RELATÓRIOS DE FÍSICA EXPERIMENTAL NO CONTEXTO DA TAXONOMIA DE BLOOM
Barbara Taroco Marocco, Bruno Gonçalves, Bruno Ferreira Rizzuti
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 20/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## RELATÓRIOS DE FÍSICA EXPERIMENTAL NO CONTEXTO DA TAXONOMIA DE BLOOM
## Bárbara Taroco Marocco 1 , Bruno Gonçalves 2 , Bruno Ferreira Rizzuti³
1 MNPEF - Polo 24 UFJF/IF Sudeste MG, barbara3marocco@gmail.com 2 IF Sudeste MG - Campus Juiz de Fora, bruno.goncalves@ifsudestemg.edu.br 3 Universidade Federal de Juiz de Fora, brunorizzuti@ice.ufjf.br
## Resumo
A Taxonomia de Bloom é um instrumento que facilita a identificação e o apontamento dos objetivos necessários para a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo. A mesma consiste em uma hierarquia entre os objetivos que correspondem ao nível de desenvolvimento cognitivo do aluno, onde, para alcançar uma nova categoria mais complexa, é necessário que tenha obtido desempenho na categoria mais simples. A classificação da categoria alcançada pela questão é feita com base em lista de verbos, pré-estabelecidos, que guiam o nível e o objetivo da questão de forma hierárquica. A partir desse instrumento foi desenvolvido um novo método de execução dos relatórios das disciplinas de Física Experimental, buscando auxiliar no processo de aprendizado. Estes relatórios, usam perguntas estruturadas de acordo com Taxonomia de Bloom, obedecendo os níveis hierárquicos da taxonomia revisada. Com essas perguntas, buscamos facilitar a identificação do aluno nos objetivos da questão e o que o professor quer extrair do dele, estimulando o aluno e consequentemente fazendo que atinja níveis mais complexos de desenvolvimento cognitivo. Além disso, o produto facilita o processo de avaliação do professor, pois facilita a identificação das lacunas de aprendizagem e com isso auxilia nesse desenvolvimento.
Palavras-chave : Relatórios; Taxonomia de Bloom; Física Experimental.
## Introdução
Nos cursos de licenciatura em física as disciplinas de física experimental fazem parte do currículo obrigatório do curso, além disso permitem um melhor entendimento do conteúdo teórico e facilitam o processo de ensino-aprendizagem, permitindo a reflexão e a visualização prática de conceitos abordados nas aulas teóricas.
De maneira geral as aulas experimentais, em sua grande maioria, seguem as mesmas características. Sendo inicialmente disponibilizado um roteiro previamente elaborado pelo professor, ou proposto pelo fabricante do experimento, que será seguido durante a execução do mesmo, o experimento será realizado de acordo com o roteiro, afim de coletar dados e fazer medidas, posteriormente estes dados coletados serão usados para realizar cálculos e então será produzido um relatório. Relatório esse que também segue um padrão previamente estabelecido, cujo intuito dos cálculos é verificar se os valores obtidos experimentalmente condizem com o valor teórico.
- O foco do produto educacional apresentado é a na etapa de construção do relatório da atividade experimental. Tradicionalmente os dados experimentais são coletados na aula e posteriormente tratados para a confecção de um relatório, na construção do relatório, como já mencionado, segue-se uma estrutura padrão
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
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constituída de introdução teórica, materiais e métodos experimentais, dados experimentais, cálculos, análise de dados e conclusão.
Entretanto esse padrão é uma problemática já vem sendo retratada na literatura, visto que esse foco na estruturação e confecção do relatório segundo o modelo padrão, passa a consumir mais o tempo do aluno do que o que de fato importa numa disciplina experimental que é analisar os dados obtidos e o mais importante, interpretar os dados e compreender a teoria por trás dele.
As atividades de coleta de dados e os cálculos para obter respostas esperadas consomem muito ou todo o tempo disponível. Com isso, os estudantes dedicam pouco tempo à análise e interpretação dos resultados e do próprio significado da atividade realizada. (Borges, 2002. p.296).
Pensando nessas problemáticas foi confeccionado um produto educacional que se trata de um novo método de confecção de relatórios e avalição de disciplinas experimentais. Este produto educacional é composto por uma sequência de perguntas pensadas e organizadas de forma estratégica cujos objetivos são traçados com base no nível hierárquico proposto pela Taxonomia de Bloom.
O diferencial dessa ferramenta é que através dela, os alunos serão instigados por meio de uma sequência de perguntas, estruturadas com base nas categorias de desenvolvimento cognitivo da taxonomia de Bloom, a analisar de forma crítica os motivos de um determinado experimento ter ou não resultados próximos aos previstos pela teoria e não apenas verificar se correspondem ou não com o valor teórico durante a aula.
Os professores podem planejar suas aulas e avaliações de aprendizagem integrando a tecnologia moderna com a Taxonomia de Bloom. Isto não só permite aos alunos expectativas mais claras, mas também dá ao educador um método de avaliação do trabalho do estudante, menos sujeito a vieses. Talvez, o mais notável na taxonomia de Bloom, é que ela permite ao professor se diferenciar para as necessidades específicas de cada aluno, exprimindo os mesmos conceitos em diferentes níveis da hierarquia. (Galhardi, 2013. p. 238)
Além do diferencial citado, no corpo do relatório existem dicas de estudo e de preenchimento do mesmo, para auxiliar o aluno na execução da atividade e também durante a aula experimental. Existem também campos direcionados à coleta dos dados de interesse, por final existe um espaço para inserção de fotos do sistema experimental, onde o aluno coloca a foto do próprio experimento no momento em que foi realizado, aproximando o relatório à vivência do aluno na atividade e permitindo que ao revisitar as fotos possa observar algum detalhe que não tenha notado no momento do experimento.
Os relatórios baseados na taxonomia de Bloom permitem que o aluno construa gradualmente o entendimento do experimento e do conteúdo pertinente a ele a cada pergunta respondida, além de ser também um facilitador para o professor na avaliação da disciplina.
## A Taxonomia de Bloom no Produto Educacional
A Taxonomia de Bloom é um instrumento utilizado para apontar os objetivos de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo do aluno, objetivos esses que são
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hierarquizados com base no nível de desenvolvimento cognitivo. Para que um conceito mais complexo seja entendido é necessário que haja a o entendimento de conceitos mais simples, afim de ir estruturando a construção do conhecimento.
A classificação da categoria de desenvolvimento alcançada é feita com base em lista de verbos (Tabela 01), pré-estabelecidos, que guiam o nível e o objetivo da questão. A taxonomia de Bloom revisada é uma reformulação da taxonomia original, onde o conhecimento vai ser estruturado de forma bidimensional, passando a considerar a dimensão do conhecimento e a dimensão do processo cognitivo. Na taxonomia revisada ainda foram mantidos os seis hierárquico, entretanto podendo ter interpolação nas categorias, visto que determinados conteúdos podem ser mais fáceis de serem assimilados a partir do estímulo pertencente a uma mais complexa.
Tabela 01: Categorias da taxonomia de Bloom
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Baseados nestas categorias, a proposta dos relatórios visa estruturar a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo do aluno de acordo com as seis categorias da Taxonomia de Bloom.
As perguntas existentes a cada relatório produzido são pensadas de acordo com o objetivo de cada experimento (Tabela 02), sendo elaboradas de forma a extrair do aluno os verdadeiros objetivos da análise do experimento, focando na interpretação do fenômeno físico e promovendo um desenvolvimento cognitivo, já que há uma construção de conhecimento a cada pergunta respondida.
Tabela 02: Estruturação das perguntas nos relatórios
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Com o produto buscamos facilitar o processo de aprendizagem bem como a avaliação do professor, pois segundo Ferraz, Belhot (2010) das vantagens de se aplicar a Taxonomia de Bloom, podemos ressaltar:
- · Oferecer a base para o desenvolvimento de instrumentos de avaliação e utilização de estratégias diferenciadas para facilitar, avaliar e estimular o desempenho dos alunos em diferentes níveis de aquisição de conhecimento;
- · Estimular os educadores a auxiliarem seus discentes, de forma estruturada e consciente, a adquirirem competências específicas a partir da percepção da necessidade de dominar habilidades mais simples (fatos) para, posteriormente, dominar as mais complexas (conceitos).
Além dessas vantagens acreditamos que tal instrumento possa proporcionar um diagnóstico mais preciso das lacunas de aprendizagem do aluno, pois será possível identificar em qual nível de aprendizagem o aluno se encontra e com isso o professor pode saber onde é possível fazer um reforço do conteúdo.
Foram confeccionados relatórios destinados a cada experimento da disciplina de Física Experimental II do IF Sudeste MG. Apesar do foco deste resumo ser uma descrição geral dos relatórios, é possível acessá-los, para conhece-los de forma mais profunda, por meio deste link: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1JKV5APokRJ9YbiPurPrrcR8KHOcpWtta
## Aplicação
O produto está sendo aplicado em turmas de Física Experimental, com o público alvo de alunos de licenciatura em física, que serão futuros professores da disciplina.
A dinâmica da aula consiste uma aula revisando a teoria presente no experimento, onde são recapitulados os conceitos teóricos e expostos os fenômenos
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que serão observados, essa breve exposição já é direcionada aos fenômenos abordados pelo experimento, será feita também a apresentação do roteiro experimental.
Após revisão dos conteúdos os alunos, serão divididos em grupos e irão montar os equipamentos e receber os produto educacional, onde uma parte dele já deverá ser realizada durante a execução do experimento, como a previsão de fenômenos, medidas e coletas de dados, e descrição do experimento.
A partir dos dados coletados e dos fenômenos observados, irão responder as questões de tratamento de dados e análise dos fenômenos físicos, lembrando que toda essa análise será guiada de forma a construir gradualmente o conhecimento do aluno, tendo um prazo de aproximadamente cinco dias para realizar a entrega do relatório pronto.
Essa entrega é feita por meio de um arquivo digitalizado que será enviado para o professor, a partir deste arquivo em o professor irá fazer a correção, essa correção é feita de forma minuciosa, onde a cada questão será elaborado um retorno para o aluno, com apontamentos, questionamentos e sugestões para um melhor desenvolvimento da questão.
Após o retorno o aluno terá a oportunidade de conversar com o professor, fazer perguntas da correção e o professor irá poder auxiliar o alunos nas possíveis lacunas de aprendizagem, além disso poderá ter a oportunidade de refazer o relatório a partir das correções do professor.
Com essas etapas, é esperado que o produto possa contribuir para um melhor entendimento dos experimentos realizados em aula, à medida que o aluno responde às perguntas. Visto que, baseado no que é proposto pela Taxonomia de Bloom, ao ir construindo o conhecimento o aluno consegue ter um melhor entendimento do conteúdo como todo, podendo contribuir para o desenvolvimento cognitivo do aluno. Além disso será possível que o professor faça um diagnóstico de qual nível de conhecimento o aluno ainda não alcançou, podendo encontrar novos recursos para que esse nível seja alcançado.
## Resultados
Durante as aplicações buscamos observar que o relatório promove um estímulo na participação dos alunos nas aulas, por meio de questionamentos, para que busquem obter embasamento para a construção do conhecimento necessário para responder cada uma das perguntas.
Buscamos também despertar o interesse dos alunos por meio da conversa com o professor após a correção, focando em orientá-los sobre os possíveis erros e como contorná-los da melhor forma possível, para que não seja reincidente.
Outra característica que acreditamos que seja possível de encontrar na etapa das correções é observar uma evolução durante cada relatório, observando uma evolução na construção de respostas dos níveis mais altos, se compararmos os primeiros relatórios com os finais, como é feito na Tabela 03.
Tabela 03: Comparativo dos dois primeiros relatórios da disciplina com os dois últimos relatórios, de um mesmo grupo de alunos em questões de nível 6 (criar).
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Com as respostas podemos observar que os alunos tiveram um amadurecimento nas respostas, visto que inicialmente era possível observar que não criavam uma alternativa, ou não entendiam o experimento. Posteriormente, observamos que esses passaram a buscar alternativas mais criativas para solucionar a questão proposta.
Notamos também que há um aperfeiçoamento das respostas no decorrer dos relatórios, uma vez que os alunos passam a buscar conceitos de física para estruturar as respostas, e aplicam tais conceitos de forma mais assertiva, transparecendo um desenvolvimento do conhecimento adquirido.
## Referências
BORGES, Antônio Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de ensino de Física, v. 19, n. 3, p. 291-313, 2002.
DE JESUS, Elieser Ademir; RAABE, André Luis Alice. Interpretaçoes da taxonomia de bloom no contexto da programaçao introdutória. In: Brazilian symposium on computers in education (simpósio brasileiro de informática na educação-sbie). 2009.
FERRAZ, Ana Paula do Carmo Marcheti; BELHOT, Renato Vairo. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Gestão & produção , v. 17, p. 421-431, 2010.
GALHARDI, Antonio César Azevedo; MACORIN, Marília. Avaliações de aprendizagem: o uso da taxonomia de Bloom. 2013.
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