ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: DESAFIOS ENFRENTADOS POR UMA LICENCIANDA EM FÍSICA
Suélen Melissa Philippsen, Rosemar Ayres Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: DESAFIOS ENFRENTADOS POR UMA LICENCIANDA EM FÍSICA
Suélen Melissa Philippsen* 1 , Rosemar Ayres dos Santos 2
1,2 Universidade Federal da Fronteira Sul, 1 suelenmphilippsen@gmailcom, 2 roseayres07@gmail.com
Palavras-chave : Ensino de Física; Constituição Docente; Produção de Conhecimentos.
Este relato de experiência visa refletir/contribuir para o debate sobre a formação de professores de Física, destacando os obstáculos enfrentados durante o estágio no Ensino Médio, ressaltando a importância de um apoio institucional adequado e dialogando sobre a atuação desde o planejamento à prática.
Sendo objeto desta discussão o Estágio Supervisionado: Física no Ensino Médio desenvolvido no curso de Licenciatura em Física na Universidade Federal da Fronteira Sul campus Cerro Largo. Momento que prepara a formação de profissionais, objetivando capacitar/preparar os licenciandos para lidar com as demandas da sala de aula. Este ocorreu em uma Escola Estadual de Educação Básica, no período noturno, com educandos do primeiro e terceiro ano.
Para desenvolver atividades utilizamos a metodologia dos Três Momentos Pedagógicos de Delizoicov e Angotti (1990) que caracterizam a abordagem em três etapas: Problematização inicial: questões reais são desenvolvidas aos educandos, estimulando sua reflexão e envolvimento com os temas, o educador atua como mediador, promovendo o debate e o pensamento crítico dos mesmos; Organização do Conhecimento: os conhecimentos necessários são apresentados de forma estruturada, utilizando diversos recursos didáticos, tendo em foco a compreensão dos fundamentos teóricos e a construção de uma base conceitual sólida; Aplicação do Conhecimento: os educandos são desafiados a aplicar o conhecimento adquirido para analisar e interpretar situações, explicar fenômenos, resolver problemas e tomar decisões, o educador fornece suporte e incentiva a reflexão e construção de novos conhecimentos.
Essa metodologia influencia a instigar o pensamento crítico e ajuda a desenvolver um conhecimento com mais significado. Pensando que, nos tempos atuais, é necessário que os indivíduos se tornem cidadãos críticos, com habilidades para questionar a realidade e solucionar problemas utilizando pensamento lógico, criatividade, intuição e capacidade de análise crítica. Além disso, é essencial que sejam capazes de selecionar procedimentos que sejam considerados mais adequados e verificar seus efeitos (BEZERRA et al. , 2009, ROSO et al. , 2015).
Assim, descrevemos a trajetória de experiência de uma professora em formação inicial, destacando os desafios enfrentados para despertar o interesse dos jovens e adolescentes na atividade desenvolvida, estabelecendo conexões com o seu mundo vivencial. Os resultados evidenciam a importância da reflexão sobre o estágio como parte essencial do processo de formação docente, e demonstram as
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diversas relações transitórias por meio da prática. Para realizar as atividades foi necessário conciliar as aulas ministradas com a elaboração de planos de aula, correção de atividades, preparação de experimentos e avaliação dos educandos, tudo dentro de um prazo limitado.
As ações desenvolvidas no primeiro ano, consistiram em desenvolver os conceitos de cinemática, importantes para compreender o comportamento dos objetos em movimento. Já no terceiro ano as aulas foram voltadas para o estudo da eletricidade, desde os conceitos básicos como carga elétrica, corrente elétrica, tensão elétrica e resistência elétrica, potência elétrica, Leis de Ohm e Circuitos elétricos.
Nas aulas foram incorporadas experimentação e a recursos digitais, pensando em poder proporcionar uma experiência de aprendizagem mais dinâmica e participativa. Visto que, fazer uso das tecnologias da informação e comunicação é fundamental para que os educandos consigam compreender, analisar e produzir o conhecimento científico, fazendo com que tenham independência em debates, expressando-se de forma crítica em relação a assuntos de ciência-tecnologia (BNCC, 2018).
O primeiro desafio consistiu em adaptar os conceitos complexos da Física ao nível de compreensão dos educandos do Ensino Médio, tornando os conhecimentos mais acessíveis e interessantes para eles. Também, houve dilemas ao se deparar com situações em que alguns educandos apresentavam dificuldades de aprendizagem, desinteresse ou indisciplina. Principalmente relacionadas ao fato de que muitos deles trabalham durante o dia e acabavam chegando na sala de aula cansados, não conseguindo concentrar-se na explicação.
Nesse prisma, uma atribulação foi a gestão do tempo e a organização das atividades, considerando a carga horária do estágio. Isso requer dos educadores em formação inicial a habilidade de priorizar e planejar suas atividades de forma a proporcionar aprendizagens. É necessário identificar as tarefas mais importantes e estabelecer metas realistas dentro do tempo disponível, levando em consideração as necessidades de aprendizado e os objetivos do estágio.
Outra situação que dificulta é o fato da Escola não estar aberta em muitos sentidos para novas metodologias, e ressaltar ideias de um ensino tido como tradicional, aquele que é pouco inovador. E, sendo ela um dos principais meios de ensino de conhecimentos físicos, este carece proporcionar aprendizagens que sejam significadas pelos educandos, rompendo com as formas enraizadas de ensinar física, que têm como foco a transposição de uma representação dessa área de conhecimento como desafiadora, complexa e incompreensível (BEZERRA et al. , 2009). No entanto, dentre todas adversidades, podemos perceber que conseguiam aprender os conteúdos e produzir seu conhecimento, pelas diferentes abordagens, além de criar um vínculo com a Educadora estagiária.
Sobretudo, é necessário que se reflita o papel do estágio e situar na formação como Noffs e Feldmann (2013) afirmam,
[...] a formação inicial não pode ser vista como oferecimento de 'propostas mágicas', mas sim situá-la como uma primeira fase de um longo e diferenciado processo de vivência, mudanças, conhecimento de si, do outro, da realidade, da escola, do conteúdo específico. Essa formação pressupõe o princípio de individualização como elemento essencial à
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formação, porém sem perder de vista o coletivo, o grupo no qual se insere tanto na dimensão acadêmica como pessoal (p. 26).
Ou seja, precisamos frisar que a formação inicial de educadores não é um processo estático, mas sim um caminho de desenvolvimento pessoal e profissional. Ao situá-la como uma primeira fase de um longo e diferenciado processo de vivência, mudanças e conhecimento, podemos preparar os futuros educadores para enfrentar os desafios da prática docente, valorizando tanto a dimensão individual como a coletiva.
A partir desse estágio percebemos que há momentos em nossas vidas que marcam profundamente nossa trajetória e nos transformam de maneiras que jamais imaginamos. Essas experiências singulares têm o poder de nos desafiar, nos ensinar e nos fazer crescer em níveis inimagináveis, exatamente o sentimento durante essa jornada.
Notamos como Freire (2001), que a natureza intrínseca do ensino transcende meramente um procedimento técnico e mecânico de transferência de conhecimento. Ela destaca a exigência ético-democrática de acompanhar o pensamento, os gostos, os recebimentos, os desejos e a curiosidade dos educandos. Contudo, essa consideração não isenta o professor, na qualidade de autoridade, de exercer o privilégio e a responsabilidade de estabelecer restrições, apresentar atividades e exigir sua conclusão. Esses limites são indispensáveis para evitar que as liberdades se percam na licenciosidade, assim como a autoridade, sem limites, se desvirtuem e se tornem autoritarismo.
Outro aspecto importante desse momento foi a possibilidade de trabalhar em equipe com os demais educadores, essa troca de experiências é enriquecedora e contribui para o crescimento profissional. É nesse momento que se aprende a lidar com os desafios do trabalho em equipe, a compartilhar ideias e buscar soluções conjuntas para os problemas do cotidiano escolar. Em suma, essa experiência mudou a visão da educação de maneiras profundas e duradouras, reconhecendo que a teoria, por si só, não é suficiente para preparar um educador, além de perpassar que cada educando está passando por adversidades pessoais, que precisamos lidar com essas situações.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, 2018.
BEZERRA, D. P.; GOMES, E. C. S.; MELO, E. S. N.; SOUZA, T. C. A Evolução do Ensino da Física: Perspectiva Docente. Scientia Plena . V.5, 2009.
FREIRE, P. Política e educação . 5. ed., São Paulo: Cortez, 2001.
NOFFS. N. A.; FELDMANN, M. O PIBID na PUC/SP . In : NOFFS. N. A. (Org.). O PIBID na PUC/SP: A formação de Professores e seus desafios. São Paulo, 2013, p.15-32.
ROSO, C. C. SANTOS, R. A. ROSA, S. E. AULER, D. Currículo temático fundamentado em Freire-CTS: engajamento de professores de física em formação inicial. Revista Ensaio , Belo Horizonte. v.17, n. 2, p. 372-389, 2015.
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