A PRESENÇA FEMININA NO CORPO DOCENTE DO IFMG
José Hilton Pereira Da Silva, Crislânia Rodrigues Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 20/01/2025
- Linha de pesquisa
- Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A PRESENÇA FEMININA NO CORPO DOCENTE DO IFMG
## Crislânia Rodrigues da Silva 1 , José Hilton Pereira da Silva 2
- 1 IFMG/ Campus
- 2 IFMG/ Campus
Bambuí/Licenciatura em Física, crislaniarodrigues592@gmail.com Bambuí/Licenciatura em Física, hilton.silva@ifmg.edu.br
## Resumo
A baixa representatividade feminina na Ciência tem sido objeto de discussões e pesquisas em nível mundial, gerando preocupações no campo científico. A Ciência, historicamente marcada pela predominância masculina, reflete essa desigualdade de forma mais acentuada na área da Física. Essas observações nos levaram a alguns questionamentos que compõem a problemática deste trabalho, como: Quantas professoras de Física há no IFMG? Quais são suas formações? Com base nesses e outros questionamentos, o principal objetivo deste estudo foi determinar o número total de professoras efetivas de Física no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) e analisar seu percentual em relação ao total de professores e investigar o perfil acadêmico dessas docentes. Para isso, buscamos informações nos sites dos campi para identificar os docentes efetivos de Física atuantes nessas unidades, e nos locais que não logramos êxito, contamos com o apoio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas do IFMG. Com os dados dos 18 campi identificamos um total de 60 docentes de Física, dos quais 15% são mulheres. Por meio de análise na Plataforma Lattes do currículo desses docentes pudemos concluir que as mulheres são todas formadas em Física, majoritariamente em Licenciatura, e 89% delas são doutoras, ou na área de Física ou na área de Engenharia, e o restante está cursando o doutorado. Esses e outros resultados nos proporcionaram uma melhor compreensão do contexto das professoras de Física no IFMG.
Palavras-chave : Mulheres na Ciência. Mulheres na Física. IFMG.
## Mulheres na Ciência
Quando se pensa na Ciência é comum associá-la a uma série de conquistas notáveis, muitas delas provenientes do trabalho de grandes figuras masculinas, como demonstrado pelos resultados dos laureados do Prêmio Nobel. Chassot (2004, p. 11) diz que: 'quando se busca caracterizar a Ciência, há algo que aparece muito naturalmente e que não necessita de muitos esforços para ser evidenciado: o quanto a Ciência é masculina ' (grifo do autor). E quando se menciona a presença de mulheres na Ciência, o nome mais comum é o da Marie Slodowska Curie (1867-1934), que foi laureada com dois Prêmios Nobel de Ciência: o Nobel de Física em 1903, compartilhado com seu esposo, Pierre Curie (1859-1906), e Henri Becquerel (18521908), além do Nobel de Química em 1911.
Por décadas, quiçá séculos, as mulheres têm sido associadas às atividades consideradas leves e cuidadosas, como cuidar dos filhos e da casa, preparando os alimentos para as refeições etc. No contexto profissional geralmente ocupavam cargos como de enfermeiras, secretárias e professoras das áreas de humanas, principalmente dos anos iniciais de escolarização. É exatamente isso que Barros (2021, p. 11) destaca:
Essa área das Ciências e Matemática é predominantemente masculina, e isso não é porque as mulheres tenham uma capacidade inferior aos homens, mas, por terem sido silenciadas e confinadas ao ambiente doméstico e as
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
profissões de cuidado. Dessa forma, com os anos, ainda existem diversas ocupações - ciências, negócios e a política - que são dominadas por homens, enquanto as atividades que inspiram cuidado - como ensino, enfermagem, atividades domésticas - são ditas femininas. (Barros, 2021, p. 11).
Outro fator agravante neste contexto histórico é que muitas mulheres envolvidas nos trabalhos científicos tiveram suas contribuições minimizadas, ou mesmo silenciadas, onde os homens acabaram recebendo a maior parte, ou às vezes, todos os créditos, como destaca Santos (2020, p. 20):
[...] é nítida a pouca representação das mulheres neste meio. Pontuar o momento exato em que as mulheres chegaram ao universo científico, pode não ser o mais adequado, visto que muitas já participavam efetivamente do processo e do fazer científico. O fato é que elas não eram vistas, estando apenas nos papéis de coadjuvantes. (Santos, 2020, p. 20).
## Mulheres na Física
De acordo com Bezerra e Barbosa (2020), o número de mulheres na Física brasileira tem mostrado um aumento desde 1937, ano em que Yolande Monteux (1910-1990) se tornou a primeira aluna a se formar em Física no Brasil. Além dela, outras cinco mulheres foram formadas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), entre 1937 e 1944. No entanto, o baixo percentual de mulheres nessa área, fez com que muitas dessas importantes cientistas brasileiras permanecessem pouco conhecidas.
Agrello e Garg (2009) destacaram que nos últimos anos a questão da subrepresentação das mulheres na Física tem sido alvo de grandes discussões, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Saitovitch, Lima e Barbosa (2015), no trabalho intitulado 'Mulheres na Física: Uma análise quantitativa', relataram que em 1999, durante uma Assembleia Geral da União Internacional de Física Pura e Aplicada -International Union of Pure and Applied Physics (IUPAP), diante da baixa representação feminina nesta área, foi criado um Grupo de Trabalho de Mulheres na Física, cujos objetivos incluíam a obtenção de dados sobre a participação das mulheres na Física nos diversos níveis da carreira mundial, além da identificação de barreiras que impedem a progressão das mulheres na área e a proposição de medidas para reverter esse problema. Em 2002, conforme relatado por Agrello e Garg (2009), este grupo de trabalho realizou a primeira conferência sobre o tema 'Mulheres na Física', buscando compreender as razões da sub-representação do sexo feminino nesse campo e em todo o mundo.
De acordo com Saitovitch, Lima e Barbosa (2015), 75 países participaram dessa conferência realizada em 2002. Foram apresentados dados acerca do doutoramento e da carreira acadêmica dessas mulheres, além de alguns depoimentos pessoais que detalham as trajetórias e experiências de mulheres na Física. O estudo mostrou que, na graduação, a região que apresentou o maior percentual de mulheres na Física foi o Oriente Médio, com aproximadamente 37% em relação ao número de formados, e o menor foi a África, com cerca de 13% de mulheres formadas em Física. Já em relação ao número de doutorados em Física por mulheres, a região com o maior percentual foi a Europa Latina, com aproximadamente 29% dos casos, enquanto a menor foi novamente na África, com cerca de 14% do total de doutoras. No âmbito da ação profissional (docente), a região que demonstrou o maior percentual de mulheres na Física foi a Europa Oriental, com aproximadamente 22%, contrastando com a Europa Anglo-Saxã, que apresentou cerca de 7% do total de docentes.
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É importante destacar que há uma diminuição no percentual de mulheres à medida que avançam na carreira (Agrello; Garg, 2009, p. 1305-2). Para Saitovitch, Lima e Barbosa (2015) a diminuição do percentual de mulheres à medida que avançam na carreira é conhecida como ' Scissors Diagram ', expressão também conhecida como Efeito Tesoura, ressaltando que mulheres geralmente são excluídas da progressão na carreira. Além desse fenômeno, há a exclusão vertical e a exclusão horizontal, pois
A sub-representação das mulheres nos estágios avançados da carreira e nas posições de prestígio tem sido também denominada exclusão vertical . Já a sub-representação feminina em algumas áreas do conhecimento, a exemplo das Exatas e Engenharias, é intitulada exclusão horizontal . Apesar da divisão entre a exclusão vertical e a horizontal, em áreas como a física caracterizadas pela menor participação feminina desde o início da carreira, a exclusão vertical é, em geral, mais evidente. (Saitovitch; Lima; Barbosa, 2015, p. 247, grifo nosso).
Outros fatores que também contribuem para essa diminuição são o 'Teto de Vidro' e o 'Labirinto de Cristal' (Saitovitch; Lima; Barbosa, 2015). O 'Teto de Vidro', conforme descrito por Lima (2013, p. 885), é uma metáfora para os obstáculos invisíveis, porém concretos, que impedem as mulheres de alcançarem determinadas posições de destaque nas profissões. Já o 'Labirinto de Cristal' representa os desafios encontrados pelas mulheres ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional, desde a escolha da área de atuação, até o avanço na carreira (Lima, 2013, p. 886).
Diante dessas reflexões procuramos investigar sobre a seguinte problemática: considerando que não há professoras de Física no IFMG (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais) Campus Bambuí, quantas professoras de Física há no IFMG em relação ao número de professores de Física? Quais são suas formações acadêmicas e áreas de atuação? É possível falar que há baixa representatividade dessa formação no IFMG?
Portanto, o objetivo era traçar um panorama da presença feminina no corpo docente de Física do IFMG, para compreender o contexto do ensino de Física, principalmente de mulheres que servem como referências para futuras licenciandas em Física.
## Metodologia de Pesquisa
A pesquisa é de natureza qualitativa, e para responder aos questionamentos levantados no item anterior, buscamos coletar os dados a partir de informações dos sites dos campi do IFMG. Em situações em que não foi possível a informação dos docentes foi solicitada à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), que providenciou os dados necessários.
É importante destacar, conforme a Lei Federal n.º 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, no Art. 7º, inciso IV, que o tratamento de dados pode ser realizado para fins de pesquisa, desde que, sempre que possível, haja a anonimização dos dados pessoais. Esse é o caso deste trabalho, pois, precisávamos dos nomes para fazer as buscas em relação à carreira acadêmica, porém, não houve a necessidade de discriminação, logo, os resultados apresentados são dados quantitativos, sem a relação direta do docente envolvido na análise.
Após a busca inicial por levantamento de textos que comporam o referencial teórico deste trabalho, por meio de buscas no Google Acadêmico , usando descritores
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como: 'mulheres na ciência', 'mulheres na física', 'formação de professores de física', procuramos na Plataforma Lattes (https://lattes.cnpq.br), os currículos dos docentes para fazer uma análise de suas trajetórias acadêmicas.
## Resultados e discussão
A partir do levantamento realizado nos 18 campi do IFMG, identificamos um total de 60 docentes efetivos de Física. A maior concentração desses docentes está nas unidades que oferecem o curso de Licenciatura em Física ( Campus Bambuí, Campus Congonhas e Campus Ouro Preto), como era de se esperar, pois a demanda de disciplinas relacionadas à Física é maior.
Quanto à representação feminina no corpo docente de Física do IFMG, podemos afirmar que ela é significativamente baixa. Os dados obtidos indicaram que apenas 15% dos docentes efetivos de Física do IFMG são mulheres, correspondendo a apenas nove professoras no universo de 60 docentes.
Para fins de comparação desse valor apresentado pelo IFMG com outras instituições, a porcentagem de mulheres no corpo docente de Física em algumas universidades brasileiras tradicionais atinge cerca de 25% do total de professores, como na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na Universidade de Brasília (UnB) essa participação é de cerca de 18%, e em algumas universidades, como a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a participação feminina fica abaixo de 5%, em relação ao número de professores de Física dessas instituições (Agrello; Garg, 2009). Contudo, esses números brasileiros se aproximam com os números apresentados por Saitovitch, Lima e Barbosa (2015), que revelou aproximadamente 22% de professoras de Física atuando na Europa Oriental, com cerca de 7% de mulheres atuando na Europa AngloSaxã, isto é, um cenário ruim, considerando que isso não chega a 1/4 do total de professores de Física.
Conseguimos encontrar na Plataforma Lattes 58 currículos de um total de 60 docentes de Física do IFMG. Apenas dois perfis do sexo masculino não foram encontrados, o que nos limitou a analisar apenas 58 currículos. Dessa forma, as informações relacionadas à formação acadêmica e a atuação profissional dos professores serão baseados nesse universo de 58 docentes.
Com base nas informações contidas nos currículos dos docentes, realizamos uma análise do ano de ingresso deles no IFMG. Utilizamos como ponto de referência o ano de 2008, quando os Institutos Federais foram criados, por meio da Lei Federal nº 11.892/2008. Os resultados dessa análise estão apresentados na Tabela 01, abaixo.
Tabela 01: Número de professores efetivos de Física por período de ingresso no IFMG
Fonte: Próprios autores, 2024.
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Analisando a Tabela 01, acima, observamos que a maioria dos docentes efetivos de Física ingressou no IFMG entre os anos de 2013 e 2017, totalizando 25 ingressantes. Em contrapartida, apenas três dos docentes efetivos ingressaram antes de 2008 quando as instituições ainda não eram denominadas Institutos Federais, e apenas um docente ingressou depois de 2022. Considerando o período entre 2008 e 2017, entraram 42 docentes em Física no IFMG. Esse período coincide com a expansão da rede federal, que tinha 160 unidades em 2008 e passou a 659 unidades em 2018, ou seja, aumento de mais de quatro vezes em 10 anos.
No mesmo intervalo de tempo (2008-2017) houve um aumento significativo de docentes do sexo masculino em relação a docentes do sexo feminino, como pode ser observado na Figura 01, abaixo.
Figura 01 -Número de ingressantes no corpo docente de Física no IFMG por sexo. Fonte: próprios autores, 2024.
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Em contrapartida, entre os anos de 2018 e 2022, houve um aumento significativo no ingresso de mulheres no corpo docente efetivo de Física do IFMG (quatro docentes), principalmente quando consideramos os anos anteriores - 2008 a 2018 (cinco docentes). Após 2022, apenas docentes do sexo feminino ingressaram no IFMG. Apesar do leve aumento no número de ingressantes entre 2018 e 2022, percebemos que o número ainda é consideravelmente baixo frente ao número de docentes masculinos.
Em relação a titulação, após analisar os 58 currículos encontrados na Plataforma Lattes, observamos que a maioria dos docentes efetivos de Física no IFMG possui o título de doutorado, representando quase 70% do corpo docente.
Considerando que não é pré-requisito ter mestrado e doutorado para ingressar no IFMG, ter 69% dos docentes (40 indivíduos) com o título de doutorado, e 22% (13 docentes) com o mestrado, isto é, 91% dos docentes possuem qualificação stricto sensu , demonstra um quadro docente bem qualificado. Se levarmos em conta que os 7% (4 docentes) estão cursando doutorado, ou seja, eles são mestres, este número chega a 98% dos 58 currículos analisados. Apenas um docente possui especialização (pós-graduação lato sensu ). Entretanto, esses dados também revelam que a titulação mais elevada pode influenciar no processo de seleção, uma vez que a pontuação alcançada na prova de títulos favorece mestres e doutores.
Na Figura 02, abaixo, vemos a distribuição da titulação por sexo.
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Figura 02 -Número de professores de Física no IFMG por titulação e sexo. Fonte: próprios autores, 2024.
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Um fator relevante é que, embora o número de mulheres seja baixo no corpo docente efetivo de Física no IFMG (nove no total), suas formações acadêmicas são, em quase totalidade, em nível de doutorado, correspondendo a 89% delas. Os 11% restantes estão em com o doutorado em andamento.
Com quase totalidade do número de docentes em Física no IFMG, do sexo feminino com doutorado, nos leva a refletir sobre a exclusão vertical, conceito apresentado por Saitovitch, Lima e Barbosa (2015), no qual o percentual de mulheres na Física diminui à medida que avançam na carreira. Esse cenário pode indicar que apenas mulheres qualificadas conseguem alcançar estes postos de trabalho. Isso também nos leva a pensar sobre onde andam as mulheres que não possuem doutorado, no caso da Física.
Todas as docentes de Física do IFMG são formadas em Física, das quais, seis são licenciadas, duas têm dupla habilitação (licenciatura e bacharelado) e uma não colocou o tipo de formação no currículo.
Na Figura 03, abaixo, estão dispostas as áreas de especialização docente por sexo. Nessa análise, observamos que a maioria deles possui especialização na área de Física.
Figura 03 -Área de especialização dos professores efetivos de Física do IFMG por sexo. Fonte: próprios autores, 2024.
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Observando a Figura 03, acima, fica evidente que os professores de Física do sexo masculino predominam em todas as áreas de especialização encontradas nos
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currículos analisados. Eles estão principalmente concentrados nas áreas de Física, Educação e Engenharia. Por outro lado, as professoras efetivas de Física do sexo feminino são especializadas principalmente nas áreas de Física e Engenharia, conhecidas como ciências duras ( hard science ). A maioria delas está concentrada na área de Física, algo que, até alguns anos atrás, era raro de se observar. Segundo Schienbinger (2001), as mulheres estavam presentes principalmente nas ciências leves ( soft science ), como as ciências da vida e do comportamento, sendo poucas as que atuavam nas hard science ou nas ciências físicas.
## Considerações Finais
Este estudo demonstrou que o número de docentes efetivas de Física no IFMG é baixo, correspondendo a 15% do total de docentes, que é um cenário muito parecido com outras instituições brasileiras.
Observamos que, com a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), houve um aumento de 42 docentes de Física no IFMG. Essa expansão poderia ter sido uma oportunidade para o ingresso de mais mulheres na área. Contudo, constatamos que ocorreu um aumento desproporcional no número de docentes do sexo masculino em comparação ao feminino. Considerando o número de mulheres formadas em Física nos últimos trinta anos, o efeito 'teto de vidro' e o 'efeito labirinto de cristal' podem ajudar a explicar o porquê não terem tantas mulheres qualificadas a ponto de conseguir êxito no processo seletivo para docentes efetivos no período de 2008 a 2018.
Os resultados revelaram que, embora o número de mulheres no corpo docente de Física seja reduzido, a maioria delas possui doutorado (89% delas), e as demais (11% restante), estão em processo de conclusão do doutorado. Embora a obtenção de títulos como mestrado e doutorado não seja um requisito obrigatório para o ingresso no corpo docente do IFMG, sabemos que a titulação mais elevada pode ser um fator decisivo no processo de seleção. Logo, isso pode indicar que somente mulheres qualificadas conseguem alcançar esses postos de trabalho.
Um resultado relevante deste estudo foi que quase 100% das professoras de Física são licenciadas, sendo que algumas possuem dupla habilitação (Licenciatura e Bacharelado). No entanto, as áreas de especialização dessas docentes estão concentradas em Física e Engenharia, e nenhuma delas se especializou em Educação, formação que foi mais observada entre os professores do sexo masculino. Há uma percepção no senso comum de que, por serem mulheres e licenciadas, elas 'deveriam' se especializar em Educação, uma área frequentemente considerada menos hard e que 'requer mais cuidado', e não foi isso que foi observado. Seria muito interessante que se fizesse um aprofundamento entrevistando essas docentes, para saber o(s) motivo(s) que as levaram a seguir nesse caminho em relação a outros possíveis.
Apesar de algumas iniciativas, como editais do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e do Prêmio Carolina Nemes (concedido pela Sociedade Brasileira de Física - SBF), e de outros avanços, ainda são necessárias mudanças. Concordamos com Agrello e Garg (2009) quando dizem que 'as mulheres, enquanto grupo, não necessitam de tratamento especial, senão de oportunidades iguais', ou seja, quando dizemos que é importante gerar políticas que fomentem o ingresso de mulheres nas instituições não estamos necessariamente
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falando em cotas, mas em dispositivos que levem em consideração toda dificuldade sofrida pelas mulheres ao longo de suas trajetórias acadêmicas, políticas de permanência e de incentivo a continuar produzindo na Ciência, e em outras áreas de conhecimento também.
## Referências
AGRELLO, D. A; GARG, R. Mulheres na física: poder e preconceito nos países em desenvolvimento. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 31, n. 1, p. 1305 (1-6), 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbef/a/xv9Y7DvT9mnyZrx6JL38ZnS/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 jun. 2022.
BARROS, Maria Nathália Costa. Incentivo da mulher à prática e estudo das ciências e matemática. 2021. Orientadora: Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho. 2021. 38 f. Monografia (Licenciatura em Física) - Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/43348. Acesso em: 04 jun. 2022.
BEZERRA, Grasiele; BARBOSA, Márcia C. Mulheres na física no Brasil : contribuição de alta relevância, mas, por vezes, ainda invisível. Porto Alegre: Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. p. 132-135. Disponível em: https://www.ufrgs.br/meninasnaciencia/wpcontent/uploads/2020/02/documento3.pdf. Acesso em: 14 jun. 2022.
CHASSOT, Áttico. A ciência é masculina? É, sim senhora! Contexto e Educação , Ijuí, v. 19, n. 71-72, p. 9-28, jan./dez. 2004. Disponível em: https://www.saci.ufscar.br/data/solicitacao/39867\_texto\_a\_ciencia\_e\_masculina.pdf. Acesso em: 12 abr. 2024.
LIMA, Betina Stefanello. O Labirinto de Cristal: as trajetórias das cientistas na Física. Revista Estudos Feministas , Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 883-903, 2013. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/ref/a/v7m9qdqJPRMhSmyhny7kQgq/#:~:text=O%20trabalho% 20final%3A%20Teto%20de,Conference%20on%20Women%20in%20Physics. Acesso em: 23 abr. 2024.
SANTOS, Danyela Kataryne Alves dos. Análise da figura feminina no curso de licenciatura em física no CAA/UFPE : a ciência também é das mulheres! 2020. 73 f. Orientadora: Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho. Monografia (Licenciatura em Física) - Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/43343/1/SANTOS%2c%20Danyela% 20Kataryne%20Alves%20dos.pdf. Acesso em: 04 jun. 2022.
SAITOVITCH, Elisa Maria Baggio; LIMA, Betina Stefanello; BARBOSA, Márcia C. Mulheres na física: uma análise quantitativa. In : SAITOVITCH, Elisa Maria Baggio et al . Mulheres na física : casos históricos, panorama e perspectivas. São Paulo: Livraria da Física, 2015, p. 245-259. Disponível em: https://www1.fisica.org.br/gtgenero/images/arquivos/Apresentacoes\_e\_Textos/livro-mulheres.pdf. Acesso em: 12 abr. 2024.
SCHIENBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência ? Trad.: Raul Fiker. Bauru: EDUSC, 2001. Disponível em: https://bibliotecaonlinedahisfj.wordpress.com/wpcontent/uploads/2015/03/schienbinger-2001.pdf. Acesso em: 25 jun. 2024.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.