Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ESCRITA NARRATIVA E A PRÁTICA DOCENTE EM FÍSICA

Silvania Sousa Do Nascimento

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## ESCRITA NARRATIVA E A PRÁTICA DOCENTE EM FÍSICA Narrative Writing and Teaching Practice in Physics

## Silvania Sousa do Nascimento!

1

UFMG/Faculdade de Educação Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino,

silnascimentoDufmg.br

## Resumo

O trabalho apresenta reflexões sobre o uso da escrita narrativa como instrumento de formação e problematização de uma educação antirracista no contexto do ensino de física em investigação de lugares de memória. A investigação está orientada pelos estudos decoloniais e a análise enunciativa. É relatado a construção de três cenários controversos para a mobilização de uma escrita consciente/memória de nove professoras negras da educação infantil. As dez categorias que emergem da produção materializada em 28 textos, foram construídas a partir da análise categorial temática. O foco do trabalho é o registro da metodologia de produção dos cenários controversos a partir da análise desse conjunto de enunciados. O estudo aponta uma convergência a outros estudos que registram falas de professoras negras de física. Concluímos que as categorias de invisibilidade desse corpos negros, a responsabilização, a maternidade negra e a resiliência face aos atos de racismos podem ser elementos constitutivos para a construção de narrativas que tencionam a consciência-memória.

Palavras-chave: educação antirracista; mulheres negras; narrativas; análise categorial temática; formação de professores.

## Abstract

The work presents reflections on the use of narrative writing as a tool for the formation and problematization of an anti-racist education in the context of teaching physics. The research is guided by decolonial studies and enunciative analysis. It is to build three controversial scenarios for the mobilization of a conscious writing/memory of nine black teachers of early childhood education. The ten categories that emerge from the production materialized in 28 texts, were constructed from the thematic categorial analysis. The focus of the work is the recording of the production methodology of controversial scenarios from the analysis of these set of enunciation The study points to a convergence to other studies that record speeches of black physics teachers. We conclude that the categories of invisibility of this black body, responsibility, black motherhood and resilience to acts of racism can be constitutive elements for the construction of narratives that intend the consciousness-memory.

Keywords: anti-racist education; black women; narrative; thematic categorical analysis; teacher training

## 1. Escritas narrativas em sala de aula de Física

Formar professores de Física sempre foi um desafio em diferentes aspectos (Moreira, 2021), e no contexto de uma educação antirracista colaboramos nesta comunicação na proposta de uma estratégia formativa. A produção de textos narrativos nunca fez parte de nossa tradição de sala de aula como nos alerta

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Almeida e Ricon (1993). Nossa prioridade, no ato didático, tem sido o uso de sistemas semióticos diversos com raras problematizações sobre os textos literários, reforçando a superioridade presumida das linguagens numéricas, gráficas, sobre a linguagem comum, por meio da qual os estudantes elaboram seus pensamentos e se comunicam entre si. O processo de matematização da física não aconteceu por acaso ou sem controvérsias, ao longo dos séculos, e representou uma grande mudança nas formas de produção e de valorização do conhecimento. Entretanto na medida que corpos negros estão presentes nas universidades há a necessidade de reflexões sobre novos fazeres sobre a temática racial e a produção de novos lugares de memória.

Discutiremos como o processo de escrita pode criar diferentes demandas epistêmicas e impactar no aprendizado da Física (Oliveira e Silva, 2022). O objetivo deste trabalho é problematizar a escrita de si e a construção de cenários controversos antirracistas. Esperamos problematizar a prática da docente de Física com a presença da escrita narrativa biográfica como elemento provocador de discussões sobre questões étnico raciais em sala de aula.

## 2. A produção narrativa de mulheres pretas

A racialização de nossas relações de produção do conhecimento científico é emergente e se insere em uma tomada de posição política que ultrapassa o conceito datado biológico e genético de raça. Como argumentam Rosa, Alves-Brito e Pinheiro (2020), o projeto coletivo de estruturação do discurso das Ciências Moderna e Contemporânea, foi edificado sob a ótica da colonização de outros corpos considerados inferiores e, portanto com objetivos de subalternizar e inviabilizar certos saberes e sujeitos. As discussões do projeto de universalismo ocidental marcam o século XXI, e diferentes campos analisam os impactos sociais e econômicos dos processos chamados de "colonizatórios". Por exemplo, o armênio-estadunidense Daron Acemoglu investiga as correlações entre esse processo e o desenvolvimento econômico atual de países, a partir de análise de fontes primárias da taxa de mortalidade registrada em três continentes entre os séculos XVII e XIX. Acemoglu, Johnson e Robinson (2001) trabalharam com três premissas para estabelecer uma correlação entre os modelos institucionais coloniais e as persistentes desigualdades atuais: a. as diferentes políticas de colonização, em um extremo aquela de exploração (extractives states) e em outro a de povoamento (settlement) perpetuam os modelos econômicos dos povos colonizados; b. as condições ambientais possuem um papel no estabelecimento da política de colonização e; c. os modelos colonial e institucional persistem depois do processo de independência nas culturas dos povos colonizados.

Para a manutenção do processo, regulamentações políticas e jurídicas, por exemplo o Code Noir de Colbert, em 1685, garantiram o poder ocidental de uma minoria branca sobre uma maioria na paleta de cores dos "negros da terra" e dos "negros da Guiné" (Schwartz, 2003).

A ciência e a escola compõem esse conjunto institucional que contribuem para o processo de desumanização desses corpos coloridos, como no caso da definição do direito e posse dos territórios ocupados e do acesso aos sistemas educativos. As autoetnografias, práticas de narrativas de si, têm encontrado vigor como instrumentos analíticos de estudos de temas subalternizados, tais como a prática docente de mulheres pretas e pardas. As investigações nessa abordagem visam explicitar as assimetrias raciais, sociais e de gênero e vêm buscando outras

bases epistemológicas para análises dos tensionamentos presentes no cotidiano da sala de aula. Um dos aportes teóricos parte das noções de consciência e memória de Lélia González (1984):

Por isso, a gente vai trabalhar com duas noções que ajudarão a sacar o que a gente pretende caracterizar. A gente tá falando das noções de consciência e de memória. Como consciência a gente entende o lugar do desconhecimento, do encobrimento, da alienação, do esquecimento e até do saber. É por aí que o discurso ideológico se faz presente. Já a memória, a gente considera como o não-saber que conhece, esse lugar de inscrições que restituem uma história que não foi escrita, o lugar da emergência da verdade, dessa verdade que se estrutura como ficção. Consciência exclui o que memória inclui. Daí, na medida em que é o lugar da rejeição, consciência se expressa como discurso dominante (ou efeitos desse discurso) numa dada cultura, ocultando memória, mediante a imposição do que ela, consciência, afirma como a verdade. Mas a memória tem suas astúcias, seu jogo de cintura: por isso, ela fala através das mancadas do discurso da consciência. (González, 1984, p. 226, grifos nossos)

Tratamos aqui de um discurso de consciência pautado por uma ideologia de emancipação da estrutura de dominação racista, que se manifesta a partir de brechas da memória mobilizadas na situação de escrita. Os estudos de narrativas identitárias, os quais repousam sobre uma visão afirmativa da negritude, são importantes redimensionamentos identitários e históricos de reivindicação da legitimidade de sujeitos negros (incluíndo o colorismo). São formas de constituição de sujeitos de conhecimento que foram branqueados nas diversas dinâmicas sociais hegemônicas. No campo de uma educação antirracista, é um compromisso de todos nós, tornar público os tensionamentos = consciência-memória, enquanto estratégia de decolonização do ser como sugere Oliveira e Candau (2010). Me alinho aos argumentos de Heidelmann e Candau (2024), que ao estudar os processos identitários na Licenciatura de Química da UERJ, Duque de Caxias, elucida os diversos fatores sociais, culturais e econômico que constituem as trajetórias formativas das futuras docentes. Ainda que muitos entrecruzamentos de gênero, raça e classe sociais operem no binômio consciência-memória, no contexto estudado as participantes reafirmaram por auto-declaração uma prática docente de mulheres-pretas-professoras. Mantemos assim na escrita de todos os textos uma marca do feminino.

Nilma Gomes (2019), na centralidade que ocupa o movimento das mulheres negras em sua organização de sujeitos coletivos e políticos, destaca formas de recodificar a emancipação sociorracial em moldes próprios de regulação, segundo os quais oportuniza a visibilidade das trajetórias desses corpos negros produtores de conhecimentos científicos, políticos, identitários e corpóreos. Corpos que passam a ser humanizados em um significado político e não exótico ou erótico. A escrita feminina assume outra dinâmica e, neste contexto, foi a base para a elaboração da metodologia de pesquisa-ação sobre a prática profissional de mulheres negras da educação infantil (Palhares, 2023)!. A investigação incluiu o acolhimento e elaboração das narrativas preservando o anonimato das participantes. Muitas narrativas de mulheres, negras e pardas, jovens professoras de física da Educação Básica são ocultadas em situações inenarráveis superadas pela resiliência aprendida nos campos e plantações ancestrais. Negação, culpa, responsabilização são alguns dos dispositivos discursivos usados para o silenciamento de trajetórias

de pessoas negras, cuja visibilidade destacada por (Kilomba, 2019, p. 46) pode auxiliar-nos a oferecer uma educação antirracista para o ensino de física.

## 3. Construção de cenários controversos

A produção de cenários controversos, foi elaborada usando a premissa da interdiscursividade para a produção individual, conforme as teorias de enunciação de M. Bakhtin (2010). O tensionamento consciência-memória para a produção de narrativas biográficas não apresenta uma linearidade, se constituindo de criações verbais de atos não necessariamente cronológicos. O próprio ato nada diz do atuante, diz apenas de sua ambiência material, e não é a personagem, mas tão somente essa ambiência que gera o ato (BAKHTIN, 2010, p.129). Para sair de uma materialidade de confissão, buscamos a construção de cenários sociais de costumes, aos quais um personagem está integrado e enfrenta uma situação de racismo. A fala do narrador trabalha em um centro axiológico de problematizar os valores socioculturais e como isso mobilizar o eixo consciência-memória dos participantes. Dessa forma, tal cenário é um fragmento de vida que visa um leitor íntimo, partícipe do mesmo mundo da alteridade, esse leitor ocupa a posição do autor (idem, p.154). Um elemento importante da narrativa biográfica é seu caráter inconcluso e ingênuo que visa uma intimidade com o leitor provocando, assim, um efeito de co-participação no ato. Com vistas a dar materialidade discursiva aos episódios cotidianos de racismo, construímos três cenários controversos escritos de forma colaborativa. Esses textos curtos, na voz de um narrador neutro, iniciavam com a identificação de uma personagem feminina negra, seguido da descrição de um contexto cotidiano, um ato de racismo como elemento de ruptura, no modelo de incidente crítico, e um desfecho da cena. Os cenários descrevem cenas em ambientes escolares, considerando que existem encobrimento e alienação de situações vividas, e que a emergência de tais atos podem nos auxiliar na tomada de consciência da presença do racismo em nossas salas de aula. Para a formação do professor de física, me interessa uma biografia social, na qual o autor se posiciona criticamente diante de um ato de racismo. Os textos produzidos dessa forma foram trabalhados em encontros de escrita narrativas, nos quais participaram um grupo de nove professoras da educação infantil, autodeclaradas negras. Cada professora produziu um novo texto com a mesma referência temporal do cenário controverso: infância, adolescência e entrada na vida profissional. Ao total analisamos 28 textos narrados em primeira pessoa em contraponto aos cenários controversos lidos. Abaixo trazemos o primeiro cenário controverso.

Aline é uma menina de sete anos de pele negra, olhos amendoados e com longas tranças em seu cabelo. Está iniciando agora sua trajetória escolar em uma escola da rede pública. No primeiro dia de aula ao chegar à escola, ela foi colocada em uma turma onde as crianças não sabiam ler. Na sondagem inicial, a professora verificou que Aline já lia sílabas simples, por este motivo ela foi remanejada para uma turma onde as crianças já liam. Aline foi encaminhada para a outra sala e, quando chegou na porta da nova sala, a professora estava lendo uma história para os estudantes, era a história da "Bonequinha Preta". Quando Aline chegou na porta da sala, um menino logo gritou: -"Olha a bonequinha preta!" E todos caíram na gargalhada. Aline com os olhos envoltos em lágrimas adentrou a sala. A professora convidou Aline a se sentar em uma carteira vazia, próximo a mesa dela, e prosseguiu com a leitura da história. (Palhares, p.41)

Todas as narrativas foram construídas seguindo a dinâmica que é ilustrada na figura 1 em seus elementos constitutivos.

Figura 01: Dinâmica dos elementos constitutivos do cenário controverso

<!-- image -->

Fonte: próprio autor (Cmaps tools)

Uma análise categorial temática clássica, organizou o corpus constituído, do qual emergiram dez categorias que dizem respeito: 1.às vivências das infâncias; 2. ao trabalho de cuidados nas próprias famílias, geralmente iniciando na primeira infância; 3.ao trabalho assalariado; 4.aos deslocamentos intermunicipais e intramunicipais como busca de melhores condições de vida; 5.aos constrangimentos face ao racismo estrutural presente cotidianamente; 6. a maternidade negra; 7. às relações interpessoais, 8.à invisibilidade nos espaços sociais; 9.ã responsabilização e 10. o não lugar. Essas categorias foram organizadas pela construção das unidades de análise a partir do conteúdo dos textos e pode ser consultada com mais detalhes em Palhares, 2023.

A minha adolescência foi marcada por episódios de muita insegurança. Eu sou uma pessoa fisicamente diferente de tantas outras com as quais convivo e convivia"(...)"Mas minha aparência física me impedia de sonhar com a possibilidade de que eles pudesse gostar de mim". ( Coração Partido, professora negra, 2022) (Palhares, 2023, p.73)

Nossa discussão aqui é o uso de tais cenários em sala de aula de física onde o corpo negro é ainda pouco presente como prática de leitura e escrita e a partir disso discutir o papel do professor de física na formação antirracista. Uma discussão de humanização do ato de ensinar física promovendo novas relações com o conhecimento físico pertinente para a Educação Infantil.

Nossa análise é contextualizada na formação dessas professoras negras autodeclaradas em uma escola pública municipal referência para uma educação antirracista. Mas qual é a presença do conhecimento físico na narrativa autobiográfica dessas mulheres negras ? O procedimento de construção dos cenários controversos não sofreu nossa interferência, e pelas temáticas emergentes, percebemos que a ausência da sistematização de qualquer indicador de conhecimento físico nos textos que foram sempre repletos de conflitos pessoais, sociais e culturais e o cuidado de si e do outro. Fica a pergunta sobre a biografia pessoal dessas profissionais e o ensino de ciências para as infâncias ! Essa metodologia necessita de ajustes para a mobilização de cenários controversos envolvendo o conhecimento física e assim povoar o espaço formativo da educação infantil de entidades física. Esse é um novo desafio formativo.

## 4. Todos em novos lugares

O conceito de lugar reporta às relações antropológicas do aqui e do agora. O antropólogo francês Marc Augé, ao discutir as abordagens etnográficas na supermodernidade, enfoca que a análise etnográfica transforma o campo de observação ao manipular escalas de tempo e espaço, comparar universos de significados e, como um historiador, consultar indícios e evidências documentais. Muitos desses documentos são arquivos vivos de performance social. O autor resume :

Se um lugar pode ser definido como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem relacional, nem histórico definirá um não lugar. (Augé, 2012, p.73)

A questão do método, não pode ser confundida com o objeto de estudo, isto é, o ato de produzir narrativas autobiográficas dá materialidade ao não lugar de esquecimento e desumanização de nossos estudantes, em particular nas aulas de física. Representa, como ferramenta para a formação de professores, a reflexão dos atravessamentos identitário e relacionais presentes em sala de aula. Não é suficiente para promover uma educação antirracista, ocuparmos os espaços de nosso material didático com representação de sujeitos racializados. Necessitamos apresentar, nos currículos, outras formas de explicar o tempo e o espaço e, a partir delas e com elas discutirmos o conhecimento científico estabelecido pelo encontro de muitas epistemologias subalternizadas.

A presença de mulheres e homens negros na carreira docente é ainda pouco explorado dada ausência de dados que problematizam o viés das muitas exclusões que envolvem o feminino na sociedade. Resulta disso a importância do conceito de interseccionalidade cunhado nos anos 1980 por Kimberlé W. Crenshaw. Mulheres, mães e professoras negras, em um sistema de atravessamentos de gênero, raça e classe compõem o quadro de outros sujeitos evocam os princípios de organização do mundo por meio das teorias físicas. Contudo na prática profissional saberes de outra natureza são necessários para a promoção de uma escola democrática.

## 5.Reflexões em torno do ato de ensinar física

A materialidade do ato de ler e escrever nas salas de aula de física, nos possibilita realizar questionamentos de aspectos da cultura científica em nossos currículos e a incluir temas de relevância para a sociedade como o racismo e as desigualdades sociais e de gênero. A virada discursiva, com o foco nas interações argumentativas em sala de aula, não impediu a crescente investigação sobre a literatura e o ensino de física, como o uso de textos de ficção (Ramos e Piassi, 2017) ou influência da escrita na memorização (Setlik e Higa, 2019). No entanto, o gênero narrativo biográfico, como um viés de humanização do fazer científico, ainda apresenta poucas reflexões em nossa área. As implicações para o ensino de física da escrita narrativa pode ser pensada, enquanto uma relação leitor-texto de pretexto, já apontada em estudos de Setflik e Hilga (2014). A coleção de situações de racismo, nas narrativas produzidas por essas professoras, são semelhantes aos resultados de outras pesquisas, nas quais o ensino de física possuiu uma maior centralidade Souza (2023) e Vidor et al (2020).

O Brasil, um dos países que recebeu o maior deslocamento populacional forçado no mundo, o desafio de quebrar as desigualdades sociais, econômicas, educativas é uma vereda plena de novos interlocutores de novos lugares. O

empreendimento de uma educação antirracista vai além do reconhecimento do silenciamento da produção de conhecimentos das populações diásporas e autóctones (Francisco Junior, 2008) e, nos provoca na construção de instrumentos de investigação de elos identitários quebrados na formação de professores de física. O compartilhamento desta metodologia pretende inspirar as análises de incidentes críticos principalmente dos relatos de nossos estagiários na Educação Básica. A prática docente de mulheres negras nas ciências exatas, apresenta um campo aberto para a constituição de novos repositórios discursivos, como aponta o estudo de Rodrigues e Freitas (2021). Nossa contribuição se situa nesta fronteira de narrativas engajadas politicamente de mulheres negras na Física.

## Referências

AUGÉ, Marc. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad. Maira Lúcia Pereira. 9º. Edição. Campinas: Editora Papirus. 2012.

ACEMOGLU, Daron, JOHNSON, Simon and ROBINSON, James A. The colonial origins of comparative develompemnt: an empirical investigation. The Americam Economic Review. Vol 91( 5). P.1369-1401. 2001. Disponível em https://pubs.aeaweb.org/doi/pdfplus/10.1257/aer.91.5.1369. Acessado em 13 dez 2023.

ALMEIDA, Maria José P. M. e RICON, Esteves. Divulgação científica e texto literário uma perspectiva cultural em aulas de Física. Cad. Cat. Ens. Física. Vol.10 (1). P713. 1998. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/9791 Acessado em 13 dez de 2023.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal.Martins Fontes: São Paulo.2010.

GOMES, Nilma, L. A compreensão da tensão regulação/emancipação do corpo e da corporeidade negra na reivenção da resistência democrática. Perseu. N. 17.p.123142. (2019). Disponível em https://revistaperseu.fpabramo.org.br/index.php/revista.cessado em 28 abr 2024.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, p. 223-244, 1984. KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. trad.Jess Oliveira. Rio de Janeiro. Ed. Cobodó, 2019.

OLIVEIRA, Luiz Fernandes de e CANDAU, Vera Maria Ferrão. Pedagogia Decolonial e Educação Antirracista e Intercultural no Brasil. Educação em Revista.Vol.24 (1). P.15-40. 2010. Disponível emhttp://educa.fcc.org.br/pdf/edur/v26n01/v26n01a02.pdf. Acessado em 26 jun 2028.

OLIVEIRA, Arthur Couto Rosa Dutra de e SILVA, Cibelle Celestino. Justificativas para o sucesso da Matemática na descrição da natureza como demanda epistêmica no ensino de Física. Cad. Bra. Ens. Física. Vol.39 (1).p.10-33.2022. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/84527/48478. Acessado em 13 dez de 2023.

PALHARES, Maricélia da Silva. Escreviventes: memórias formativas de professoras negras da educação infantil. Dissertação de mestrado em Educação. FAE.UFMG. 2023. 92p.

RAMOS, João Eduardo F. e PIASSI, Luís P. O insólito e a física moderna: Interfaces didáticas do conto fantástico. Ciencia e Educação, Vol 23 (1). p.163-180. 2017. Disponível emhttps://www.scielo.br/j/ciedu/a/87wJbpMSyrHZXnVdjcFtsDk/?format=pdf(=pt. Acessado em 28 abr 2024.

RODRIGUES, Cristiano e FREITAS, Viviane Gonçalves. Ativismo Feminista Negro no Brasil: do movimento de mulheres negras ao feminismo interseccional. Revista Brasileira de Ciência Política, nº 34. e238917, 2021, pp 1-54. Disponível emhttps://www.scielo.br/j/rbcpol/a/NFdhTdVVLSRPHzdDzVpBY Mqg/?format=pdf&amp;lan g=pt. Acessado em 26 jun 2028.

ROSA, Katemai; ALVES-BRITO, Alan e PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Pósverdade para quem ? Fatos produzidos por uma ciência racista. Editorial. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Vol.37 (3). P.1440-1468. Dez 2020. Disponível em https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/235116. Acessado em 26 jun 2028.

SCHWARTZ, Stuart B. Tapanhuns, negros da terra e curibocas: causas comuns e confrontos entre negros e indígenas. Afro-Asía. Vol. 29/30. p.13-40. 2003. SETLIK, Joselaine e HIGA, Ivanilda. Leitura e produção escrita no Ensino de Física como meio de produção de conhecimentos. Experiências em Ensino de Ciências V., No.3, 2014. Disponível em https:/ffisica.ufmt.br/eenciojs/index.php/eenci/article/view/462/434. Acessado em 26 jun 2028.

SETLIK, Joselain e HIGA, Ivanilda. Contribuições dificuldades de práticas de leitura e escrita para ensinar e aprender física no Ensino Médio: Reflexões à luz da cultura escolar. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. V (19). 2019. 1095-1132.Disponível em https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4949. Acessado em 26 jun 2028.

SOUZA, Fernanda Aparecida de. Construções identitárias de professoras negras que formam professoras/res: um estudo sobre cursos de Licenciaturas em Física no Brasil. Tese de doutorado. Faculdade de Educação. UFMG. 243p. 2023.

VIDOR, Carolina de Barros; DANIELSSON Anna, REZENDE, Flavia Rezende e OSTTERMANN, Fernanda. Quais são as Representações de Problemas e os Pressupostos sobre Gênero Subjacentes à Pesquisa em Gênero na Física e no Ensino de Física? Uma Revisão Sistemática da Literatura. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. V (20). p. 1095-1132. 2020.Disponível em https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/20247. Acessado em 28 abr 2024

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.