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ANÁLISE DAS ABORDAGENS COMUNICATIVAS EM UMA AULA DE CIÊNCIAS NO CONTEXTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Juliana Monteiro Rodrigues, Guilherme De Paula Nascimento, Daniel Coutinho Neves, Erick De Carvalho Barros, Natália Baltar Da Silva, Mirelle De Souza Nóbrega, Glauco S F Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DAS ABORDAGENS COMUNICATIVAS EM UMA AULA DE CIÊNCIAS NO CONTEXTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Juliana Monteiro Rodrigues 1 , Guilherme de Paula Nascimento 2 , Daniel Coutinho Neves 3 , Erick de Carvalho Barros 4 , Natália Baltar da Silva 5 , Mirelle de Souza Nóbrega 6 , Glauco dos Santos Ferreira da Silva 7

1 CEFET-RJ/ Licenciatura em Física /Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação /jumonteiro2000@gmail.com

- 2 CEFET-RJ/Licenciatura em Física/guilhermedpn@gmail.com
- 3 CEFET-RJ/Licenciatura em Física/coutinhod2001@gmail.com
- 4 CEFET-RJ / Licenciatura em Física/ erick.barros@aluno.cefet-rj.br
- 5 CEFET-RJ/Licenciatura em Física/nataliabaltar28@gmail.com
- 6 CEFET-RJ/Licenciatura em Física/mirellesn@hotmail.com

7 CEFET-RJ/Licenciatura em Física/ Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação / glauco.silva@cefet-rj.br

## Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar uma aula de Ciências sobre Alterações Climáticas, realizada durante o estágio supervisionado de um curso de Licenciatura em Física, para uma turma de oitavo ano do ensino fundamental. A análise foi realizada a partir de uma vídeogravação da aula, o que permitiu revisitar o conteúdo quantas vezes necessário, garantindo uma visão mais detalhada e precisa das interações entre o estagiário e os alunos. Para essa análise, utilizou-se o referencial das Abordagens Comunicativas, uma estrutura analítica que permite examinar as interações e a construção de significados nas aulas de Ciências. O principal objetivo é entender como as intenções iniciais do estagiário se alinham (ou não) com as abordagens e o conteúdo de seu discurso. Com o auxílio das Abordagens Comunicativas, foi possível identificar as estratégias utilizadas pelo estagiário em situações nas quais os alunos não correspondiam às expectativas iniciais e observar como ele conseguiu, além de apresentar os conteúdos planejados, estabelecer conexões com os interesses e o cotidiano dos estudantes.

Palavras-chave : Estágio Supervisionado; Abordagem Comunicativa; Ensino de Ciências.

## 1.Introdução

O estágio supervisionado desempenha um papel crucial na formação inicial de professores, oferecendo aos licenciandos uma oportunidade de aproximação com a realidade da prática profissional docente. Esse processo não só pretende facilitar a inserção dos futuros professores no ambiente educacional, como também contribuir para o desenvolvimento profissional do professor supervisor, ao integrar o estagiário nas rotinas e práticas da profissão. Além disso, a pesquisa durante o estágio supervisionado desempenha um papel fundamental como estratégia formativa, pois amplia a compreensão sobre o desenvolvimento docente (Pimenta e Lima, 2010).

Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo a análise de uma aula videogravada de Ciências para uma turma de oitavo ano, utilizando as Abordagens Comunicativas, que consiste em 'uma ferramenta para analisar a forma como os professores podem agir para guiar as interações que resultam na construção de significados em salas de aula de ciências' (Mortimer e Scott, 2002, p. 284). Entendemos que a análise da prática pedagógica permite um enriquecimento do

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conhecimento profissional docente, no qual possibilita observar, estudar e identificar aspectos que podem ser aperfeiçoados e pontos considerados bem-sucedidos. Assim, a análise das interações discursivas em sala de aula, por meio das Abordagens Comunicativas, permite ao docente investigar a sua prática e maneira através da compreensão de como se dá construção de significados nas aulas de ciências, estudando as interações entre professor e estudantes, uma vez que é a partir dessa comunicação que se estabelecem e se efetivam as relações nos contextos educacionais. Assim, ao tornar visível as interações discursivas existentes, é possível apontar como podem ser expandidas e aprimoradas.

## 2.Contexto da aula

A aula analisada foi vídeogravada e ocorreu em uma escola da rede municipal de Petrópolis-RJ, no contexto da disciplina de Prática de Estágio Supervisionado de um curso de Licenciatura em Física de uma universidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. A aula foi ministrada pelo estagiário, um dos autores e licenciando em Física, para uma turma de oitavo ano na disciplina de Ciências e contou com a presença da professora da turma, supervisora do estágio e licenciada em Biologia, que colaborou na escolha do tema e do material de apoio.

O estagiário já realizava o estágio supervisionado nesta escola há sete meses e reside no mesmo bairro em que ela está situada, fatores que demonstram uma familiaridade para com ele, reforçada pela proximidade geográfica e social. Vale destacar que esta relação de proximidade e de identificação por parte dos alunos impactaram a dinâmica da aula, permitindo ao estagiário maior liberdade na escolha das estratégias de ensino a serem utilizadas, favorecendo uma prática de estágio mais autêntica e eficaz.

## 2.1Planejamento da aula

O tema da aula foi Alterações Climáticas, já previsto no planejamento da professora e cedido ao estagiário para desenvolvimento. Com o uso do quadro, foi construída uma lista de argumentos que defendiam tanto a perspectiva das alterações climáticas como fenômeno natural, quanto a de consequência das ações humanas. A estratégia adotada, a partir dessa dicotomia, era promover um debate entre os alunos confrontado as visões. Assim, o estagiário pretendia um modelo de aula dialógica, priorizando a interação e o diálogo com os alunos.

Para sustentar o debate das Alterações Climáticas, foi incorporado à sequência didática os princípios da Educação Ambiental (EA). A EA visa integrar o ser humano, a natureza e o universo, com a compreensão de que os recursos naturais são finitos e a degradação ambiental é causada, principalmente, pela ação humana. Com o intuito de promover formas democráticas de ação baseadas em práticas interativas e dialógicas, a EA visa inspirar novas atitudes e comportamentos em relação ao consumo na sociedade, incentivando uma mudança de valores individuais e coletivos. Nesse contexto, a abordagem destaca-se com um viés transformador, orientada para a responsabilização dos indivíduos como caminho fundamental para promover o desenvolvimento sustentável. (Jacobi, 2003)

Dessa forma, a aula foi planejada para começar com uma conversa sobre as fortes chuvas que atingiram Petrópolis no início de 2022, buscando contextualizar o tema e aproximar o debate sobre mudanças climáticas da realidade dos alunos. Na sequência, foram discutidas outras tragédias e consequências da ação humana, com o objetivo de promover um debate crítico sobre a sociedade de consumo e a atuação

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de grandes empresas. O objetivo principal foi estimular os estudantes a relacionarem a frequência das chuvas intensas e os desastres ambientais recentes com as mudanças climáticas, incentivando-os a refletir sobre a possível influência da atividade humana nesse processo.

## 3.Abordagens comunicativas

De acordo com Mortimer e Scott (2002), os padrões de discurso que predominam nas aulas de ciências são bastante específicos, formando um gênero de discurso estável. Essa estabilidade permitiu aos autores criarem uma ferramenta para analisar as interações e a construção de significados nas salas de aula de ciências. Mortimer e Scott (2002), baseados em Vigotski, assumem os significados como 'polissêmicos e polifônicos, criados na interação social e então internalizados pelos indivíduos' (p. 284). Além disso, o processo de aprendizagem não é entendido como a simples troca das concepções prévias do indivíduo por novos conceitos científicos. Em vez disso, é visto como uma negociação de novos significados dentro de um espaço comunicativo, onde diferentes perspectivas culturais se encontram, promovendo um crescimento mútuo.

A estrutura analítica proposta pelos autores consiste em cinco aspectos de análise, estando esses divididos em três grupos: 1. Foco do ensino: a) Intenções do professor e b) Conteúdo; 2. Abordagem comunicativa; 3. Ações: a) Padrões de interação e b) Intervenções do professor. Neste trabalho, com o objetivo de analisar as falas de um estagiário dentro de sala de aula e sua influência no processo de criação de significados durante a aula, utilizaremos parte da ferramenta, que são elas o Foco do ensino, com as intenções do professor e o conteúdo, e as Abordagens.

As Intenções do professor são definidas antes mesmo da aplicação da aula, determinadas por ele no seu planejamento, tendo como objetivo desenvolver a 'estória científica' dentro da sala de aula. Já a análise do conteúdo pode ser dividida em três categorias, que segundos os autores, são características fundamentais da linguagem social de Bakhtin e que, em outro momento, foram definidos pelos mesmos autores como descrição, explicação e generalização.

Descrição: envolve enunciados que se referem a um sistema, objeto ou fenômeno, em termos de seus constituintes ou dos deslocamentos espaçotemporais desses constituintes.

Explicação: envolve importar algum modelo teórico ou mecanismo para se referir a um fenômeno ou sistema específico.

Generalização: envolve elaborar descrições ou explicações que são independentes de um contexto específico. (Mortimer e Scott, 2002, p. 287)

As abordagens comunicativas configuram o centro da estrutura analítica, que permitem visualizar a perspectiva sobre como o professor trabalha as intenções e conteúdo do ensino por meio das suas diferentes intervenções pedagógicas. Assim, as abordagens comunicativas são divididas em quatro classes, definidas a partir da caracterização do discurso entre professor e alunos ou entre alunos: discurso dialógico ou de autoridade ; discurso interativo ou não-interativo . (Mortimer e Scott, 2002)

O discurso dialógico é aquele em que o professor considera o que o aluno diz do ponto de vista do próprio estudante, assim, mais de uma voz é ouvida e pode haver interação entre as ideias. Já o discurso de autoridade, considera apenas o que o aluno diz do ponto de vista do discurso científico que está sendo construído em sala de aula,

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na qual apenas uma voz é ouvida. As intervenções do professor, ao interagir com os estudantes numa sala de aula, podem ser caracterizadas por esses dois discursos extremos. Assim, um discurso pode ser identificado como dialógico ou de autoridade independentemente de ter sido enunciado por um único indivíduo ou interativamente. (Mortimer e Scott, 2002)

Para um discurso ser dialógico ele precisa expressar mais de um ponto de vista e não necessariamente ser produzido por um grupo de pessoas ou um indivíduo único. Esse aspecto diz respeito a segunda dimensão da Abordagem comunicativa, que distingue entre discurso interativo, aquele que acontece com a participação de mais de uma pessoa, e o discurso não-interativo , onde uma única pessoa participa. Então, a partir destas dimensões, pode-se criar quatro classes de abordagens comunicativas relacionando-as.

Quadro 1: Abordagens comunicativasFonte: Mortimer e Scott (2002)

As quatro classes podem ser desenvolvidas durante uma aula da seguinte forma: a) Interativo/dialógico (I/D): professor e estudantes exploram ideias juntos e consideram pontos de vista; b) Não-interativo/dialógico (N/D): professor reconsidera outros pontos de vista, ao destacar diferenças e similaridades, porém na sua fala; c)Interativo/de autoridade (I/A): professor conduz os estudantes através de perguntas e respostas para chegar a um ponto de vista específico; d) Não-interativo/de autoridade (N/A): professor apresenta apenas um ponto de vista específico. (Mortimer e Scott, 2002)

Explicitada as possibilidades de análise dessa estrutura, o objetivo deste trabalho é compreender como se sucede o processo de ensino de uma aula de Ciências, levando em consideração as intenções iniciais do estagiário para a aula, os conteúdos do discurso que emergem em sala de aula e as intervenções feitas por ele.

## 4.Metodologia

A análise da aula foi viabilizada por meio da videogravação, um recurso considerado essencial, cujo objetivo é investigar o comportamento do estagiário em sala de aula. A gravação permitiu uma observação detalhada das ações não-verbais do estagiário, como expressões faciais, gestos e movimentos corporais, elementos que, segundo Martins (2011), caracterizam as ações e contribuem, junto com a linguagem verbal, para a construção de sentidos e o desenvolvimento das interações em sala.

Após a gravação, os discentes da disciplina de estágio supervisionado, juntamente com o professor, realizaram à análise da aula individualmente. O primeiro passo foi a identificação de episódios, definidos conforme Amaral e Mortimer (2007) como 'um conjunto de enunciados que cria o contexto para emergência de um determinado significado ou de alguns significados relacionados' (p.257). Dessa

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maneira, cada autor realizou sua própria demarcação dos episódios, resultando em cinco análises distintas (dois dos autores realizaram a análise em conjunto).

A fim de consolidar uma interpretação coletiva, foram selecionados apenas os episódios que coincidiam em, pelo menos, três das cinco análises individuais realizadas. Como critério adicional, foi considerado um intervalo máximo de dez segundos entre as marcações de tempo, sendo escolhida a marcação de menor valor para garantir uniformidade. Esse procedimento buscou minimizar erros e assegurar maior precisão e consistência na identificação dos momentos da aula.

## 5.Resultados e discussões

As abordagens comunicativas durante a aula foram identificadas através da divisão dos episódios. Tanto o início quanto o término da aula não foram considerados como episódios, pois esses momentos são geralmente dedicados ao gerenciamento da turma e ao encerramento das atividades. Dessa forma, o primeiro episódio analisado tem início a partir do minuto 4:27 do vídeo da aula.

Para a construção do Quadro 2, foi analisada a natureza das abordagens comunicativas que o estagiário manteve dentro de cada episódio, independentemente do tempo dedicado a cada uma delas. O foco principal desta análise é observar a dinâmica da aula em cada uma das abordagens comunicativas e, também, como caracterizam-se as mudanças nas abordagens do discurso do estagiário. Ressaltamos que as únicas interações consideradas foram aquelas entre o estagiário e os alunos, desconsiderando as interações entre professora-estagiário e aluno-aluno.

Quadro 2: Episódios e abordagens comunicativas

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Fonte: Própria

Devido à variação no tamanho dos episódios há uma diferença na quantidade de abordagens comunicativas em cada um deles. Episódios mais longos tendem a conter um maior número de abordagens comunicativas, o que não prejudicou a análise da dinâmica da aula. Assim, foram identificadas, ao todo, quatorze abordagens comunicativas do tipo Não-Interativo/de autoridade, cinco Não-Interativo/dialógico, duas Interativo/de autoridade e nove Interativo/dialógico, totalizando 30 abordagens.

Embora o estagiário tivesse planejado conduzir a aula de maneira dialógica e interativa com os alunos, notou-se que esse tipo de abordagem comunicativa não prevaleceu. Em grande parte, predominou a abordagem Não-Interativo/de autoridade, que é caracterizada por momentos em que o estagiário expõe um ponto de vista específico sem promover o diálogo com a turma. Ao analisar a aula como um todo, acreditamos que essa predominância deve-se ao fato de que os alunos demonstraram dificuldades para reconhecer e compreender as mudanças climáticas como resultado da ação humana. Uma vez que o tema fazia parte do planejamento do estagiário e os alunos apresentaram tal dificuldade, ele retomou a discussão diversas vezes, buscando expor e reforçar essa perspectiva.

Tendo em vista os objetivos iniciais, outros pontos de atenção também foram os momentos da aula que envolveram interações diretas entre alunos e estagiário, principalmente por meio de perguntas de ambos os lados. Observou-se que, muitas vezes, as questões dos alunos levavam o estagiário a ajustar sua abordagem comunicativa. Um momento como esse pode ser exemplificado pelo episódio 11, transcrito a seguir.

Quadro 3: Transcrição de parte do episódio 11.

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Fonte: Própria

Antes da pergunta da aluna, o estagiário adotava uma abordagem Interativo/de autoridade, discutindo a influência humana e contextualizando-a com a tragédia ocorrida em Petrópolis. Ele guiava os alunos por meio de perguntas, buscando leválos a compreender as consequências da ação humana no meio ambiente, uma vez que os alunos ainda não haviam reconhecido essa relação. Quando a aluna levantou uma questão relacionada à tragédia local, o estagiário interrompeu sua fala. Ao perceber que não havia uma resposta definitiva para a pergunta, ele iniciou um diálogo com a aluna, colaborando para pensar em uma possível solução para o problema.

No entanto, também identificamos momentos em que uma pergunta dirigida ao estagiário não resultou em uma mudança na natureza de sua abordagem. Um exemplo disso pode ser encontrado no episódio 14, em que o estagiário discutia o consumo na sociedade, explicando como grandes empresas impactam negativamente o meio ambiente.

Quadro 4: Transcrição do episódio 14.

Estagiário:

Aluna: Estagiário: Professora supervisora:

Estagiário:

O cara ta ganhando dinheiro, ganhando dinheiro, para desmatar o planeta, pra destruir o planeta. Não ta errado? Não ta errado, gente? Parar pra refletir assim...quando a gente para pra pensar...esse sistema que a gente vive não ta estranho?

E em relação as grandes empresas, qual seria a solução pra isso?

Aí é um caso complicado porque existem soluções, não soluções, mas existem...é... Alternativas.

Alternativas! Essa é a palavra que eu tava procurando. Existem alternativas, entendeu? E aí, o que acontece: O que é uma grande empresa? É um cara que ele detém, ele tem pra ele um meio de produção. O que é um meio de produção? Ele tem pra ele, é dele. Você é o dono da empresa, ta, você é o dono da Apple. É seu, você tem...é sua autoria, você é o dono do meio de produção, ou seja, aquela produção de celulares, produção de celulares pro mundo inteiro, você é dono daquilo ali. Isso é uma grande empresa.... uma solução, uma das soluções, uma das alternativas... porque pode não ser uma solução, mas é uma das alternativas que as pessoas pensaram ...[continua]

Fonte: Própria

A resposta à pergunta da aluna coincidiu exatamente com um tema já planejado pelo estagiário, uma vez que seus referenciais tinham como pressupostos a Educação Ambiental. Assim, o estagiário, que antes da pergunta se mostrava NãoInterativo/de autoridade, após ela, mantém o tipo de discurso, explicando a sua visão a respeito do assunto.

Com base nesses dois momentos transcritos e em outras situações observadas com dinâmicas semelhantes, buscamos identificar um padrão no discurso do estagiário a partir das interações com os alunos, por meio de perguntas. Observamos que, na maioria dos episódios, os questionamentos dos alunos levaram o estagiário a adaptar sua interação discursiva de duas maneiras principais: primeiro, assumindo a abordagem Interativo/dialógico quando os temas abordados não faziam parte de seu planejamento inicial ou quando ele não possuía uma resposta pronta;

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segundo, mantendo ou adotando uma abordagem Não-Interativo/de autoridade quando os temas estavam alinhados ao seu planejamento, permitindo maior domínio e segurança sobre o conteúdo.

## 6. Considerações finais

A análise da aula revelou a complexidade e a dinâmica das interações que envolvem o processo de ensino-aprendizagem. Ao longo da análise, ficou evidente que, mesmo diante de uma participação dos alunos diferente do esperado, o estagiário demonstrou domínio ao frequentemente ajustar sua abordagem comunicativa, na tentativa de atingir seus objetivos frente aos pressupostos da Educação Ambiental. Alternando entre momentos de discursos de autoridade e dialógicos, ele conseguiu não apenas abordar os conteúdos planejados, mas também conectar-se com os interesses e o cotidiano dos alunos.

Além disso, a utilização das Abordagens Comunicativas como ferramenta analítica evidenciou a importância da reflexão crítica sobre a prática docente. A reflexão possibilita ao estagiário identificar os desvios em relação aos seus objetivos iniciais e repensar suas estratégias de ensino. Além disso, evidenciou a importância de estar atento aos alunos e adaptar o planejamento no decorrer da aula, fundamentais para o aprimoramento da prática docente, uma vez que permite o desenvolvimento de habilidades para lidar com situações imprevistas em sala de aula.

O processo de autoavaliação, quando aliado à compreensão das interações discursivas, uma vez que a linguagem verbal é um dos aspectos que contribui para a construção de sentidos em sala de aula, favorece a formação de um professor mais consciente e preparado para promover um ambiente de aprendizado mais interativo. Dessa forma, a pesquisa não apenas enriquece o conhecimento profissional do estagiário, mas também reafirma o papel crucial da Educação Ambiental na formação de cidadãos responsáveis em relação ao meio ambiente.

## Referências

AMARAL, E. M. R.; MORTIMER, E. F. Uma metodologia para análise da dinâmica entre zonas de um perfil conceitual no discurso da sala de aula . In F.M.T.,Santos, Greca, I. M. (orgs.). A pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil e suas metodologias (pp. 239-296). Ijuí: Unijuí, 2011.

JACOBI, Pedro. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa , n. 118, p. 189-206, 2003.

MARTINS, I. Dados como diálogo construindo dados a partir de registros de observação de interações discursivas em salas de aula de ciências . In F.M.T.,Santos, Greca, I. M. (orgs.). A pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil e suas metodologias (pp. 297-321). Ijuí: Unijuí, 2011.

MORTIMER, E. F.; SCOTT, P. H Atividade discursiva nas salas de aula de Ciências: uma ferramenta sociocultural para analisar e planejar o ensino. Investigações em Ensino de Ciências , v. 7, n. 3, p. 283-306, 2002.

PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência . São Paulo, SP: Cortez. 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.