Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

PRESERVAR A MEMÓRIA: CONSTITUIÇÃO E ANÁLISE DE UM ACERVO DE MANUAIS BRASILEIROS DE FÍSICA

Nilson Marcos Dias Garcia,

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Currículo E Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## PRESERVAR A MEMÓRIA: CONSTITUIÇÃO E ANÁLISE DE UM ACERVO DE MANUAIS BRASILEIROS DE FÍSICA

## Nilson Marcos Dias Garcia 1

1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE), Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), nilsondg@gmail.com

## Resumo

Os livros e manuais didáticos têm uma história e um contexto, que carregam em si uma concepção de ensino. Entretanto, por sua provisoriedade, rapidamente são substituídos por outras edições ou títulos, e muitas vezes nem as próprias editoras os mantém como patrimônio e memória. No sentido de preservação dessa memória e de oferecer elementos para eventuais pesquisas sobre livros didáticos e manuais escolares, o presente trabalho traz resultado de uma investigação associada a um projeto que tem buscado constituir um acervo e analisar manuais e livros didáticos brasileiros de Física, visando recuperar parte importante das discussões didáticas e metodológicas documentadas nesses materiais. Os resultados têm demonstrado a provisoriedade dos livros didáticos, cujos mais antigos só são encontrados em arquivos pessoais ou em sebos, e não em bibliotecas, desaparecendo ao longo do tempo. Tem demonstrado também a riqueza destes artefatos como fontes para o estudo da evolução do ensino de Física e mesmo de outras disciplinas no contexto nacional e a necessidade de uma estrutura para que os livros possam se transformar em fontes para outras investigações.

Palavras-chave : Livros didáticos de Física; Ensino de Física; Preservação da Memória.

## Introdução

A proposta se insere em um conjunto de investigações que vêm sendo desenvolvidas no campo das Didáticas Específicas, particularmente da Didática da Física, que tem tomado como campo e objeto de pesquisa a formação de professores, as finalidades do ensino dessas disciplinas na escola básica e profissional, as metodologias de ensino específicas, as estratégias e os recursos didáticos.

Na temática específica da formação de professores, tem-se investido em pesquisas sobre a natureza das atividades formativas e também sobre os manuais escolares e outros materiais curriculares, tais como os livros didáticos, que se constituem em apoio ao trabalho docente, com vistas a analisar seu conteúdo e seu uso em atividades de planejamento, ensino e avaliação, assim como a influência que eles exercem sobre a formação e atuação desses profissionais.

Merecem especial atenção as pesquisas sobre publicações voltadas para a formação de professores com a intenção de orientá-los para ensinar, especialmente os manuais escolares e os livros didáticos, que são fontes importantes para o estudo de ideias educacionais e para a compreensão das formas de pensar o ensino e a aprendizagem, enquanto um dos elementos que compõem o 'código disciplinar' (Cuesta Fernández, 1998) das disciplinas dos cursos de licenciatura.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Entretanto, para isso há necessidade de organizar acervos e desenvolver estudos sobre os livros, e isso ainda exige esforços de grupos de investigação que buscam relações entre a temática dos livros didáticos e a formação de professores, como apontado por Bufrem, Schmidt e Garcia (2006), uma vez que os estudos dos livros didáticos e de publicações destinadas à formação de professores permitem recuperar parte importante das discussões didáticas e metodológicas que estão documentadas nesses materiais.

No caso específico, os estudos realizados a partir dos livros didáticos e dos manuais destinados à orientação do trabalho docente, sejam os denominados manuais de didática ou de metodologia de ensino, sejam os manuais para professores que acompanham os livros didáticos para alunos da escola básica, têm contribuido para recuperar elementos de como ensinar e do que está proposto para ser ensinado na disciplina de Física.

## Objetivos

Este texto traz os resultados de uma pesquisa e atividade que teve como objetivo iniciar a constituição de um acervo de obras para uso dos professores e também para sua formação, na área de Ensino de Física, Metodologia de Ensino de Física e Prática de Ensino de Física, visando recuperar e preservar a história e a memória da produção de livros didáticos e manuais.

Visa também localizar e recuperar livros didáticos e manuais de Física e criar um acervo especializado que possa servir de base para consultas e pesquisas sobre como se estabeleceu o ensino da Física e da Didática da Física no Brasil, e recuperar parte das discussões didático-metodológicas documentado nestes materiais.

## Marco Teórico

De acordo com Choppin (2004), desde longa data, o livro didático tem desempenhado um importante papel no espaço escolar por se constituir em 'suporte privilegiado dos conteúdos educativos, o depositário dos conhecimentos, técnicas ou habilidades, que um grupo social acredita que seja necessário transmitir às novas gerações'. (p. 553),

Apesar de diversas dimensões da experiência escolar tais como o ensino, os métodos, a avaliação, a imagem dos professores, o conhecimento, dentre outros, serem afetadas pela presença dos livros nas salas de aulas, sob o ponto de vista da pesquisa, concordando com Garcia &Garcia (2011), pouco se conhece sobre esses temas. Por um lado, há uma forte tradição em estudar os livros; por outro, são pouco conhecidas as condições pelas quais eles afetam a vida escolar.

No caso particular da Física para o Ensino Médio, de acordo com Garcia (2012), é preciso analisar as mudanças que a presença dos livros nas salas de aula pode provocar, principalmente nos conteúdos e métodos de ensino. Praticamente cristalizado pela sua crônica ausência em salas de aulas e pelo uso intensivo do quadro de giz e registros em cadernos, essa preocupação com os livros didáticos tem-se justificado, na atualidade, pelos efeitos que a universalização de sua distribuição pode provocar nas salas de aula. No caso brasileiro esta questão está relacionada à existência do Programa Nacional do Livro e do Material Didático

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

(PNLD), que aplica vultosos aporte de recursos financeiros na sua seleção, produção e distribuição.

Por outro lado, há que se considerar que a produção didática tem uma história, e os livros evidenciam parte dela por meio do seu conteúdo, sua produção, sua apresentação, sua abordagem metodológica, seu papel no mercado editorial, conjunto que que carrega, entre outros aspectos, uma concepção de ensino e de aprendizagem.

Nesse sentido, a história do livro didático no Brasil, conforme Hallewell (2005, p. 237), pode ter seu início considerado a partir de 1837, quando da criação do Colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro. Lorenz (2008) aponta que os livros então utilizados, tradução de originais franceses, de concepção humanista, acabaram por influenciar o modo de pensar a educação nacional e seus métodos de ensino. Essa influência francesa, presente em boa parte das primeiras décadas do século XX, deixou de ser predominante principalmente a partir da segunda metade daquele século, cedendo lugar à influência norte-americana.

Motivada pelo lançamento do Sputnik em 1957 pelos soviéticos, houve uma aceleração nas reformas que estavam sendo promovidas no ensino norte-americano e, como consequência, uma mudança no enfoque do seu ensino secundário, retomando a 'primazia dos conteúdos da matéria', em substituição ao 'ensino das aplicações dos conceitos à vida quotidiana' (Lorenz, 2008, p. 9), principalmente no âmbito das Ciências da Natureza.

Alguns dos projetos para o ensino de disciplinas científicas produzidos naquele período, como por exemplo o Physical Science Study Committee (PSSC), o Biological Science Curriculum Study (BSCS), o Chemical Education Materials Study (CHEM Study), e o Chemical Bond Approach (CBA), influenciaram de maneira significativa a forma de ensiná-las em diversas partes do mundo e, no caso particular brasileiro, provocaram uma inflexão no modelo de ensino, que passou a sofrer forte influência norte-americana, em substituição à influência europeia, principalmente nos materiais didáticos e livros. (Lorenz, 2008).

Entretanto, de acordo com Garcia (2012), decorrente de questionamentos sobre a eficácia e adequação de manuais estrangeiros traduzidos para o português, começaram a ser desenvolvidos projetos nacionais para o ensino de Física, com o intuito de melhor atender às características da cultura das escolas e dos professores brasileiros. Na esteira do primeiro projeto nesse sentido - Projeto Pilôto da UNESCO para o Ensino de Física (1964) - destacam-se o Projeto de Ensino de Física (PEF), o Física Auto Instrutivo (FAI) e o Projeto Brasileiro de Ensino de Física (PBEF), todos eles organizados por equipes majoritariamente compostas por professores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.

Esses projetos, desenvolvidos em diversos momentos da década de 1970, desempenharam um papel significativo na constituição e organização do campo de investigação em Ensino de Física, dado que, com o objetivo de produzir materiais mais adequados às condições e características das escolas brasileiras, pesquisadores e professores interessados na temática se articularam em torno deles, gerando condições ímpares de trabalho e pesquisa.

Em substituição aos manuais estrangeiros até então adotados, inclusive aqueles elaborados no âmbito dos projetos, os livros didáticos produzidos no Brasil nas décadas de 1950 e 1960 que lograram resultados quanto à adoção pelas

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

escolas e professores, com raras exceções, foram aqueles que buscavam atender aos programas dos exames vestibulares, conforme apontado por Wuo (2000), tendência que se manteria nos anos seguintes, conforme constatado por este autor, o que, no caso da Física, valorizava sobremaneira a habilidade em interpretar e resolver problemas numéricos.

Essa tendência passaria a ser revista, principalmente a partir da década de 1990, em função das mudanças ocorridas na organização social mundial e nacional, atribuídas à globalização e à velocidade de circulação de informações, que colocaram em evidência outras necessidades e expectativas para a educação, fazendo com que a escola assumisse a responsabilidade de abordar novos conhecimentos em consonância com as mudanças ocorridas nos 'grandes centros' (EUA e Europa).

Dessa forma, quase ao final do século XX, a legislação de ensino no Brasil foi reestruturada, apontando novos objetivos para a educação nacional e ampliando os fins do Ensino Médio, atribuindo-lhe como finalidades, dentre outros aspectos, tanto a possibilidade de continuidade de estudos como a preparação básica dos alunos para o trabalho e o exercício da cidadania. Conforme especificado na legislação, o objetivo era educar 'para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores' assim como para 'a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.' (LEI 9394/96, art. 35, itens II e IV)

Essas novas finalidades se traduziram em um conjunto de ações políticas que implicaram orientações e recomendações consubstanciadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM), nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e nas Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+ Ensino Médio), que serviram de referência para a organização de diversos programas e ações, dentre os quais aqueles relacionados aos livros didáticos, como por exemplo o já existente Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que hoje atende a todos os alunos das escolas públicas brasileiras.

Mais recentemente, em 2016, houve uma Reforma do Ensino Médio brasileiro, associada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que promoveu uma significativa reestruturação dos componentes curriculares deste nível de ensino. No caso particular, a Física deixou de ser abordada como uma disciplina independente e passou a fazer parte da Área de Ciências da Natureza e suas tecnologías. Nesta nova configuração, os seus conteúdos passaram a ser desenvolvidos juntos com os de Química e Biologia, o que provocou também uma reestruturação da organização dos livros didáticos para esses conteúdos, sendo agora apresentados em seis volumes independentes, atendendo às concepções de ensino e aprendizagem que davam sustentação teórica à Reforma.

A pesquisa e o esforço da constituição do acervo se justificam porque fornecerão elementos que permitirão compreender alguns desses aspectos e principalmente, identificar, ao longo do tempo, a influência recíproca entre a forma de organização dos livros didáticos e a metodologia com que a Física é ensinada e, principalmente, como as orientações metodológicas sobre esses aspectos são registradas e disponibilizadas aos professores nos manuais didáticos, influenciando sua formação inicial e continuada. Ao se ter à mão um acervo de livros que abranja

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

um significativo período de tempo, é possível analisar os livros didáticos e os manuais didáticos (ou pelo menos as orientações metodológicas a eles associadas) e ter pistas de como o ensino de Física foi se constituindo na educação brasileira ao longo do tempo.

## Desenvolvimento da Experiência

- O projeto tem se desenvolvido em duas frentes, uma de caráter mais operacional e outra de caráter mais investigativo, cada uma com metodologias específicas.

A primeira frente diz respeito à constituição e disponibilização do acervo e tem se constituído na identificação, localização, aquisição e digitalização dos livros objeto do projeto. A identificação tem se dado por meio de pesquisa bibliográfica, principalmente da remissão de obras referenciadas em livros didáticos e em artigos de periódicos, assim como por pesquisa em bibliotecas, livrarias e sebos, que complementarão essa identificação. Após a identificação e localização, busca-se adquirir ou emprestar o livro, para catalogação e registro na base de dados. Doações pessoais também serão fonte para a constituição do acervo. Finalmente, havendo possibilidade legal, os livros didáticos e manuais tem sido digitalizados.

A segunda frente diz respeito à análise do conteúdo dos livros didáticos e ao estudo dos manuais. Nesse particular, têm sido utilizadas metodologias e estratégias de caráter investigativo voltadas à realização de estudos bibliométricos tendo como referência os níveis educativos e a procedência geográfica das obras, a localização temporal e a sua procedência editorial; estudos analíticos tendo como referência o gênero didático e textual, bem como os elementos do código disciplinar; estudos da relação entre os manuais e as políticas e propostas curriculares e estudos das tendências didáticas e científicas presentes nas publicações.

## Evidências/Resultados

Uma primeira observação a ser feita com relação aos resultados é que, pelo fato de que novos livros poderão ser incorporados ao acervo, os resultados obtidos sempre estarão em movimento, com a expectativa de incremento contínuo do acervo. Outra observação é que, como o projeto ainda está em implantação, nem todos os resultados esperados já foram obtidos. Mas alguns deles podem ser apresentados.

Em termos da guarda dos livros, hoje eles estão disponibilizados num único ambiente, diferentemente da situação anterior, início do projeto, em que eles se encontravam dispersos em diversos ambientes. Assim, foi possível uma melhor organização do acervo físico atual.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Fig. 1 - Alguns dos livros do acervo já existente - Fonte: Garcia, N.M.D.

<!-- image -->

Aspecto importante a ser considerado é o estreitamento de parcerias com outras instituições que fazem pesquisas similares, como, por exemplo, o Núcleo de Pesquisa em Publicações Didáticas (NPPD) da Universidade Federal do Paraná e o Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Física (GEPEF), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Mais de 200 obras já foram catalogadas, estando em proceso a organização de um site em que elas possam ser divulgadas para consulta e pesquisa. Algumas das obras raras ou de alto significado histórico e didático já foram digitalizadas, e, não havendo impedimento legal, poderão ser disponibilizadas aos interessados. Destes livros, cerca de um quarto foi publicado antes de 1970 (o mais antigo é de 1876), a maioria deles é em português, mas há livros em espanhol, francés, inglês e alemão.

O quadro que segue mostra algumas das obras constantes do acervo:

Tabla 1 - Acervo de Física e Ciências - constituído por obras adquiridas e doadas Alguns dados básicos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

A divulgação da pesquisa e de seus resultados têm sido feita por meio de relatórios e apresentação em eventos.

## Conclusões

- O desenvolvimento do trabalho confirmou o fato de que os livros didáticos e manuais escolares, diferentemente de outras obras, caracterizam-se pela sua temporalidade. São rapidamente substituídos por outras edições ou títulos, e na maioria das vezes 'desaparecem', pois ainda não são considerados obras de relevância cultural e os próprios editores não os preservam como patrimônio e memória.
- A ausência de acervos e bases virtuais sobre os livros didáticos e manuais destinados aos professores de Física, particularmente aqueles que foram feitos com a finalidade de orientar o trabalho docente nas aulas, bem como a necessidade de desenvolver estudos sobre esses manuais, tem dificultado a compreensão de como a Física e a sua Didática foram se constituindo no Brasil e os elementos que a configuram - totalmente ou em parte - como uma disciplina escolar. E isso pode se refletir na formação dos professores, que têm diminuída a oportunidade de contextualizar a constituição da Física como disciplina escolar no Brasil.

Ademais, a investigação e análise de livros didáticos e de publicações destinados ao uso e à formação de professores constitui-se em campo de investigação de relevada importância para a Educação na medida em que, por meio delas, é possível tanto recuperar parte das discussões didáticas e metodológicas que, de alguma forma, estão documentadas nesses materiais (Nagle, 2001), como compreender elementos que norteiam ações políticas e opções metodológicas atuais.

Neste sentido, a constituição de acervos que possibilitem o acesso a livros didáticos e a manuais escolares já em desuso, permite que se tome conhecimento dos mesmos e que possam ser feitas investigações sobre questões relacionadas ao ensino com maior intensidade e abrangência e, ainda, contribuir para a formação de professores.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## REFERÊNCIAS

Bufrem, Leilah Santiago; Schmidt, Maria Auxiliadora &amp; Garcia, Tânia M. F. Braga. (2006). Os manuais destinados a professores como fontes para a história das formas de ensinar. Revista HISTEDBR On-line , Campinas, SP, v. 22, p. 120130, 2006.

Choppin, Alain. (2004). História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa , São Paulo, v. 30, n.3, p. 549- 566, set./de.

Cuesta Fernández, Raimundo. (1998). Clio em las aulas. La enseñanza de la Historia en España , entre reformas, ilusiones y rutinas. Madrid: Ediciones Akal.

Garcia, Nilson M.D. &amp; Garcia, Tania.M.F.Braga. (2011). Livros didáticos de Física : discutindo pesquisas e traçando perspectivas. XIII EPEF, Sociedade Brasileira de Física.

Garcia, Nilson M.D. (2012). Livro didático de Física e de Ciências: contribuições das pesquisas para a transformação do ensino. In Educar em Revista . Vol. 44, no. 2, p. 145-163.

Hallewell, Laurence. (2005). O livro no Brasil : sua história. São Paulo: EDUSP.

Lorenz, Karl M. (2008). Ação de instituições estrangeiras e nacionais no desenvolvimento de materiais didáticos de ciências no Brasil: 1960 -1980. Revista Educação em Questão . UFRN/Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Natal, RN, v. 31, n. 17, jan./abr. p. 7 a 23.

Nagle, Jorge. (2001). Educação e Sociedade na Primeira República . 2.ed. Rio de janeiro: DP&amp;A, 2001

Rodrigues, Dilcelia C.B. &amp; Garcia, Nilson M.D. (2023). Livros didáticos de Física: a elaboração de instrumentos para sua avaliação e escolha. Concilium , 23(10), 429-444. https://doi.org/10.53660/CLM-1375-23F26B

Wuo, Wagner. (2000). A Física e os livros : uma análise do saber física nos livros didáticos adotados para o ensino médio. São Paulo: EDUC/FAPESP.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.