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O USO DE MAPAS CONCEITUAIS COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA

Celso José Viana Barbosa, Rosilaine Gomes De Santana

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O USO DE MAPAS CONCEITUAIS COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA

## USING CONCEPT MAPS AS A TOOL FOR ASSESMENT IN THE PHYSICS TEACHING

## Rosilaine Gomes de Santana 1 , Celso José Viana Barbosa , 2

1 Universidade Federal de Sergipe Discente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências / e Matemática, rosilainegomes22@gmail.com

## 1) Justificativa e objetivos

As atuais metodologias de avaliação utilizadas no Ensino de Física priorizam uma aprendizagem mecanicista, sem relação com o dia-a-dia do aluno e cujo principal objetivo é conseguir a aprovação em vestibulares. Tudo isso faz com que os alunos percam o interesse pela disciplina, achem-na de difícil compreensão e não percebam a sua importância para a sociedade e para o entendimento de vários fenômenos que o cerca.

Segundo as indicações dos PCN+ de física BRASIL (2002):

- [...] frente a tantas solicitações, dimensões e recomendações a serem simultaneamente contempladas, os professores têm se sentido perdidos, sem os instrumentos necessários para as novas tarefas, sem orientações mais concretas em relação ao que fazer. Como modificar a forma de trabalhar sem comprometer uma construção sólida do conhecimento em Física? Até que ponto se deve desenvolver o formalismo da Física? Como transformar o antigo currículo? [...] (BRASIL, 2002, p. 2 e 3)

Refletindo sobre as recomendações dos PCN+ de física propomos através deste trabalho a utilização de mapas conceituais como ferramenta de avaliação no Ensino de Física, visto que, através dos mapas conceituais é possível observar alguns distúrbios na aprendizagem que na avaliação tradicional não é possível perceber, como por exemplo, se os alunos conseguiram assimilar o conteúdo ensinado, quais conceitos não foram aprendidos ou se foram aprendidos de forma incorreta e se eles estão conseguindo fazer as relações dos novos conceitos aprendidos com os conhecimentos já existentes na sua estrutura cognitiva.

## 2) Marco Teórico

Mapas Conceituais são diagramas que mostram as relações entre os conceitos, especificamente, podem ser interpretados como diagramas hierárquicos que procuram refletir a organização conceitual de um corpo de conhecimento ou de parte dele, ou seja, sua existência deriva da estrutura conceitual de um conhecimento. São instrumentos potencialmente úteis na avaliação da aprendizagem, no ensino e na análise do conteúdo curricular. (MOREIRA, 1986).

## Segundo MOREIRA (1986):

No ensino, mapas conceituais podem ser usados para mostrar relações hierárquicas entre concepções que estão sendo ensinadas em uma única aula, em uma unidade de estudo ou em toda a matéria. São representações concisas das estruturas conceituais que estão sendo ensinadas e procuram facilitar a aprendizagem significativa [...] (MOREIRA, 1986, p. 2).

A teoria que está por trás do estudo sobre mapas conceituais é a teoria cognitiva de aprendizagem de David Ausubel. O conceito básico da teoria de Ausubel é o de aprendizagem significativa. Esta aprendizagem segundo MOREIRA (2005):

[...] é dita significativa quando uma nova informação (conceito, ideia, proposição) adquire significados para o aprendiz através de uma espécie de ancoragem em aspectos relevantes da estrutura cognitiva preexistente do indivíduo, isto é, em conceitos, ideias, proposições já existentes em sua estrutura de conhecimentos (ou de significados) com determinado grau de clareza, estabilidade e diferenciação. (MOREIRA, 2005, p. 7).

No curso da aprendizagem significativa, os conceitos que interagem com o novo conhecimento e servem de base para a atribuição de novos significados vão também se modificando em função dessa interação, vão adquirindo novos significados e se diferenciando progressivamente.

Em contraposição a aprendizagem significativa, há um tipo de aprendizagem que ocorre quando há pouca ou nenhuma interação entre novas informações e a estrutura cognitiva do aprendiz, a esse tipo de aprendizagem denomina-se aprendizagem mecânica. Neste tipo de aprendizagem a nova informação é armazenada de forma arbitrária na estrutura cognitiva, ou seja, o conhecimento adquirido fica arbitrariamente distribuído na estrutura cognitiva sem ligar-se a conceitos subsunçores específicos.

## 3) Metodologia e Análise de pesquisa

Os dados que sustentam esta pesquisa foram coletados no contexto da disciplina Didática e Metodologia do Ensino de Física II com alunos graduandos do curso de Física Licenciatura. Algumas das avaliações da disciplina foram realizadas através da elaboração de mapas conceituais por alunos que não haviam trabalhado anteriormente com montagem de mapas.

Dentre os diversos mapas que foram construídos pelos alunos apenas dez, referentes ao conteúdo da filosofia da ciência defendidas por Feyeraben, Karl Popper, Bachelard e Imre Lakatos, foram analisados. O processo de construção dos mapas conceituais se deu após leituras e discussões dos textos indicados pelo professor da disciplina. Essa elaboração dos mapas era feita primeiro individualmente e depois em grupos com o intuito de verificar a diversidade de conceitos que poderiam ser descritos nos mapas dos grupos.

Neste trabalho foram focalizados alguns critérios de análise, segundo (MORENO et al., 2007):

- · Conceitos: quantidade e qualidade de conceitos apresentados e níveis de hierarquia conceitual, buscando identificar conceitos mais amplos até os mais específicos.

- · Inter-relações entre conceitos: linhas de entrecruzamento, número de palavras de enlace e proposições com significado lógico, do ponto de vista semântico. Neste critério, procedeu-se a uma quantificação das linhas de entrecruzamento e palavras de enlace, bem como a quantificação das proposições.
- · Estrutura do mapa: linear ou em rede, presença de relações cruzadas, representatividade dos conceitos em relação aos conteúdos abordados na disciplina.

A partir dessas características fizemos também uma análise dos Mapas Conceituais segundo a taxonomia topológica trabalhada por NOVAK E CAÑAS (2006), os quais classificam os Mapas Conceituais em níveis de o a 6.

## 4) Conclusões

A utilização de novas estratégias de ensino tem proporcionado benefícios no processo ensino-aprendizagem. Assim, a utilização de Mapas Conceituais no contexto da avaliação tem contribuído tanto para evidenciar a aprendizagem significativa como também para o desenvolvimento de competências e habilidades no estudo de diferentes disciplinas.

Apesar dos alunos não terem trabalhado com Mapas Conceituais em outras disciplinas foi possível perceber a exposição das ideias dos mesmos de forma organizada como também verificar que eles conseguiram fazer as inter-conexões entre os conceitos abordados nos textos sobre a filosofia da ciência. Além disso, grande parte dos mapas apresentaram todas as palavras de enlace, de três a quatro pontos de ramificação e predominância de conceitos sobre explicações o que caracteriza que estes mapas pertencem ao nível 3 segundo a taxonomia dos mapas conceituais de NOVAK E CAÑAS (2006).

## 5) Referências

BRASIL, PCN+ Ensino Médio : Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Física, MEC-SEMTEC, 2002 .

MOREIRA, M. A. Mapas Conceituais. Caderno Catarinense Ensino Física. Florianópolis, 3(1): 17-25, abril 1986.

\_\_\_\_\_\_\_\_. Mapas Conceituais e Aprendizagem Significativa. Revista Chilena de Educação Científica, 4 (2): 38-44, 2005.

CAÑAS, A. J., NOVAK, J. D. Confiabilidad de una taxonomía topológica para mapas conceptuales. Florida Institute for Human and Machine Cognition (IHMC) 2006. Disponível em: <http://cmc.ihmc.us/cmc2006Papers/cmc2006-p233.pdf> Acesso em 02 de março de 2011.

MORENO, L. R. SONZOGNO, M. C. BATISTA, S. H. S. BATISTA, N. A. Mapa Conceitual: Ensaiando critérios de análise. Ciência e Educação , Bauru, v. 13, n. 3, p. 453-463, 2007.

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