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PERCEPÇÕES SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE DE PROFESSORES DE FÍSICA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

José Hilton Pereira Da Silva, Maria Eduarda Alves De Oliveira Andrade

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Currículo E Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PERCEPÇÕES SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE DE PROFESSORES DE FÍSICA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

## José Hilton Pereira da Silva 1 , Maria Eduarda Alves de Oliveira Andrade 2

1 IFMG/ Campus Bambuí/Licenciatura em Física, e-mail

2 IFMG/ Campus Bambuí/Licenciatura em Física, mariaeduardalves@outlook.com

## Resumo

Este estudo é fruto de um Trabalho de Conclusão de Curso, durante o período pandêmico, que visou avaliar as percepções de professores de Física e de Educação Física acerca da interdisciplinaridade no ensino médio de uma escola da rede federal de ensino. Ancorados em Olga Pombo, Ivani Fazenda e Yves Lenoir avaliamos, a partir da Análise Textual Discursiva, as transcrições das entrevistas semiestruturadas de seis professores, três da área de Física e três da área de Educação Física, que atuaram no ensino médio durante os anos de 2018 e 2019. Os resultados mostraram que os professores, em geral, estão com os pensamentos no Nível 2, ou seja, pelas suas falas as disciplinas de suas áreas de conhecimento até conversam com outras áreas e trocam informações, mas permanecem dentro de suas fronteiras, no quesito ao desenvolvimento de práticas de ensino, que pode indicar uma certa transição para a interdisciplinaridade (Nível 3).

Palavras-chave : Interdisciplinaridade. Percepção Docente. Professores de Física e Educação Física.

## Introdução

Um problema recorrente quando se fala em educação básica é tornar o ensino mais atrativo para os alunos sem impactar na qualidade do conhecimento a ser aprendido. Neste contexto, educadores, pesquisadores e até mesmo a legislação brasileira, têm apresentado diversas alternativas para alcançar esse fim, sendo uma delas, a interdisciplinaridade.

Com a reforma do ensino médio, exarada pela Lei Federal n.º 13.415/2017 (Brasil, 2017), as diversas redes escolares tiveram que pensar na organização curricular não apenas baseadas em disciplinas, mas também em itinerários formativos, de forma que favorecesse o desenvolvimento de abordagens multidisciplinares, uma vez que o tempo-espaço na escola se tornou reduzido para algumas áreas de conhecimento.

Considerando tal perspectiva, nos propusemos saber se há, do ponto de vista docente, algum potencial para o desenvolvimento de abordagens interdisciplinares entre as áreas de Física e Educação Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais Campus Bambuí (IFMG/Bambuí), pois entendemos uma transformação em qualquer nível de ensino não é possível sem participação ativa do professor, logo, os seus pensamentos são elementos importantes para a concretização das atividades.

A priori , a aproximação da Física com as outras áreas da Ciência, como Química e Ciências Biológicas, seria o caminho mais provável a ser trilhado para avaliar este potencial. Contudo, entendemos que na prática de atividades

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desenvolvidas pela área de Educação Física há inúmeras possibilidades para o ensino de Física, e este foi o motivo para o desenvolvimento de pesquisa envolvendo estas duas áreas de conhecimento.

Com a problemática levantada tínhamos como objetivos: avaliar a percepção dos professores acerca da interdisciplinaridade; inferir, a partir de suas respostas, se havia a possibilidade de surgir ações integradas entre essas duas disciplinas; medir, de acordo com o referencial teórico adotado, em que nível de interdisciplinaridade as falas dos professores, e, portanto, de suas áreas de conhecimento.

## Referencial Teórico

Klein (2008, p. 110) relata que o conceito de interdisciplinaridade, apesar de bem antigo, está configurado nos moldes que compreendemos hoje a partir do século XX. Ancorada em Vars (1993), ela diz que a concepção moderna está presente nos conceitos de currículos interdisciplinares e integrados, nos modelos de estudos unificados, temas combinados, aprendizado comum, estudos correlatos e currículo comum.

Olga Pombo (2005), ao citar da complexidade ao se definir interdisciplinaridade, propõe, de forma provisória a seguinte ideia:

[...] por detrás destas quatro palavras, multi, pluri, inter e transdisciplinaridade , está uma mesma raiz - a palavra disciplina . Ela está sempre presente em cada uma delas. O que nos permite concluir que todas elas tratam de qualquer coisa que tem a ver com as disciplinas. Disciplinas que se pretendem juntar : multi, pluri, a ideia é a mesma: juntar muitas, pôlas ao lado uma das outras. Ou então articular , pô-las inter, em inter-relação, estabelecer entre elas uma acção [ sic ] recíproca. O sufixo trans supõe um ir além, uma ultrapassagem daquilo que é próprio da disciplina. (Pombo, 2005, p. 5, grifo nosso).

Pelo exposto, ao se colocar áreas de conhecimento, ou disciplinas, próximas umas das outras, em contato, isso se aproxima da perspectiva multi ou pluridisciplinar. Porém ao gerar nelas uma interrelação, ocorreria a interdisciplinaridade e, ao ultrapassar as suas barreiras, teríamos a transdisciplinaridade. Olga Pombo (2005) estabelece níveis em que a interação entre as disciplinas possa ocorrer:

O primeiro é o nível da justaposição, do paralelismo, em que as várias disciplinas estão lá, simplesmente ao lado umas das outras, que se tocam mas que não interagem. Num segundo nível , as disciplinas comunicam umas com as outras, confrontam e discutem as suas perspectivas, estabelecem entre si uma interacção mais ou menos forte terceiro nível , elas ultrapassam as barreiras que as afastavam, fundem-se numa outra coisa que as transcende a todas. Haveria, portanto, uma espécie de um continuum de desenvolvimento. Entre alguma coisa que é de menos -a simples justaposição - e qualquer coisa que é de mais - a ultrapassagem e a fusão a interdisciplinaridade designaria o espaço intermédio, a posição intercalar. O sufixo inter estaria lá justamente para apontar essa situação. A minha proposta é, pois, tão simples como isto: partir da compreensão dos diferentes prefixos da palavra disciplinaridade, do que eles têm para nos ensinar, das indicações que transportam consigo, na sua etimologia. (Pombo, 2005, p. 5, grifo nosso).

Em ideia semelhante, Ivani Fazenda (2002) entende que a interdisciplinaridade pressupõe uma mudança de atitude frente à problemática do conhecimento, da substituição da visão fragmentária para unitária do ser humano, pois

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Já que a multi, ou a pluridisciplinaridade implicam quando muito, o aspecto integração de conhecimento, poder-se-ia dizer que a integração ou a pluri ou a multidisciplinaridade seria uma etapa para a interação para a interdisciplinaridade, e esta por conseguinte, uma etapa para a transdisciplinaridade (que, entretanto, não passa de uma idealização utópica). (Fazenda, 2002, p. 71).

Nas citações acima é importante destacar que a interdisciplinaridade, tanto para Olga Pombo (2005), como para Ivani Fazenda (2002), está relacionada com a produção científica, ou acadêmica, isto é, com a disciplina científica (Física, Química, Biologia, História etc.), que apresentam especificidades diferentes das disciplinas conhecidas na escola, bem como seus objetos, suas modalidades de aplicação, entre outras. Nesse sentido, Lenoir (2008, p. 47), faz questão de destacar que a interdisciplinaridade pode ser aplicada ao contexto escolar, desde que ela seja considerada dentro da estrutura escolar, ou seja, a sua aplicabilidade está relacionada às matérias escolares e não às disciplinas científicas, como no caso da interdisciplinaridade acadêmica. Mesmo que as disciplinas escolares, ou matérias, tomam certos empréstimos às disciplinas científicas, elas não constituem cópias de maneira alguma, nem tampouco resultam de uma simples transposição de saberes eruditos, afirma Lenoir (2008, p. 47). Assim, a interdisciplinaridade escolar deve ser nitidamente diferenciada da interdisciplinaridade científica. Enquanto a interdisciplinaridade científica trata do conhecimento científico a interdisciplinaridade escolar tem como objeto as disciplinas escolares, que são geralmente organizadas dentro de um currículo escolar.

Ainda de acordo com Lenoir (2008, p. 56) a interdisciplinaridade escolar pode ser curricular, didática e pedagógica. Ela é curricular porque trata dos aspectos estruturais do currículo, isto é, das ligações entre as disciplinas numa perspectiva integradora. Ela é didática porque trata das dimensões conceituais, do plano educativo, da organização e da avaliação da intervenção docente. Ela é pedagógica porque assegura, na prática, a inserção de um ou mais modelos didáticos interdisciplinares em situações reais e concretas. Para Lenoir (2008) a interdisciplinaridade curricular é o primeiro nível da interdisciplinaridade escolar, seguidas da interdisciplinaridade didática (segundo nível) e da interdisciplinaridade pedagógica (terceiro nível). Em resumo ele diz: '[...] a interdisciplinaridade [escolar] funciona igualmente sobre o plano didático e sobre o plano curricular, e que a interdisciplinaridade pedagógica resulta do trabalho preliminarmente interdisciplinar que se efetua nesses dois níveis' (Lenoir, 2008, p. 56).

## Metodologia

Na tentativa de respondermos à problemática levantada optamos por realizar uma entrevista semiestruturada (Lüdke; André, 1986, p. 33) com estes docentes e analisar, à luz da referencial teórico levantado, suas concepções, por meio de uma Análise Textual Discursiva (ATD) (Moraes; Galiazzi, 2016).

Na entrevista semiestruturada, nós optamos por utilizar o aplicativo livre para uso pessoal, o Free PC Audio Recorder , durante as entrevistas que ocorreram pelo Google Meet , gravando os arquivos em MP3. Depois transcrevemos e analisamos os textos.

Os sujeitos desta pesquisa foram professores de Física e Educação Física que atuaram nos anos de 2018 e 2019 no ensino médio do IFMG/Bambuí.

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Convidamos três professores da área de Física e três professores da área de Educação Física, que foram instruídos e concordaram com o termo de consentimento livre e esclarecido. Para resguardar a identidade de cada docente, foi atribuído um nome fictício a cada docente: Cristina Young, Meredith Grey, Richard Weber, Alex Karev, George O'Malley e Miranda Bailey.

As gravações das entrevistas foram transcritas e analisadas por meio da Análise Textual Discursiva (ATD), conforme proposto por Moraes e Galiazzi (2016). Segundo as autoras, essa técnica visa, inicialmente, em desmontar os textos em elementos menores, estabelecendo relações entre os signos e significados, na tentativa de captação de um novo emergente, e realizar o processo de autoorganização gerando um novo texto, que sintetiza os demais demonstrando as relações podendo revelar categorias, novas interpretações e conclusões possíveis.

## Resultados e Discussões

Dos seis professores entrevistados, três são da área de Educação Física: Cristina Young, Meredith Grey, Richard Weber e três da área de Física: Alex Karev, George O'Malley e Miranda Bailey. As entrevistas foram conduzidas em forma de uma conversa, com um questionário semiestruturado, que norteava as perguntas aos entrevistados. Assim, todos responderam as mesmas perguntas que foram introduzidas à medida que a conversa fluía. Todos os participantes concordaram com o termo de consentimento livre e esclarecido para ceder os dados.

Os docentes compartilharam, por meio de suas respostas, sobre o que entendiam sobre a interdisciplinaridade, sobre as vivências de alguns projetos que envolveram outras disciplinas, procurando sempre estabelecer uma relação entre a Física e a Educação Física, ou a Física e o esporte, e sobre desafios que já vividos em sua carreira docente e desafios que poderiam vir a surgir diante da implementação de uma proposta interdisciplinar.

No processo de análise pela ATD selecionamos trechos das falas dos entrevistados que mais chamaram atenção e que estavam de acordo com os objetivos deste trabalho (etapa de desconstrução). Ao longo da transcrição-análise conseguimos estabelecer blocos onde agrupamos as falas referentes a um mesmo contexto (etapa de reconstrução). A partir disso, os trechos que eram pertinentes ao tema deste trabalho nos permitiram a criação de um novo emergente (etapa de síntese).

Dos quatro emergentes que surgiram a partir da análise (percepções sobre a interdisciplinaridade; sobre a execução de uma proposta interdisciplinar; desafios da implementação de uma proposta interdisciplinar; e propostas para a solução dos problemas), apresentaremos, abaixo, apenas o primeiro: percepções sobre a interdisciplinaridade.

## Percepções sobre a interdisciplinaridade

Para analisar as respostas dos professores utilizamos as definições de Ivani Fazenda (2002) e Olga Pombo (2005) sobre interdisciplinaridade, já apresentadas neste trabalho. Olga Pombo (2005) estabelece três níveis em que a interdisciplinaridade pode acontecer:

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- · Nível 1 - as disciplinas estão justapostas, isto é, lado a lado, porém, sem trocar informações;
- · Nível 2 -as disciplinas conversam e trocam informações, mas permanecem dentro de suas fronteiras;
- · Nível 3 - as disciplinas rompem as fronteiras e se fundem, podendo ser algo maior que elas mesmas.

Para Ivani Fazenda (2002), a mudança de postura frente a aproximar as disciplinas é um passo inicial para a interdisciplinaridade. Nesse sentido, a multidisciplinaridade, ou a pluridisciplinaridade, é esse caminho de aproximação e seria o Nível 2, em nosso entendimento, proposto pela Olga Pombo (2005). A interdisciplinaridade seria o rompimento das barreiras, ou seja, o Nível 3, e é somente a partir desse nível que Ivani Fazenda (2002) entende que pode haver a transdisciplinaridade, isto é, ultrapassar o limite das duas disciplinas. Precisamos ressaltar que, como estamos tratando de ambientes escolares, estamos falando de disciplinas escolares, como destacou Lenoir (2008).

Em um dos momentos da entrevista, os professores foram questionados sobre o que eles entendem sobre a ideia de interdisciplinaridade. Abaixo separamos alguns trechos para demonstrar como foi procedida a análise, de acordo com os níveis da Olga Pombo (2005) e do potencial para interdisciplinaridade de Ivani Fazenda (2002).

Para professora Meredith Grey, a interdisciplinaridade, ou uma atividade interdisciplinar

- [...] é quando duas disciplinas ou mais, se unem para trabalhar conteúdos que são pertinentes a sua prática pedagógica. No entanto, eu faço uma união entre elas para que a gente atinja o mesmo objetivo , porque quando eu vou falar de esporte nós temos a dança, a capoeira, os jogos e as brincadeiras. Então, é possível trabalhar esses conteúdos através de outras disciplinas [...], o inter é entre, é uma relação entre elas, entre disciplinas. (Meredith Grey, grifo nosso).

Essa perspectiva, em nosso entendimento, está bem delimitada no Nível 2, onde as disciplinas, ou matérias escolares, se aproximam, trocam informações, mas não rompem de fato as suas barreiras, ainda que tenham um projeto norteador comum. Então, tem uma característica multi ou pluridisciplinar.

A resposta do professor Richard Weber, apresentada abaixo, estabelece um destaque na construção de um projeto comum, mas sem citar se a efetivação acontecerá também em conjunto, ou separadamente. Nesse sentido, entendemos que ela se encontra também no Nível 2, com uma característica multi ou pluridisciplinar evidente, podendo tender à ideia de interdisciplinaridade.

[...] eu acho que uma construção conjunta entre as áreas , as áreas dialogam e percebem eixos comuns, que podem ser apresentados para enriquecer o processo de ensino aprendizagem. A gente não ouve muito [sobre] interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade é uma construção conjunta, o planejamento é conjunto, a proposta é conjunta. (Richard Weber, grifo nosso).

As respostas dos três professores, que são da área de Educação Física, demonstram que há, em suas concepções, uma ideia de multidisciplinaridade, no Nível 2, isto é, há uma tentativa de aproximação e troca de informações para a construção de projetos ou propostas pedagógicas comuns. Para Ivani Fazenda

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(2002), como demonstrado, esse é um passo importante em direção à interdisciplinaridade.

O professor Alex Karev usa como recurso para explicar a interdisciplinaridade uma metáfora. Na sua visão uma atividade interdisciplinar deve ser realizada em conjunto com todas as áreas envolvidas nessa atividade trabalhando ao mesmo tempo.

Os professores de Física apresentam ideias divergentes sobre o conceito de interdisciplinaridade, porém, os resultados mostraram que estão mais próximos ao Nível 3, isto é, dentro de uma ideia de interdisciplinaridade, como na fala do Alex Karev, abaixo:

A princípio eu penso em interdisciplinaridade como uma atividade que são realizadas em conjunto, aonde várias áreas estão sendo trabalhadas ao mesmo tempo, sem distinção de conteúdo. Então quando eu tô pensando em algo interdisciplinar, a caixinha Física, Química, Biologia, ela perde o sentido. Ela então mistura tudo dentro de um caldeirão e mexe; todo mundo mexe no caldeirão . (Alex Karev, grifo nosso).

Na citação do professor Alex Karev, acima, podemos inferir que seu pensamento se aproxima do Nível 3, pois como ele mesmo afirma 'várias áreas estão sendo trabalhadas ao mesmo tempo'. Assim, entendemos, por essa citação, que as salas de aulas tenderiam a se fundir, ou seja, as fronteiras seriam rompidas, demonstrando uma característica interdisciplinar. Quando ele relata sobre as caixinhas nos remete à crítica levantada pela Ivani Fazenda (2002) em relação à fragmentação do conteúdo, e consequentemente, a aprendizagem do aluno.

Para professora Miranda Bailey, na citação abaixo, a interdisciplinaridade seria dois professores trabalhando juntos na mesma sala agregando o conhecimento um do outro. Nessa perspectiva o seu conceito de interdisciplinaridade está mais próximo do Nível 3, pois pressupõe um rompimento das barreiras físicas ao estarem concomitantemente desenvolvendo as mesmas atividades. Contudo, o fato dela entender que um não deveria tratar do conhecimento que o outro sabe e somente oferecer como auxílio durante a aula nos leva a interpretar que tal pensamento está mais próximo do Nível 2, pois as barreiras físicas até foram suprimidas, mas não as barreiras disciplinares.

Interdisciplinaridade seria dois professores trabalharem juntos numa mesma sala , um auxiliando o conhecimento do outro, e não um professor falando o que o outro sabe. Então, seria um auxílio e não um saber pelo outro . (Miranda Bailey, grifo nisso).

O professor George O'Malley, na sua fala abaixo, afirma que as duas disciplinas devem caminhar juntas, assim como dois nadadores em raias diferentes dentro de uma mesma piscina, lado a lado. Porém, nessa mesma citação, ele diz que em algum momento essas raias podem se vir a se fundir, mas não indefinidamente, pois voltaria a seguir cada um no seu percurso. Em nosso entendimento, a sua concepção está no Nível 1, pois as disciplinas estão justapostas. Porém, quando ele diz que as raias em algum momento 'se enroscam', esse pensamento se aproxima do Nível 2, pois nesse momento haverá troca de informações. Após essa interseção ambas voltam a trabalhar paralelamente, seguindo seu percurso de forma distinta. Assim, entendemos que a interdisciplinaridade, para este professor, está no Nível 1 caminhando para o Nível 2.

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Essa é a ideia que nós temos atualmente, se tivesse interdisciplinaridade entre duas disciplinas seria necessário que, em que pelo menos um momento não, em todos, isso é importante, que em pelo menos um momento durante esse percurso, essas raias tem que se enroscar . Mas, elas podem depois seguir seus caminhos de forma separada. A interdisciplinaridade efetiva, melhor, seria aquela que você fizesse que esses momentos em que esses dois professores fossem muito frequentes , ou seja, se tivesse vários nós entre as raias da piscina. (George O'Malley, grifo nosso).

Considerando as análises realizadas pelas respostas dos professores de Física entrevistados, entendemos que suas ideias parecem seguir próximo do Nível 2 proposto pela Olga Pombo (2005), exceto no caso do professor Alex Karev, que parece ter uma concepção mais próxima do que seja a interdisciplinaridade (Nível 3). Nesse sentido, o grupo de professores de Física também estariam em direção à interdisciplinaridade, conforme proposto por Ivani Fazenda (2002).

## Considerações Finais

Entendemos que é difícil pensar no estabelecimento da interdisciplinaridade dentro do contexto escolar, uma vez que tal façanha implicaria em uma reestruturação não apenas de postura acadêmica, mas também de organização do currículo escolar, quiçá da estrutura física da escola. Entretanto, tê-la como um norte é fundamental para que possamos pensar formas de superar o engessamento do ensino nas suas estruturas disciplinares, pois, acreditar que o aluno unificará os conhecimentos fragmentados é tão utópico quanto pensar na transdisciplinaridade.

Não pretendemos com isso advogar que o aspecto disciplinar seja abandonado, pelo contrário, ele é fundamental para que haja a interdisciplinaridade, como está na definição da própria Olga Pombo (2005). Contudo, é imprescindível que nossa postura deva mudar para que possamos fazer com que as disciplinas estejam no Nível 2 (multidisciplinaridade) com o indicativo para o Nível 3 (interdisciplinaridade), e assim, minimizar o problema da fragmentação do conteúdo.

Vimos que os professores de Física, em geral, apresentaram ideias que se aproximam do Nível 2, dentro daquilo que foi proposto por Olga Pombo (2005), ou seja, estão mais próximos da ideia de multidisciplinaridade ou pluridisciplinaridade, que é um caminho importante para a interdisciplinaridade, conforme destacado por Ivani Fazenda (2002). Contudo, como pode ser acompanhado na fala da professora Miranda Bailey e do professor George O'Malley, parece haver uma preocupação em continuar o seu conteúdo, manter a sua disciplina de forma isolada, ou seja, apesar de estar no Nível 2, o sentido da seta parece estar apontado mais para o Nível 1 do que para o Nível 3, com a exceção do professor Alex Karev.

Em contrapartida, os professores da Educação Física demonstraram mais coesão em suas ideias, que também entendemos estar no Nível 2. Porém, ao contrário dos professores de Física eles demonstraram, por meio de suas respostas, ter o sentido da seta apontado para o Nível 3, isto é, em direção à interdisciplinaridade, em nosso entendimento.

Não é possível saber se as áreas de formação e a característica do conteúdo a ser abordado pelas áreas nas disciplinas tem um fator importante nos indicativos de interdisciplinaridade apontados acima. Porém, a natureza do trabalho desenvolvido

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pelo professor de Educação Física nos parece favorecer a perspectiva interdisciplinar. Contudo, isso teria que ser avaliado.

Muitos dos professores apresentaram domínio ao falar sobre multidisciplinaridade durante as entrevistas. Acreditamos que isso aconteça por terem vivenciado projetos com essa característica. Muitos relataram que já praticam, ou tentam praticar, esse tipo de perspectiva nas suas aulas. Porém, raramente há interação com outro professor, ou com outra disciplina. Eles relataram que acham mais fácil trabalhar com a multidisciplinaridade do que a interdisciplinaridade, principalmente por causa da estrutura escolar.

Também é importante destacar que todos os professores afirmaram que unir as duas áreas traria benefícios para os alunos, visto que eles gostam mais da dinâmica de campo, do contato direto com outras pessoas, além de outros fatores. Então, podemos concluir que a interdisciplinaridade poderia ser uma boa forma de contextualização para os alunos, seja do ponto de vista dos conceitos de Física, seja da interrelação dos esportes trabalhados na Educação Física com outras áreas de conhecimento.

## Referências

BRASIL. Lei Federal n.º 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 . Lei que altera a LDB/1996 e implementa a Base Nacional Comum Curricular e os itinerários formativos no ensino médio. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2017.

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LUDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. A. D. Pesquisa em educação : abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4091392/mod\_resource/content/1/Lud\_And\_ cap3.pdf. Acesso em: 04 set. 2020.

MORAES, Roque; GALIAZZI, Maria do Carmo. Análise textual discursiva . 3. ed. rev. ampl. Injuí: Ed. Unijuí, 2016.

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