconfianças. Por isso, considera-se que a pesquisa científica ainda penetra pouco no ensino (MOREIRA, 2018). Sendo assim, no que se refere ao ensino da física ou das ciências, a explicação científica, não é alcançada pelo público escolar como deveria, gera o mito de uma complexidade devido à presença dos inúmeros cálculos, e essa relação com a matemática, faz com que muitos se afastem de um esclarecimento objetivo e teórico sobre o assunto (MOREIRA, 2018). Esses dois aspectos reunidos (ciência como conhecimento isolado e complexo) amplificam os problemas no ensino, possibilitando
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
o aparecimento das fake news, tal qual o da forma plana da Terra (movimento terraplanista), ideia que se aproxima do senso comum que toma força em nossa sociedade. Segundo Lima et al. (2019, p. 155) essas ideias ganham força devido a 'dois mecanismos distintos, a dizer, a apresentação de uma visão reduzida da natureza da ciência e o apagamento da rede que sustenta as proposições científicas'. Nesse sentido, os argumentos científicos que corroboram o formato esférico da Terra incluem pelo menos dois conhecimentos que poderiam ser discutidos em sala de aula de forma explícita pelos professores de Física: a questão da observação de fenômenos físicos naturais e episódios históricos do desenvolvimento da Ciência.
Portanto, a pergunta de pesquisa deste estudo constitui: como os professores e licenciandos em física entendem que o ensino de física contribui para ensinar o formato redondo da Terra?
A fim de responder esse problema, apresentamos alguns esclarecimentos na visão da Física cujas proposições põem em xeque o formato plano da Terra. São muitos os exemplos, porém iremos nos ter a dois deles. Utilizamos dois itens a seguir, para mencionar respostas da ciência em relação à curvatura da Terra, são eles: i) experimento das sombras de palitos e ii) Experimento da deflexão do filete de água
A principal preocupação foi a de desenvolver um entendimento simples e objetivo sobre o formato da Terra, com o intuito de enfrentar as questões apontadas na educação escolar, por meio do conhecimento científico pelas proposições que o sustentam.
## O formato da terra e o ensino de física
Além de evidenciar inúmeros problemas sanitários e de infraestruturas na saúde pública, a Pandemia do COVID-19 nos mostrou outro problema, que mais uma vez retorna a sociedade: as conspirações e também as pós-verdades. As chamadas fake news parecem ter se amplificado na era digital e com a chegada dos smartphones e, posteriormente, aplicativos de mensagens instantâneas, uma vez que as informações chegam até os usuários com facilidade e rapidez muito grande. Até aí poderíamos pensar que estaria tudo bem mas, e se a informação for falsa, pode ajudar na disseminação da desinformação. Um aspecto já estudado é o de que nos países onde a religião exerce influência forte sobre as pessoas o número de adeptos ao criacionismo e negacionismo são maiores (BONDEZAN, 2022). E neste contrapé da ciência nos deparamos, também, com o terraplanismo. Estima-se que exista cerca de 7 % dos brasileiros que acreditam que a Terra é plana (GARCIA, 2019). As teorias científicas são afirmadas através das adequações que passam por implicações políticas e sociais, no construtivismo social (GONZAGA, 2017). O professor, nas situações de aula não pode deixar de orientar e levar o aluno a corrigir informações falsas por meio do conhecimento científico. Mas para que haja um interesse dos alunos o professor precisa levar o ensino voltado para a construção do conhecimento, entretanto muitas aulas são ministradas apenas de modo tradicional onde o aluno deve apenas reproduzir o conteúdo apresentado em sala de aula (BERTAGI, 2020). É importante que o aluno seja o protagonista ativo na construção do seu próprio conhecimento e os conteúdos devem ser culturais e universais, reavaliados de acordo com as realidades sociais e devem ter razão humana e social
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e o professor a tarefa de escolher conteúdos de ensino adequados às singularidades locais e as diferenças individuais (LIBÂNEO, 1984). No processo de aprendizagem com visão humanista, pensamentos, sentimentos e ações estão integradas e essa integração pode ser positiva para o aluno (MOREIRA, 2018).
As diferenças entre os argumentos dos defensores da Terra no formato plano e, no formato redondo podem ser caracterizadas como uma explicação empirista em contraposição a uma explicação científica. Neste trabalho trataremos apenas da explicação científica, porque muitos dos argumentos utilizados pelos terraplanistas são observações empíricas de navios se afastando da costa, e para eles não interessa que os navios somem no horizonte, mas sim que ficam menores devido aos fenômenos ópticos. Eles fazem experimentos singelos através de binóculos e se respaldam por simples observações. Além disso, evidências científicas são rejeitadas por eles, inclusive a partir de teorias da conspiração (como a de que as imagens e vídeos da NASA e de astronautas são todas produções audiovisuais manipuladas para esconder a verdade e enganar as pessoas em relação à terrabola). Em contrapartida, o método científico não se baseia na observação direta sem um respaldo teórico, mas para estes defensores da terra plana - o que é verdadeiro é o que consigo conferir com meus próprios olhos.
## Experimento das sombras de palitos
Erastóstenes, filósofo grego que ficou conhecido por calcular a circunferência da Terra, decidiu fazer um experimento bastante simples para tal. Ao colocar uma vara ou um palito no chão durante o dia, o objeto produz uma sombra. Então: mantendo o palito fincado ali no chão ao longo do dia, ele observava que sua sombra se movia na medida em que o Sol também se movimentava sobre o nosso ponto de vista. Realizando essa observação em dois lugares diferentes e distantes um do outro, se a Terra fosse plana, a sombra produzida por ambos seria idêntica, mas com a Terra é esférica, essa sombra é diferente, com um palito produzindo sombras mais alongadas do que o outro (COSMOS, 1980).
Figura 01 : Esquema da projeção de sombras do experimento de Erastóstenes.
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Fonte: < https://www.maioresemelhores.com/melhores-provas-da-terra-redonda/ />. Acesso em: 30 abr 2020.
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## Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que responde a uma pergunta muito particular tendo em vista que o objeto de estudo em questão é entender como os professores e futuros professores compreendem o ensino do formato da Terra com alunos do ensino básico. Portanto, o fenômeno social ao qual se procura respostas diz respeito a uma faceta da realidade social do ensino de física. Para obter dados a respeito do assunto interesse desta pesquisa foi proposto um questionário no Google Forms para que professores e, licenciandos de um curso de Física de um Instituto Federal foram convidados por e- mail a responderem ao mesmo. Isso correu entre os dias 01/09/2022 e 04/10/2022. O questionário contem cinco perguntas, a maioria aberta e uma fechada, para discutir o ensino do formato da Terra por meio da ciência.
A primeira pergunta, solicitava que os participantes respondessem se eram docentes ou discentes, mas na discussão não fizemos distinção entre essas duas participações.Na segunda questão solicitamos os temas do ensino de física que mais tinham relevância com o ensino da Terra geoide (Quais seriam os melhores temas de trabalhar o formato da Terra em sala de aula?).Na terceira questão perguntamos quais as melhores formas de ensinar o formato da Terra, segundo o conhecimento científico da física, em sala de aula.A quarta questão perguntava sobre o projeto de Erastóstenes e o interesse era saber se eles conheciam ou não esse projeto e, se o fariam com seus alunos para uma demonstração ou mesmo trabalhar elementos de corroboração sobre o formato do globo terrestre. A última questão perguntava sobre o grau de satisfação sobre a sugestão do projeto Erastóstenes como forma de explicação sobre o formato da Terra.
Para analisar as respostas recorremos à metodologia da análise do conteúdo de Bardin (2011) entende que, quando fazemos a análise do conteúdo não há necessidade de um material muito extenso, tal como na citação: 'Nem todo o material de análise é susceptível de dar lugar a uma amostragem, e, nesse caso, mais vale abstermo-nos e reduzir o próprio universo (e, portanto, o alcance da análise) se este for demasiado importante' (p.123).
## Resultados e discussão
No caso dessa pesquisa obtivemos 22 respostas ao questionário e das 22 respostas a proporção de respostas entre docente e discente foi de 22,7 % e 77,3 %, respectivamente. Entendemos que mesmo tendo a maioria de licenciandos, não percebemos discrepancias nas respostas, mas percebemos que alguns licenciandos não tinham respostas para algumas perguntas realizadas.
Na segunda pergunta, algumas das respostas se repetiram e, a maioria delas oscilou entre o tema da astronomia e o da gravitação embora tenham sido citados trinta e seis temas diferentes. O Quadro 1 a seguir mostra as respostas mais recorrentes e a sua porcentagem.
Quadro 01: Temas relacionados com o formato da Terra
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Fonte: Dados da pesquisa, 2022
Podemos perceber que os temas variaram bastante, e que foram raras as respostas que apresentavam apenas uma sugestão de tema. Uma questão que pode ser deduzida desta multiplicidade de temas é o de que não há necessidade que o professor espere um assunto determinado tal como os mais citados, a astronomia e a gravitação, para discutir o formato da Terra com os alunos, até mesmo numa aula de geometria pode-se iniciar essa discussão.
Na terceira questão, que tinha como principal foco a forma como trabalhar com este assunto, a maioria das respostas ficou com simuladores, maquetes e imagens como podemos ver no Quadro 2. Interessante observar que as atividades experimentais não foram muito citadas, assim como vídeos demostrando os experimentos e mesmo a história da ciência, fator fundamental para trabalhar com questões da astronomia.
Quadro 02: Pergunta sobre a forma de trabalha a esfericidade da terra em sala de aula
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Ainda podemos fazer uma comparação das respostas da segunda pergunta, já que em segundo lugar ficou as sugestões sobre observação de corpos celestes e gravitação, sendo esta segunda resposta uma das mencionada nas respostas da questão anterior.
A quarta questão revelou que os participantes não conheciam o projeto Erastóstenes, cientista e filósofo grego, que mesmo vivendo há mais de 200 anos antes de Cristo, por meio da trigonometria e da astronomia caculou a circunferência da Terra. Entretanto, vale destacar que, esta era uma das perguntas objetivas e, nem todos os participantes responderam, apenas 15 respostas foram computadas.
De qualquer forma a resposta surpreendeu, sendo que nos pareceu que a grande maioria por não ser professor ainda não tinha conhecimento deste projeto, mas entendemos que esse resultado serve como alerta de que esse projeto é fundamental para entender e não ser movido por questões de fake news sobre o formato da Terra.
A quinta questão trouxe o questionamento sobre o que os participantes acharam do projeto, e também se eles fariam com seus alunos e abrindo espaço para possíveis alterações. Todos responderam que gostaram e fariam com seus alunos e futuros alunos, mesmo com poucas alterações o projeto foi bem aceito pelos entrevistados.
Podemos perceber que as respostas foram bem variadas, os participantes não responderam sempre da mesma forma. Entretanto, percebe-se algo com certa frequência, mesmo que menor, nas respostas sugeriram um demonstrativo através de imagens e maquetes para sobre o sistema solar enfatizando no formato 3D a situação mais real da forma da Terra. Outras respostas sugeriram simulações computacionais e cálculos sobre a gravidade em diferentes pontos. A resposta foi unanime quando foi perguntado se eles gostaram do projeto e o realizariam com seus alunos, sobretudo por que leva a física um pouco para fora de sala de aula e há maior interação entre alunos e professores.
## Considerações finais
As questões sobre o formato da Terra ainda prevalecem nos dias atuais, nos perguntamos como isso ainda persiste em tempos onde a tecnologia atinge um grau nunca antes alcançado e os instrumentos tais como telecópios e computadores estão trazendo, o tempo todo, informações sobre a Terra e o
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Universo. Mas por outro lado nem todos têm acesso à essas ferramentas e então, nesse caso o ensino faz toda a diferença!
Os estudantes e afirmadores da Terra plana se baseiam em conhecimentos que provém de poucos experimentos, que buscam certezas, limitando-se ao que é captado no mundo externo, e em alguns casos ferramentas que não são eficazes para afirmar o formato defendido por eles. O desconhecimento de métodos cientificos e de que o conhecimento científico é cético, não correspondendo a exatamente a verdade absoluta, parece incomodar esse grupo.
Aos pesquisadores caberia o aprofundamento no entendimento do movimento terraplanista, como por exemplo, por que muitos aderem com empolgação às ideias preconizadas? É algo que apenas decorre de um apelo às emoções?
Neste estudo percebemos, por meio da pesquisa realizada no Forms , que os licenciandos e os professores têm ideias similares quanto a maneira de pensar em relação a explição e demonstração do formato da Terra para seus alunos e futuros alunos. Mas a explicação da forma da Terra permanece sendo um pouco complexa para fazer em sala, por isso fizemos a escolha do Projeto Eratóstenes para essa demanda em sala de aula. Portanto, este estudo procurou, a partir da apropriação dos argumentos que refutam a Terra plana, dar alguns subsídios para professores da educação básica.
E por fim, pensando para além do contexto escolar, em alguns casos, os cientistas não se atentam com o público que não está muito familiarizado com as Ciências da Natureza, sobretudo com os conteúdos que se apoiam em sofisticada modelagem matemática, pouco dominada pela maioria das pessoas. Ao contrário, os pesquisadores deveriam se atentar em alcançar um número maior de pessoas, e não apenas aqueles que já são familiarizados com o tema.
## Referências
BARDIN, L. (2011). Análise de conteúdo . São Paulo: Edições 70.
BERTAGI, L. T., O ensino de ciências frente à disseminação de fake
news . 2020. 38f. (MonografiaEspecialização em Ensino de Ciências).Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2020.
BONDEZAN, G. V.; KAWAMURA, M. R. D. Possibilidades e entraves para o diálogo com o terraplanismo no ensino de ciências. Experiências em Ensino de Ciências , v. 17, n. 1, p. 76-92, 2022.
COSMOS. Direção de Adrian Malone, et al. Estados Unidos/Reino Unido: Australian Broadcasting Comission em associação com Carl Sagan Productions e KCET, 1980 . (Episódio: The Shores of the Cosmic Ocean). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=FT\_nzxtgXEw />. Acesso em: 11 mai. 2020.
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GONZAGA, A. M., das Chagas, E. A., & Brasil, O. M. B. A natureza das afirmações científicas e o cientificismo no ensino de ciências. Revista Areté| Revista Amazônica de Ensino de Ciências , 4(6), 1-8. 2017.
LIBÂNEO, J. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos . São Paulo: Loyola, 1984.
LIMA N. W.; et al. Educação em Ciências nos Tempos de Pós-Verdade: Reflexões Metafísicas a partir dos Estudos das Ciências de Bruno Latour. RBPEC , p.155189, 2019.
MOREIRA. M. A. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos avançados , v. 32, n. 94, p. 73-80, 2018.
NEWS GARCIA, R. (2019). 7% dos brasileiros afirmam que Terra é plana , mostra pesquisa, Folha de São Paulo. Acesso em 04 set., 2022, https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/07/7-dosbrasileiros-afirmam-queterra-eplana-mostra-pesquisa.shtml
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