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INCLUSÃO NO ENSINO DA ONDULATÓRIA PARA DEFICIENTES VISUAIS.

Marilia Mari Souza De Oliveira, Rogério Ferreira Da Costa, Lucas Bernardes Borges

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INCLUSÃO NO ENSINO DA ONDULATÓRIA PARA DEFICIENTES VISUAIS.

## Marilia Mari Souza de Oliveira 1 , Rogério Ferreira da Costa 2 , Lucas Bernardes Borges 3

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás-e-mail:maryllyamaryde-

sousa@gmail.com

- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás-e-mail: rogerio.costa@ifg.edu.br

3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás-e-mail: lucas.borges@ifg.edu.br

## Resumo

Estudos mostram uma realidade que merece atenção, no que diz respeito ao desempenho escolar e a eficiência do aprendizado dos conteúdos da Física para alunos com deficiência visual nas escolas de ensino médio do Brasil. Isso sugere a necessidade de uma reflexão acerca das metodologias empregadas no processo de ensino - aprendizagem deste componente curricular para esse grupo de pessoas com necessidades específicas. Dessa forma essa pesquisa teve início no Programa de iniciação à Docência (PIBID) onde se aprofundou os estudos no campo do ensino inclusivo através da pesquisa e leitura de artigos científicos, documentários e depoimentos de profissionais que convivem ou conviveram com pessoas com Deficiência Visual (DV). E verificou-se que há escassez de materiais didáticos adaptados para esse perfil de aluno e então se viu à necessidade de criá-los a partir dos tópicos da ementa da disciplina de física do curso de técnico integrado em música do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - IFG. Neste sentido, construiu-se um material didático tátil em Braille relacionado aos principais parâmetros de Ondas Transversais, Reflexão de Ondas Sonoras e o Eco. Esse material foi utilizado para auxiliar um aluno com deficiência visual do curso técnico integrado em música do Instituto Federal de Goiás nas aulas de reforço, o que contribuiu para o seu desenvolvimento no campo dos conceitos básicos da ondulatória, o que reduziu as desigualdades de oportunidades no processo de ensino -aprendizagem.

Palavras-chave : Inclusão, Cegos e Ensino de física.

## Introdução

A inclusão tem seu início com a criação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (Brasil, 1996), e tem como objetivo o combate às desigualdades e exclusão de deficientes (Ferreira, 2007). No contexto do ensino da Física para alunos com Deficiência Visual (DV), a maioria das Instituições de Ensino, não possui em seus cursos disciplinas suficientes para uma formação acadêmica adequada e ao se deparar com esses alunos em sala de aula muitos professores não sabem o que e nem como fazer para incluí-los deixando a própria sorte (Veraszto et a l., 2018). Salmazo e Rodrigues (2015), buscando entender as concepções dos licenciandos em Física em relação à diversidade de um ambiente escolar e às possíveis dificuldades enfrentadas por uma pessoa com DV, confirmaram que quando o curso valoriza a educação inclusiva na formação inicial ou continuada dos discentes, há um favorecimento no combate da segregação e da exclusão dentro da sala de aula.

Segundo Martins e Veraszto (2022, p. 3), O problema não está, na realidade, na incapacidade intelectual do estudante com deficiência visual, mas sim na falha do sistema de ensino em insistir na utilização de metodologias e recursos didáticos que exploram um sentido que ele não possui; o da visão. É claro que o professor não tenta, de fato, ensinar diretamente o estudante cego a partir de referenciais visuais. No

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entanto, ao insistir no uso de determinados referenciais (e apenas estes) em uma turma mista, fica estabelecida a condição de abandono. É uma postura passiva, na qual os professores aceitam, confortavelmente a incapacidade de lidar com o problema.

É de suma importância que a criança e adolescente com DV ou baixa visão seja amplamente estimulado para que possa alcançar níveis de desenvolvimento semelhantes aos seus pares não deficientes. É necessário que haja adaptação de recursos e estratégias e que tenha atividades adaptadas para que as necessidades educacionais específicas sejam atendidas num contexto inclusivo (Alves, Duarte 2005). No entanto, as dificuldades encontradas pelo professor ao ministrar aulas para alunos cegos são muitas e não se restringem somente à apresentação dos conceitos, mas também em encontrar artigos, materiais e discussões sobre o tema, como afirma Santos (2019, p. 36).

Mais do que inserção, é necessário que ocorra a inclusão escolar, nesse sentido, ter acesso a recursos didáticos específicos é um fator imprescindível. Assim estamos sugerindo que se desenvolvam ações para que esses alunos tenham acesso aos materiais didáticos e aos conteúdos que possam ser manuseados e lidos por eles (Araujo & Aguiar 2023). O Censo Escolar de 2022, que coleta informações sobre alunos matriculados na educação básica, incluindo estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, indica que o número de alunos com deficiência visual na educação básica do Brasil era de aproximadamente 86.429 (baixa visão) e 7.308 (cegueira), o que representa em torno de 0,6% do total de estudantes (Brasil, 2023).

Os dados apresentados evidenciam que se trata de um público considerável, além do que, segundo a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência), artigo 27, capítulo IV afirma que: A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem (Brasil, 2015, P. 6). Neste sentido, construiu-se um material didático em Braille relacionado aos conceitos de Onda Transversal e Onda Sonora, para ser utilizado nas aulas de reforço de ondulatória sobre os conceitos básicos de amplitude, comprimento de onda, vales e crista, oscilação, propagação e reflexão para uma pessoa com deficiência visual, com o propósito de reduzir as desigualdades, favorecendo o combate à segregação e a exclusão social.

## Metodologia

Essa pesquisa teve início no Programa de Iniciação à Docência (PIBID) onde se aprofundou os estudos nesse campo do ensino inclusivo através da pesquisa e leitura de artigos e revistas, documentários e depoimentos de profissionais que convivem ou conviveram com pessoas com DV. Após os estudos verificou-se que há escassez de materiais didáticos adaptados para esse perfil de aluno, então se viu à necessidade de criá-los a partir dos tópicos da ementa do curso de física do curso de técnico integrado em música do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - IFG.

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Através dessa experiência, observou na prática a difícil situação que se encontra o ensino de física dos alunos com DV. Visto que é uma área com uma grande demanda e poucos recursos eficazes. Assim foram elaborados materiais didáticos para auxiliar os professores e tentar amenizar as lacunas encontradas pela falta de capacitação dos profissionais da educação brasileira. Então se elaborou materiais para o estudo de Onda Transversal e Onda Sonora, devido à escassez sobre o assunto e a falta de adaptações encontradas nas pesquisas, os materiais visam à compreensão não só de alunos com DV, mas de todos os indivíduos. Assim se priorizou materiais de fácil acesso e de baixo custo orçamentário, entendendo a realidade das escolas públicas e enfatizando que todos podem reproduzir, de forma simples e compreensível.

## Resultados

A ondulatória classifica as ondas segundo a sua natureza, direção e propagação. Ela estuda os diferentes tipos de ondas como as ondas mecânicas (sonoras e ondas na corda) e as ondas eletromagnéticas (luz, raios X e ondas de rádio e TV). O estudo das ondas é de suma importância para explicar fenômenos em várias áreas de conhecimento como na medicina, engenharia e biofísica. A Figura 01 construída com material tátil em Braille utilizado para explicar ao aluno com DV os conceitos básicos de uma onda transversal em uma corda.

Figura 1: Características de uma Onda Transversal .

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Pela Figura 01 é possível observar a crista e o vale de uma onda se propagando em uma corda com amplitude (A), comprimento de onda (  ), além disso, tem a transcrição em português e codificação em Braille das características principais da onda para que os alunos com DV possam se orientar com a ajuda do acompanhante ou do professor. O objetivo da construção deste material foi permitir que o deficiente visual verificasse através do tato alguns dos principais parâmetros da onda e assim participar mais ativamente do processo de ensino-aprendizagem nas

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aulas de ondulatória. É preciso que o aluno com DV possa através das suas mãos assimilar o mundo ao seu redor, visto que é a maneira mais viável para se ter êxito no ensino- aprendizagem (Azevedo, 2014).

As ondas transversais são aquelas que oscilam perpendicularmente a sua direção de propagação, como as ondas em uma corda e as ondas luminosas. A Figura 02 foi construída para auxiliar o professor ou acompanhante na explicação das diferenças entre as direções de oscilação e propagação de uma onda transversal para os alunos com DV.

Figura 2: Propagação e Vibração de uma onda

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A Figura 02 representa uma onda transversal em uma corda com seu sentido de propagação na horizontal e oscilação na vertical, em língua portuguesa e codificação em Braille. O objetivo deste material foi permitir que o DV verifique através do toque o comportamento da onda quanto a sua propagação e vibração, além de verificar através do tato características importantes como máximos, mínimos e os nós. É importante ressaltar que essas informações apresentadas foram desmembradas da Figura 01, pois poderiam confundir o aluno, pois ao manusear os materiais observou-se que os parâmetros estavam muito próximos o que poderia gerar confusão.

A reflexão de uma onda sonora acontece quando ela encontra um obstáculo e retorna para o meio de origem de propagação, isso pode dar origem a outro fenômeno, que é chamado de eco. O eco acontece quando o som refletido retorna após o som original ser extinto totalmente. Na Figura 03 temos o material tátil em Braille para ser utilizado nas aulas de ondas e explicar ao aluno com DV a reflexão sonora.

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Figura 3: Reflexão de ondas sonoras.

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Na Figura 03 temos a representação de uma onda sonora produzida por uma criança e refletida em um anteparo localizado a uma distância, além disso, há uma transcrição em português e na codificação Braille para que os alunos com DV possam se orientar com a ajuda do acompanhante ou do professor. A Figura 03 tem como objetivo mostrar como ocorre o fenômeno da reflexão da onda sonora em um objeto. Um aluno com DV não poderá observar o fenômeno da reflexão da sua imagem no espelho, mas uma sugestão para que ele possa vivenciar esse fenômeno, seria oportunizá-lo a sentir a reflexão através do eco. Dessa forma, o aluno pode ser levado em um ambiente vazio onde a distância entre o emissor e o objeto refletor seja maior que 17 m, para que ele possa produzir um som e sentir o espalhamento da onda sonora.

## Conclusão

Construiu-se um material didático de baixo custo em Braille relacionado aos conceitos de onda transversal e onda sonora, para auxiliar o professor no processo de ensino-aprendizagem de uma pessoa com DV, para ser utilizado nas aulas de ondulatória o que permiti ao aluno sentir através do tato as principais características das ondas transversais e a reflexão de ondas sonoras. A partir daí abre-se uma gama de oportunidades de aprendizado como a explicação do fenômeno do eco por meio de um experimento sonoro-auditivo, dessa forma a adaptação da aula permiti reduzir as desigualdades de aprendizado entre o aluno com DV e seus pares, favorecendo o combate à segregação e a exclusão social.

## Referências

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