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DESMISTIFICANDO A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA: UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE FÍSICA

Helena Da Costa Rampini, João Victor Marins Da Silva, Nilton Olivio Rodrigues De Andrade Pinto, João Paulo Fernandes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Ciência, Tecnologia, Sociedade E Ambiente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DESMISTIFICANDO A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA: UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE FÍSICA

Helena da Costa Rampini 1 , João Victor Marins da Silva 2 , Nilton Olivio Rodrigues de Andrade Pinto 3 João Paulo Fernandes 4

- 1 CEFET-RJ/Licenciatura em Física, helena.rampini@aluno.cefet-rj.br
- 2 CEFET-RJ/Licenciatura em Física, joao.marins@aluno.cefet-rj.br
- 3 CEFET-RJ/Licenciatura em Física, nilton.pinto@aluno.cefet-rj.br
- 4 CEFET-RJ/Licenciatura em Física, joao.fernandes@cefet-rj.br

## Resumo

Este trabalho apresenta uma sequência didática para incorporar discussões de relevância social relacionadas a radiação eletromagnética no ensino de física. Utilizando a abordagem de Questões Sociocientíficas (QSC), a proposta busca desmistificar a radiação eletromagnética, frequentemente associada a riscos e perigos no senso comum. O objetivo desta abordagem é fornecer aos alunos uma aprendizagem contextualizada e desenvolver o pensamento científico crítico. Esse método pode promover uma compreensão questionadora e informada sobre suas diferentes formas e aplicações sobre o tema. A proposta didática foi pensada para ser desenvolvida em cinco aulas, cada uma com seus objetivos e metodologias, incluindo experimentos práticos, discussões, estudos de casos e criação de um projeto final. A fundamentação teórica é baseada na abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), que visa integrar a discussão científica com aspectos éticos e morais, estimulando um maior envolvimento da comunidade escolar. Os alunos aprendem sobre o espectro e radiação eletromagnética, a distinguir a radiação ionizante da não ionizante e como ela é usada em tecnologias de comunicação. A proposta tem como culminância o desenvolvimento de um projeto integrador em que os alunos criam campanhas para ensinar ao público em geral a desmistificar a radiação.

Palavras-chave : Questões Sociocientíficas, Radiação Eletromagnética, Ensino de Física

## Introdução

O presente projeto visa apresentar uma proposta de intervenção em sala de aula, afim de facilitar o processo de ensino-aprendizagem do conceito de radiação eletromagnética a partir de exemplos presentes no cotidiano. Para a construção das ações, nos embasaremos teoricamente na abordagem das Questões Sociocientíficas (QSC) (BERNARDO; REIS, 2020; FERNANDES; GOUVÊA, 2020).

A radiação eletromagnética é frequentemente associada a riscos e perigos, especialmente em discussões populares sobre saúde e tecnologia. Na maior parte das vezes que falamos de radiação, a população em geral, associa a aspectos puramente negativos, tais como os acidentes de Goiânia, Chernobyl e Fukushima, que alertaram, principalmente, sobre os riscos associados ao uso de material radioativo, tecnológicos e impactos socioambientais, configurando assim, a discussão de controvérsias sociocientíficas presentes nas QSC.

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

O tema radiação está presente no cotidiano da sociedade. Sem ela não seria possível a existência de vida no planeta, tratamentos médicos, exames de diagnóstico, a produção de energia elétrica através das termoelétricas e grandes evoluções tecnológicas na área da comunicação, o que possibilita o acesso à informação em lugares mais longínquos quase que instantaneamente, resultando em uma cultura cada vez mais globalizada.

O projeto de ensino visa proporcionar aos alunos uma compreensão clara e científica do que é a radiação eletromagnética, suas diferentes formas, aplicações e os reais riscos envolvidos. O objetivo com essa atividade é desmistificar o conceito e promover uma compreensão crítica e informada.

Entendemos que essa estratégia de imergir o conteúdo dentro da realidade experimentada diariamente pelos alunos é uma metodologia de ensino que possibilita a aprendizagem contextualizada, trazendo aos estudantes uma experiência que vai além de aprender física de maneira superficial e matematizada, desenvolvendo um modo de enxergar e interpretar o mundo, questionando o que é posto e assim construir um pensamento científico crítico.

## Fundamentação teórica

A problematização dos objetivos da formação científica de estudantes de professores nas escolas surge, principalmente, em um contexto de tensão social gerado pelo pósguerra, com o lançamento das bombas nucleares e pela guerra fria, entre as décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970, com a preocupação mundial do uso da ciência e da tecnologia para fins armamentistas (FERNANDES; GOUVÊA, 2020).

O enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgiu, em meados da década de 1960, como um movimento de renovação curricular, tendo como principal foco promover a discussão sobre: os objetivos da formação científica e tecnológica de estudantes nas escolas; os processos que envolvem o ensino e aprendizagem de Ciências; a formação dos professores e o desenvolvimento de políticas públicas educacionais (AIKENHEAD, 2003). Partiremos do pressuposto de que a abordagem das QSC surge a partir das Discussões sobre CTS para o ensino de Ciência e no presente trabalho é incorporado como fundamentação teórica para estruturar a sequência didática apresentada.

Segundo Bernardo e Reis (2020) uma QSC pode se caracterizar como um tema socialmente relevante e de caráter controverso como o que estamos abordando no presente trabalho, relacionando os aspectos que envolvem a radiação eletromagnética. De acordo com os autores, essa abordagem facilita a inserção de conteúdos científicos no contexto das disciplinas da escola de educação básica.

A abordagem de QSC tem por objetivo promover debates de cunho controverso que envolvem temas relacionados com os conteúdos científicos e seus aspectos éticos e morais, estimulando assim, um maior envolvimento da comunidade escolar na busca por soluções que envolvem essas temáticas.

Organizaremos a sequência didática a partir da abordagem de Aikenhead (1994), que se dedicou a analisar diferentes propostas curriculares baseadas no enfoque CTS, em vários países do mundo.

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Figura 1: Uma sequência para o ensino de ciências CTS (Aikenhead, 1994)

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Os materiais analisados pelo autor possuíam, em sua maioria, estruturas organizadas segundo a ilustração da figura 1, em que a seta mostra os passos e a estrutura que orientaram o planejamento das atividades propostas neste trabalho: (i) introdução de um problema social; (ii) análise da tecnologia relacionada ao tema social; (iii) estudo do conteúdo científico definido em função do tema social e da tecnologia introduzida; (iv) estudo da tecnologia correlata em função do conteúdo apresentado; (v) discussão da questão social original.

## Sequência Didática

A sequência foi planejada para promover a compreensão de aspectos relacionados à radiação eletromagnética, desmistificar temas associados e incentivar o pensamento crítico sobre o impacto social e tecnológico. É proposto que cada aula tenha dois períodos de 50 minutos, mas fica a cargo do professor alterá-lo de acordo com sua necessidade e realidade em sala de aula.

Quadro 01: Síntese das ações em sala de aula

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## Sugestão de orientação para condução das aulas propostas

Na primeira aula o professor deverá introduzir a discussão sobre radiação eletromagnética, com o objetivo de desmistificar o conceito e apresentar suas formas. A aula começa com uma exposição dialogada, onde o professor explica o que é a radiação eletromagnética e como ela está presente no dia a dia, abordando aspectos relacionados as ondas de rádio, micro-ondas, luz visível entre outras. Vídeos curtos podem ser reproduzidos para ilustrar os diferentes tipos de radiação. A aula termina com uma discussão sobre como a radiação impacta no cotidiano, desafiando percepções comuns e preparando os alunos para tópicos mais detalhados das aulas subsequentes.

Na segunda aula o foco será abordar o Espectro Eletromagnético, com o objetivo de identificar e diferenciar os tipos de radiação que o compõem. Os alunos participarão de um experimento prático em que será utilizado diferentes materiais, como lâmpadas, prismas, controles remotos e rádios, para observar as várias formas de radiação eletromagnética, como luz visível, infravermelho, ultravioleta e ondas de rádio. Após o experimento, os alunos podem discutir as propriedades dessas radiações e suas

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posições no espectro, desmistificando a ideia de que todas as radiações são prejudiciais, e refletindo sobre suas aplicações e impactos.

A terceira aula abordará a diferença entre radiação ionizante e não ionizante, esclarecendo seus riscos e benefícios. O objetivo é ajudar os alunos a compreenderem quais tipos de radiação podem causar danos biológicos e quais são seguros para uso habitual. A aula começa com uma discussão em grupo sobre exemplos de radiações, como raios-X (ionizante) e micro-ondas (não ionizante), seguido de um estudo de casos que explora o uso dessas radiações na vida diária, como em aparelhos de micro-ondas e exames médicos. A aula desmistifica ideias comuns, como a crença de que todas as radiações são perigosas, promovendo um entendimento científico sobre os limites de segurança e os contextos de uso.

Na quarta aula, será discutido o uso da radiação eletromagnética em tecnologias de comunicação, como Wi-Fi, celulares e 5G. O objetivo é desconstruir mitos populares, como a ideia de que celulares causam câncer, e esclarecer como a radiação é usada de forma segura nessas tecnologias. A aula começa com a apresentação de dados científicos sobre a radiação emitida por dispositivos de comunicação, seguida por um debate em que os alunos confrontam mitos e fatos, usando artigos de opinião e estudos científicos como base. A discussão incentiva o pensamento crítico sobre as preocupações sociais e os benefícios das tecnologias de comunicação, ajudando os alunos a entenderem como a ciência pode responder a questões e preocupações sobre o uso da radiação.

Por fim, na quinta aula, a sequência didática culmina na interação de todo o conhecimento adquirido. Será proposto que os estudantes criem um projeto final que desmistifique os aspectos negativos associados à radiação eletromagnética. O objetivo é que os alunos utilizem o que aprenderam para desenvolver campanhas educativas voltadas para o público em geral. Trabalhando em grupos, os alunos escolhem um aspecto específico da radiação (como o uso na medicina, tecnologia de comunicação ou impactos ambientais) e produzem materiais como folhetos, vídeos ou apresentações digitais que esclareçam mitos e apresentem informações científicas de forma acessível. A atividade promove a criatividade e o trabalho colaborativo, ao mesmo tempo que reforça a compreensão dos conceitos estudados, incentivando os alunos a aplicarem o conhecimento de maneira prática, socialmente relevante e estimula o ativismo social.

## Considerações Finais

A aprendizagem trazendo para a realidade cotidiana dos alunos desperta o interesse curioso por descobrir em que lugares podemos encontrar a radiação, como ela interage com o corpo humano e quais são os aspectos prejudiciais. Essa proposta foi construída coletivamente a partir do desenvolvimento de um projeto final da disciplina de 'Projetos de Ensino de Eletromagnetismo e Ondulatória' no curso de licenciatura em física. Pretendemos, em um momento futuro, aplicar essa proposta didática nos estágios obrigatórios do curso.

A incorporação de reflexões sobre as implicações éticas e sociais da radiação eletromagnética ao longo das atividades propostas proporciona aos alunos a oportunidade de aprofundar a compreensão do papel da ciência e da tecnologia no contexto atual.

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Acreditamos que a proposta aqui apresentada pode promover uma perspectiva metodológica que vai ao encontro do que é praticado comumente no espaço escolar, tornando-se um estímulo para quebrar uma abordagem puramente conteudista. Pensamos ser de extrema relevância a inserção dos estudantes nas discussões que permeiam a sociedade, a partir de um conhecimento científico situado, proporcionando uma possibilidade de posicionamento crítico, minimamente fundamentado para a tomada de decisão responsável sobre o uso de inovações tecnológicas que impactam diretamente a vida social.

## Referências

AIKENHEAD, G. What is STS teaching? In: SOLOMON, J.; AIKENHEAD, G. STS education: international perspectives on reform. New York: Teachers College Press,. p. 169-186. 1994.

AIKENHEAD, G. (Eds.). STS education: international perspectives on reform. New York: Teachers College Press. p. 21-31. 1994.

AIKENHEAD, G. STS education: a rose by any other name. In: CROSS, R. (Org.). A vision for science education: responding to the work of Peter Fensham. London, UK: RoutledgeFalmer, 2003. p. 59-75.

BERNARDO, J.R.R.; REIS, P.G.R. A fomação do professor de ciências e os desafios da prática científicas. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v.9, n.1, 2020.

FERNANDES, J.P.; GOUVÊA, G. A perspectiva CTS e a abordagem de questões sociocientíficas no ensino de ciências: aproximações e distanciamentos. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 9, n. 2, 2020.

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