Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ESTUDO CORRELACIONAL QUANTITATIVO ENTRE A APRENDIZAGEM DA FÍSICA COM A LÍNGUA PORTUGUESA E A MATEMÁTICA.

Rogerio Ferreira Da Costa, Cecília Avelar Dos Prazeres, Maria Francisca Da Cunha, Luciano Feliciano De Lima, Mariana Da Silva Godinho, Ligia Maria Basso Almeida, Marcelo Henrique Belonsi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
20/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## ESTUDO CORRELACIONAL QUANTITATIVO ENTRE A APRENDIZAGEM DA FÍSICA COM A LÍNGUA PORTUGUESA E A MATEMÁTICA

Rogério Ferreira da Costa 1 , Cecília Avelar dosPrazeres 2 , Mariana da Silva Godinho 3 , Maria Francisca da Cunha 4 , Luciano Feliciano de Lima 5 , Marcelo Henrique Belonsi 6 , Lígia Maria Basso Almeida 7

1 Universidade Estadual de Goiás Câmpus Sul - Morrinhos - e-mail: rogerio.costa@ueg.br 2 Universidade Estadual de Goiás Câmpus Sul - Morrinhos - e-mail:cecilia.a.avelar@gmail.com 3 SecretariaEstadual de Educação de Goiás - e-mail:marrygodinho@yahoo.com.br 4 Universidade Estadual de Goiás Câmpus Sul - Morrinhos - e-mail: maria.cunha@ueg.br 5 Universidade Estadual de Goiás Câmpus Sul - Morrinhos - e-mail:luciano.lima@ueg.br 6 Universidade Estadual de Goiás Câmpus Sul - Morrinhos - e-mail: marceloberlonsi@ueg.br 7 Secretaria Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia - e-mail: prosperidade02@gmail.com

## Resumo

O ensino da Física no Brasil é um grande desafio, pois as condições de trabalho do professor para a realização de suas aulas não são ideais, o que contribui para o elevado número de reprovados. É indispensável incentivar os jovens a se interessarem pela ciência, já que uma formação inadequada coloca em risco o crescimento do país. Com essa preocupação iniciamos as atividades deste trabalho, a partir da leitura de artigos científicos sobre quais conhecimentos seriam necessários para a melhor compressão dos conteúdos da Física. Estudos realizados mostraram que a Língua Portuguesa e a Matemática são as principais causas das dificuldades do ensino-aprendizagem dessa disciplina. No entanto, esses trabalhos não determinavam a força e nem a existência de correlação entre as variáveis e se suas diferenças estatísticas eram significativas. Então esta pesquisa visou quantificar a relação entre essas variáveis através de regressão linear simples e múltipla, comprovando a existência dos modelos por meio de teste de hipótese. Pelos resultados verificou-se que o coeficiente de determinação aumentou no 2º bimestre em todos os cenários analisados e a Matemática teve maior correlação com a Física do que a Língua Portuguesa. O que pode ser explicado pelo caráter quantitativo das avaliações da disciplina de Física. Com relação à regressão múltipla ela foi relevante apenas no 2º bimestre para o 1º ano B, onde o coeficiente de determinação foi igual a 60%. Assim concluímos que quanto mais complexo é o conteúdo ministrado maiores são as correlações, isto é maior será a dependência da Física com relação à Língua Portuguesa e a Matemática.

Palavras-chave: Correlação, Aprendizagem, Física.

## 1. INTRODUÇÃO

A Física é a ciência que estuda os fenômenos da natureza, e faz interface com várias disciplinas como a Química e a Matemática, mas há com a segunda uma proximidade, que possibilita afirmar que o desenvolvimento do aluno em ciências tem forte relação com a Matemática (Silva et al. , 2017; Pietrocola, 2002). É comum ouvir dos professores que seus alunos não entendem a Física, devido à falta de base em ciências exatas. O que para muitos é a garantia de sucesso (Pietrocola, 2002) ou principal causa do fracasso escolar (Silva et al ., 2017). No entanto há quem divirja deste pensamento e acredita que o problema é mais complexo e deve depender de outras variáveis (Pietrocola, 2002) como, por exemplo, o hábito da leitura e interpretação de texto. Para Almeida e Ricon (1993), o uso de textos de divulgação científica nas aulas de Física ajuda a desenvolver o interesse pela leitura, estabelecendo uma relação entre a ciência com outras áreas do conhecimento. No

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

entanto, há de se considerar que muitos alunos não possuem hábitos de leitura, e assim é papel da escola incentivá-los (Setlik & Higa, 2014).

A dificuldade na interpretação dos textos traz dois problemas. O primeiro deles diz respeito ao baixo desempenho escolar, o que tem como consequência direta a falta de estímulo em aprender ciência. O segundo problema, diz respeito à compreensão inadequada do arcabouço de conhecimentos teóricos dos conteúdos estudados (Araujo et al ., 2019). Os alunos que apresentam baixo desempenho em atividades que envolvam interpretação necessitam de apoio para fazer a ligação entre o que está escrito e o sentido que o mesmo deve adotar para a contextualização das palavras atingindo assim a compreensão. Ao que se refere à resolução de problemas, a leitura e interpretação de textos são fundamentais, pois estão relacionadas ao raciocínio lógico (Corso & Dornelles, 2015).

De acordo com Araújo et al ., (2019) a fragilidade linguística está presente no ensino da Física e é mais um obstáculo a ser superado pelos docentes, discentes e a sociedade, desse. Desse modo, o ensino de Física tem sido um desafio para professores e pesquisadores. As dificuldades enfrentadas nessa situação têm sido tema de discussões em vários eventos no Brasil e no mundo (Rosa & Rosa, 2007). Assim neste trabalho, buscou-se verificar através da correlação e regressão simples e múltipla se alunos que possuem um melhor desempenho em Matemática e Língua Portuguesa possui as melhores notas na disciplina de Física. Além disso, procurouse inferir se há outras variáveis ocultas ao modelo que possam ser importantes no processo de ensino-aprendizagem dessa disciplina.

## 2. METODOLOGIA

As atividades apresentadas neste trabalho foram iniciadas a partir da leitura de artigos científicos sobre quais conhecimentos seriam necessários para a melhor compressão dos conteúdos da disciplina de Física. Estudos realizados por vários pesquisadores (Pietrocola, 2002; Araujo et al ., 2019; Silva et al ., 2017) mostraram que a Língua Portuguesa e a Matemática eram apontadas como uma das causas das dificuldades do ensino aprendizagem da Física, no entanto todas as pesquisas realizadas eram qualitativas e não determinavam a força e nem a existência de correlação entre as variáveis. A fim de obtermos a correlação e a regressão linear dessas variáveis procurou-se estabelecer contato com escolas da rede estadual de ensino de Goiânia - GO para obtenção de notas das avaliações do 1º e 2º bimestre de 2021 do 1º ano A e 1º ano B do ensino médio - matutino das disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Física e os arquivos nos foram disponibilizados. De posse das notas das avaliações os dados foram tabulados e os cálculos da correlação e os gráficos de regressão linear simples e múltipla pelo método dos mínimos quadrados foram realizados e analisados, além disso, o teste de hipótese t-student foi aplicado para verificar a existência do modelo de regressão (Levin, 1987).

## 3. RESULTADOS

## 3.1. Correlação e regressão linear simples e teste de hipóteses

Nas figuras 1a e 1b têm o coeficiente de determinação (R 2 ) e a reta de regressão linear simples entre as notas de Física e Língua Portuguesa (LP) e as notas de Física (F) e Matemática (M) do 1º bimestre para a turma do 1º ano A.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Figura 2: Coeficiente de determinação e a reta de regressão linear da: (a) Física e Língua Portuguesa do 1º A - 2º bimestre e (b) Física e Matemática do 1º A - 2º bimestre.

<!-- image -->

<!-- image -->

11

Figura 1: Coeficiente de determinação e a reta de regressão linear da: (a) Física e Língua Portuguesa do 1º A - 1º bimestre e (b) Física e Matemática do 1º A - 1º bimestre.

Pela figura 1a observou-se um baixo coeficiente de inclinação da reta, isto é, as variáveis apresentaram pouca dependência entre elas e o cálculo da correlação corrobora com essa análise, já que seu valor foi de 0,146 e valores inferiores a 0,3 são considerados inexistentes de correlação (Levin, 1 987). Isso pode estar relacionado ao fato que no 1º bimestre os conteúdos são menos dependentes de interpretação de texto como, por exemplo: conceitos básicos de cinemática, sistemas e transformações de unidades, além disso, o teste de hipótese mostrou que o modelo não existe, pois o Tcalculado (= 0,79) foi menor que o Tcrítico(= 2,98).

Pela análise do R 2 na figura 1b verificou-se que 22,83% das variações observadas nas notas de Física podem ser explicadas pelas variações das notas de Matemática. A correlação foi de 0,48 e valores entre 0,3 e 0,5 são considerados fracos (Levin, 1987), então, é possível dizer que, apesar do conhecimento matemático não ser significativo, ele aparentou ser mais relevante que o da Língua Portuguesa para o melhor desempenho do aluno na disciplina de Física. O que pode ser explicado pelo fato que no 1º bimestre o conteúdo abordado exige do aluno mais conhecimento em cálculos matemáticos do que interpretação de texto. O que pode ter assegurado uma maior correlação entre a Física e a Matemática. O t-student mostrou que o modelo existe, pois, o Tcalculado (= 2,98) foi maior que o Tcrítico(= 2,04). No entanto é fraco para realizar previsões do desempenho dos alunos em Física.

Nas figuras 2a e 2b têm as informações relativas ao R 2 e da regressão linear das notas de Física com a Língua Portuguesa e Matemática do 1ºA - 2º bimestre.

<!-- image -->

<!-- image -->

11

Na figura 2a observou-se o baixo R 2 e por isso podemos dizer que o conhecimento em Língua Portuguesa pouco influenciou o aprendizado do aluno na Física para o 2º bimestre para o 1º ano A. No entanto, o R 2 foi quatro vezes maior que no 1º bimestre, o que indica uma maior dependência entre as varáveis na 2º avaliação. E isso pode estar relacionado de que os tópicos de Física no 2º bimestre

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

apresentarem uma maior complexidade no que diz respeito à interpretação de texto, isto é, à medida que se aprofunda nos estudos da Física uma leitura mais crítica se torna necessária (Araujo et al ., 2019), e por isso, essas deficiências se manifestam e afetam desempenho do discente. O t-student foi aplicado e mostrou que o modelo não existe, pois, o Tcalculado(= 1,84) foi menor que o Tcrítico (= 2,04).

A figura 2b mostrou pelo R 2 que 50,85% das variações observadas nas notas de Física podem ser explicadas pelas notas de Matemática. A correlação foi de 0,71 e valores entre 0,7 e 0,9 são considerados de correlação forte (Levin, 19987), então, neste caso, uma melhor compreensão da Física pode estar relacionada a um bom desempenho em Matemática (Silva et al ., 2017). Além disso, o aumento da correlação deve ter relação com os conteúdos abordados de movimento retilíneo uniformemente variado (MRUV), queda livre e vetores que exigem habilidade do aluno em resolver problemas mais complexos, pois, a solução envolve uma gama de conhecimentos matemáticos que são adquiridos no ensino fundamental. Pelo t-student verificou-se que o modelo existe, pois, o Tcalculado (= 31,53) foi maior que o Tcrítico (= 2,04) e é bom para realizar previsões do desempenho dos alunos em Física.

Os resultados do R 2 e da regressão linear entre as notas de Física com a Língua Portuguesa e Matemática do1º B - 1º bimestre estão nas figuras 3a e 3b.

Figura 3: Coeficiente de determinação e a reta de regressão linear da: (a) Física e Língua Portuguesa do 1º B - 1º bimestre e (b) Física e Matemática do 1º B - 1º bimestre.

<!-- image -->

<!-- image -->

11

A figura 3a mostra a inclinação da reta de regressão linear e seu R 2 entre as notas de Física e Língua Portuguesa. Pelo R 2 verificou-se que as variações observadas nas notas de Física foram explicadas em 32,71% pelas notas de Língua Portuguesa. A correlação foi de 0,58 e valores entre 0,5 e 0,7 são considerados medianos (Levin, 19987), então, é possível dizer que o conhecimento em Língua Portuguesa melhorou o aprendizado do aluno em Física para o 1º bimestre do 1º B. Esse resultado mostra que o conhecimento em Língua Portuguesa também é um fator importante na aprendizagem da Física (Pietrocola, 2002). O teste de hipóteses foi aplicado e confirmou que o coeficiente de inclinação da reta é diferente de zero e por isso o modelo de regressão linear existe, pois, o Tcalculado (= 4,07) é maior que Tcrítico (= 2,04) e deve ser considerado bom para realizar previsões do desempenho dos alunos em Física a partir das notas de Língua Portuguesa.

O R 2 na figura 3b mostrou que as variações observadas nas notas de Matemática explicam 29,4% das variações das notas da Física. A correlação de 0,54 foi considerada média. Assim o desempenho matemático do aluno não foi o único fator envolvido na aprendizagem da disciplina de Física (Pietrocola, 2002). Para determinar a existência do modelo de regressão linear o teste t-student foi aplicado e mostrou que o modelo existe, pois, o Tcalculado(= 3,77) é maior que o Tcrítico (= 2,04) e pode ser utilizado para realizar previsões do desempenho dos alunos em Física.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Os resultados das análises estatísticas que medem o R 2 e determinam a regressão linear para as notas de Física, Língua Portuguesa e Matemática para o 2º bimestre da turma do 1º ano B podem ser observados na figura 4 a e 4 b.

Figura 4 : Coeficiente de determinação e a reta de regressão linear da: (a) Física e Língua Portuguesa do 1º B - 2 o bimestre e (b) Física e Matemática do 1º B - 2 bimestre. o

<!-- image -->

<!-- image -->

11

A inclinação da reta e seu R 2 das notas de Física e Matemática, pode ser vista na figura 4a. O R 2 mostrou que as variações observadas nas notas de Física podem ser explicadas pelas variações das notas de Língua Portuguesa em 45,70%. O coeficiente de correlação observado foi de 0,68 e valores entre 0,5 e 0,7 são considerados medianos (Levin, 19987), então, é possível dizer que o melhor desempenho em Língua Portuguesa contribuiu para um melhor aprendizado do aluno na Física no 2º bimestre para o 1ºB, e se mostrou mais relevante que no 1º bimestre, já que houve um aumento significativo do R 2 .

A razão desse aumento pode estar na complexidade dos enunciados dos problemas que envolvem análises gráficas e o estudo do movimento com velocidade variável. O que exige uma melhor interpretação dos enunciados dos exercícios (Bittencourt, 2017; Araújo, 2019) em relação ao 1º bimestre. O teste de hipóteses foi aplicado e mostrou que o modelo de regressão linear existe, pois, o Tcalculado(= 5,27) é maior que o Tcrítico (= 2,05) e deve ser considerado bom para realizar previsões do desempenho dos alunos em Física a partir das notas da disciplina de Língua Portuguesa para o 1º ano B.

A figura 4b traz as informações da correlação e regressão linear simples entre as notas de Física e Matemática do 2º bimestre para a turma do 1º ano B. Os resultados mostraram que o R 2 foi 47,19% e a correlação 0,69. Assim a correlação se encontra na faixa limiar entre média e forte, então, podemos afirmar que a Matemática foi importante, para que o aluno tenha um bom desempenho na física. Além disso, foi possível verificar ainda na figura 4b que o conhecimento matemático foi mais relevante para os alunos no 2º bimestre do que no 1º bimestre.

O conteúdo da física no 2º bimestre requer um maior conhecimento de construção e análise de gráficos de 1º e 2º grau e soluções matemáticas de problemas mais complexos. O desenvolvimento do aluno em Física tem forte relação com a Matemática (Gomes et al. , 2017), por isso, para muitos pesquisadores e professores uma boa base Matemática nos anos que antecedem o ensino da disciplina aumentam as chances de sucesso no aprendizado (Pietrocola, 2002). Para confirmar a existência do modelo de regressão linear se fez necessário aplicar o teste de hipóteses e os resultados mostraram que o modelo de regressão linear existe, pois, o Tcalculado (= 5,43) é maior que o Tcrítico (= 2,05). Então o modelo estatístico foi capaz de confirmar que alunos do 1º B que tiveram um melhor desempenho em Matemática alcançaram mais êxito na disciplina de Física.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## 3.2. Análise bivariada

As análises bivariadas foram realizadas, já que uma alta correlação entre as variáveis Língua Portuguesa e a Matemática pode atrapalhar isoladamente a interpretação da influência das mesmas sobre o desempenho do aluno em Física (James et al ., 2017), uma vez que elas podem estar associadas. Assim verificou-se a correlação entre elas utilizando o VIF (Fator de Inflação da Variância) que mede a colinearidade das variáveis independentes. Os cálculos mostraram uma correlação de 0,543, 0,521 e 0,548 para o 1º A - 1º bimestre, 1º A - 2º bimestre e 1º B - 2º bimestre, respectivamente, mas para as notas da turma do 1º B - 1º bimestre ela se mostrou forte (R = 0,713). O teste de hipótese para as notas do 1º A - 1º bimestre e 1º B - 2º bimestre apresentou p-valor superior de 5,130% e 27,518%, assim hipótese nula foi aceita, já para o 1º A - 2º bimestre e 1º B - 2º bimestre o p-valor foi inferior a 5% e a hipótese nula foi descartada, com risco de se cometer o erro tipo I sendo inferior a 5%. O cálculo do VIF para a turma 1º A - 1º bimestre, 1º A - 2º bimestre e 1º B - 2º bimestre foi de 1,418, 1,372 e 1,429, respectivamente e 2,032 para 1º B - 1º bimestre. Assim verificou-se um grau mediano de colinearidade entre as varáveis notas de Língua Portuguesa e Matemática para a turma do 1º B - 1º bimestre.

## 3.3. Correlação e regressão múltipla

A correlação e a regressão múltipla são técnicas estatísticas que constroem modelos capazes de descrever de forma razoável as relações entre variáveis explicativas de um determinado processo. A diferença entre a regressão linear simples e a múltipla é que nesta são tratadas duas ou mais variáveis explicativas. Neste trabalho utilizamos as notas de Língua Portuguesa (LP) e a Matemática (M) para prever e explicar o desempenho dos alunos na disciplina de Física para as turmas do 1º ano A e B nos dois primeiros bimestres do ano letivo de 2021.A tabela 1 traz os resultados do modelo de regressão linear múltipla.

Tabela 01 : Modelo de regressão linear múltipla.

0,74 rado pelos autores. Fonte: Elabo

Na tabela 1 têm-se os valores da regressão múltipla e do teste de hipótese para a distribuição 1 o A - 1 bimestre. O coeficiente de inclinação da reta ( o  1) é pequeno e negativo o que corrobora com o fato de que a disciplina de Língua Portuguesa não contribui com um bom desempenho do aluno em Física, já o coeficiente de inclinação (  2) é positivo, o que indica de forma sutil que o aumento da nota em Matemática produz um aumento da nota de Física, além disso, o erro padrão (  ) que mostra o erro médio associado a variável resposta (F) foi o mais elevado para todos os bimestres. Pelo teste de hipótese t-student verificou-se que o p-valor para a variável Matemática foi relevante na descrição do modelo de regressão múltipla, já que, seu valor foi de 0,6%. Para a disciplina de português o valor foi de 39,2%, o que descarta essa variável como preditora do modelo. Então esse resultado corrobora com o apresentado na regressão linear simples das figuras 1a e 1b, onde a única variável relevante para prever as notas da disciplina de Física foi a Matemática. Além disso, o R 2 ajustado foi

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

menor 21% que o R 2 , essa redução indica que a Língua Portuguesa não acrescentou mais informação a regressão.

Os valores da regressão múltipla e do teste de hipótese para a distribuição do 1 o ano A - 2 o bimestre estão na tabela 1, onde o  1 é pequeno e negativo o que indica a que a Língua Portuguesa não contribuiu de forma significativa para um melhor desempenho dos alunos em Física, já o  2 é positivo e próximo da unidade, e por isso a Matemática aparenta ser uma variável mais relevante para a melhoria do desempenho dos alunos em Física. O erro padrão que mostra a diferença entre o valor esperado e o medido para esse bimestre foi quase 20% menor que o observado no 1º bimestre. O teste de hipótese mostrou que o p-valor para a variável Língua Portuguesa é irrelevante para a construção do modelo de regressão múltipla, pois seu valor foi de 60%, quando o limite máximo seria de 5%, esse resultado já tinha sido observado na regressão linear simples (figura 2a) onde o modelo mostrou fraca correlação. Por outro lado, para a variável Matemática o seu p-valor foi muito inferior ao limite estabelecido e assim ela é importante no modelo de previsão. Além disso, o R 2 ajustado foi menor que o R 2 , essa redução indica que a variável Língua Portuguesa, neste caso não foi relevante para o modelo e foi descartada.

A terceira linha da tabela 1 apresenta os resultados obtidos para a distribuição 1 o ano B - 1 o bimestre, onde os  1 e  2 de Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente, são positivos, o que indica que o melhor rendimento do aluno nessas disciplinas aumentou a nota de Física, já o associado a variável resposta foi o menor  de todos os bimestres. O teste de hipótese para a variável Língua Portuguesa e Matemática mostrou que as mesmas em conjunto não contribuíram de forma significativa com o modelo de regressão linear múltiplo, pois o p-valor foi, respectivamente, 7,5% e 18,9%. Esses resultados divergiram dos obtidos para as regressões lineares simples (figuras 3a e 3b) onde foi confirmada a existência dos modelos e as variáveis explicaram individualmente quase 33% das variações das notas de Física. Além disso, o R 2 ajustado foi menor 12% que o R 2 , essa redução indica que as variáveis não acrescentaram mais informação ao modelo.

A quarta linha da tabela 1 apresenta os resultados para a distribuição 1 B 2 o bimestre, onde os  1 e  2 para Língua Portuguesa e Matemática foram de 0,487 e 0,428, respectivamente. Isso mostrou que as variáveis contribuíram para o melhor desempenho dos alunos em Física. O teste de hipótese para a variável Língua Portuguesa e Matemática foi calculado e o p-valor foi de 0,3% e 0,2%, respectivamente. Esses resultados convergem para os resultados obtidos para as regressões lineares simples (figuras 4a e 4b) onde se comprovou a existência dos modelos e as variáveis explicaram quase 50% das variações das notas de Física. O R 2 ajustado neste caso foi 5% menor que o R 2 , essa pequena redução nos leva a concluir que as duas variáveis contribuíram com o modelo adicionando a ele informações relevantes para realizar a previsão de notas de Física.

## 4. CONCLUSÃO

Os coeficientes de determinação sempre aumentam à medida que os conteúdos da disciplina de Física se tornam mais complexos, provavelmente porque os enunciados dos problemas são mais elaborados e com mais informações, o que exige do discente uma melhor compreensão do texto para solucionar os desafios propostos nas avaliações. Em quase todos os cenários os resultados sinalizaram que

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

a Matemática venha a ser mais relevante que a Língua Portuguesa para que o aluno tenha um melhor desempenho na aprendizagem da Física e isto pode estar associado ao caráter quantitativo das avaliações de Física, que geralmente cobram mais soluções de problemas com o uso de fórmulas que explicações de fenômenos físicos onde a escrita, a leitura e a interpretação de textos são mais importantes. No entanto, para que isso possa ser confirmado, são necessárias mais pesquisas com amostras maiores, pois as amostras pequenas podem não fornecer informações suficientes sobre a população e, portanto, apresentar dificuldades em detectar diferenças entre os grupos analisados.

A regressão linear múltipla foi sutilmente melhor para realizar previsão do desempenho dos alunos apenas para 2º avaliação do 1º ano B, para as demais análises a regressão linear simples foi mais eficaz, isto possivelmente está associada a considerável autocorrelação entre as notas das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, apresentadas na avaliação do 1º ano A no 2º bimestre e 1º ano B no 1º bimestre (tabela 01). Para um bom ajuste do modelo de regressão linear múltipla as variáveis independentes Matemática e Língua Portuguesa não deveriam apresentar autocorrelação, o que não foi observado. Por fim, foi possível inferir através dos coeficientes de determinação que há variáveis ocultas envolvidas no processo e que não foram levadas em consideração no modelo matemático e que são fatores importantes para melhor entendimento da aprendizagem da Física.

## 5. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

ALMEIDA, M.J.P.M.; RICON, A.E. Divulgação científica e texto literário - uma perspectiva cultural em aulas de Física. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v. 10, n.1, p. 7-13, 1993.

ARAUJO, S. F. S.; MACÊDO, R. F.; BEZERRA, M. E. B.; ALMEIDA, N. C.; OLIVEIRA, J. V. A interpretação textual como obstáculo no ensino de física. Editora Atena, 2019.

BITTENCOURT, H. R.; VIALI, L. Contribuições para o Ensino da Distribuição Normal ou Curva de Gauss em Cursos de Graduação. III Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática.

JAMES, G.; WITTEN, D.; HASTIE, T; TIBSHIRANI, R. An Introduction to Statistical Learning. 8 o ed. Springer Science Business Media New York, 2017.

CORSO, L. V.; DORNELES, B. V. Perfil cognitivo dos alunos com dificuldades de aprendizagem na leitura e matemática. Psicologia : teoria e prática, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 185-198, 2015.

LEVIN, J. Estatística Aplicada a Ciências Humanas. 2º ed. São Paulo: Harbra, 1987.

PIETROCOLA, M. A matemática como estruturante do conhecimento físico. Cad. Cat. Ens. Fís., v.19, n.1, p.89-109, ago. 2002.

ROSA, C.W.; ROSA, A.B. A teoria histórico-cultural e o ensino da física. Revista Iberoamericana de Educación, v. 34, n . 3, p.1 - 8, mar.2004.

SETLIK, J.; HIGA, I. Leitura e produção escrita no ensino de física como meio de produção de conhecimentos, Revista Experiências em Ensino de Ciências, v. 9, n. 3, p. 83 - 95, dez.2014.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.