RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM ESTÁGIO EM ENSINO DE FÍSICA: REFLEXÕES E VIVÊNCIAS
Vivian Eduarda De Campos, Inés Prieto Schmidt Sauerwein, Vanessa Aparecida Wollmann
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM ESTÁGIO EM ENSINO DE FÍSICA: APRESENTANDO E REFLETINDO VIVÊNCIAS
*Vivian Eduarda de Campos 1 , Inés Prieto Schmidt Sauerwein , Vanessa 2 Aparecida Wollmann 3
- 1 Universidade Federal de Santa Maria, vivianeduarda2212@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Santa Maria, ines.p.sauerwein@ufsm.br
Palavras-chave : práticas; abordagens; frustrações.
## Resumo expandido
Este trabalho apresenta as reflexões, experiências e descobertas desenvolvidas durante a prática de regência vivenciada durante a disciplina obrigatória de Estágio Supervisionado em Ensino de Física IV no curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Santa Maria. As referidas atividades de regência aconteceram na Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes, situada na cidade de Santa Maria/RS. Além de apresentar o que foi desenvolvido para e com as regências, o objetivo deste trabalho também é refletir sobre o trabalho realizado, as estratégias de ensino utilizadas, a análise dos resultados obtidos e as considerações/conclusões da prática.
Durante a formação inicial de professores de Física, os futuros educadores planejam, ministram e refletem aulas de física e têm a oportunidade de praticar a docência, conforme previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Elaborar planos de aula, por exemplo, permite que os alunos experimentem diferentes abordagens e metodologias em um esforço para tornar o ensino de física acessível e significativo. No entanto, para ministrar as aulas é necessário ter o mínimo de conhecimento sobre os seus alunos, então, uma etapa de observação também é incluída nesta experiência. A partir desta observação, são adotadas as melhores formas de abordagem. Uma das estratégias utilizadas é o uso de exemplos práticos e situações cotidianas para promover a compreensão dos conceitos físicos. Assim, considerando as dificuldades observáveis dos alunos, foi utilizada uma estratégia mais leve e superficial no que tange aos conceitos e conteúdos básicos.
Neste período de estágio, enfrentei frustrações decorrentes de diversos fatores. Três principais insatisfações surgiram: a dificuldade dos alunos em utilizar corretamente a notação adequada, a gestão do tempo disponível nas aulas e a dificuldade de planejar e implementar as Situações Formativas (Lopes, 2004), que é uma metodologia que havia sido discutida no âmbito universitário e que seria implementada durante a regência. Os alunos apresentaram dificuldades em escrever equações e utilizar símbolos apropriados, afetando a compreensão dos conceitos físicos. Várias estratégias foram utilizadas e maneiras de contornar a situação, mas aquela prática dos alunos aparentava ser recorrente e arraigada.
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Além disso, o tempo tornou-se uma barreira para cumprir todas as atividades planejadas, comprometendo a abordagem aprofundada dos tópicos e infelizmente, tornando-se um grande norteador das atividades realizadas - e das não realizadas, foram ministradas apenas oito horas-aula devido a questões como feriados, paralisações e festivos escolares, onde inicialmente planejava-se ministrar pelo menos onze. Lamentavelmente, este empecilho não está presente apenas neste estágio, mas na maior parte das aulas de Física da rede básica e pública de ensino. Ainda, a implementação da Situação Formativa foi prejudicada pela compreensão limitada do conceito e pela insegurança desta estagiária em planejar e executar durante as aulas. É importante ressaltar que essas dificuldades são oportunidades de aprendizado, permitindo identificar estratégias para superá-las, como abordagens ainda mais diferenciadas na notação, inclusive contando com um período de tempo ainda maior para tanto, um planejamento mais realista e flexível e busca por apoio e aprofundamento na Situação Formativa. Essas reflexões contribuirão para o meu desenvolvimento profissional como educadora, visando aprimorar a qualidade do ensino e proporcionar uma experiência de aprendizagem mais enriquecedora para os alunos.
Como uma forma de guiar e avaliar os resultados obtidos durante o estágio foram aplicados questionários, no início e no final do período. O primeiro desses instrumentos não se configurou exatamente como um questionário convencional, mas como uma atividade em que os alunos foram solicitados a completar a frase: "Eu gostaria mais de Física se...". O objetivo desta atividade era, de certa forma, auxiliar na construção da abordagem que seria utilizada durante as próximas aulas, utilizando elementos destacados pelos alunos como norteadores da prática docente. É importante ressaltar que alguns estudantes não se empenharam seriamente na realização dessa atividade, simplesmente copiando as respostas de colegas que estavam mais próximos. Todavia, independentemente disso, todas as respostas foram consideradas na análise. Houve alguns alunos que não compareceram à aula no referido dia, mas nas aulas subsequentes solicitei que eles me entregassem as respostas pendentes, o que foi atendido. As respostas foram compiladas da seguinte forma: 38% dos alunos responderam que sentiam dificuldade na disciplina simplesmente por ser como é, 31% apontaram o uso de cálculos como um problema, 19 % sentiam falta de uma explicação mais detalhada, 6% apontaram dificuldades em como interpretavam e também 6% reclamaram da falta de atividades experimentais. Assim, as minhas práticas tentaram ser voltadas para sanar essas dificuldades, como explicações bastante detalhadas e sucintas, exemplificação e resolução de problemas teóricos, entre outras diferentes posturas adotadas. Ao final, foi aplicado outro questionário em que o objetivo era tentar medir o quanto as aulas melhoraram e buscaram atender os aspectos pelos alunos levantados na atividade inicial. Este questionário foi composto por 7 perguntas distintas onde os alunos marcavam letra a, b ou c, onde a mostrava um desempenho satisfatório, b um mediano e c insatisfatório. Um exemplo das questões é o seguinte: Ao final de nossas aulas, o quanto você gosta de Física? a) Gosto mais b) Continuo gostando da mesma forma que antes c) Gosto menos. Em geral, as respostas indicam uma percepção positiva dos alunos em relação ao desempenho durante a regência, refletindo uma avaliação favorável das práticas de ensino implementadas, visto que tiveram apenas duas marcações de letra c e cinco de letra b, contra 21 de letra a . Os alunos apreciam exemplos práticos de conteúdo e uma abordagem mais fácil e acessível. No entanto, alguns comentários destacaram áreas de melhoria, como a utilização de experimentos didáticos durante as aulas, que inicialmente havia
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sido planejada, mas devido ao tempo disponível foi suprimida. Vale ressaltar que apenas 4 dos 22 alunos responderam o questionário pois esse foi respondido de forma voluntária, diferentemente do outro em que estive presente e insisti para que respondessem. Essas devolutivas fornecem informações valiosas para melhorar as práticas educacionais.
As dificuldades encontradas ao longo do período foram vistas como oportunidades de melhoria, estimulando a busca de soluções e o desenvolvimento de habilidades pedagógicas mais efetivas. A análise dos resultados dos alunos e das respostas dos questionários de avaliação fornece uma visão clara de práticas bem-sucedidas e práticas que precisam ser modificadas. Com base nessas informações, é possível ajustar as estratégias de ensino, aprimorar o uso da notação adequada, aperfeiçoar o planejamento do tempo em sala de aula e planejar a implementação mais eficaz de situações formativas. O relatório de aprendizagem, juntamente com a reflexão e análise aqui apresentada, contribuirá para o desenvolvimento contínuo de minha prática docente e de todos aqueles que se propuserem a adotar estratégias e enfrentarem dificuldades semelhantes, sempre nos mantendo empenhados em melhorar a qualidade do ensino e criar um ambiente rico de aprendizagem para os alunos.
## Referências
LOPES, Bernardino José. Aprender e Ensinar Física . Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Diretrizes Curriculares Nacionais . Brasília: MEC, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_docman&view=download&alias=13 448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 . Acesso em: 13 jul 2023.
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