PROGRAMA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA E O RESGATE DO INTERESSE DOS ESTUDANTES PELA FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Katyany Silveira De Goes, Rose Milene Garcia De Medeiros, Rosana Cavalcanti Maia Santos, Michely Prestes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PROGRAMA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA E O RESGATE DO INTERESSE DOS ESTUDANTES PELA FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Katyany Silveira de Goes 1 , Rose Milene Garcia de Medeiros 2 , Michely Prestes 3 , Rosana Cavalcanti Maia Santos 4
- 1 Unipampa/Licenciatura em Física, katyanygoes.aluno@unipampa.edu.br
- 2 Unipampa/Licenciatura em Física, rosemedeiros.aluno@unipampa.edu.br
- 3 EEEM Dr. Carlos Kluwe, michelyprestes1@gmail.com
4 Unipampa/Licenciatura em Física, rosanasantos@unipampa.edu.br
Palavras-chave : Programa Residência Pedagógica; Estratégias de Ensinagem; Formação docente.
## Resumo expandido
O presente trabalho aborda algumas vivências durante a imersão no Programa Residência Pedagógica (PRP) em uma escola pública no município de Bagé/RS. O Programa Residência Pedagógica tem como finalidade 'apoiar Instituições de Ensino Superior (IES) na implementação de projetos inovadores que estimulem a articulação entre teoria e prática nos cursos de licenciatura, conduzidos em parceria com as redes públicas de educação básica' (CAPES, 2028, p. 1). O PRP oferece diversas contribuições para a formação inicial docente, articulando teoria e prática pedagógica (PACHECO; SAUERWEIN, 2022). Assim, as vivências explicitadas ocorreram no contexto do núcleo do curso de Licenciatura em Física da Unipampa/Bagé, com parceria da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Carlos Kluwe, em uma turma de 1º Ano do Ensino Médio, no primeiro semestre de 2023.
Durante o período de observação e início das atividades de regência identificou-se como principais desafios o desinteresse, a falta de motivação e de conhecimentos prévios dos estudantes. Esses aspectos já foram discutidos por pesquisadores (MOREIRA, 2021), entretanto, é notório o seu agravamento posterior a pandemia do COVID-19, onde parte do processo formativo de tais estudantes ocorreu de maneira remota.
Nesse contexto, buscou-se implementar estratégias didáticas que favorecessem o processo de aprendizagem dos estudantes, bem como o seu interesse e motivação para os conteúdos abordados: medidas, transformação de unidades e Cinemática. Assim, foi realizada uma sequência didática com onze aulas acerca dos conteúdos supracitados, a partir de algumas estratégias de ensinagem (ANASTASIOU; ALVES, 2007).
Na primeira aula realizou-se uma dinâmica lúdica denominada 'corrida do saco' no pátio da escola (figura 01), cujo objetivo foi exemplificar diferentes tipos de medidas e instrumentos. Os estudantes foram organizados em grupos e tiveram a tarefa de marcar 5 metros (com uma trena). Posteriormente, mediram o tempo que seus colegas, em sacos de lixo, percorriam a distância preestabelecida. A atividade viabilizou a experimentação em relação às medidas e seus respectivos
instrumentos, bem como, conhecimento prévio de grandezas físicas para a definição de velocidade (tema abordado posteriormente).
Figura 01: Atividade 'corrida de saco'
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Na segunda e terceira aula optou-se por uma abordagem expositiva dialogada (ANASTASIOU; ALVES, 2007) sobre a transformação de unidades. Ressalta-se que a abordagem foi escolhida porque os estudantes apresentavam muitas dúvidas sobre os procedimentos necessários para a transformação de unidades de comprimento e tempo, mesmo sendo conteúdo abordado em etapas do Ensino Fundamental. A partir dessa estratégia de ensinagem, os estudantes puderam sanar suas dúvidas e participar ativamente.
Na quarta, quinta, sexta e sétima aula utilizou-se a resolução de problemas (ANASTASIOU; ALVES, 2007) como estratégia de ensinagem. Nesses encontros os estudantes tiveram contato com problemas sobre medidas, instrumentos de medida e transformação de unidades. Essas atividades foram essenciais para que os estudantes identificassem o problema exposto, os dados explicitados, bem como os procedimentos necessários para solução do problema. Ressalta-se que no último encontro deste bloco, os estudantes realizaram um simulado, sem o auxílio das residentes.
Na oitava, nona e décima aula abordou-se os conceitos iniciais de Cinemática e, especificamente, o Movimento Retilíneo Uniforme (MRU). Novamente foi notória a dificuldade dos estudantes em compreender alguns conceitos e procedimentos para resolução de problemas. Por esse motivo, adotou-se a abordagem expositiva dialogada, bem como a resolução de problemas (ANASTASIOU; ALVES, 2007).
Para finalizar a sequência didática e avaliar o conhecimento dos estudantes acerca dos temas abordados anteriormente, foi proposto um jogo de tabuleiro 1 (figura 02) na décima primeira aula . Nessa atividade, os estudantes foram separados por grupos e os procedimentos foram os seguintes: 1) jogar o dado, 2) 'caminhar' com o seu pino a quantidade de 'casas' obtidas no dado e 3) dependendo da cor em que este pino parasse, haveria a ação deste grupo, onde: o
quadrado com fundo vermelho correspondia a resolver um problema com consulta nos seus materiais; o quadrado com fundo laranja, passava a vez; o quadrado com fundo verde, era resolução de um problema sem consulta; e o quadrado amarelo com fundo, voltava dois quadrados. A partir dessa atividade, aponta-se a importância de propostas lúdicas para desenvolver o raciocínio dos alunos, não somente buscando a diversão, e sim para que em conjunto possam auxiliar uns aos outros no processo de aprendizagem (ROLOFF, 2010).
Figura 02: Jogo de tabuleiro sobre transformação de unidades e Cinemática
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A partir das vivências no PRP foi possível estabelecer diversas relações entre a teoria e prática no contexto do ensino de Física. Inicialmente, diversos desafios foram encontrados: falta de interesse, de motivação e de conhecimentos prévios, porém, por meio da sequência didática proposta, utilizando-se estratégias de ensinagem mais 'tradicionais' e lúdicas, foi possível resgatar o interesse e participação dos estudantes para os temas abordados em sala de aula. Essa experiência proporcionou um crescimento pessoal e profissional significativo, além de permitir uma compreensão mais ampla da realidade escolar. Reconhece-se, assim, a importância do PRP para a formação e o desenvolvimento profissional, bem como para a estimulação de uma visão crítica e reflexiva sobre a prática educativa. Além disso, a partir do conhecimento inicial da turma e da continuidade das atividades no PRP, almeja-se desenvolver atividades didáticas com propostas mais inovadoras, a partir de metodologias ativas.
## Referências
ANASTASIOU, L. G. C.; ALVES, L. P. Processos de Ensinagem na Universidade : pressupostos para estratégias de trabalho em aula. 7. ed. Joinville: UNIVILLE, 2007.
CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Portaria nº 38 , de 28/02/2018. Brasília: Ministério da Educação, 2018.
MOREIRA, M. A. Desafios no ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 43, p. 1-8, 2021.
PACHECO, L. C.; SAUERWEIN, I. P. Contribuições e possibilidades da Residência Pedagógica para a formação inicial de professores de Física: um relato de experiência. Revista de Iniciação à Docência , v. 7, n. 2, p.41-55, 2022.
ROLOFF, E. M. A importância do lúdico em sala de aula. X Semana de Letras , v. 70, p. 1-9, 2010.
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