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O TEMA "ENCHENTES" EM FOCO: DA DESCONSTRUÇÃO DO TRADICIONAL À CONSTRUÇÃO DE AULAS DIALÓGICAS E PROBLEMATIZADORAS

Lucas Brondani Brandão, Daniele Javarez De Oliveira, Cristiane Muenchen

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Ciência, Tecnologia, Sociedade E Ambiente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O TEMA "ENCHENTES" EM FOCO: DA DESCONSTRUÇÃO DO TRADICIONAL À CONSTRUÇÃO DE AULAS DIALÓGICAS E PROBLEMATIZADORAS

Lucas Brondani Brandão¹, Daniele Javarez de Oliveira², Cristiane Muenchen³

¹ Universidade Federal de Santa Maria/Física/ lucasbrondani2002@gmail.com

- ² Universidade Federal de Santa Maria/Física/Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências, dani.javarez@gmail.com

## Resumo

Este trabalho aborda a construção de um conjunto de aulas de Física para o segundo ano do ensino médio em uma escola periférica, utilizando o tema "enchentes" como eixo central. A motivação para essa abordagem surgiu da necessidade de tornar o ensino de Física mais relevante e conectado com a realidade dos educandos, que frequentemente questionam a aplicabilidade dos conteúdos aprendidos. Em um contexto em que o ensino tradicional, focado na memorização e na transmissão passiva de conhecimento, não engaja os educandos, este trabalho propõe uma abordagem diferenciada, que visa integrar os conteúdos de hidrostática e hidrodinâmica com a realidade local, especificamente com os problemas causados pelas enchentes no estado do Rio Grande do Sul no ano de 2024. A metodologia adotada baseou-se na Educação Ciência Tecnologia Sociedade (CTS) e nos Três Momentos Pedagógicos, com ênfase na problematização e no diálogo. Dessa forma, as aulas foram planejadas estimulando o pensamento crítico e a busca por soluções para problemas reais. O desenvolvimento do trabalho envolveu a aplicação de quinze aulas, nas quais os educandos foram incentivados a analisar as causas e consequências das enchentes, discutir suas implicações para a comunidade e propor soluções. Além disso, atividades interativas, como a construção de maquetes e diálogos em grupos, permitiram que os educandos se tornassem sujeitos do processo de aprendizagem. Conclui-se que essa abordagem não apenas facilitou o aprendizado dos conteúdos programáticos, como também fortaleceu o engajamento e o senso de responsabilidade social dos educandos. O tema das enchentes, ao ser tratado de maneira crítica e contextualizada, mostrou-se eficaz para conectar a ciência com a realidade dos educandos, promovendo, assim, uma educação mais problematizadora, dialógica e transformadora.

Palavras-chave : Educação CTS, Abordagem Temática, Proposta Didática.

## Introdução e Referencial Teórico

Na disciplina de Física, muitos educandos questionam a relevância dos conteúdos ensinados, uma vez que não conseguem identificar um propósito claro para o que estão aprendendo. Em diálogos com educadores, é comum ouvir respostas como "é necessário aprender para vencer na vida", "para conseguir um bom emprego no futuro", ou ainda "para passar de ano". No entanto, essas respostas frequentemente falham em engajar os educandos, resultando em um crescente desinteresse pela disciplina e, em muitos casos, contribuindo para a evasão escolar (Auler, 2007).

Esse fenômeno se agrava devido à persistência de uma abordagem educacional propedêutica, em que a pressa para cobrir todo o conteúdo programático e a adoção de métodos tradicionais de ensino - nos quais os

educandos são vistos como recipientes passivos de conhecimento, e o professor, como o protagonista que apenas transmite informação - se destacam. Essa educação, focada apenas na instrução e não na formação, contribui para o desinteresse dos educandos, que muitas vezes são responsabilizados por sua falta de engajamento, enquanto poucos professores refletem criticamente sobre suas próprias práticas pedagógicas ou sobre as exigências de um mundo cada vez mais globalizado e em constante transformação (Martins; Veiga, 1999).

Freire (1992) nos alerta que, enquanto aceitarmos que os educandos devem aprender para participar, e não aprender participando, continuaremos presos a uma cultura do silêncio. Ao não protagonizar os educandos e ao deixar de integrar o mundo fora da sala de aula em um processo de construção coletiva dentro dela, corremos o risco de perpetuar o desinteresse e a falta de envolvimento dos educandos - especialmente em disciplinas que, como a Física, são frequentemente vistas como áridas e distantes da realidade.

Em projetos passados no ensino de Física, como o PSSC (Physical Science Study Committee) e o FAI (Física auto-instrutiva), havia um esforço considerável em transformar os educandos em "mini cientistas". No entanto, essas concepções revelam-se ultrapassadas e demandam superação urgente. É essencial pensar na reinvenção escolar e na transformação da educação a partir da realidade dos educandos e da singularidade de cada escola. Isso exige um olhar crítico para superar a educação propedêutica e a cultura do silêncio.

É necessário trazer para a sala de aula temas que dialoguem diretamente com a realidade dos educandos, que reflitam os impactos e necessidades da comunidade, e que envolvam essa mesma comunidade nos processos decisórios. Um olhar mais humano e integrador é fundamental para que se possa fazer uma educação com amorosidade e rigorosidade (Freire, 2005). Pensando nisso, devemos criar espaços que priorizem esses aspectos e utilizem os conteúdos como pilares para realçar a realidade, tornando o aprendizado mais problematizador e dialógico (Muenchen, 2010).

Na perspectiva de desenvolver a Abordagem Temática (AT) há algumas vertentes como a AT Freireana em que se busca o Tema Gerador (TG), Freire (1987) diz que os TG emergem do processo de investigação temática e objetiva a transformação social fazendo com que a comunidade seja protagonista na solução dos problemas. Outra vertente é a Educação Ciência Tecnologia Sociedade (CTS), que propõe a utilização de temas reais e sociocientíficos, com impactos sociais concretos, como uma base para o ensino em sala de aula (Auler, 2007). E ainda a articulação entre elas sendo a AT Freire-CTS (Auler, 2007) e a AT CTS-Freire, Maraschin (2023) explica que ao utilizar CTS antes de Freire entende-se que não houve a investigação da realidade mas uma escolha de tema CTS, ainda o desenvolvimento das atividades estão em sintonia com Freire.

Com esse referencial, foi desenvolvido um conjunto de aulas a serem lecionadas no segundo ano do ensino médio, em uma escola de periferia, onde a comunidade é frequentemente esquecida e os educandos carecem de incentivo para persistir em seus estudos (Cauduro, et al, 2023). Essas aulas foram construídas a partir dos Três Momentos Pedagógicos, os quais são divididos em: Problematização inicial (PI), que apresenta situações ligadas à realidade dos educandos, desafiando-os a expor suas opiniões e perceber a necessidade de adquirir novos

conhecimentos; a Organização do Conhecimento (OC), onde, com a mediação do docente, são estudados os conhecimentos científicos necessários para entender o tema e responder às questões levantadas na PI; e, por fim, a Aplicação do Conhecimento (AC), que retoma os questionamentos iniciais para avaliar o que os educandos aprenderam, além de introduzir novas questões relacionadas ao conhecimento trabalhado na OC (Ferreira, et. al, 2016).

Para protagonizar os educandos a partir de suas potencialidades individuais, foi analisada a relevância do tema "enchentes", dado os graves prejuízos que eventos desse tipo têm causado ao estado do Rio Grande do Sul, tanto em anos anteriores quanto recentemente. Com base nesse tema, foi construído um conjunto de 15 aulas, integrando os conteúdos de hidrostática e hidrodinâmica, com foco em problematização e diálogo como pilares fundamentais do desenvolvimento das aulas.

Este tema foi escolhido, pois é raramente abordado nos eventos acadêmicos, como o Simpósio, onde, nos últimos 8 anos, durante as quatro últimas edições, não encontrou-se nenhuma perspectiva que levasse esse tema para a sala de aula como um pilar central na construção do conhecimento. As aulas foram planejadas a partir da integração com o tema "enchentes", buscando não apenas o ensino dos conteúdos programáticos, mas também a formação crítica dos educandos.

- O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a construção geral das aulas a partir de uma rede temática e os impactos que elas tiveram sobre os educandos, conforme registrado nos diários reflexivos do autor. Em suma, o trabalho visa contribuir para uma educação coletiva, problematizadora e dialógica, superando os limites da educação propedêutica tradicional.

## Desenvolvimento

Ramsey (1993) argumenta que um tema na abordagem CTS deve ser paralelo a um tema científico-social, o qual seja um problema que exija diferentes e diversas opiniões a seu respeito; que tenha relevância social; e que tenha uma ligação com a ciência e a tecnologia. Complementando essa linha de pesquisa, Cachapuz (1999) sugere que o desenvolvimento de um tema CTS deve começar por situações-problema que estejam diretamente conectadas à realidade do ambiente em questão, não se limitando apenas aos conceitos teóricos.

Com base nessas abordagens, emergiu a importância de se abordar o tema das enchentes, um fenômeno pouco discutido, mas que exerce grande impacto na vida da população, especialmente no estado do Rio Grande do Sul. As enchentes que ocorreram em 2024 no estado ilustram a gravidade da situação, provocando uma catástrofe de grandes proporções que afetou inúmeras comunidades. Em resposta a esse cenário, o estágio no ensino de Física foi estruturado em torno do tema "Como a Física pode 'iluminar' o entendimento dos problemas reais das Enchentes e do Arroio Cadena?". Esse planejamento incluiu quinze aulas variadas, desenvolvidas com o intuito de explorar o tema de forma crítica e contextualizada.

Santa Maria, cidade onde o estágio foi realizado, é atravessada pelo Arroio Cadena, um importante recurso hídrico local, que atualmente enfrenta sérios problemas de poluição e descaso (Centa; Muenchen, 2016). Antigamente, o arroio era bem cuidado e servia como área de lazer para a comunidade, mas hoje está em condições precárias, poluído e negligenciado. A comunidade local, especialmente os

educandos expressam preocupações sobre o mau cheiro, a poluição e os riscos à saúde que o arroio apresenta (Cauduro, et al, 2023). Além disso, em períodos de chuva intensa, o arroio transborda, espalhando resíduos para as casas próximas.

Nesse contexto, foram planejadas aulas focadas na problematização da poluição e das enchentes, incentivando os educandos a refletirem criticamente e a buscarem soluções viáveis para esses desafios. A relação entre educador e educando foi central na construção desse processo crítico. Posteriormente, o foco foi ampliado para considerar as enchentes como um problema em nível estadual, com o objetivo de explorar soluções que pudessem transformar essa realidade. A Física foi aplicada em diferentes momentos, integrando conceitos de hidrostática e hidrodinâmica para entender melhor esses fenômenos.

A seguir, será apresentada uma rede temática que organiza as aulas em unidades temáticas (em amarelo), com seus respectivos títulos (em cinza), conteúdos (em verde) e temas trabalhados (em cinza), sempre utilizando recursos visuais, reportagens e outras fontes reais para contextualizar e enriquecer o aprendizado. Assim, destaca-se que, embora esse trabalho e o de Silva (2004) tenham o objetivo comum de estabelecer relações de particularidade-totalidade, essa abordagem aplica-se à construção de materiais didáticos com temas sociocientíficos, enquanto Silva (2004) propõe uma estrutura curricular baseada em Temas Geradores (Pacheco, et al, 2023).

Figura 1: Rede temática das aulas construídas

Fonte: autor, 2024.

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No tópico abaixo será apresentado o que cada aula, especificamente, apresentou e trouxe para contribuir a problematização acerca do problema das enchentes.

## Resultados Obtidos

No contexto atual da rede pública, a disciplina de Física para o segundo ano do ensino médio, é contemplada com apenas um período por semana. Em uma escola localizada em uma comunidade periférica e carente, foram desenvolvidas 15 aulas 1 que integram os conteúdos de hidrostática e hidrodinâmica, com base na Educação CTS-FREIRE e nos Três Momentos Pedagógicos. O tema das enchentes, relevante para o estado do Rio Grande do Sul, serviu como base para a construção dessas aulas, com o objetivo de despertar um olhar crítico nos educandos sobre uma situação real que vivenciam, trazendo o mundo fora da sala de aula para dentro dela, problematizando e dialogando 1 (Muenchen, 2010).

A unidade temática 1, intitulada "Como a comunidade às margens do Arroio Cadena pode ajudar a prevenir enchentes e construir um futuro sustentável?", foi dividida em cinco aulas de duas horas cada. Devido à limitação de tempo no cronograma escolar, em que a disciplina de Física é contemplada com apenas um período por semana, cada aula planejada foi concluída ao longo de duas semanas.

As aulas 1 e 2 abordaram o tema "Existe Física no Arroio Cadena?", iniciou-se com a apresentação de um vídeo que trouxe à tona a realidade do Arroio Cadena. Essa abordagem provocou a problematização e o diálogo sobre a situação desse recurso hídrico vital para a cidade e a comunidade. Durante as discussões, foram relembradas histórias de familiares que relatavam a qualidade do arroio em tempos passados, quando era bem cuidado. A partir desses diálogos, foram introduzidos os conceitos de fluido, fluido ideal, pressão e pressão hidrostática, conectando-os às problematizações realizadas no primeiro momento pedagógico. A atividade culminou com a resolução de problemas contextualizados e, ao final, os educandos expressaram suas argumentações, levantando hipóteses e sugerindo alternativas para a despoluição do Arroio Cadena.

Nas aulas 3 e 4, com o título "Como Podemos Preservar o Arroio Cadena?", buscou-se ressaltar a importância do arroio para os educandos e estabelecer a relação entre as enchentes e o grande volume de água no arroio. Discutiu-se como o arroio, atualmente tratado como lixeira, causa problemas para as comunidades vizinhas durante as enchentes. Foram abordados os conceitos de densidade e empuxo, relacionando-os com os materiais encontrados no arroio através da atividade "afunda ou boia". Os educandos foram incentivados a levantar soluções para o problema.

As aulas 5 e 6, intituladas "É possível evitar as enchentes no Arroio Cadena?", exploraram o teorema de Stevin e a pressão atmosférica para estudar a vitalidade do rio, considerando a drenagem inadequada e a inundação de esgotos como fatores contributivos para as enchentes. Ao final dessas aulas, os educandos desenharam e defenderam soluções, argumentando sobre a adequação dessas ideias para serem implementadas na comunidade.

A aula 7 e 8, intitulada "A enchente de 1941 teve a mesma proporção da de 2024?", marcaram um momento significativo, pois coincidiu com uma grande catástrofe no estado do Rio Grande do Sul. Nessa ocasião, comparou-se a enchente de 1941 com a de 2024, utilizando o conceito de vazão para calcular e argumentar corretamente sobre as diferenças entre elas. Além disso, foram destacados os conceitos de enchente, inundação e alagamento.

Para finalizar a unidade 1, as aulas 9 e 10 discutiram "Enchentes é um problema estadual?", dialogando sobre as diversas cidades do estado que sofreram com enchentes e destacando o papel social das comunidades na assistência aos afetados. Comparou-se o Arroio Cadena com o Rio Vacacaí em termos de profundidade e largura, utilizando a equação da continuidade para estabelecer a relação entre a área e a velocidade das águas. Estudar as enchentes vai além de compreender um problema estadual, é uma questão global, pois seus impactos refletem a necessidade urgente de soluções integradas e sustentáveis para enfrentar as mudanças climáticas e proteger as comunidades em todo o mundo.

A unidade 2, intitulada "Avaliação das enchentes: quem sou eu e o que eu faço?", dedicou cinco aulas para que os educandos argumentassem soluções para a problemática das enchentes, assumindo o papel de diferentes personagens sorteados. Ao final, os educandos construíram maquetes que colocaram em prática as soluções propostas. A atividade final envolveu uma redação na qual os educandos sintetizaram suas ideias e caracterizaram os personagens, propondo soluções para as enchentes. Essas maquetes foram apresentadas a uma banca avaliadora, demonstrando o potencial criativo dos educandos e o impacto positivo das aulas na construção de um olhar crítico e consciente sobre a realidade local.

Essas aulas permitiram um aprendizado significativo, integrando conceitos de física a um contexto real e relevante, promovendo o engajamento e o olhar crítico dos educandos diante das problemáticas que afetam sua comunidade (Delizoicov, 1991). A partir das problematizações levantadas em cada aula, os educandos traziam exemplos de sua realidade, além daquilo que era apresentado, enriquecendo o diálogo. Com isso, as respostas para as problematizações naturalmente convergiam para a construção dos conhecimentos científicos. Abaixo, segue um exemplo escrito nos diários reflexivos das aulas lecionadas:

O diálogo iniciou quando uma aluna então respondeu que a comunidade é muito 'porca' quando joga lixo no Cadena, mas que ainda faltam lixeiras nas ruas para armazenarem as sacolas de lixo para o recolhimento. Então, problematizei se eram apenas os lixos jogados neste espaço que ocasionou todo este estado do arroio. Neste momento, uma outra aluna respondeu que tinha a relação do saneamento básico e esgotos onde muitos eram depositados ali e que não tinha uma logística adequada. (aula 5 e 6)

Esse registro evidencia como a conexão entre a vivência dos educandos (mundo fora da sala de aula) e os conteúdos abordados (mundo dentro da sala de aula) possibilitou uma aprendizagem mais social e real, fortalecendo o desenvolvimento de um pensamento crítico e consciente (Muenchen, 2010).

## Considerações

Considerando a crítica à abordagem propedêutica que ainda permeia a educação, é evidente que uma mudança é necessária para tornar o ensino mais relevante e engajador. O uso da AT na perspectiva da Educação CTS-FREIRE demonstra que é possível integrar o conhecimento científico a contextos reais, proporcionando aos educandos uma aprendizagem problematizadora que dialoga

XXVI Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2025 7 diretamente com suas realidades (Muenchen, 2010). A partir das aulas planejadas durante o estágio, focadas no tema das enchentes, foi possível observar como essa dinâmica não só enriquece o diálogo em sala de aula, mas também transforma os educandos em protagonistas de seu processo de aprendizado, tornando-se sujeitos do conhecimento (Delizoicov, 2004).

- O tema das enchentes se mostrou de extrema importância ao longo desse processo pedagógico, não apenas por sua relevância local, mas também por sua capacidade de conectar os conceitos teóricos da Física a uma problemática concreta e urgente. Em regiões como o Rio Grande do Sul, onde as enchentes são uma ameaça recorrente, discutir e compreender esse fenômeno vai além do âmbito acadêmico, adentrando questões de cidadania e responsabilidade social.

Ao abordar o tema das enchentes, os educandos foram incentivados a refletir sobre as causas e consequências desse fenômeno, a analisar suas implicações em suas próprias vidas e comunidades, e a buscar soluções que contribuam para a mitigação dos impactos negativos. Dessa forma, o tema não apenas facilitou a aprendizagem dos conteúdos programáticos, mas também fortaleceu o engajamento dos educandos, ampliando sua percepção sobre o papel da ciência na resolução de problemas reais e a importância de uma educação que dialogue diretamente com as necessidades e desafios enfrentados pela sociedade (Auler, 2009).

- O estágio proporcionou uma valiosa experiência na construção de aulas que não apenas transmitem conhecimento, mas que também despertam o olhar crítico dos educandos, ao conectar os conteúdos de Física a questões sociais e ambientais que eles vivenciam. Esse processo colaborou para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais reflexivas e problematizadoras, demonstrando que, quando os educandos são incentivados a questionar e a se engajar em temas que impactam suas vidas, o aprendizado se torna mais profundo e relevante.

Para o futuro, espera-se que essa experiência de estágio inspire práticas educacionais que superem os limites da educação tradicional, promovendo um ensino que seja verdadeiramente inclusivo e transformador. A AT, ao integrar os conteúdos científicos com as realidades e necessidades dos educandos, pode ser um caminho para revitalizar o interesse pelas disciplinas escolares e preparar os educandos para enfrentarem os desafios de um mundo em constante mudança. O objetivo é que, cada vez mais, os educadores adotem uma postura crítica e reflexiva, capazes de construir um ambiente de aprendizagem que forme cidadãos conscientes, capazes de transformar suas comunidades e a sociedade.

## Referências

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